Freguesia de Feteira

População: 1510

Actividades económicas: Agro-pecuária, horticultura, floricultura, plantação de bananeiras, construção civil, carpintarias, oficinas auto, restauração e pequeno comércio

Festas e Romarias: Divino Espírito Santo (Segunda e Terça-Feira de Pentecostes) e Nossa Senhora de Lourdes (último fim-de-semana de Agosto)

Património: Igreja matriz, impérios da Caridade, do Farrobim, de S. Pedro, da Atalaia, das Grotas, da Granja e da Cruz da Portela, moinhos de vento e nichos

Outros Locais: Zona da Ponta Furada e porto de Feteira

Gastronomia: Polvo guisado, lapa grelhada, molho Afonso, pão de milho, inhame com linguiça, massa sovada, sopas do Espírito Santo e morcela

Artesanato: Rendas e bordados, trabalhos em vime e ráfia e tapetes em casca de milho

Colectividades: Sociedade Filarmónica Lira e Progresso Feteirense, Grupo Desportivo da Feteira e Grupo Folclórico da Feteira

Orago: Div. Espírito Sant.

 

DESCRITIVO HISTÓRICO


No vertente sul da ilha do Faial, a freguesia de Feteira encontra-se junto ao mar, a oeste da sede do concelho e a cerca de cinco quilómetros do centro do município. Atravessam a freguesia diversas ribeiras, fundamentais ao longo dos séculos para a sobrevivência das populações locais e em especial para a prática da agricultura. Ligam as suas margens cinco pontes: a de S. Pedro, a de Poceirão, a da Igreja, a de S. Pedro (na zona baixa da freguesia) e a ponte Nova.

O seu nome, diz a tradição, tem a sua razão de existir no facto de o seu solo se encontrar repleto de fetos à época da colonização. Um topónimo que provém do latim filicaria, de raiz filix, que significa feto. Aponta pois para um habitat em que domina uma vegetação típica e abundante.

A igreja matriz da Feteira é uma das mais antigas do concelho da Horta. Não se sabe quando foi construída, mas a sua existência é referida já em documentos de 1568. Nesse ano, a 30 de Julho, D. Sebastião passava uma provisão a seu favor acerca do acrescentamento de côngruas. A sua existência é, logicamente, anterior a esse facto. Diz Gaspar Frutuoso sobre a sua arquitectura: “Tem três naves, com cinco colunas, sobre as quais está a armação de madeira e tecto de duas capelas aos lados direito e esquerdo. É templo de boas proporções, tem trinta e cinco metros de comprimento, corpo principal dividido em três naves. A talha que reveste os altares é bastante singela e, portanto, de diminuto valor artístico. Anteriormente existia, no local, uma capela que vinha do século XV. Tem uma só torre sineira”.

A Ermida de S. Pedro, por seu lado, já não existe. Serviu durante alguns séculos a vida espiritual das duas populações, mas a incúria de quem devia mandar deixou-a desaparecer. Encontrava-se no lugar do mesmo nome, perto da igreja matriz. Era objecto de forte devoção popular e de romaria muito concorrida em dias de festa. Nada mais sabemos relativamente à sua existência.

Além das festividades consagradas ao Divino Espírito Santo, o padroeiro da freguesia, destaca-se a procissão anual em honra de Nossa Senhora de Lourdes. Realiza-se anualmente no último fim-de-semana de Agosto e é a mais concorrida de toda a freguesia. Uma tradição que terá tido início em Julho de 1883, ano em que a imagem da padroeira terá chegado à Feteira. Nesse dia, formou-se espontaneamente uma enorme procissão desde a igreja matriz, acompanhada pelos numeroso fiéis e pela centenária filarmónica “Nova Artista Flamenguense”, da freguesia de Flamengos.

Com mais de mil e quinhentos habitantes, Feteira é uma freguesia essencialmente rural. Essa tendência formou-se desde cedo. Documentos de 1886 dão à povoação uma produção anual de batata-doce na ordem dos duzentos mil quilos. Uma cultura originária das Antilhas que se desenvolveu sobretudo nesta freguesia. Mais tarde, a laranja e o limão tiveram também grande importância, chegando a ser exportados para o estrangeiro. O milho e o trigo foram igualmente produzidos em grandes quantidades pelas populações locais. Actualmente, vinha ganhando importância a criação de gado. A fundação de uma cooperativa de lacticínios demonstra inequivocamente a importância dessa actividade. Em todo o termo de Feteira, existem postos de recolha de leite, onde todas as manhãs os agricultores vão depositar o fruto do seu trabalho. Tradições centenárias que se vão perdendo com o tempo e com a modernização destas actividades. Mais recentemente, está a alastrar na freguesia a cultura da banana e da hortaliça. A plantação de bananeiras já faz parte da mais recente tradição local.

A pesca desempenhou ao longo dos tempos papel de primordial importância para a economia da Feteira. Fizeram-se obras no local onde se construiu o porto e criaram-se condições para os pescadores. O seu trabalho, no entanto, era muito duro e sacrificado. Na maior parte das ocasiões, o pescado era trocado por ovos, milho, frutas e outras hortaliças, já que o dinheiro não abundava em nenhum sector da sociedade e havia que dar de comer ao corpo. Hoje, o movimento do porto e das embarcações que dali partem para o mar é muito diminuto.

As dificuldades económicas, mas também a insatisfação política, estiveram na base de uma sublevação da população, em 1862. Tudo se resolveu a contento e o sangue não correu pelas ruas da freguesia. O pagamento de novas contribuições para o Estado – novos impostos – estiveram na base de tamanha contestação. LAGOA

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