argolasActividades económicas: Agricultura, agro-pecuária, comércio, indústria, pesca e construção civil.

Festas e Romarias: S. Sebastião (20 de Janeiro), Santa Ana (26 de Julho), Espírito Santo, carnaval, N. Sra. da Consolação (1.º domingo de Setembro), S. João (24 de Junho), Santo Antão e Santo Amaro (2.º domingo da Quaresma), festa dos Bodos do Espírito Santo (7.º e 8.º domingo da Quaresma) e N. Sra. da Graça (2 de Fevereiro).

Património: Igreja matriz, ermidas da Misericórdia, da Senhora da Graça, de Santa Ana, da Senhora da Consolação, de S. João, do Bom Jesus do Bonfim e de Maria de Vieira, monumento ao historiador Francisco Ferreira Drumond, pelourinho, monumento da Brianda Pereira, casa Francisco Ferreira Drumond, chafarizes, moinhos de água, casario típico, fontes, farol das Contendas, forno da Telha, biblioteca do Reverendo Coelho de Sousa e impérios do Divino Espírito Santo.

Outros Locais: Miradouro da Maria Vieira, zonas de pesca, zona balnear de Salgueiros e Salga, parques de campismo, serra do Cume, ilhéus da Mina (habitat de aves migratórias protegidas) – zona de protecção especial.

Gastronomia: Alcatra, sopa do Espírito Santo, massa sovada, arroz-doce e linguiça caseira.

Artesanato: Rendas, bordados, tecelagem e tapeçaria. Colectividades: Filarmónica União Sebastianense, Grupo Folclórico da Casa do Povo de S. Sebastião, Grupo de Teatro “O Vila”, União Sebastianense Futebol Clube, Associação Cultural Recreativa e Desportiva da Juventude de S. Sebastião, Santa Casa da Misericórdia e Salão Gaspar Ribeira Seca. Orago: S. Sebastião  

DESCRITIVO HISTÓRICO
A Vila de S. Sebastião é uma das mais antigas e importantes freguesias de Angra do Heroísmo. A sua história confunde-se com a própria história da ilha Terceira. Já foi sede de concelho e pólo aglutinador de uma vasta região em redor. A ascensão a vila determinou, então, o seu actual nome.
Constituída pela cabeça da freguesia e por dois lugares anexos, Ribeira Seca de Cima e Ribeira Seca de Baixo, a freguesia de Vila de S. Sebastião encontra-se a doze quilómetros para ocidente da sede do concelho. Está situada no extremo sudeste da ilha Terceira, entre as pontas Negra e da Mina.
Esta freguesia chamou-se inicialmente Lugar da Ribeira de Frei João. Foi elevada a vila e sede de concelho em 23 de Março de 1503 por D. Manuel I, que lhe deu a actual denominação. Perdeu esta categoria em 24 de Outubro de 1855, depois de um grande reordenamento administrativo do País. Ao longo de mais três séculos, o concelho de Vila de S. Sebastião desempenhou importante papel na geografia política da região.

Em 1582, aqui desembarcou D. António, Prior do Crato. Esta personalidade da lusa história fora uma das participantes na sucessão ao trono de Portugal, vago depois da morte de D. Sebastião e do cardeal D. Henrique. Alguns anos antes, em 1540, fora Jácome de Bruges, um fidalgo flamengo, a desembarcar também no termo desta freguesia, num local chamado Pesqueiro dos Meninos. Relembre-se que, um ano depois, seria o infante D. Henrique a fazer donatário da ilha o citado fidalgo, de seu verdadeiro nome Jossué Van der Bergue de Bruges. Desembarcaram em S. Sebastião, mas foram fixar-se uma légua acima, que foi baptizada com o nome de Porta Alegre.

As condições geográficas da freguesia favoreceram sobremaneira estes acontecimentos. Refere Frutuoso: “Na jurisdição da vila de S. Sebastião, nova fortaleza se fez por razão de poder pescar qualquer navio que passasse da fortaleza grande para dentro, por estarem ambas em a grande baía e perto da vila de S. Sebastião, defronte uma da outra.” Carlos Drumond de Andrade, por seu lado, recorda a “larga e profunda baía, abrigada dos ventos gerais, e na qual muitas vezes deram fundo grossas armadas que demandavam a ilha”.

A igreja paroquial é o monumento mais significativo da “paisagem” humana de Vila de S. Sebastião. De porta ogival, com quatro arquivoltas, tem no seu interior uma série de frescos da segunda metade do século XVI, salvos porque parcialmente recuperados há alguns anos. é um templo de três naves, separados por seis arcos de volta perfeita. No centro da capela-mor, pode ver-se a imagem de Nossa Senhora da Consolação.

