Freguesia de Lomba da Fazenda

População: 825

Actividades económicas: Agro-pecuária, indústrias de panificação e de madeira, comércio e serviços

Festas e Romarias: Solenidade do Santíssimo Sacramento (1.º domingo de Agosto), Imaculada Conceição (8 de Dezembro), Senhor dos Enfermos (Domingo de Páscoa), Espírito Santo (Pentecostes) e S. João (24 de Junho)

Património: Igreja paroquial, Teatro do Espírito Santo e moinhos

Outros Locais: Parque Endémico do Pelado, Mini-Zoo, Moinhos de Água, Foz da Ribeira e Parque de Campismo

Gastronomia: Fervedouro, molho de fígado, torresmos, desfeito, descaída e massa sovada

Artesanato: Bordados, rendas e trabalhos em folha de milho

Colectividades: Filarmónica “Imaculada Conceição”, Ventos do Norte, Grupo Folclórico, Escuteiros, Grupo de Teatro, Casa do Povo e Clube Desportivo “Fazenda Sport Club”

Orago: Nossa Senhora da Imaculada Conceiçã.


DESCRITIVO HISTÓRICO


Situada próximo da costa Este/Sudeste da ilha de S. Miguel, é limitada a Norte por uma linha recta a partir da serra que divide os concelhos de Nordeste e Povoação até o mar e na direcção de Canado do Taluleiro e Outeiro do Vigio, a Sul, pela Ribeira do Guilherme, a Este, pelas Barricas do Mar e a Oeste, pela linha divisória da serra que separa os concelhos de Nordeste e Povoação.

No século XIII, varrida a moirama, os portugueses não terminaram o seu destino. Os monarcas rapidamente reconheceram que, além das fronteiras terrestres, inultrapassáveis, outras havia que lhes competia alargar – as fronteiras do Ocidente e do Sul. Desta feita, tornava-se imperioso galgar, ao Sul, o Atlântico, e a Ocidente, desvendar o mistério, isto é, procurar as terras que geógrafos, poetas, historiadores e lendas diziam existir.

Começou-se pelo Ocidente e tem-se como certo que, antes de Agosto de 1336, os portugueses navegavam no Atlântico, no mar alto, portanto, longe da costa. Em 1415, punha-se o pé em Ceuta. Poucos anos depois, os homens do Infante D. Henrique, aportavam nos Açores.

O primeiro documento que alude a este arquipélago é a carta de 2 de Julho de 1439, na qual D. Afonso V diz que o Infante D. Henrique, seu tio, lhe “envyou dizer que el mandara lançar ovelhas nas ssete jlhas dos Açores.” Portanto, em 2 de Julho desse ano, já os portugueses estavam de posse de sete das nove ilhas deste arquipélago, situado entre 25 a 30 graus de longitude ocidental, e 37 a 40 graus de latitude norte, distando uns 1.700 ou 1.800 km de Lisboa.

Gomes Eanes de Zurara coloca o povoamento dos Açores no ano de 1445 e João de Barros escreve que em 1449 já as ilhas “eram descubertas”. Certo é que dos Açores nada se sabe, se não que existiam antes de 2 de Julho de 1439, que eram conhecidos dos portugueses e tinham ovelhas que lá mandara despejar o Infante D. Henrique.

A Gonçalo Velho se atribui o lançamento de gado vacum, caprino, porcino e cavalar nos inícios da década de 30 e o impulso dado ao povoamento. Ora, foi precisamente a proliferação do gado vacum e miúdo lançado nesta altura, que garantiu a alimentação dos primeiros colonos que se dedicavam, em grande número, à pecuária.

Em 1439, às sete ilhas deram os portugueses o nome de Ilhas dos Açores e, em 1447, a uma das ilhas, chamaram S. Miguel.

Os povoadores que se dirigiram para as ilhas tinham como maior motivação, a possibilidade de obterem terras próprias que, depois de desbravadas e cultivadas, iriam permitir que aquele objectivo fosse alcançado. Deste modo, e de acordo com as leis vigentes, a pessoa a quem era concedida a terra assumia a obrigação de, ao fim de cinco anos, a ter completamente desbravada de mato e arvoredo, tornando-a arável, e de construir uma casa e curral para o gado. Cumpridas estas obrigações, a terra passava a pertencer-lhe.

No tempo em que o Nordeste foi elevado a concelho, em 1514, o lugar de Lomba da Fazenda, era, provavelmente, desabitado. Só no século XVIII é que esta localidade possuiu uma ermida de invocação a Nossa Senhora da Conceição, ampliada em 1817 e arrasada completamente em 1888, altura em que se iniciou a construção do actual templo, que haveria de ser concluído em 1918.

No dia 13 de Fevereiro de 1925, foi este povoado elevado a freguesia.

Presume-se que os primeiros colonos terão aportado a esta ilha na segunda metade do século XV. A vivência desses primeiros povoadores é relatada por Gaspar Frutuoso: “Os utensílios domésticos limitavam-se ao mínimo: não tinham potes, nem talhas, nem louça, utilizando apenas cabaças e escudelas de pau. Esta loiça de que então servia a mais gente, porque traziam pouca de Portugal e escassamente vinha a esta ilha um navio de ano a ano..

Francisco de Athayde escreveu a este propósito: “A falta de comunicações frequentes com o reino dificultava a importação de tudo e todo o conforto era banido por necessidade e por hábito. E esta rusticidade de vida estendia-se às classes fidalgas (...)..

Nestes dois excertos está patente a simplicidade dos costumes açorianos, nomeadamente, micaelenses e que se manteve até princípios do século XIX, altura em que os continentais para aqui vieram organizar a contra-ofensiva liberal.

Foi, portanto, em meados do século XIX, que se registou o início do surto industrial do qual resultou a construção do porto artificial de Ponta Delgada.

Ao tempo do povoamento, a preocupação fundamental era a cultura frumentária. A este respeito, escreveu Gaspar Frutuoso: “Dizem que estes mesmos desta primeira Povoação foram os primeiros que nesta ilha semearam trigo, e os campos em que foi semeado eram tão abundantes e férteis, que no início não dava espiga, mas fazia uma cana grossa (...) o que vendo eles escreveram ao Infante que a terra não era para povoar, pois não dava trigo (...).” Contudo, a curto prazo, se dissiparam as dúvidas e a produção de cereal foi espantosa.

Tal como outrora, ainda hoje, a ilha de S. Miguel e, por consequência, também este concelho, é muito próspera. Poucos palmos de terra não são agricultáveis: vinhedos à beira-mar, zonas altas de pastagens, laranjais e matas e, por toda a parte, uma grande variedade botânica – árvores de fruto, arbustos, flores, fetos, camélias e palmeiras.

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