Freguesia de Lajes das Flores

População: 600

Actividades económicas: Agricultura, pecuária, pesca e pequeno comércio

Festas e Romarias: Nossa Senhora do Rosário (1.º domingo de Outubro), festa do Emigrante (3.ª semana de Julho), Divino Espírito Santo (sete semanas depois da Páscoa) e S. Pedro (29 de Junho)

Património: Igreja matriz, império do Divino Espírito Santo, império do Divino Espírito Santo dos Morros, império do Divino Espírito Santo dos Montes, capela de Nossa Senhora das Angústias, chafariz dos Morros, chafariz da Cruz, chafariz do Monte e porto comercial

Outros Locais: Lagoa Rasa, lagoa Funda, estrada da Pedrinha, fajã Lopo Vaz e pedra dos Frades

Gastronomia: Inhame com linguiça, cozido de porco, fersura de porco, torta de erva do mar, cherne cozido ou frito, doce de amora e doce de araçá

Artesanato: Colchas, bordados e trabalhos em madeira

Colectividades: Associação Cultural Lajense, Bombeiros Voluntários Lajense, Grupo Etnográfico Lajense e Grupo Desportivo Lajense

Orago: N.ª Sra. do Rosári.

 

DESCRITIVO HISTÓRICO


É a sede do concelho. Concomitantemente,a freguesia mais importante das Flores, juntamente com a povoação de Santa Cruz. No extremo sul da ilha e do concelho, encontra-se a vinte e cinco quilómetros da sede daquela vila. Fazem parte da sua área os lugares e sítios de Jogo da Bola, Monte, Morros, Outeiro Negro, Pátio Grande, Ribeira Seca e Vila de Baixo. O concelho mede de extensão setenta e dois quilómetros quadrados, cerca de metade do total da ilha.

Marcam o dia-a-dia das Flores as duas freguesias-sede do concelho. Lajes, com o seu porto, Santa Cruz com o aeoroporto. Dicotomia saudável, rivalidade benéfica, com o incremento e a melhoria das infra-estruturas a todos os níveis.

Lajes das Flores é a mais antiga vila da ilha. Foi instituída como tal no ano de 1515 e cumulada de privilégios. A sua proximidade da costa, com um excelente porto, bem como a importância que poderia vir a ter no povoamento e desenvolvimento de todo o território, estiveram decerto na base dessa decisão.

Nem por isso, no entanto, as populações beneficiaram grandemente de tais medidas. Em meados de quinhentos, por exemplo, a sua gente, que nesse tempo devia rondar as mil e trezentas pessoas (em toda a ilha), vivia ainda em casas de palha, não dispunha de nenhum médico (o único cirurgião tinha morrido), andava geralmente descalça.

A primeira tentativa de povoamento das Flores foi perpetrada por Wilhelm, flamengo que acabaria por desistir, dez anos passados, devido à inexistência de metais preciosos e à irregularidade das comunicações, que impedia as exportações. Por volta de 1510, surgem novos povoadores, que desta vez levam a bom porto, através do desembarque nas Lajes, a colonização da ilha. Pouco tempo depois, estava aqui criada uma vila, embora continuem a existir autores que o desmentem com frontalidade.

Existiu nesta freguesia um forte, denominado de Santo António, que defendeu com bravura toda a ilha dos ataques de dois navios americanos, corria o ano de 1770. O objectivo daqueles navios era fazer desembarques na ilha, mesmo sem a permissão das suas autoridades, mas a bravura dos lajenses impediu então tal desfecho.

Não foi a primeira vez que as Lajes foram atacadas. Já em meados do século XVI, cinco navios ingleses entraram no seu porto, destruindo, queimando e roubando tudo o que encontraram. Em Julho de 1591, decorreu a batalha da ilha das Flores, travada entre vinte e três embarcações britânicas e uma poderosa frota espanhola, pertencente à célebre “invencível armada”.

Entre 18 de Novembro de 1895 e 13 de Janeiro de 1898, o concelho de Lajes das Flores iria ser extinto e as suas freguesias integradas no termo de Santa Cruz. Após esta breve interrupção, uma contra-reforma administrativa colocou tudo como inicialmente.

