Freguesia de S. Mateus

População: 960

Actividades económicas: Pesca, agricultura, pecuária, serviços, pequeno comércio e construção civil

Festas e Romarias: S. Mateus (3.ª semana de Julho), Santa Ana (2.ª semana de Julho), N. Sra. da Guia (1.ª semana de Julho), N. Sra. da Saúde (última semana de Junho), N. Sra. do Livramento (4.º domingo de Agosto) e Divino Espírito Santo

Património: Igrejas matriz, da Misericórdia e de Santa Quitéria, ermidas de N. Sra. dos Remédios, de N. Sra. da Guia, de Santo António, de N. Sra. da Saúde e de Santa Ana, impérios da Praia, da Senhora da Guia e de Fonte do Mato, casario típico, chafarizes, túnel da Caldeira, fornos de telha e de cal, moinhos e fontes

Outros Locais: Furnas do Enxofre na Caldeira, zona balnear, ilhéu da Praia, miradouros, passeios pedestres e parque de campismo do Pinheiro

Gastronomia: Caldeirada de peixe

Colectividades: Sociedade Filarmónica União Praiense, Grupo Desportivo Mocidade Praiense, Academia Musical, Grupo Coral de S. Mateus e Agrupamento de Escuteiros

Orago: S. Mateus

DESCRITIVO HISTÓRICO


Situada junto do mar e em terreno plano, entre picos e encostas verdejantes, a freguesia de S. Mateus de Vila Praia é constituída pelos lugares de Fenais, Fonte do Mato, Canada Longa, Feteira, Lagoa e Arrochela. É também conhecida por Praia. Encontra-se a cerca de cinco quilómetros da sede do concelho, a vila de Santa Cruz.

A Praia foi elevada à categoria de vila por D. João III, em 1 de Abril de 1546. O concelho, no entanto, acabaria por ser extinto em 1867. Durante esse tempo, atravessou a fase de maior apogeu da sua história, pois liderava e administrava um vasto território em seu redor.

A igreja matriz de S. Mateus, elevada a tal categoria quando a Praia teve foral de vila, é já uma das muitas ampliações que sofreu ao longo dos anos, a última das quais em 1896. Inicialmente, era uma ermida, considerada a primeira igreja construída nesta ilha. É seu padroeiro S. Mateus, cuja festa anual decorre na terceira semana de Julho. Apóstolo e Evangelista, chamava-se Lévi e era filho de Alfeu. Exercia o cargo de publicano, isto é, cobrava impostos para Herodes em Cafarnaum. Estava um dia sentado, exercendo o seu ofício, quando Jesus lhe disse: “Segue-me”. S. Mateus despediu-se da família, oferecendo-lhes um repasto, e seguiu Jesus para sempre. Supõe-se que pregou na Palestina e depois na Etiópia, onde foi martirizado.

A Caldeira, com as suas furnas de enxofre, é um dos mais importantes pontos turísticos da freguesia. É uma grande abertura elíptica, em cujo fundo se encontra um pequeno lago. Aqui existiu um antigo vulcão, actualmente extinto. No passado, chegar lá era extremamente difícil, já que apenas através de cordas e artes de alpinismo tal era possível. Com a escadaria construída em meados do século, tudo se tornou mais fácil.

Vítor Rui Dores, em “Viagens na Nossa Terra”, descreve de forma agradável a freguesia e sobretudo esta cratera: “Suba ao maciço da Caldeira, que tem as encostas completamente revestidas por um povoamento de criptomérias. A estrada acaba junto à abertura que dá acesso à furna do Enxofre. Prepare-se para o maior espectáculo da sua vida. Esta furna deve ser visitada de preferência entre as 11 e as 14 horas, altura em que a luz do Sol penetra mais facilmente pela boca estreita que dá acesso à superfície, iluminando o seu interior revestido de aspectos deslumbrantes. Inicie, pois, a descida para a furna do Enxofre através de uma escadaria de caracol, lançada entre rochas escarpadas. Será assim conduzido a uma enorme abóbada vulcânica, sob a qual se estende uma lagoa de água morna e sulfurosa. Constituindo um fenómeno vulcânico muito raro, a furna do Enxofre tem cento e trinta metros de diâmetro por oitenta de altura, a uma profundidade de cem metros. Recomendamos que não permaneça muito tempo junto da lagoa, pois é aí que se concentra o maior número de gases de enxofre. Terminada a visita à furna, suba os cento e oitenta e quatro degraus da escadaria. Descanse um pouco, beba alguma água e retome a estrada em direcção à freguesia de Luz. (...) Em Praia, faça mais uma paragem para apreciar o extenso areal e o ilhéu da Praia, um dos locais que os garajaus escolheram para criar. Antiga vila, a Praia mantém, nas ruas e edifícios, uma evocação da passada importância..

Com novecentos e sessenta habitantes, esta freguesia tem como principais actividades económicas a agricultura, a pecuária e a pesca. As condições geográficas, junto ao mar e assente em terrenos férteis, concorrem em muito para esta realidade. Não é despiciendo afirmar, aqui chegados, a existência de um vulcão como agente fertilizador dos solos. É uma área plana, baixa e abrigada, onde crescem as espécies vegetais de maior porte da ilha da Graciosa. Os antigos pescadores estão também muito ligados à etnografia da freguesia. Além da sua própria actividade, que ao longo dos séculos foi fundamental para a economia da região, eram eles que recolhiam o sargaço que vinha do mar, em montinhos, e os deixavam ali a secar. Passados alguns meses, todo esse sargaço era vendido em sebes, servindo de adubo para as terras.

Ainda no passado, ficou célebre em S. Mateus a indústria da telha. Existem actualmente na freguesia vários fornos de telha, desactivadas, que produziam e exportavam para toda a ilha e até para as outras ilhas.

A evolução demográfica de Praia é que tem sido negativa. Viviam em S. Mateus, em 1890, mais de mil e setecentas pessoas. Em meados deste século (recenseamento de 1940), esse número diminuíra para as mil e seiscentas. A partir daí, foi sempre a descer, devido a uma vaga migratória que teve como alvos principais a Europa, os Estados Unidos da América e o Canadá.

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