Freguesia de Posto Santo

População: 988

Actividades económicas: Agricultura, comércio, panificação, serralharia mecânica, serração de madeira, fruticultura e construção civil

Festas e Romarias: Espírito Santo (Maio), Santo António (Agosto) e Nossa Senhora da Penha da França (1 de Janeiro)

Património: Igreja paroquial, impérios do Espírito Santo, quintas de Santo António, das Roças, do Briado e dos Morgadinhos e chafariz

Outros Locais: Sobreiro centenário, caldeira Guilherme Moniz, furnas de Enxofre, zona de lazer e florestal do Pico da Bagacina e Terreiro dos Padres e fonte da Telha (nascentes de água)

Gastronomia: Sopa do Espírito Santo, alcatra, torresmos de Cancela, morcela, sarapatel e arroz-doce

Artesanato: Bordados, vimes e barro

Colectividades: Grupo de Baile à Antiga de Posto Santo, Clube Desportivo Postosantense, Grupo de Baile Antiga Juvenil, Rancho de Matanças à Antiga e Agrupamento 466

Orago: Nossa Senhora da Penha de França

 

DESCRITIVO HISTÓRICO

Esta freguesia é a mais recente do concelho de Angra do Heroísmo. Foi criada apenas em 1980 através de desmembramento do território da freguesia de Santa Luzia. Tem uma área de vinte e dois quilómetros quadrados.

Posto Santo pertenceu à freguesia de Santa Luzia até formar freguesia independente. Em termos eclesiásticos, dependeu também dessa paróquia. Era um curato da sua apresentação. Foi elevada à categoria de freguesia em 15 de Outubro de 1980, curiosamente no mesmo ano do grande terramoto que afectou todo o arquipélago. Uma promoção que se deveu a um crescimento assente em bases sólidas. O símbolo deste crescimento constituiu-se na inauguração da sede da junta de freguesia, em Março de 1989. Um edifício caiado de branco, modernizado, no centro de uma autonomia administrativa ansiada desde há muito.

O seu nome, segundo uma arreigada lenda popular, deriva de um facto histórico importante e trágico para os Açores: a peste epidémica que grassou em toda a ilha Terceira no ano de 1599, que vitimou milhares de pessoas. Apenas a população de Posto Santo escapou ao infausto acontecimento, e aí se refugiaram muitas famílias de Angra do Heroísmo. A partir dessa altura, ficou o Posto Santo...

No entanto, a verdade histórica destrói tão elaborada teoria. Frutoso refere já depois do suposto acontecimento: “Onde se chama o Posto Santo, no cimo destes biscoitos, está, entre outras, uma fonte de tanta água que faz uma ribeira grande, que corre pelos vales abaixo, com cuja água se provêem todas as quintas, que por ali há muitas, recreação de Verão, e pomares de todas as frutas e muitas e ricas colmeias, pela grande cópia de ervas ussa, que é pasto gratíssimo das abelhas, onde há um homem que tem quinhentas colmeias, e é tão aprazível posto que perto desta fonte fez um grande genovês, chamado Lopalma, uma formosa quinta, prantada de pomares e vinhas, e junto das casas passa o mesmo ribeiro da mesma fonte.”

O Pe. António Cordeiro, por seu lado, alude também à água como razão do nome da freguesia: “Além destes três caminhos (o de baixo, o do meio e o de cima), que saem da porta de Santa Catarina, e da cidade, vai mais pelo norte de cima subindo brandamente outra estrada até um trato que chamam o Posto Santo, ou Porto Santo, aonde está uma povoação de tão sadios ares, tão nobres casarias, ermidas, e quintas tão recreativas, e frutíferas, e mais para cima delas a quinta das férias do Colégio da Companhia, que com razão se chama Posto, ou Porto Santo, porque daí tanta e tão excelente água sai, e de beber, que aproveitando-se todos dela, corre ainda copiosa, e uma valente légua até ao sul, e do meio da légua que vai do monte Brasil e S. Mateus; e da saída da cidade para o tal Posto Santo, afirma Frutuoso, que não havia dia em que por ela não passassem mais de mil pessoas para quintas, e parecia uma rua das principais de Lisboa. E alguém, dirá que em o tal Posto Santo, e em alguma ermida dele, deve instituir-se igreja paroquial, e seu vigário, ou cura, pois tem muitos moradores, e lavradores contínuos e muito distantes os sacramentos da cidade”.