O desenvolvimento definitivo desta freguesia iniciou-se apenas em meados do século. Começou a dotar-se toda a sua área das infraestruturas mais importantes. Melhorou-se a vida das populações, mas tal facto já não foi suficiente para impedir a emigração em massa para o estrangeiro, sobretudo para os Estados Unidos. O número de pessoas na ilha decresceu muito e nunca mais parou de diminuir. É por isso que Lajes das Flores é o segundo concelho do País com menos habitantes, logo a seguir ao Corvo.

Pela sua posição geográfica, sempre as Lajes das Flores desempenharam papel fundamental na orientação dos navios que demandavam os Açores. Conforme referia a “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”, em meados deste século, “na ponta das Lajes, na costa sul da ilha, tem um farol, com alcance de vinte e nove milhas e visibilidade de 234º a 83º por oeste e norte. Neste farol encontra-se instalada a Estação Rádio Naval das Lajes, que é conjuntamente o posto 035 da rede dos Serviços Meteorológicos da Marinha. Destina-se essa estação à assistência em telefonia aos navios bacalhoeiros durante a sua campanha, transmitindo-lhes as previsões do tempo que lhe são fornecidas pela Estação Radiometeorológica da Marinha no Atlântico, de que está dependente. Funcionando como radiofarol para a navegação marítima durante os nevoeiros e para a navegação aérea sempre que esta entra dentro do seu alcance, presta-lhe assistência radiotelegráfica durante todos os voos e envia-lhes indicações do tempo local sempre que lhe são solicitadas.” Ao serviço durante mais de quarenta anos, deixou de funcionar em 1933, ao mesmo tempo da base francesa de tele-medidas em Santa Cruz.

A igreja paroquial é o mais interessante monumento da freguesia. A sua construção iniciou-se em 1763. É dedicada a Nossa Senhora do Rosário. Substituiu uma outra que estava implantada no mesmo local e que entrou em derrocada. A capela de Nossa Senhora das Angústias é anterior, de 1729. Foram seus fundadores D. Pedro e D. Manuel, espanhóis que ali naufragaram mas que conseguiram salvar-se.

Por ser a sede de concelho, Lajes das Flores é a freguesia menos rural, das sete que constituem o município. No entanto, agricultura, pecuária e pesca não deixam de ter a primazia em termos de actividades económicas. Em termos agrícolas, cultiva--se sobretudo o milho, o inhame e a batata. Na pesca, o destaque vai para peixes como a cavala, o congro ou o cherne. De resto, o cherne frito ou cozido é uma das especialidades gastronómicas locais. A pesca da baleia também já foi muito importante, mas as felizes restrições que se fizeram na caça de uma espécie a caminho da extinção provocaram uma diminuição da actividade.

Pierluigi Bragaglia refere-se a esse período: “A epopeia baleeira concluiu-se definitivamente na década de 80, com as moratórias internacionais; o último cachalote nas Flores, número 2000 e tal em 120 anos de caça, foi arpoado a 24 de Novembro de 1981, “já para além do Corvo”. Uma actividade que começara por volta de 1850 e que crescera de forma extraordinária. Aliás, o aumento da frota baleeira é bem a demonstração desta afirmação. O apogeu da caça deste animal verificou-se nos anos trinta deste século. A inauguração, no mesmo período, de uma fábrica da baleia, consagrava definitivamente a actividade como uma das mais rentáveis de todo o arquipélago dos Açores e, em particular, das Lajes.

Em 12 de Junho de 1994, foi inaugurado na freguesia o novo porto comercial, reivindicação antiga das suas populações. Desde 1992, no entanto, que alguns navios comerciais já operavam.

Em “Viagens na Nossa Terra”, João Vieira faz um pequeno roteiro das belezas da freguesia: “Depois de visitar as duas lagoas, Funda e Comprida, regresse ao ramal que liga a Ribeira Grande. Passando pela encosta da Pedrinha (Lajes), terá uma visão paradisíaca das duas lagoas em baixo, cercadas de montanhas que vão dos seiscentos a oitocentos metros de altitude. Na descida sobre as Lajes, vê-se a Caveira, Lomba, Fazenda e o vale das Lajes, coroado de montanhas. A guarnecer o litoral fica a crista da Rocha Alta, a maior falésia da ilha, com cerca de quinhentos metros de altitude. (...) Visite a igreja matriz, os paços do concelho e a zona do porto.”

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