Freguesia de Santa Bárbara

População: 1337

Actividades económicas: Agro-pecuária, comércio, serviços, construção civil, oficinas-auto, carpintaria e serração de madeiras

Festas e Romarias: Espírito Santo, Santo António (último domingo de Agosto) e carnaval

Património: Igreja matriz, império, Ermida de Nossa Senhora da Ajuda, ermida do cemitério, reservatório de água, edifício da Junta, chafarizes, Casa dos Romeiros e casario típico

Outros Locais: Zona de lazer junto ao reservatório de águas, zona de lazer de Nossa Senhora da Ajuda com miradouro, serra de Santa Bárbara, charneca vulcânica, trilho de carros de bois em Ribeira dos 7 e lugar do Poezinho da Nossa Senhora da Ajuda, Pico da Vigia da Baleia e Serra de Santa Bárbara (matéria vulcânica)

Gastronomia: Alcatra, cavacas, filhós, morcela, linguiça, molho de fígado e molho de cabeça de porco

Artesanato: Queijo Vaquinha de Santa Bárbara, bordados, colchas, vimes, tanoaria eminiaturas em madeira e tecelagem

Colectividades: Filarmónica de Recreio Santa Bárbara, Sport Clube Barbarense e Grupo de Violas da Casa do Povo

Orago: Santa Bárbara

 

DESCRITIVO HISTÓRICO

Com uma área de cerca de dezoito quilómetros quadrados, a freguesia de Santa Bárbara é uma das mais importantes deste concelho. Encontra-se a treze quilómetros de Angra do Heroísmo, na costa sudoeste da ilha Terceira, a norte-noroeste da ponta das Ribeiras, entre as ribeiras das Sete e das Oito. É também chamada Santa Bárbara das Nove Ribeiras, já que é atravessada por cinco ribeiras, e uma delas chamava-se A das Nove.

A freguesia, como reduto administrativo autónomo, foi criada em 1489. Santa Bárbara era então a única na jurisdição de Angra, quando Jácome de Bruges era donatário da ilha. Um dos primeiros documentos relativos a esta freguesia data exactamente desta época. Diz assim: “Aos oito dias do mês de Junho de 1486 passou João Vaz Corte-Real, uma carta em forma, a Bastião, filho de João Esteves, tecelão, morador nas Nove Ribeiras, a qual terra é assim como parte da banda do poente com as Doze Ribeiras e da banda do levante parte com os Biscoitos, terras que hajam três ou quatro moios em semeadura, assim como vai do mar até ao longo da dita Ribeira”. A referência a Nove Ribeiras é óbvia.

A importância da freguesia ao longo dos séculos tem sido considerável. Esteve, inclusivamente, para ser elevada a cabeça de concelho, e foi sede de um importante julgado com juiz ordinário. Com S. Bartolomeu e Doze Ribeiras, formava um dos sete distritos de juízes de paz da ilha Terceira. A primitiva freguesia estendia-se ao longo do litoral, desde S. Mateus até ao limite da dos Altares. Abrangia então a área das actuais freguesias independentes do Pilar, Santa Bárbara, S. Jorge e Milagres. De grande dimensão, portanto, embora actualmente tenha ainda dezoito quilómetros quadrados.

A igreja matriz, que já existia em 1592, situa-se no centro da freguesia. Inicialmente de três naves, foi ampliada em 1834, altura em que se substituíram as antigas colunas redondas por pilastras retangulares. Tem capela-mor e uma capela consagrada ao Santíssimo Sacramento e ao Senhor Jesus. É um dos melhores templos rurais da Terceira.

A Ermida de Nossa Senhora da Ajuda, na Canada da Ajuda, foi reconstruída em 1877. Segundo a tradição, a imagem quinhentista que aí se encontra, de pedra, deu à costa na direcção do sítio onde foi edificada a ermida. Outra versão da mesma lenda diz que a imagem estava dentro de um caixote e foi encontrada num poço à beira-mar. Levada para a igreja matriz, ia aparecer de todas as vezes na lapinha de uma rocha, sendo que diversas testemunhas a tinham visto a ser transportada pelos anjos.

Carlos Drumond relata o panorama desta freguesia, num passado remoto, a nível económico e da personalidade das suas gentes: “Os habitantes de Santa Bárbara das Nove Ribeiras ocupam-se pela maior parte na cultura dos campos, que apesar de elevados e desabrigados dos ventos gerais são mui produtivos: há também grande número de oficiais de ferreiro, carpinteiros, fragueiros, etc., etc. A freguesia toda padece de muita falta de águas: e de peixe, por ter somente o mui pequeno porto – denominado das Cinco. A costa é toda alcantilada, e pouco defendida aquela parte da ilha de qualquer tentativa hostil. Gozam estes povos a fama de mui discretos e deles se costuma dizer há muito – Um de Santa Bárbara vale por sete de Coimbra.”

Actualmente, com cerca de mil e trezentos habitantes, Santa Bárbara tem como principais actividades económicas a agro-pecuária, o comércio e diversos ramos industriais. E o turismo, obviamente. Visitar Santa Bárbara é uma experiência inesquecível. Como o é, afinal, todo o Arquipélago dos Açores. Em “Viagens na Nossa Terra”, Álamo de Oliveira convida: “Ao entrar nas Doze Ribeiras, faça um pequeno desvio para subir à serra de Santa Bárbara. Rode o olhar 360º. Não faltam seduções nem fascínios. Afinal, está no ponto mais alto da ilha – 1023 metros. Desça de seguida até ao centro da freguesia de Santa Bárbara e volte a Angra, passando pelas Cinco Ribeiras e S. Mateus.”

Nasceram nesta freguesia algumas figuras ilustres da nossa história. Fernando Augusto Borges foi um deles. Nascido em 1880, foi alferes de Infantaria e deputado da Assembleia Nacional. Colaborou com as forças expedicionárias para submeter os revoltosos, em 1931, aquando do levantamento da ilha Terceira. Domingos Augusto Borges, seu irmão, foi também personalidade de relevo

 

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