A igreja paroquial de Posto Santo, dedicada a Nossa Senhora da Penha de França, é o seu mais importante edifício religioso. Ostenta no frontispício a data de 1910, mas na realidade só começou a ser construída no ano seguinte. Procedeu-se à sua inauguração em Maio de 1924. Destaca-se, do seu interior, a talha barroca do retábulo do altar-mor. É do século XVII e veio da antiga ermida do Mártir S. Sebastião.

Benzeu a sua primeira pedra, treze anos antes da inauguração, António Maria Ferreira, vigário capitular “sede episcopali vacante” da diocese de Angra. No auto lavrado nessa altura, referia-se que “o excelentíssimo monsenhor vigário capitular procedeu logo à benção da dita pedra primeira, observando-se em todo o acto solene as prescrições do Ritual Romano, descendo portanto ao alicerce a colocá-la com as orações determinadas, para este acto, pela santa Igreja Católica. Foi muito grande a assistência de fiéis ao acto, findo o qual subiram ao ar muitos foguetes e sendo visível a alegria de todos os circunstantes. E para constar, eu presbítero Eugénio Augusto de Oliveira, professor efectivo do Liceu Nacional de Angra do Heroísmo, que assisti a todo o acto, lavrei este auto, que vai ser assinado pelas pessoas supra-mencionadas e por outros circunstantes e por mim servindo de secretário”. E continuava, o auto, com as assinaturas dos presentes.

Diversas ermidas existiram nesta freguesia, embora muitas já tenham desaparecido. A capela de Santo António das Almas, na quinta do mesmo nome, foi erigida nos anos 20 do século XVII por um tal António Gomes Pais e sua mulher. Um tanque exterior tem a data de 1685. É particular.

A capela da Virgem de Lourdes, na canada do Breado, foi instituída nos anos setenta do século XIX. Pertence a uma propriedade que, de início, pertenceu a Narciso Torquato da Costa. Nessa altura, não existia ainda a capela. Anos mais tarde, em 1881, o seu dono vende ao Pe. Gabriel António Soares Furtado, cura da freguesia de S. Bento, uma propriedade rústica e urbana, composta de “cento e vinte e cinco ares e quatro centiares de terra lavradia e algum arvoredo, e uma casa, ermida e cisterna.”

A capela de S. Judas Tadeu, no lugar de Moçambique, foi instituída por Manuel Machado Toste e benzida em 13 de Julho de 1968. Muito recente, não apresenta grandes motivos de interesse a nível arquitectónico ou histórico.

A capela de Nossa Senhora da Conceição, no lugar de Roças, foi construída no sopé do monte Ralo. Estava em muito mau estado em finais do século passado, altura em que Joaquim Fartura a mandou reedificar.

A ermida de Nossa Senhora do Pilar, erecta em 1680 por Brás Fernandes, encontra-se na quinta conhecida como dos Castelhanos, na Canada da Missa. Foi restaurada em 1868. Já não existe.

A agricultura continua a ser uma das principais actividades da população da freguesia. Sempre foi assim. No século XIX, existiam em Posto Santo extensos pomares de laranjas, nos lugares de Mato Ralo e Canada das Roças. A exportação deste citrino para Inglaterra era então uma das principais fontes de rendimento da povoação.

Além da agricultura, na qual a fruticultura continua a ocupar lugar de destaque, a serração de madeiras tem também alguma relevância na economia local. As condições geográficas, especialmente a nível vegetal, assim o condicionaram. Cercada de pinheirais, eucaliptos e faias, Posto Santo possuiu desde sempre uma vasta área coberta de matas. No século passado, abundavam os serradores e lenhadores, à época trabalhando apenas de forma manual e hoje já mais mecanizada

 

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