Freguesia de Cinco Ribeiras

População: 700

Actividades económicas: Agro-pecuária e serviços

Festas e Romarias: Espírito Santo, carnaval, Santo António (15 de Agosto) e S. Pedro (29 de Junho)

Património: Forte de S. Bartolomeu, ermida de Nossa Senhora de Lurdes, chafariz, igreja matriz e império

Outros Locais: Museu Etnográfico Dr. Marcelino Moules, zona balnear Porto das Cinco e parque de campismo

Artesanato: Pintura, miniaturas tradicionais e tecelagem

Colectividades: Assoc. Cultural das Cinco Ribeiras, Sociedade Recreativa N. Sra. do Pilar, Sociedade Filarmónica de N. Sra. do Pilar da Casa do Povo das Cinco Ribeiras

Orago: N. Sra. do Pilar

 

DESCRITIVO HISTÓRICO

A cerca de dez quilómetros de Angra do Heroísmo, a freguesia de Nossa Senhora do Pilar de Cinco Ribeiras encontra-se na parte sul-sudoeste da ilha Terceira, junto à estrada da Circunvalação.

À entrada da freguesia, podem ver-se umas curiosas alminhas, muito antigas, que eram originalmente em madeira e são hoje em cimento. Um autor local explica a razão pela qual essas alminhas estão na base do nome da freguesia: “Foi ela certamente que deu nome ao local: Cruz das Duas Ribeiras, ribeiras que são as denominadas da Ponte e do Salto, ambas sitas em S. Bartolomeu e as únicas de Angra até esta freguesia. As mesmas se contam na denominação das cinco Ribeiras sendo a terceira a Ribeira do Mouro (porquê este nome ninguém sabe), a quarta a Ribeira das Cinco, e a quinta a da Praia (também se desconhece a razão do nome). E tínhamos assim a região das Cinco Ribeiras, a ponta forte de Santa Bárbara, rica e bela, com seu porto de pesca, modesto mas o único desde o de S. Mateus ao dos Biscoitos, onde estacionavam e estacionam ainda alguns barcos.”

Este porto de pesca acabou por ser fundamental para os destinos e para a evolução económica da freguesia. Em 1653, a Câmara Municipal de Angra do Heroísmo aqui mandou construir um pequeno forte, doravante conhecido como de S. Bartolomeu, que tinha como missão a defesa da costa portuguesa. Actualmente, esse forte encontra-se em estado de ruína.

Em termos administrativos, esta freguesia foi criada em 1870, através do seu desmembramento do território de Santa Bárbara. As principais razões dessa divisão administrativa estiveram relacionadas com a grande distância entre a povoação das Cinco Ribeiras e a igreja matriz de Santa Bárbara. Assim, os seus habitantes pediram a independência, que muito justamente lhe foi concedida. O rápido aumento da população contribuiu também para a concretização dessa medida. A paróquia, no entanto foi criada apenas em 1 de Fevereiro de 1879.

Inicialmente, Cinco Ribeiras foi um curato, consagrado a Nossa Senhora do Pilar. Assinado por Frei Estevão de Jesus Maria, bispo de Angra do Heroísmo, o requerimento respectivo solicitava que fosse “criado um curato sufragâneo da freguesia mencionada (...) por se achar aquela povoação a grande distância da igreja paroquial, sentindo os seus moradores a falta de socorros em suas necessidades espirituais.”

Foi então nomeado, como primeiro cura de Cinco Ribeiras, o jovem sacerdote João Lourenço da Rocha, até à data coadjutor do vigário na capela de Nossa Senhora do Pilar. Uma personalidade fundamental para o futuro da paróquia, pois foi toda a força da sua acção que acabou por conduzir à construção de uma igreja paroquial digna e suficiente para todos os habitantes da freguesia. Até aí, existia apenas a referida ermida, mas era pequena e não tinha as condições exigíveis para a prática do culto. Assim, a primeira pedra para a construção do templo, depois de muitos adiamentos e da procura constante do terreno ideal, ocorreu em Maio de 1867 e a sua inauguração em 1872. Entretanto, a pequena ermida de Nossa Senhora do Pilar já fora demolida, para dela aproveitar a cantaria e demais materiais de construção.

Na fachada da igreja, alta e elegante, pode ver-se uma inscrição com a data de 1871. Nesse ano, no entanto, faltavam ainda a capela-mor e a sacristia. Só depois disso se procedeu à sua benção e à colocação, num dos pilares, da imagem de Nossa Senhora do Pilar.

Em 1903, foi inaugurada a Ermida de Nossa Senhora de Lurdes, era então vigário de Cinco Ribeiras o Pe. Belarmino José da Silva, que fica também na história da freguesia. Situada à beira-mar, junto ao pequeno porto, tem apenas um altar com as imagens de S. Pedro, à direita, S. Paulo à esquerda e de Nossa Senhora de Lurdes no centro. Mede cerca de vinte metros de comprimento por sete de largura. Aqui se realizavam duas festas anuais, dedicadas a Nossa Senhora de Lurdes, o orago da capela (11 de Fevereiro), e S. Pedro, padroeiro dos pescadores (29 de Junho). Destas duas, apenas a segunda se realiza, já que a primeira caiu praticamente no esquecimento.

Em termos paisagísticos, recomenda-se a subida ao Pico dos Porcos, Pico da Serreta e Pico de Miguel Fernandes. Álamo de Oliveira, em “Viagens na Nossa Terra”, confirma a justeza de uma visita a Cinco Ribeiras: “Volte a Angra, passando pelas cinco Ribeiras e S. Mateus. (...) Da primeira espantação do olhar, há que libertar as emoções e doseá-las através da auscultação dos pressentimentos e das surpresas para, de seguida, definir os rumos”.

 

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