Freguesia de Santo Amaro

População: 400

Actividades económicas: Agricultura, pecuária, construção civil, construção naval, pesca e pequeno comércio

Festas e Romarias: Santo Amaro (15 de Janeiro), Nossa Senhora de Fátima (13 de Maio), festa da Filarmónica, Espírito Santo (Domingo a Terça-Feira de Pentecostes), Nossa Senhora do Carmo (16 de Julho) e S. Pedro (29 de Junho)

Património: Igreja matriz, casa do Passal, poços das Marés, chafariz, fonte da Terra Alta e casa do Artesanato

Outros Locais: Miradouro da Terra Alta, zona do Canto, estrada da meia encosta, zona do porto, portinho e calsinho

Gastronomia: Sopas do Espírito Santo, caldo de peixe, linguiça e torresmos com inhame, massa sovada e filhós

Artesanato: Trabalhos em escamas de peixe, em miolo de figueira, em palha e de madeira, rendas, bordados e lã

Colectividades: Sociedade Filarmónica Recreio Santanense, Operário Futebol Clube, Grupo de Idosos e Grupo de Jovens

Orago: Santo Amar.

 

DESCRITIVO HISTÓRICO


A vinte quilómetros da sede do concelho, a freguesia de Santo Amaro é composta pelos lugares de Baixo da Freguesia e Terra Alta. Encontra-se no extremo oriental do concelho, junto a um pequeno porto de mar e no seu limite com o concelho de Lajes do Pico.

Em 1946, era Santo Amaro uma freguesia em franca prosperidade. Disso nos dá conta o “Correio da Horta”, numa edição de 20 de Agosto daquele ano. Tinha, no recenseamento populacional efectuado alguns anos antes, perto de setecentas pessoas. Hoje tem quatrocentas, que se dedicam sobretudo a actividades como a agricultura, a pecuária, a pesca e a construção naval. O porto que existe nesta freguesia é importante no desenvolvimento das actividades ligadas ao mar.

Este porto teve as suas primeiras obras em 1864. Nessa data, ali foi construído o cais, que ainda hoje conserva a traça primitiva. Apenas o varadouro é novo, já que o primeiro oferecia determinadas dificuldades de embarque e desembarque. Em meados do século, foram feitas obras no Portinho, que passou assim a de um “escabroso” pesqueiro, como era considerado na época, para um amplo e seguro cais.

Santo Amaro deve ter sido elevado à categoria de freguesia e paróquia na segunda metade do século XVI. Assim o diz José Maria das Neves em “Para a História de Santo Amaro da Ilha do Pico” (1970). Segundo esse autor, quando o primeiro pároco faleceu, João Soares, a paróquia já tinha algumas dezenas de anos.

A actual igreja paroquial de Santo Amaro é muito atraente a nível exterior. Construída em 1736, foi beneficiada por diversas vezes ao longo dos séculos XIX e XX. Tem torre sineira. É consagrada a Santo Amaro, cuja festa anual decorre, nesta freguesia, a 15 de Janeiro.

No início, este templo tinha três altares, o de Santo Amaro, Senhor Jesus e Sagrada Família. Actualmente tem mais um, consagrado à Morte de S. João. As principais imagens – Santo Amaro, Nossa Senhora do Carmo e Coração de Jesus – foram oferecidas por particulares. Na porta da capela-mor para a sacristia, pode ler-se uma inscrição que revela bem a evolução arquitectónica ao longo do século XIX: “Em 1848 e 1850, foram acrescentadas na altura as paredes desta igreja, e todo o seu tecto foi reformado – o Vigário Santos”.

Nasceu nesta freguesia o 1.º barão de Santo Amaro. Um título que foi criado em 25 de Novembro de 1876 em favor de Manuel Nunes de Melo, negociante no Brasil.

Manuel Tomás, em “Viagens na Nossa Terra”, aconselha uma visita à freguesia: “Santo Amaro espera-nos mais à frente. Aqui se construíram os barrocos do Pico, as traineiras, as lanchas do Pico – as da travessia do canal – e tantos outros barcos. Hoje já não existe essa indústria de construção naval, mas na freguesia desenvolve-se outra actividade de grande qualidade – a escola de artesanato, logo a seguir à igreja. Retomando o percurso em direcção à ponta da ilha, poder-se-á desfrutar, do miradouro da Terra Alta, de uma estonteante vertigem de altitude sobranceira ao mar, e sempre com S. Jorge de sentinela esguia e amiga”.

Santo Amaro é afinal uma freguesia que merece muito. E sempre mais. Não é só a beleza das paisagens, é também a das suas gentes. Contagiante: “A Prainha vale dez réis / A Ribeirinha um vintém / E Santo Amaro um cruzado / Por ter as moças que tem”.

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