Freguesia de Urzelina (S. Mateus) População: 870

Actividades económicas: Agro-pecuária, carpintaria, comércio, panificação, carpintaira e hotelaria

Festas e Romarias: S. Mateus (21 de Setembro), festa do Emigrante (Agosto) e Divino Espírito Santo

Património: Torre de S. Mateus, fontanários, casa brasonada, casas típicas e solarengas, ermidas e moinhos de vento

Outros Locais: Parque de campismo, miradouros, zona de lazer, orla marítima, pesca desportiva, centro de exposição rural e piscina

Gastronomia: Sopa do Espírito Santo, esquecidos, bolo de véspera, espécies e doce branco

Artesanato: Tecelagem, cestaria em vime, bordados e miniaturas em madeira

Colectividades: Futebol Clube Urzelinense, Sociedade Filarmónica União Urzelinense e Sociedade Filarmónica Lira Urzelinense

Orago: S. Mateus

DESCRITIVO HISTÓRICO


A cerca de dez quilómetros da sede do concelho, a Urzelina – pode-se dizer – é uma freguesia nova e muito antiga. Muito antiga porque o homem aqui chegou ainda durante o século XV. Nova porque teve de ser totalmente reconstruída, depois da grande erupção vulcânica de inícios do século XIX. Encontra-se, a freguesia, na costa, em terreno baixo, no sopé das montanhas centrais da ilha de S. Jorge.

O seu nome é de origem botânica. Chamou-se inicialmente Urzelinha. Deriva de urzela, uma planta tintureira que no passado foi largamente exportada para o estrangeiro, em especial para Inglaterra. Denominada “rocella tinctoria”, a urzela permite extrair um produto de bela cor azul-violácea. A maior parte das urzelas crescem nos rochedos à beira-mar, e encontram-se um pouco por todo o mundo. Há urzelas terrestres e de montanha. Em 1647, aqui foi construído um pequeno porto, que tinha como função servir toda a ilha de S. Jorge, porque foi das primeiras estruturas deste género a ser construída em S. Jorge.

O facto mais importante do passado de Urzelina deu-se em 1808. Uma erupção vulcânica de grandes dimensões, destruiu grande parte da povoação e causou o medo e o pânico entre as suas gentes. A torre da igreja, por exemplo ficou completamente soterrada pelas cinzas que acompanharam a erupção. O actual templo paroquial foi construído em 1822.

Do restante património edificado da freguesia, deve destacar-se a casa dos Maios, setecentista, de grande interesse histórico e arquitectónico. Outro solar merece uma visita: a casa de Francisco Lacerda. Algum do património etnográfico da aldeia está conservado no Centro de Exposição Rural. Composto por uma ampla sala, este centro etnográfico pinta toda a vida rural de S. Jorge. Uma mostra de trajes e utensílios da lavoura da ilha encontra-se aí de forma permanente. Está instalado num antigo armazém de laranjas, um edifício “soberbo nas suas linhas sóbrias e robustas, mas elegantes”, no dizer de José Guilherme, o seu fundador.

Conforme refere Manuel Viegas Guerreiro, “levanta-se um homem para o trabalho e aí estão todos os instrumentos do labor diário que se apresenta em seus vários passos. Perto, o arcaico carro de bois, de eixo móvel, chiadeiro, cantador, para carregar a alfaia agrícola, o arado, a grade, a encrepa, e o que mais se lhe quer pôr, que ainda hoje se vê e até eu vi, a rolar por todos os caminhos. E logo a velha atafoa, a puxar por besta, para moer o cereal colhido. E o fabrico do pão com todas as voltas por que passa a farinha até em pão se cozer. E todas as fases da matança do porco e operações que se lhe seguem. Para construção da casa estão os mestres serradores a serrar com serra braçal o tronco para o tabuado. E não falta o tear tradicional, conhecido em toda a Europa Mediterrânica, Índia e Extremo Oriente, e os instrumentos por que passam o linho e a lã até o alimentar: a roca, o fuso, a dobadoira, a cardadeira, o sarilho, a urdideira. Também ali está o alambique para a aguardente, sangue de cavadores, que a não podem dispensar, no duro e penoso revolver dos torrões. Tudo isto e muito mais”.

Um retrato completo do pequeno museu da Urzelina, um orgulho para toda a população e para o próprio arquipélago dos Açores.

Norberto de Ávila, em “Viagens na Nossa Terra”, aconselha a visita à freguesia: “Retome a estrada principal. Terreiros e Urzelina, com as suas quintas e pomares, povoações ligadas ao auge da remessa do vinho verdelho dos Casteletes e de laranja (esta para Inglaterra). Isto em pleno século XIX. Urzelina (de urzela, líquen tintureiro outrora largamente exportado), reconstruída após a destruição causada pela erupção vulcânica do pico da Esperança (1808), é terra das mais pitorescas do concelho. Veja a torre da velha igreja, emergente da lava reverdecida. Desça ao porto e visite, num dos antigos armazéns de laranja, o Centro de Exposição Rural, de grande interesse etnográfico.” Com cerca de 870 habitantes, a freguesia de S. Mateus de Urzelina tem como principais actividades económicas a agro-pecuária, o comércio e a hotelaria. No passado, o vinho verdelho de Casteletes e as laranjas eram a principal riqueza da sua população. O festival “Urzelina em Festa”, todos os anos no final de Agosto, confere à freguesia uma animação digna de registo, bem como a piscina e cais, escolhida por milhares de pessoas para os seus banhos de veraneio. Um parque de campismo bem equipado e o jardim público completam o quadro das infra-estruturas turísticas da freguesia.

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