Freguesia de Prainha

População: 640

Actividades económicas: Agricultura, pecuária, vinicultura, pesca, carpintaria, serração de madeiras, panificação, lacticínios, pequeno comércio, extracção de areia e corte de basalto

Festas e Romarias: Nossa Senhora da Ajuda (15 de Agosto), Divino Espírito Santo (Domingo/Terça-Feira de Pentecostes), Trindade, Nossa Senhora da Piedade (8 de Setembro), S. Pedro (29 de Junho) e Santa Cecília (2.º fim-de-semana de Setembro)

Património: Igreja matriz, ermida de Nossa Senhora da Piedade, ermida de S. Pedro, casa do Fio e Casa do Povo

Outros Locais: Piscina da Poça Branca, baía das Canas, miradouro da estrada e meia encosta

Gastronomia: Sopas do Espírito Santo, caldo de peixe, linguiça com inhame, pão de leite, bolos de vésperas e massa sovada

Artesanato: Rendas e bordados

Colectividades: Sociedade de Recreio União Prainhense, Grupo Folclórico e Prainha Futebol Clube

Orago: N.ª Sra. da Ajud.

 

DESCRITIVO HISTÓRICO


No extremo norte-noroeste da ilha do Pico, a freguesia de Nossa Senhora da Ajuda da Prainha é constituída pelos lugares de Prainha de Cima, Prainha de Baixo e Canto da Areia. Encontra-se a treze quilómetros da sede do concelho.

Prainha foi a segunda povoação construída na costa norte da ilha. É pois uma das mais antigas do Pico. Em 1572, deu-se aqui uma grande erupção vulcânica, num pico próximo, onde se encontra a lagoa do Caiado. A extraordinária torrente de lava chegou ao mar e formou então um grande mistério, denominado por razões óbvias de Prainha. Este mistério, que se situa entre esta povoação e a de S. Roque, está classificado como reserva natural.

Segundo Gaspar Frutuoso, em “Saudades da Terra”, esta freguesia já existia em 1522, bem como o seu templo paroquial. O mais antigo registo paroquial que se conhece é de 1599, mas a sua instituição administrativa e eclesiástica é de certeza muito anterior.

A igreja paroquial foi construída entre 1522 e 1591 e reedificada em 1787, beneficiada em 1934 e de novo em 1971. As torres sineiras datam de 1853, pelo que no seu início a fachada teria um aspecto totalmente diferente. Está consagrada a Nossa Senhora da Ajuda. Segundo E. Ávila, é um dos mais ricos tempos da ilha no que concerne ao seu estilo arquitectónico.

A casa do Fio, por seu lado, é um símbolo das mais antigas e lídimas tradições da freguesia. Referia uma publicação local sobre esta casa: “Após um desses dias tenebrosos de vento e chuvas, vedado à mínima tentantiva de penetração dos raios solares, a noite descera abruptamente sobre a aldeia, situada num dos extremos deste concelho, arrastando consigo condições climatéricas um pouco mais favoráveis.

Pouco a pouco, vizinhos e amigos deslocavam-se das suas residências e começaram a concentrar-se em locais previamente escolhidos para poderem seroar junto de lareiras bem aquecidas por “achas de faia” e onde fervilhavam, dentro dos caldeirões, as tradicionais “couves solteiras”, prato forte das ceias aldeãs. O azeite de baleia ou o resultante do esmagamento dos bagos do loureiro, era ainda o combustível utilizado na iluminação que emanava a partir das candeias de cobre ou mesmo de pratos de louça de barro, e que, ao difundir-se pela casa, se fazia acompanhar de cheiro nauseabundo. Rocas e fusos, habilmente manuseados, transformavam em fio as pastas de lã acabadas de cardar, fio esse que estaria na base da confecção de todo o vestuário utilizado por homens e mulheres..

Mas foi por outro motivo, não pelos serões ali passados pelos humildes habitantes da aldeia, que esta casa e, afinal, toda a freguesia de Prainha entrou na história dos Açores. Antes de 1858, não existia qualquer ligação entre as diversas ilhas do arquipélago. Nesse mesmo ano, surge o primeiro cabo telefónico que ligou Lisboa e Ponta Delgada. Nesta ilha do Pico, foi na Prainha que tudo começou. Ligava-a a S. Jorge um cabo amarrado no lugar de Canto da Areia. É essa pequena casa, que servia de terminal do cabo submarino, que lá está ainda hoje com o nome de casa do Fio. Uma habitação que serviu de abrigo a um destacamento militar durante a I Guerra Mundial.

Lugar também típico é a baía das Canas. Aí se encontram várias adegas antigas, que no passado estiveram em grande actividade na produção do já abundantemente referido vinho verdelho.

Prainha é uma pequena povoação de planície, junto ao mar, que baseia a sua actividade económica na agricultura, na pecuária e na pesca. Aqui vivem actualmente pouco mais de seiscentos habitantes. Em meados deste século, tinha exactamente o dobro, ou seja, mil e duzentas pessoas.

Guido de Monterey obriga-nos a pensar nas contradições do homem moderno. Trocar a paisagem mais bela do mundo por um punhado de moedas é certamente compreensível, atendendo aos dias de hoje. Mas o observador que vivesse no passado não compreenderia muito bem: “Na Prainha do Norte, parte alta, a vista divaga pela ossatura montanhosa, que corre ao longo da ilha, com cumeadas cheias de recortes. Descendo para o centro, enxerga-se a igreja e o excelente jardim, num conjunto de vincado urbanismo. Aos lados, abrigos com produtos hortícolas e árvores de fruto, pessegueiros na sua vanguarda..

Manuel Tomás, em “Viagens na Nossa Terra”, das Selecções do Reader’s Digest”, utiliza palavras diferentes para dizer exactamente o mesmo: “Por entre pinheiros, faiais, incensos, acácias e criptomérias, descer pelo mistério da Prainha do Norte (parque florestal concluído em 1917) e contemplar a paisagem, o silêncio cortado pelo cantar dos garajaus e gaivotas, com S. Jorge ali em frente, merendar e descansar em tamanho conforto ambiental ainda é privilégio possível neste final de século”.

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