Freguesia de Biscoitos População: 1600

Actividades económicas: Agricultura, fruticultura, pecuária, pesca, pequeno comércio e serviços

Festas e Romarias: S. Pedro (1.ª semana de Julho) e Imaculado Coração de Maria (3.ª semana de Setembro)

Património: Forte de S. Pedro, forte da Rua Longa, ermidas, igreja de S. Pedro, igreja do Imaculado Coração de Maria e impérios

Outros Locais: Trincheiras da II Guerra Mundial, miradouro da rua Longa, furnas de Enxofre, piscinas naturais, gruta dos Balcões, porto de pesca, parque de merendas e museu do Vinho

Gastronomia: Vinho do verdelho, favas escoadas, vinho de cheiro e aguardente da terra

Artesanato: Vimes, espadão, rendas e bordados, trabalhos com búzios e tecelagem

Colectividades: Soc. Filarmónica Progresso Biscoitense, Soc. Filarmónica Recr. de Bairro de S. Pedro, Grupo Folc. dos Biscoitos, Grupo Desp. dos Biscoitos e Grupo de Andebol da Casa do Povo dos Biscoitos

Orago: S. Pedro

DESCRITIVO HISTÓRICO


A vinte e quatro quilómetros da sede do concelho, a freguesia de S. Pedro de Biscoitos é uma das mais interessantes de toda a ilha Terceira. Aqui, toda a paisagem se conjuga de forma extremamente agradável através da união entre o azul do mar, os verdes do campo e o basalto negro das rochas. Encontra-se no extremo norte da ilha.

A freguesia é servida por um pequeno porto, que conserva as memórias de um velho forte que aqui existiu e que se chamou exactamente forte do Porto.

Quando foi estruturado o povoamento e colonização da ilha, a posse dos Biscoitos estava assente numa divisão concertada entre duas importantes famílias da nobreza local, os Canto, dos quais o primeiro representante foi o conhecido Pêro Annes do Canto, e os Pamplonas. Esta freguesia constituiu um morgado, do qual faziam parte os lugares de Biscoito Gordo (devido à sua fertilidade) e Materramenta (relacionado com o nome de um indivíduo ou então de um rudimentar porto que servia sobretudo os interesses económicos de Pêro Annes do Canto, o provedor de armas da Terceira.

Em Biscoitos, tudo começou e se desenvolveu em redor do lugar hoje conhecido como “Igrejinhas”, mas rapidamente as populações foram escolhendo, preferencialmente, as partes mais baixas e próximas do mar, devido à fertilidade acrescida dos seus solos. De resto, as condições geográficas, climáticas e geológicas condicionaram sempre de forma muito marcada a vida das suas gentes. As erupções vulcânicas de 1761 e de 1980 são apenas dois exemplos.

A actual igreja paroquial, consagrada a S. Pedro, substitui uma outra que existiu a cerca de um quilómetro. Erigida no Bairro, sofreu grande destruição aquando do terramoto de 1980, mas foi de pronto recuperada. A igreja do Imaculado Coração de Maria, por seu lado, é moderna e de grandes dimensões. Foi inaugurada a 27 de Maio de 1965.

Quanto a capelas, existem várias na freguesia. A ermida de Nossa Senhora do Loreto foi mandada edificar em 1556 por Pedro Annes do Canto. Mathias Silveira construiu a do Espírito Santo em 1761. A de Santa Catarina, foi da responsabilidade de Gonçalo Annes Pamplona. O alferes José Dinis Ormanda, em 1690, entregou-se de corpo e alma à construção da ermida de Santo António.

As paisagens naturais são também de grande beleza. O miradouro da Rua Longa, construído pela Junta de Freguesia em 1992, proporciona vistas esplêndidas sobre grande parte da ilha. As abruptas rochas vulcânicas que constituem a povoação parecem servir de moldura à orla marítima, formando baías, enseadas ou espaços de grandes abismos. A área das piscinas naturais da Calheta merecem ser visitadas, e são-no sobretudo durante o Verão.

O vinho movimenta sem dúvida as pessoas da freguesia desde os tempos mais remotos. Desde sempre que os Biscoitos se celebrizaram pela sua extraordinária produção. O museu do Vinho é a memória viva de um passado muito vinícola. Os próprios empedrados que formam as “curraletas” ou “currais” de vinha demonstram todo este passado muito rico. Capaz de satisfazer o mais exigente dos turistas, verdadeiro néctar dos Deuses que já percorreu mundo, o vinho verdelho é dado a provar a todos aqueles que visitam a freguesia.

Tal como a grande maioria das freguesias do arquipélago dos Açores, Biscoitos perdeu muita população ao longo deste século. As condições económicas, difíceis, ditaram a fuga de muita gente para os Estados Unidos da América, onde se encontra ainda hoje, ou para o resto da Europa, Portugal Continental incluído. A sua economia baseia-se sobretudo no sector primário. Na agricultura, o destaque vai para o cultivo da vinha e para a fruticultura (maçãs, pêssegos e laranjas). Na pecuária, o gado bovino. A pesca foi famosa, em tempos, pela caça à baleia, actividade que hoje já não é praticada em todo o mundo.

Numa época que caminha de forma imparável para o século XXI, a população e as autoridades locais procuram nortear a sua acção no sentido de continuar a preservar com orgulho e dignidade o nome de uma freguesia que sempre soube assumir um lugar de destaque no panorama terceirense.

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