Freguesia de Fontinhas População: 1418

Actividades económicas: Agro-pecuária, serviços, comércio e construção civil

Festas e Romarias: Carnaval, Espírito Santo (Maio/Junho) e Nossa Senhora da Pena (1.ª/2.ª semana de Agosto)

Património: Igreja paroquial, império das Fontinhas, quinta do Fernando Brum, casa de João Homem e casa da Rua Mestre José

Outros Locais: Miradouros da serra do Cume e do Pico Celeiro

Gastronomia: Sopas do Espírito Santo e alcatra

Artesanato: Cestaria em vime

Colectividades: Sociedade Musical União das Fontinhas, Grupo de Folclore “Fontes da Nossa Ilha” e Grupo Desportivo da Casa do Povo de Fontinhas (campeão nacional de futebol do INATEL 94/97)

Orago: Nossa Senhora da Pena

DESCRITIVO HISTÓRICO


Com uma área de cerca de dezoito quiló- metros quadrados, a freguesia de Fontinhas encontra-se a quatro quilómetros da sede do concelho, na vertente oriental da serra do Cume. Situada na estrada para Praia da Vitória, a noroeste desta, é composta pelos lugares e sítios de À Igreja, Areeiro, Barreiro, Cabouco, Canada do Pico, Coxo, Cruzeiro do Vicente, Cruzeiro Velho, Fontinha, Ribeiro do Marques e Santo António. Delimitada pelas freguesias de S. Sebastião, Santa Cruz, Lajes e S. Brás, é atravessada pelas ribeiras do Marques, Cruzeiro e Santo António.

Lugar de pequenas fontes, que lhe deram o nome, Fontinhas é das poucas freguesias da ilha que pode ser considerada de interior, já que não tem qualquer contacto com o mar.

Por duas vezes, Fontinhas ficou completamente destruída. Tal aconteceu devido às catástrofes naturais que assolam regularmente o arquipélago. Em 9 de Abril de 1614, e depois em 15 de Junho de 1841, a natureza entrou em acção e praticamente riscou a freguesia do mapa. Foi também atingida pelo grande sismo de 1 de Janeiro de 1980.

A criação desta freguesia, com independência administrativa e eclesiástica, ocorreu durante o século XV. Os registos civis mais antigos datam de 1571, mas determinados documentos anteriores terão desaparecido. A primitiva igreja paroquial era anterior a 1568.

Neste mesmo século XVI, Gaspar Frutuoso caracterizava a freguesia da seguinte forma: “Indo da vila da Praia, a oeste-noroeste uma légua da dita vila, está um lugar que se chama as Fontinhas, por ter muitas fontes de pouca água, que corre para este lugar pela falda desta serra. Tem uma igreja paroquial da invocação da igreja de Nossa Senhora da Pena, onde há vigário somente, com quarenta moradores, e alguns deles lavradores ricos, porque as terras são muito ricas. (...) Ao pé desta serra, da banda do norte, como disse, há muitos e frescos pomares, e jardins de muitas e diversas frutas, e formosos rozales, em tanta quantidade que as levam em carros, em bestas, a vender à cidade de Angra, como fazem os de Agualva. Em um desses pomares, que se diz de Pero Leal e agora é de um Gaspar de Freitas da Maia, está um pereiro antigo, e é coisa tão notável, que muitos ilustres homens o vão ver, como foi Fernando de Pina e outros, que é tão grande, que lhe procedem do pé treze ramos com que se faz uma excessiva copa e sombra e dá tanta fruta, que se faz cada ano cinco e seis mil réis nela, dando dois e três peros ao real, e no mesmo lugar, das Fontinhas, em outro pomar, de Lisarte Godinho, que está perto deste, há muitos soutais de castanheiros, entre os quais está um antigo tão grande, que o tronco dele tem um circuito sete varas de medir que são trinta e cinco palmos, e dá infinidade de castanhas”.

A actual igreja paroquial, a que acima se aludiu, data de 1925. A anterior foi derrubada nesse mesmo ano, depois de um ciclone de enormes proporções. No altar-mor, encontram-se algumas imagens de grande interesse, entre as quais as de Nossa Senhora da Pena, S. José e S. Sebastião. Os painéis em mosaico na ábside, adquiridos em 1969, aludem à Apresentação de Jesus no Templo e Purificação da Virgem Maria e à Crucificação e Morte do Divino Mestre nos braços de Sua Mãe”. Tem três altares do lado da Epístola e três do lado do Evangelho.

Além da igreja paroquial, merece destaque em termos patrimoniais a ermida de Santo António. Foi mandada construir nos inícios do século XVI pelo Pe. Francisco Cardoso Leal. Situada a cerca de 700 m do centro da freguesia, tem varanda lateral, tipo moradia, e sineta. Sofreu ao longo dos séculos grandes destruições, devido aos terramotos, incêndios e ciclones, e já em diversas ocasiões serviu como igreja paroquial, quando esta se encontrava em obras. Tem belas imagens no seu interior, entre as quais se destacam as de Santo António, Santo Amaro, Santa Cecília, Santa Luzia e Nossa Senhora de Fátima.

O império do Espírito Santo foi construído em finais do século XIX e remodelado em 1977, com nichos em azulejos e lambrins. Esta invocação vem desde os tempos mais remotos do povoamento da ilha, tal como aconteceu noutras freguesias do concelho.

Integrada na área de Ramo Grande, esta freguesia foi outrora conhecida como o celeiro da ilha Terceira. Com cerca de mil e quinhentos habitantes, dedica-se sobretudo ao sector primário. Quanto às pessoas que vivem na freguesia, o seu número tem vindo a decrescer desde meados deste século.

Nota-se nas últimas décadas, um ligeiro crescimento da população residente, resultante da diminuição da emigração para os Estados Unidos da América.

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