Freguesia de Santa Cruz da Graciosa

População: 1800

Actividades económicas: Pesca, agro-pecuária, comércio, serviços, panificação, lacticínios, vinicultura e hotelaria

Festas e Romarias: Bom Jesus (1.º domingo de Julho), N. Sra. das Dores (2.º domingo de Julho), Santo Cristo dos Milagres (2.º domingo de Agosto), Div. Espírito Santo e Carnaval

Património: Igreja Matriz, casario tradicional, monumento Cruz da Barra, torre de S. Francisco, ermida de Nossa Senhora da Ajuda, moinhos de vento, forte da Barra, forte da Calheta, cemitério judaico, igreja de Santo Cristo, igrejas e ermidas, impérios do Divino Espírito Santo e chafarizes

Outros Locais: Monte de Nossa Senhora da Ajuda, baía da Barra, zona de lazer Barro Vermelho, ilhéu da Baleia, farol da Ponta da Barca, Pico Negro com vigia de baleia, museu etnográfico, passeios terrestres, baía do Calhau Miúdo e zonas de pesca desportiva e de caça

Gastronomia: Caldeirada de peixe, peixe frito com molho vindima, molho à pescador, sopa do Espírito Santo, matança do porco, galinha assada com recheio, queijadas, pudim de feijão, pudim de mel, barriga de freira, massa de cevada, vinho verdelho e licores

Artesanato: Rendas e bordados, vimes e miniaturas em madeira

Colectividades: Santa Cruz Sport Clube, Filarmónica Recreio dos Artistas, Graciosa Futebol Clube, Sport Clube Marítimo, Assoc. Humanitária dos Bombeiros Voluntários e Clube Naval Ilha Graciosa

Orago: Santa Cru.

 

DESCRITIVO HISTÓRICO


É a freguesia sede deste concelho. Logo, a mais importante de toda a ilha. Situada na costa norte da Graciosa, é servida pelo porto de Santa Cruz. Segundo a “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”, é composta pelos lugares e sítios de Bom Jesus, Canada do Campo, Charco da Cruz, Covas, Cruz do Bairro, Dores, Fontes, Funchais, Monte da Ajuda, Quitadouro, Rebentão e Santo Amaro.

Fundou esta vila Pedro Correia da Cunha, o primeiro capitão do donatário da ilha, enviado para aqui em 1485. A primeira pessoa que chegou à ilha, alguns anos antes, foi no entanto Vasco Gil Sodré, habitante de Montemor-o-Velho que depois de viver na Terceira, veio para a Graciosa para povoar mais um pedaço de território nacional. Terá sido Carapacho a primeira paragem desse homem, embora ainda subsistam dúvidas quanto a esse facto.

Santa Cruz assumiu-se desde cedo como o ponto central da ilha, o ponto em redor do qual tudo se iria desenvolver de forma extraordinária. Relembre-se que se estava nos primórdios da Idade Moderna e da incrível saga dos Descobrimentos. Rivalizando com Santa Cruz, encontrava-se Praia, que chegou a formar o segundo concelho da Graciosa. No entanto, a partir do século XIX esse município foi extinto e as suas freguesias integradas no concelho de Santa Cruz, que nunca chegara a perder, aliás, a supremacia sobre toda a ilha.

O pequeno porto que serve a vila foi um dos motores do seu desenvolvimento. Porque daqui entravam e saíam embarcações diariamente, carregando e descarregando gente, carregando e descarregando produtos. Deste porto, sai uma das principais ruas da vila, a rua comummente designada do Porto. No seu fim, a misericórdia com o hospital, fundado em 1600 pelo capitão Manuel de Quadros Machado.

O património de Santa Cruz da Graciosa inclui alguns elementos de grande beleza arquitectónica, mas já não o convento de S. Francisco em todo o seu antigo esplendor. Fundado em 1700 para substituir um outro, anterior, dele resta apenas a torre da igreja que o servia. Foi um dos maiores templos da vila, com uma capela-mor rica em talha dourada.

Em “Viagens da Nossa Terra”, publicação das Selecções do Reader’s Digest que em muito contribuiu para um melhor conhecimento do País, Vítor Rui Dores descreveu alguns dos mais interessantes aspectos desta vila: “Santa Cruz da Graciosa, aberta sobre a baía calma, onde sobressaem o porto e o casario, que acompanha o recorte da costa. As igrejas e as ermidas contemplam a vila de Santa Cruz - do alto de cinco séculos de uma religiosidade gerada no terror sagrado de sismos e vulcões. Os moinhos de vento são um ex-libris da Graciosa. As velas são engradados de madeira, revestidos de pano quando se deseja mais velocidade ou o vento sopra com pouca força. O tronco de cone das paredes tem a alvura da cal. A porta e as pequenas janelas são debruadas a cor azul ou vermelha. A cobrir o conjunto, a cúpula com forma de bolbo, terminando em bico..

Em termos de património natural, o monte da Ajuda auxilia muito uma visão global de grande parte da ilha. Lá do alto, é possível vislumbrar a graciosidade das suas casas, a excelência da sua vegetação. E muitas pessoas, muitas pessoas, que tão de cima parecem pequenas formigas num labor constante.

São cerca de mil e oitocentos os actuais habitantes de Santa Cruz da Graciosa. Muitos mais serão aqueles que aqui trabalham e que diariamente se deslocam para as suas terras. É que esta freguesia, por ser a sede do concelho, sempre regista um grau de desenvolvimento maior que as povoações em seu redor. Mesmo assim, o sector primário representa uma das principais actividades económicas das suas gentes.

Seja como for, Santa Cruz está hoje bem diferente da sua fisionomia quatrocentista: “Quinhentos anos são passados! É já um tempo longo! Muitas ilusões, muitas tristezas e esperanças foram o pão de cada dia, da gente que aqui viveu. Os tempos mudam, passam, mas a vontade firme de lutar continua a estar na alma desta gente que soube, pela nobreza de ideais, fazer desta terra, tantas vezes isolada e esquecida, uma terra de paz”. SANTA CRUZ DAS FLORES

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