Freguesia de Lajes do Pico

População: 2249

Actividades económicas: Agricultura, pecuária, pesca, lacticínios, construção civil, oficinas de carpintaria, serralharia, oficinas auto, hotelaria, restauração, pequeno comércio e serviços

Festas e Romarias: S. Pedro (29 de Junho), Espírito Santo (sábado de Pentecostes), Trindade, Nossa Senhora de Lourdes (última semana de Agosto), Rainha Santa Isabel (1.º domingo de Setembro) e Santo Isidoro (Julho)

Património: Convento de S. Francisco, igreja matriz, igreja de Silveira, forte de Santa Catarina, ermida de S. Pedro, ermida de S. Sebastião, ermida da Rainha Santa Isabel, museu dos Baleeiros, padrão comemorativo dos centenários e casas classificadas

Outros Locais: Parque de campismo, miradouro das Terras e zonas balneares

Gastronomia: Sopas do Espírito Santo, caldo de peixe, inhame com linguiça, molhado de carnepolvo guisado, molho de carne, lapas, massa sovada, bolo de milho, queijo tipo pasta mole e bolo seco

Artesanato: Peças em osso de baleia e em marfim, trabalhos em madeira de cedro, rendas e bordados

Colectividades: Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários das Lajes do Pico, Sociedade Filarmónica Liberdade Lajense, Sociedade Recreativa Cultural da Ribeira do Meio, Centro Social e Cultural Silveira e Almagreira, Sociedade Recreativa e Cultural Alegria no Campo das Terras, Agrupamento de Escuteiros, Rancho Folclórico da Ribeira do Meio, Grupo de Jovens da Silveira, Associação Dinamizadora de Jovens, Clube Naval, Grupo Desportivo Lajense e Grupo Coral das Lajes do Pico

Orago: Santíssima Trindad.

 

DESCRITIVO HISTÓRICO


É a sede de um concelho com seis fregue-sias. Fica situada à beira-mar, num monte quase cortado a prumo. É constituída pelos lugares e sítios de Almagreira, Ribeira do Meio, Silveira e Torres. O seu nome deriva do facto de o seu porto comercial estar rodeado de recifes e grandes lajedos. Assim era à data do baptismo da vila.

Lajes do Pico foi elevada a vila em 1501. É a mais rica e mais antiga povoação da ilha. Nesses tempos pioneiros da organização administrativa da ilha, a vila de Lajes englobava todo o seu território. Em 1542, é criado o concelho de Santa Cruz e anos mais tarde o da Madalena, já que a área de Lajes era demasiado grande para uma correcta administração política do seu território.

Manuel Tomás, em “Viagens na Nossa Terra”, descreve algumas das belezas da freguesia: “Apressemo-nos para as Lajes, a vila baleeira, e depois do deleite da vista sobre a vila mais antiga e mais urbana do Pico, com a montanha ao fundo, e na expectativa de ver o mais famoso museu dos Açores, o museu dos Baleeiros, almoce e depois dê passeios a pé pelo interior das Lajes e entre no museu. As sugestões são óptimas: fazer mergulho autónomo, ir ao whale watching, pescar ou apenas nadar na Maré. E talvez até já possa jogar golfe.

No Museu dos Baleeiros, encontra magníficas colecções de scrimshaw, trabalho artesanal sobre dente ou osso de baleia, e outros variados aspectos da vida do baleeiro do Pico, homem do mar e da terra, com destaque para a canoa baleeira, considerada, por muitos, como o “móvel” mais elegante e perfeito do mundo.

Quando chegar à Silveira, volte à direita pela estrada transversal e suba até ao Corre-Água, entre numa recta de nove quilómetros e passe pela lagoa do Capitão. Aqui, suba a encosta e do seu lado direito, observe S. Jorge e algumas das povoações da costa norte da ilha; do outro lado está a montanha, esperemos que ela se desnude para si e então faça uma fotografia daquela majestade de lava projectada nas águas da lagoa”.

Além do museu dos Baleeiros, merece destaque em Lajes do Pico a igreja matriz e uma série de outros monumentos religiosos. Destes, uma palavra para o convento de S. Francisco. Foi construído em 1690 através das contribuições do povo. Destruído em 1830 por um grande incêndio, teve de ser totalmente restaurado. Tem anexa uma igreja consagrada a Nossa Senhora da Conceição. Funcionou como igreja matriz depois da destruição do primeiro templo e enquanto não estava pronta a actual paroquial. Destinado actualmente a instalações municipais, está hoje classificado como imóvel de interesse público.

Quanto à igreja matriz, da invocação da Santíssima Trindade, substituiu uma outra que existia no mesmo local e que, por já não reunir as condições indispensáveis ao culto, foi derrubada. A primeira pedra foi lançada a 5 de Julho de 1895, mas a cerimónia de inauguração só decorreu em 27 de Dezembro de 1864. Problemas económicos e políticos fizeram com que a sua construção se estendesse para cima de sessenta anos. É um templo vasto, constituído na sua totalidade por cantaria de basalto. O corpo principal está dividido em três naves por cinco arcos de cada lado. É de uma imponência que dificilmente terá par em todo o concelho.

No lugar de Silveira, encontra-se uma capela de aspecto algo modesto, datada de 1888. Tem torre sineira no centro do corpo principal do templo. Toda a capela-mor foi destruída por um violento incêndio, em 1966. O património artístico dos Açores e, neste caso concreto, das Lajes do Pico, vai desaparecendo aos poucos devido aos caprichos da natureza. Sejam incêndios, terramotos ou o que vier por aí...

Com mais de dois mil habitantes, esta freguesia é a mais urbana de toda a ilha do Pico. Além do sector primário, a hotelaria, a restauração e demais actividades relacionadas com o turismo são fundamentais para a economia local.

No passado, tinham grande fama os vinhos brancos aqui produzidos, de elevado grau alcoólico, verdadeiros vinhos licorosos que já foram exportados em grande escala para o estrangeiro. Era o chamado verdelho, servido “como néctar raro nas lautas mesas dos czares russos”. Com a filoxera, iniciou-se a crise dos vinhedos e o fim de tamanha produção.

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