Freguesia de Feteira

População: 850

Actividades económicas: Agricultura, carpintaria, panificação, serviços e construção civil

Festas e Romarias: Espírito Santo, carnaval, N. Sra. da Conceição (15 de Agosto) e N. Sra. das Mercês (24 de Setembro)

Património: Igreja matriz, Ermida de Nossa Senhora das Mercês, impérios e chafarizes

Outros Locais: Zona balnear das Poças e montes dos Ilhéus no Atlântico

Gastronomia: Alcatra, sopa do Espírito Santo, polvo frito e arroz-doce

Artesanato: Bordados e rendas

Colectividades: Filarmónica da Casa do Povo de Feteira

Orago: N. Sra. das Mercês

 

DESCRITIVO HISTÓRICO

A sete quilómetros da sede do concelho, a freguesia de Feteira encerra no seu termo uma paisagem de grande beleza e um dos mais importantes pontos de atracção turística da ilha. Mesmo em frente, eis os ilhéus das Cabras, em pleno Atlântico, a fornecer um toque de mistério e de magia a toda a freguesia.

O seu nome é de origem óbvia e está relacionado com a abundância de fetos no seu solo. Pelo menos na altura em que a povoação foi baptizada, deveria ser assim. Vejamos o significado do topónimo: “Lugar em que crescem fetos; fetal.” Mais se dirá que provém do latim e que aponta, como se disse, para um habitat em que domina uma vegetação típica e abundante. Deriva de Filicaria, de raiz Filix, que significa feto. Referenciado como Filgaria, no ano de 959, e Felgarias, em 1039 e 1220, acabou por derivar, neste caso concreto, em Feteira. É um topónimo relativamente comum no nosso País. Esta freguesia será assim, no seu início, terreno coberto de fetos, de arbustos, ou, como traduziu o filólogo Du Cange, “lugar cheio de arbustos ou felga”.

Em 1413, e é esta a primeira referência indirecta de que dispomos sobre a freguesia, um portulano realizado por mercador florentino situa os ilhéus das Cabras ou pedras toscas, que se encontram diante da Feteira. Décadas mais tarde, D. Manuel I iria doá-las ao morgado e provedor Pires do Canto. Diz a tradição que, num desses penhascos, Fernão de Hutra teria vivido desterrado durante sete anos. Aí acabou por morrer, depois de se enamorar por uma das três filhas de Jorge Bettencourt, da casa da Madre de Deus. Diz ainda a tradição que, fugindo de um corsário argelino, doze barcos de pesca portugueses ali se esconderam, sãos e salvos.

A primeira ermida que existiu em Feteira, nos finais do século XVI, foi a de Nossa Senhora das Mercês, actualmente a sua padroeira. Nessa altura, estava esta povoação integrada, a nível administrativo e eclesiástico, na freguesia de Ribeirinha, e assim continuou durante algum tempo. Foi o Pe. Manuel Martins Coelho Baião, vigário daquela paróquia, o promotor da iniciativa, a expensas suas e com o objectivo de ali rezar missa pelas vindimas. Por essa altura, Feteira era um pobre lugar, muito pouco povoado. Aqui viveriam não mais de seis famílias, segundo a topografia do Monsenhor Alves da Silva.

Em 10 de Setembro de 1863, o desenvolvimento populacional da Feteira e a distância (três quilómetros) em relação à Ribeirinha, permitiram a sua elevação a curato, embora sufragâneo daquela paróquia. Tinha nesta altura, segundo os dados estatísticos disponíveis, dezassete fogos e cerca de trezentas almas. Um número que, pelo menos em relação aos fogos, estará claramente sub-avaliado.

A partir daquela data, e porque já se justificava, começou a ganhar corpo a ideia de construir um templo maior, que pudesse acolher todos aqueles que desejavam demonstrar a sua devoção à Virgem. Assim foi feito, e depois de um processo muito complicado, a nova igreja foi benzida por António Joaquim Borges, cónego honorário de Feteira, corria o dia 20 de Maio do ano de 1868. Apesar disso, a igreja não estava pronta, ainda, pois a torre sineira só foi erguida em 1877. A invocação continuou a ser a de Nossa Senhora das Mercês, embora a principal imagem que ali foi colocada tenha sido a de Nossa Senhora da Consolação, oferecida por uma particular. Outras imagens, compradas já em meados deste século, foram as de Nossa Senhora das Dores, Imaculada Conceição, Virgem de Fátima e Nossa Senhora das Mercês.

A ansiada independência administrativa ocorreu finalmente em 30 de Novembro de 1906, com a elevação a freguesia. A separação de Ribeirinha fez-se de pequenas guerras e de disputas por lugares anexos. Ladeira Grande, por exemplo, esteve para ser integrada em Feteira mas acabou por preferir a povoação vizinha. O primeiro pároco da freguesia foi Manuel Soares Barbosa.

A nível de património edificado, além da já referida igreja paroquial, referência para dois impérios, ambos em alvenaria, que se encontram na Feteira: o da Canada das Vinhas e o da Ponta Nova. Foram construídos respectivamente em 1921 e 1928. No local onde se ergue actualmente o primeiro daqueles, existia um outro, mas era mais pequeno e muito antigo.

Drumond, referindo-se à sua viagem pela ilha Terceira, escreveu sobre esta freguesia e o espaço que a envolve: “Assim é que achámos na parte do sul o biscoito da Feteira, um dos mais externos, porquanto se estende desde a terra brava, até ao mar do sul em distância de três léguas, com mais de um quarto de largo, uma parte do qual se acha à beira-mar, clivado de vinhas e arvoredos”

 

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