Freguesia de Cedros

População: 1050

Actividades económicas: Agro-pecuária, lacticínios, oficinas auto, serralharia mecânica, carpintaria, construção civil e pequeno comércio

Festas e Romarias: Espírito Santo (Domingo de Pentecostes), Nossa Senhora de Fátima (13 de Junho), Bom Jesus (6 de Agosto), Santo António (último domingo de Setembro) e Santa Bárbara (domingo mais próximo do dia 4 de Dezembro)

Património: Igreja matriz, impérios da Praça, da Rua de Cima, do Cascalho e da Ribeira Funda, Igreja de Nossa Senhora de Fátima, moinhos de vento, Casa dos Castelhanos, Museu Etnográfico e Chafariz da Praça

Outros Locais: Porto da Eira, vigia da Baleia, miradouro do Piolho e miradouro da Ribeira Funda

Gastronomia: Inhame com linguiça, massa sovada, sopas do Espírito Santo, caldo de peixe, papas de mingau, filhós e fatias douradas

Artesanato: Trabalhos em junco, cestos em vime e bordados

Colectividades: Filarmónica Lira Campesina Cedrense, Tuna Arte e Cultura Cedrense e Grupo Desportivo Cedrense

Orago: Santa Bárbara

 

DESCRITIVO HISTÓRICO

Com uma área de mais de vinte quilóme- tros quadrados (é uma das maiores povoações da ilha), a freguesia de Cedros agrega o lugar de Ribeira Funda. Encontra-se a dezanove quilómetros da sede do concelho. Nascem nesta freguesia as ribeiras de Sousa e do Pinheiro.

O topónimo, muito comum em Portugal, está relacionado com a existência de muitos cedros, no seu solo, aquando do seu “baptismo” como freguesia. Ao que parece, o povoamento de Cedros iniciou-se por volta de 1460, quando aqui chegaram os primeiros colonizadores, vindos da ilha Terceira. Os mais ilustres autores concordam com esta afirmação. Aí terá começado uma administração que nos séculos seguintes se iria aperfeiçoar. Guido de Monterey, no entanto, vai mais longe: “Com o advento do século XV, começou o Faial a dividir-se em freguesias e paróquias à medida em que o estabelecimento da população se foi estendendo aos sítios mais remotos”. A fundação de Cedros, como freguesia, parece ter ocorrido em 1594.

Do rico património edificado de Santa Bárbara de Cedros, merece uma menção especial o Império da Praça. É o único no arquipélago dos Açores que tem uma coroa real, ou seja, sem hastes como todos os outros. Esta coroa é guardada religiosamente, tendo sido feita uma réplica para ser levada à igreja nos dias de festa. A sua história remonta ao povoamento inicial da freguesia, onde se salientou a luta de uma heróica mulher na luta contra os castelhanos. A igreja matriz, por seu lado, foi construída em 1594. Sofreu posteriormente grandes obras de ampliação. Com cinco naves, conserva no seu interior uma bela lâmpada de prata, de grandes dimensões. A igreja de Nossa Senhora de Fátima, por fim, está no lugar de Ribeira Funda e foi totalmente construída em basalto regional. É muito típica e curiosa.

Em termos turísticos, desempenha também papel de algum destaque a célebre cratera da Caldeira, vulcão hoje extinto mas muito visitado por quem se desloca aos Açores e, neste caso particular, ao Faial. Sobre este, escreve Rui Dores em “Viagens na Nossa Terra”: “Vire à direita (vindo da Horta) e suba a caminho da Caldeira. Seguir-se-á uma série de curvas e contracurvas. Suba a primeira estrada que encontrar à esquerda. Pelo caminho, aprecie a profusão de criptomérias, silvas e urzes, e, em tempo de Verão, ficará extasiado com a quantidade, poderá ainda encontrar loureiros, sanguinhos e cedros do mato. A viagem termina junto de um curto túnel, o qual, depois de atravessado a pé, dá acesso à Caldeira.

A primeira visão da Caldeira é um deslumbramento para os olhos, tal é o seu esplendor e a sua grandiosidade. Trata-se de uma enorme cratera com cerca de dois quilómetros de diâmetro e quatrocentos metros de profundidade revestida de uma vegetação exuberante, de que se destacam cedros, zimbros, faiais, fetos e musgos, parte dos quais são significativos exemplares de vegetação da ilha. Constituindo um dos maiores atractivos do Faial, a Caldeira está classificada como reserva natural. Poderá fazer aqui alguns passeios a pé.

Terminada a visita à Caldeira, inicie a descida. Vire na primeira estrada que encontrar à esquerda e dirija-se para a Ribeira Funda. este troço atravessa uma bela paisagem composta por prados, sebes de hortênsias (no Verão) e manchas de criptomérias.”

A agricultura e a pecuária são as principais actividades económicas dos mais de mil habitantes que vivem nesta freguesia. O milho, o inhame, o feijão e a batata são as culturas mais importantes. Aliás, os solos desta freguesia são dos mais produtivos de toda a ilha. Nos últimos anos, a indústria e o turismo vão registando também algum crescimento. Em meados do século, referia a “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”: “Há nesta freguesia importante indústria caseira de chapéus de palha de trigo e chapéus chamados de froco. Apesar de mal recompensada, esta indústria ocupa muitas pessoas, fabricando-se todos os anos muitos milhares de chapéus. Fabricam-se também bordados de crivo. A indústria de lacticínios está também muito desenvolvida, havendo importantes fábricas de queijo e manteiga. As principais produções são milho e batata”.

Quanto à evolução demográfica de Cedros, dir-se-á que foi muito semelhante ao resto das freguesias da Horta. Ou seja, registando um decréscimo muito acentuado a partir de meados deste século. Tinha, nos anos cinquenta, cerca de dois mil habitantes, hoje são poucos mais do que mil.

Nos primeiros tempos desta freguesia, viveu aqui durante alguns anos o célebre Arnequim, ou Arrichim. Um delinquente famoso, que afrontou durante tempos infindos todos os poderes, municipais e reais. Conseguiu que o corregedor da ilha fugisse, quando se preparava para o prender, ameaçou de morte o donatário do Faial, que exigia o seu abandono da freguesia. Só se resolveu o problema com a intervenção do rei, que lhe censurou, perdoando todavia, o comportamento

 

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