Freguesia de S. Bento

População: 2000

Actividades económicas: Lacticínios, comércio, serviços, agricultura e lavoura

Festas e Romarias: Espírito Santo (Maio/ /Junho), S. Bento (Julho), império do Arco (1.ª semana de Agosto), S. Bento (Julho), Sagrado Coração de Jesus e Maria (última semana de Agosto), N. Sra. de Fátima (2.ª semana de Outubro), Dia da Freguesia (3.º domingo de Julho) e Carnaval

Património: Igreja paroquial, ermida de S. Luís, impérios do Largo S. Bento, do Arco e de S. Luís e igreja do Livramento

Outros Locais: Miradouro do Alto do Pico Redondo, parque desportivo João Paulo II, praça de touros, casario tradicional, parque de lazer e mata da Esperança

Gastronomia: Alcatra

Artesanato: Olaria e ferreiro

Colectividades: Sociedade Recreativa de S. Bento, Grupo de Baile da Canção Regional Terceirense, Terceira Automóvel Clube, Irmandade de Nossa Senhora do Livramento, Tertúlia Tauromáquica Terceirense e Clube de Atletismo da Ilha Terceira

Orago: S. Bento


DESCRITIVO HISTÓRICO


A um quilómetro da sede do concelho, a freguesia de S. Bento está situada junto da confluência das ribeiras da Grota dos Calpinhos e Vale de Linhares, que formam a ribeira de S. Bento, e na margem da estrada que liga a sede do concelho a Praia da Vitória. É constituída pelos lugares e sítios de Achadas, Arco, Cambalime, Canada da Ribeirinha, Copins, Grota do Vale, Ladeira do Livramento, Ladeira de S. Bento, Largo de S. Bento, Pico Redondo, Reguinho, Salto e S. Luís.

Esta freguesia inicia-se no local onde existiu, no passado, a porta oriental de Angra do Heroísmo. Estende-se até ao Pico Redondo, cortando pelo meio Vale Linhares.

Como freguesia, S. Bento foi criada em 1572, sensivelmente na mesma época que muitas outras paróquias deste concelho. No entanto, há algumas informações anteriores relativas a outros lugares da povoação. Em 1482, a criação do curato de Achada foi sugerido pela Junta Geral à Raínha D. Maria II, mas tal categoria durou pouco tempo devido em parte à aspereza do clima.

Aqui existiu um convento de capuchos, da invocação de Santo António. Foi edificado no local onde anteriormente tinha existido uma ermida dedicada a S. Roque. No sítio da Achada, notavam-se há alguns anos ainda vestígios de um outro templo, construído em 1843 no terreno que fora do visconde de Bruges.

A igreja paroquial, restaurada em 1901 e benzida a 19 de Dezembro do mesmo ano, é de uma só nave. Tem altares dedicados ao Santíssimo Sacramento, do Coração de Jesus e de Nossa Senhora da Conceição. Tem esculturas onde figuram o Senhor Jesus dos Milagres, S. Bento, S. José, Santo António, Santa Teresinha e Santa Filomena.

A igreja do Livramento, por seu lado, é a sucessora de uma pequena ermida que existiu no mesmo local e que era consagrada a S. Roque. Foi edificada em 1610 e doada em 1643 para o mosteiro dos Capuchos. Os franciscanos trataram então de ampliar de forma extraordinária um templo que até aí era muito pequeno. Recebeu a invocação da Virgem do Livramento apenas depois da extinção das ordens religiosas, em 1832. Revestem a capela-mor azulejos representativos da vida de Francisco de Assis, oferecidos por D. Manuel Álvares da Costa em 1725. Possui diversas imagens de interesse, das quais se destaca a de Santo António, colocada no nicho sobre a janela do frontispício.

A Ermida de S. Luís encontra-se na quinta da Boavista, em Vale de Linhares. Consagrada ao santo mártir, bispo de Tolosa, foi construída por João Pacheco de Vasconcelos, capitão e fidalgo do rei. Aqui se comemora anualmente uma grande festividade dedicada a Nossa Senhora de Fátima. Decorre na segunda semana de Outubro e já fez esquecer a antiga procissão, que se fazia na mesma época do ano em honra do seu padroeiro.

No império do Espírito Santo, na povoação de Achada, realizou-se o primeiro bodo em 28 de Agosto de 1842. Distribuíram-se nessa grande festa cerca de dois mil pães e centenas de litros de vinho. Um jornal regional da época dizia assim: “Pena foi a manhã estar bastante chuvosa; porém, apesar disso, foi imenso o número de pessoas que ali concorreram de diversos pontos da ilha; sendo geral o apreço que elas davam àquele mui risonho e belo local. Não obstante, pode dizer-se que o bodo durou durante todo o dia, porque em todo o dia se deu pão e vinho, além de distribuído pelas nove horas da manhã; ainda à noitinha, ao retirar do novo imperador para sua casa, se repartiu mais, por as pessoas ali presentes. A parte restante foi no dia seguinte levada aos presos da cadeia desta cidade. Temos todo o prazer em anunciar que, apesar da abundância de vinho, e de bebedores ali reunidos, a tranquilidade pública nem levemente foi alterada, o que decerto muito depõe da pacificatez dos terceirenses, eternos animadores da folgança nos limites da boa ordem”.

Uma descrição muito curiosa, sobretudo pelos traços que nos fornece das características da população da freguesia e da própria região autónoma dos Açores. S. Bento é uma das mais povoadas freguesias de Angra do Heroísmo, com cerca de dois mil habitantes, e tem como principais actividades os lacticínios, o comércio, os serviços e a agricultura. Esta última é desde tempos imemoriais a primordial e principal fonte de rendimentos dos seus habitantes

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