Freguesia de Conceição

População: 1260

Actividades económicas: Agro-pecuária, serração de madeiras, oficinas auto, pescas, comércio, serviços e restauração

Festas e Romarias: Nossa Senhora da Conceição (8 de Dezembro), Espírito Santo (Junho/Julho), festas de Verão (3.ª semana de Agosto) e Santo Amaro (Fevereiro)

Património: Igreja matriz, ermidas do Pilar e de Santo Amaro, casa do Gaiato, impérios de Santo Amaro, da Estrada da Caldeira, da Volta, das Meninas do Pilar, dos Marítimos e da Rua da Conceição, monumento a Nossa Senhora da Conceição e palacete do Pilar

Outros Locais: Miradouro da Espalamaca, moinhos, mirante, Parque da Alagoa e Ribeira da Conceição

Gastronomia: Sopas do Espírito Santo, caldo de peixe, massa sovada, filhós, pão de milho, pão de mistura e bolo de milho

Artesanato: Rendas e bordados

Colectividades: Faial Sport Clube, Filarmónica Artista Faialense, Aeroclube da Horta, Centro de Convívio da Conceição e Grupo de Teatro “Carrocel”

Orago: Nossa Senhora da Conceiçã.

 

DESCRITIVO HISTÓRICO


É a segunda freguesia da sede do concelho.Tem uma história digna de registo e merece, por tudo isso, a classificação de fundamental para os destinos, actuais e passados, da cidade da Horta e de todo o seu concelho. Longe do centro da cidade, é a menos povoada freguesia do seu termo.

O primeiro documento escrito relativo a este concelho aparece em 1532, sob a designação de Vila de Orta. Supõe-se, desta forma, que estão com a razão todos os autores que defendem que o nome inicial da cidade seria Orta. Um facto histórico, no entanto, desabona essa opinião: foi donatário da ilha, desde 1468, Josse van Hurtere, daí se ter chamado inicialmente Vila de Hurtere ou Hortere. Daí até ao topónimo Horta, terá sido um pequeno passo.

O povoamento flamengo está ainda hoje perfeitamente documentado em muitos topónimos locais. Nomes como Goulart, Brum, Silveira, Bulcão ou Grotas lembram os antigos colonizadores Govaert, Herman, Bruyn, Hurtere, etc.. Elevada a vila por D. Manuel I, em 1498, recebeu o título de cidade em 13 de Julho de 1833, com D. Pedro IV. D. Luís concedeu-lhe o título de “Muito Leal”.

O porto da Horta foi um dos principais factores do seu desenvolvimento. As armadas da carreira da Índia demandavam o porto na sua viagem de regresso, e entre outras ali se acolheram a do vice-rei Lopo Soares de Albergaria, com trinta e seis velas. Este porto abre-se entre a ponta da Espalamaca, sobre a qual se observam belíssimas paisagens, e o monte da Guia, igualmente muito bonita, no canal entre as ilhas do Pico e do Faial. Um molhe artificial limita um porto interior, bem abrigado, que chegou a ser defendido por seis fortes entre 1567 e 1682. Paralela ao porto, uma longa rua atravessa a cidade e separa esta freguesia da de Nossa Senhora da Conceição da Horta.

Em 31 de Agosto de 1926, sofreu esta freguesia e, por arrastamento, toda a cidade, um violento terramoto. Mais um, dos tantos que ao longo dos anos têm afectado a ilha. A maior parte das habitações entrou em derrocada, muita gente morreu. A igreja matriz, muito antiga, também caiu nessa altura. A actual, logicamente moderna, é de traça arquitectónica muito agradável.

A primeira grande obra pública da cidade foi construída nesta freguesia: a ponte da Conceição. Um processo moroso e controverso, que passou ao longo de várias gerações. Dali se iniciou o desenvolvimento da Horta. Em “Anais do Município da Horta”, descrevem-se esses conturbados momentos: “Josse Van Aard fizera assento e cultivava terras, plantara laranjais nas margens duma ribeira e encosta do promontório, a que os flamengos puseram o nome de Espalamaca; ali havia uma ermida da invocação de Nossa Senhora da Conceição. Essa ribeira por vezes vinha forte e extravasava, dificultando a passagem para a parte populosa da vila – tão forte que, com o seu ímpeto, moíam moinhos: a construção duma ponte foi, portanto, uma necessidade que logo se impôs. (....

A construção da actual ponte deu azo a disputas e foi – foi e tem sido – tema de muito comentar. Tudo por causa do seu traçado. Pelo lado da solidez, como obra de engenharia, será um trabalho completo, asseguram opiniões autorizadas – e dizemo-lo nós, que também temos olhos para ver; mas o que podia muito bem (dizem ainda pessoas não menos entendidas) era não ser de tanta altura, semelhando a petrificação da corcova dum dromedário”.

Vivem na freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Horta cerca de mil e trezentas pessoas. Tem como principal actividade o comércio e o turismo, mas outros sectores apresentam-se também como fundamentais: a agro-pecuária, a serração de madeiras, as oficinas auto e a pesca.

Em “Viagens na Nossa Terra”, das “Selecções do Reader’s Digest”, Vítor Rui Dores refere-se a esta freguesia: “À beira-mar reclinada, a Horta dispõe-se em anfiteatro natural, com o coração virado à ilha do Pico. Com um notável passado histórico, social e económico, a Horta é sede da Assembleia Legislativa Regional dos Açores. (...) Faça uma primeira paragem no miradouro da Espalamaca, de onde terá uma magnífica visão sobre a Horta, a ilha do Pico e, se as condições atmosféricas forem favoráveis, poderá ainda avistar as ilhas de S. Jorge e Graciosa. Seguindo em frente, verá alguns moinhos típicos da ilha do Faial, um dos quais ainda se encontra em laboração. Os moinhos que encontramos nesta ilha são diferentes dos da Graciosa. Na ilha do Faial, é o corpo do moinho, construído em madeira e outros materiais leves, que gira sobre a torre de pedra em que assenta para acompanhar a direcção do vento.”

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