A Capela da Misericórdia foi inaugurada em 1 de Junho de 1571, sendo pertença da Santa Casa. Um hospital foi inaugurado pela mesma época, a demonstrar a importância que Vila de S. Sebastião já tinha, mas teve uma duração efémera. A Capela de Nossa Senhora da Graça é de 1568 e foi mandada construir por João Fernandes dos Fenais e por sua mulher Maria Fernandes Corte Real. O templo dedicado ao Bom Jesus do Bonfim foi fundado em 1682 por Mateus de Távora em cumprimento de uma promessa feita por um seu antepassado no decorrer do combate da Salga. A Capela de Nossa Senhora da Consolação, por fim, foi mandada edificar em 1546 por Gaspar Gonçalves.

Do património civil, destaque para o pelourinho, símbolo de uma autonomia administrativa que já faz parte do passado, e para o farol das Contendas. Inaugurado em Fevereiro de 1934, tem vinte metros de altura e alcança uma distância de trinta milhas. É um dos pontos mais interessantes da freguesia.
A cultura do linho, aqui como noutras freguesias deste concelho, ocupa plano de destaque na etnografia local. Hoje já não existe todo aquele ritual que fazia de cada serão o melhor dos divertimentos. Nem os cânticos das raparigas que procuravam parceiro e dos rapazes que procuravam aliviar o trabalho mais duro. O linho, no entanto, está presente na alma dos mais velhos sebastianenses, que se alegram com uma eterna memória.

É que, tal como o trabalho do moleiro e outros, o engenho do linho tende a desaparecer. É artesanato do mais puro que se perde na poeira do tempo, e que vai sendo substituído pela maquinaria moderna. Eram necessárias várias fases desde que a terra era amanhada até aos trabalhos finais, a urdidura e a tecelagem. Era um engenho complexo, demorado e custoso, mas muito bonito e tradicional.

O primeiro passo era o amanho da terra. Estando o terreno lavrado, semeava-se à mão milho, feijão e sementes de abóbora nas leivas, e grada-se com a grade de dentes, para a terra ficar solta. O terreno estava pronto para a segunda fase da lida, a sementeira. Nesta segunda parte, o lavrador começava a semear a linhaça, regulando-se pelos sulcos divisores dos talhões. Oito dias depois da sementeira, a terra era regada pela primeira vez, tarefa que se sucedia intervalada pelo mesmo período de tempo. Semeado nos fins de Abril, o linho encontrava-se maduro por alturas do São João. Nessa altura, procedia-se à arriga – arrancar as plantas tenras e dispô-las em molhos de oito mãos cheias.

Depois de tirado do carro, o linho era preso ao ripo e era ripado. O ripo é formado por um cavalete, dentes, um ferro e argolas para o segurar à cabeçalha do carro. A ripa costuma começar ao início da madrugada, para estar pronta ao amanhecer. Enquanto os ripadores almoçam, as raparigas pegam em ramos de flores e vão pô-los no ripo, com os pés virados para o homem a que se destina. O enterramento do linho consistia em colocar os molhos de linho, durante uma semana, em pequenas covas abertas junto ao rio, tapadas por areia. Retirado o linho do rio, passava-se à fase seguinte, o estender. Os molhos regressam ao monte, onde as mulheres os estendiam às filas. Passados mais ou menos quinze dias, numa tarde de grande calor e sem nevoeiro, apanha-se o linho e guarda-se na casa da eira, de novo aos molhos. Em seguida vinha a malhada. Nesta tarefa, só entravam duas pessoas. Que começavam a malhar, uma em frente à outra, no lado para onde estavam viradas as raízes. Malhado o linho, este é virado e recomeça-se a mesma tarefa. Depois de todo malhado, o linho era guardado de novo na casa da eira, até ser levado para o engenho.

Moído, o linho vinha do engenho em “massadouras” e era guardado até que chegasse a próxima faina. A espadelada iniciava-se às dez horas da noite e prolongava-se até muito tarde. Uma noite de intenso mas bem-disposto trabalho, onde imperava a alegria e as cantigas ao desafio. Prontas as meadas, passava-se à fiação. Depois de carpear a estopa, com os dedos, era necessário ensarilhar. A cozedura do linho, no forno, era o passo seguinte. Um árduo trabalho que, como se disse antes, faz parte da lembrança mais viva da população de Vila de S. Sebastião.

De resto, dir-se-á que o artesanato actualmente existente resume-se à tecelagem, aos bordados e a pouco mais. Com cerca de dois mil habitantes, a freguesia de Vila de S. Sebastião tem como principais actividades económicas a agricultura, a pecuária e a pesca, o comércio e alguma indústria.
Das figuras ilustres desta freguesia, destacamos Francisco Ferreira Drumond, presidente da Câmara Municipal do antigo Concelho de S. Sebastião, organista e historiador (autor dos “Anais da Ilha Terceira”). Destaca-se ainda o Reverendo Coelho de Sousa, jornalista, pintor, dramaturgo e poeta.

 

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