Freguesia de Angústia.

População: 3000

Actividades económicas: Indústria de conservas de atum, oficina mecânica, metalurgias, carpintaria, lacagem de alumínio, artefactos em cimento, hotelaria, comércio e serviços

Festas e Romarias: N. Sra. das Angústias (sexto domingo após a Páscoa), Divino Espírito Santo (Pentecostes), “Semana do Mar” (1.º e 2.º domingo de Agosto) e N. Sra. da Guia (1.º domingo de Agosto)

Património: Igreja paroquial, Castelo de Santa Cruz, Castelo de S. Sebastião, Ermida de Santa Bárbara, porto de mar e marina, conjuntos habitacionais das companhias dos cabos submarinos, museu e bar do Peter e ermida da Guia

Outros Locais: Miradouro do monte da Guia e praia de Porto Pim

Artesanato: Rendas, bordados e tapeçaria

Colectividades: Soc. Filarmónica União Faialense, Angústias Atlético Clube, Soc. Recr. Pasteleirense e Clube Naval da Horta

Orago: Nossa Senhora das Angústia.

 

DESCRITIVO HISTÓRICO


Com uma área de dez quilómetros quadra- dos, a freguesia de Angústias é uma das três que constituem a cidade da Horta. É a mais populosa e a mais activa em termos comerciais. Concentra-se aqui parte importante da indústria do concelho. O turismo, por seu lado, é dinamizado pelo célebre bar do Peter, famoso em todo o mundo e em especial nos Estados Unidos da América.

O primeiro documento sobre a Horta data de 1532. A cidade chamava-se então Vila de Orta. Desde 1468, foi donatário da ilha Josse van Hurtere, o flamengo que liderou todo o processo de colonização da ilha. Por essa razão, o desenvolvimento da Horta, em especial desta freguesia, foi relativamente rápido. Em 1498, a Horta era elevada à categoria de vila e em 1833 à de cidade.

Entre 1839 e 1969, a Horta esteve no epicentro de uma rede de cabos telegráficos submarinos. Nesta freguesia, instalaram-se então companhias inglesas, americanas e alemãs, causando grande crescimento urbano, social e desportivo. Os conjuntos habitacionais construídos nessa épocas pelas companhias ainda hoje existem e são parte integrante do património edificado da Horta.

Em Angústias, está instalada desde 1923 uma importante estação meteorológica, que em conjunto com a que existe na ilha das Flores completa a rede dos Açores a este nível. Todas as informações relativas ao clima são transmitidas diariamente desse centro para todo o País través dos serviços sediados em Lisboa.

Sobre o bar do Peter, refere Elsa Andrade em “Tempo Livre” de Abril de 1998: “O porto, sempre ele. Finadas que estão as grandes travessias marítimas, (sobre)vive agora da chegada e partida dos iates de todo o mundo, que aqui fazem escala obrigatória. Na agenda de quem cruza estes mares figura o Peter Café Sport, bem visível no azul forte da fachada junto ao mar: “se alguém está aflito e precisa de apoio, o Peter não é homem de recusá-lo”, passam palavra. Nos muros da marina deixam um desenho, supersticiosos marinheiros que acreditam na pintura como passaporte para uma boa viagem. Há-os de todas as cores e tamanhos, nacionalidades mil, mais ou menos inspirados que a veia artística não é fundamental. Por vezes, apenas uma assinatura e data, outras o percurso da viagem, outras ainda rebuscados quadros a traços grossos.

Em terra, ninguém passa sem um gin tónico nessa catedral que dá pelo nome de Café Sport. Num interior onde sobressaem as bandeiras e galhardetes oferecidos pelos iatistas ao longo dos anos, os linguajares voltam a cruzar-se numa reverência ao cosmopolitismo da ilha. Ao lado, o museu Scrimshaw é uma memória viva da arte dos baleeiros. No centro, bem no coração, a cidade presta uma última homenagem ao mar, ilustrando as calçadas com âncoras, baleias e caravelas. Branco no negro da pedra de lava..

Mas as atracções de carácter turístico não param nesta freguesia. O objectivo é económico mas também social e vincadamente humanitário: reduzir e, se possível, eliminar a angústia de todos aqueles que visitam a ilha e se sentem como que encurralados, porque rodeados de mar por todos os lados. O porto da Horta, com a sua marina, proporciona a saída constante de barcos para o estrangeiro, para o continente e ou simplesmente para as outras ilhas. Angústias é hoje um centro do iatismo internacional e um ponto de paragem imprescindível para as aguadas, reparação e descanso das tripulações. Tem sido assim desde o século XVII. Na altura, o tempo não era para turismos, o trabalho urgia. O mesmo sucedia em meados deste século, quando milhares de faialenses partiram para o Novo Mundo, em busca de melhores condições de vida e de um sustento para as suas famílias. Como tudo é diferente na actualidade! Veja-se os paredões a as significativas pinturas que os embelezam. São constituídas por dedicatórias feitas por muitos dos navegadores que por ali têm passado. Com efeito, é tradição que, antes do regresso ao mar, todas as tripulações deixem o seu marco, uma lembrança da sua passagem por aquele lugar. Quando regressarem, a sua memória decerto que lá continuará.

Pontos de interesse turístico são ainda o monte da Guia e o Porto Pim. Elevação sobranceira à Horta, o monte da Guia está ligado à cidade pelo monte Queimado e por um estreito istmo. Do seu cimo, desfruta-se de um excelente panorama sobre todo o concelho. Integra-se numa paisagem protegida por lá se encontrarem a faia-das-ilhas, a urze, o incenso, a tamargueira e outras plantas endémicas. Quanto à praia de Porto Pim, é de uma soberba tranquilidade. O casario típico deve ser visto com atenção.

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