Freguesia da Maia
População: 2000 

Actividades económicas: Agro-pecuária, indústria de chá, comércio, serviços e pesca 

Festas e Romarias: Solenidade dos Passos (4.º Domingo da Quaresma), Dia da Comunidade (2.ª feira Espírito Santo), Festa do Santíssimo (3.º domingo de Julho) e Festa da Senhora do Rosário (1.º domingo de Outubro) 

Património: Igreja matriz, Ermida de N. Sra. das Dores, Ermida da Senhora do Resgate e Solar de Lalém (com ermida anexa de 1687, de S. Sebastião) 

Outros Locais: Pico da Vigia, Varanda da Maia, Calheta, Porto de Pesca e moinhos de água 

Gastronomia: Chicharros assados com molho verde, bolo de sertã, chicharros fritos com molho de vilão e batatas escoadas, fava rica guisada, sopa de feijão, massa sovada, malassadas, arroz doce e biscoitos caseiros 

Artesanato: Trabalhos executados com escama de peixe, mantas e tapetes de retalhos, trabalhos em vime e em madeira, vassouras de rama de milho e pincéis de bacel 

Colectividades: Santa Casa da Misericórdia do Divino Espírito Santo, Banda “Lira do Divino Espírito Santo”, Centro Social e Paroquial, Maia Clube dos Açores e Centro Nacional de Escutas “Agosto 1089”  Orago: Div. Espírito Santo

DESCRITIVO HISTÓRICO
Situada na costa norte da ilha de S. Miguel, dista cerca de 33 quilómetros de Ponta Delgada e 15 quilómetros da cidade de Ribeira Grande. Confina a Sul, com as freguesias de S. Miguel, Ribeira das Tainhas, Ponta Garça e Furnas, a Este, com a Lomba da Maia, e a Oeste, com a de S. Brás.

Esta freguesia é uma das mais antigas, se não a mais antiga do concelho de Ribeira Grande. O seu povoamento começou logo após o descobrimento da ilha, nos fins do século XV, o que é testemunhado pela própria construção da igreja, que remonta provavelmente aos fins do século XV. Em 1522, tinha já o seu terceiro vigário.

No século XVI, a Maia incluía os Fenais da Ajuda (Fenais da Maia), as Furnas e a Lomba da Maia (o último destes lugares a tornar-se freguesia na primeira década do século XX).

Ora, sabe-se que, na época das descobertas, a construção de um templo só acontecia quando a população o justificava.

Os templos aqui existentes são quase todos do último quartel do século XV e XVI, embora tenham sido reconstruídos mais tarde. A sua igreja paroquial foi aberta ao culto em 1812, tendo sido reconstruída entre 1796 e 1825.

Antes mesmo de a Ribeira Grande atingir o grau de “princesa” entre as vilas açorianas, já a Maia pedia a sua independência de Vila Franca do Campo, de cujo concelho foi termo, depois da criação da vila e concelho da Ribeira Grande. Todavia, esta pretensão da Maia foi contrariada pela municipalidade de Vila Franca.

Contudo, a sua independência teria sido alcançada, não fosse o terramoto que a atingiu em 1522, e que fez correr as terras dos Bicos e das Lombas dos Costas sobre a Maia, causando-lhe estragos incalculáveis.

Depois de Vila Franca, a Maia foi a freguesia que mais sofreu em 1522. E, assim como a primeira não foi cidade por causa do tremor de terra, a segunda não foi vila, pela mesma causa. Em 1563, outro cataclismo desfez o povoado da Maia: arrasaram-se quase todas as suas casas e templos, morreram os animais domésticos, cobriram-se de cinzas e pedra-pomes, as suas ribeiras e fontes. Desta maneira, foram enterradas as suas aspirações juntamente com os seus haveres.

Contava esta freguesia cinco ermidas. A de S. Pedro, da qual não restam vestígios, a de Santo António, edificada à entrada da Maia depois de ter sido arrasada uma outra de invocação a Nossa Senhora do Rosário, a de Nossa Senhora do Rosário, na Lomba Grande, perto das casas de Clemente Furtado que tinha o cargo dela e cuja imagem da santa pode ser admirada na igreja paroquial, e a de Santa Catarina, construída nos finais do século XV, junto ao forte que teve este nome e que foi profanada por D. José Pegado de Azevedo, como retaliação por não ter património e se encontrar arruinado.

Tem ainda a Ermida de S. Sebastião, edificada em 1687, a Igreja de Nossa Senhora das Dores, na povoação da Lombinha da Maia, construída em 1850 a expensas do povo e por legado deixado por Jorge Botelho Pacheco, e a Igreja de Nossa Senhora do Resgate, no Lugar do Gorreana, mandada construir no século XVIII.

Os primeiros anos de povoamento de S. Miguel foram penosos. Muitos dos que vieram para cá ficaram e prosperaram. Outros, tiveram que abandonar as suas terras, devido aos cataclismos que sobrevieram.

A Maia foi um importante centro nos séculos XVI e seguintes. As suas searas eram das melhores de S. Miguel e o seu porto de mar, dos mais férteis em pescado, dava-lhe absoluta independência sobre as outras terras.

O pescado, para além de ser utilizado na alimentação destas populações era também importante para a economia da ilha, pela utilidade dos peixes de grande porte, fosse pelos seus óleos destinados à iluminação, fosse pelos remédios para os animais.

Esta freguesia já foi das mais industrializadas, destacando-se as fábricas de tabaco, o chá “Gorreana” e os blocos.  Foi em 1854 que Manuel Bento de Sousa lançou à terra as primeiras sementes de tabaco.

Depois de várias tentativas na preparação do tabaco, iniciou-se a confecção de picados e cigarros por processo artesanal. Assim estavam lançadas as bases de tabaco da Maia, a mais antiga dos Açores, orgulhando-se das apreciadas marcas de cigarros “S. Luís”, “Colonial”, “Ilha Verde” e “El-Rei”.

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