sanguinho plantaO sanguinho, de nome científico Frangula azorica V. Grubow é uma das árvores endémicas mais raras da Macaronésia. Endémica dos Açores e Madeira, estando aqui extinta na natureza, encontra‑se ocasionalmente em jardins. É uma espécie protegida pela Directiva Habitats e pela Convenção de Berna.

O sanguinho, que deve o seu nome à cor de sangue quer dos corantes que se extraíam da sua casca, quer à cor rosada da sua madeira aparece citado desde as primeiras descrições sobre a vegetação e flora dos Açores, como elemento das florestas naturais, pelo historiador Gaspar Frutuoso “há nelas muitas matas de Cedros, Loureiros e Faias, e um pau branco e outro amarelo, a que chamam sanguinho, e outro vermelho, chamado teixo, que se estimam muito por serem secos e pouco húmido pera escritório e obras marchetadas”.

É uma das primitivas madeiras açorianas utilizadas na carpintaria do arquipélago na época do cedro, mais concretamente no período de 1450–1550. A madeira é de cor avermelhada, leve, estaladiça, e de aspecto brilhante depois de preparada. A sua madeira também foi utilizada na construção civil, em vigas de tecto de comprimento considerável, segundo a informação oral gentilmente cedida pelo Dr. José Leal Armas, médico veterinário de Angra do Heroísmo que foi um dos maiores colecionadores de madeiras em Portugal.

O sanguinho tinha um papel nas práticas de silvopastorícia no início do povoamento, como informa Gaspar Frutuoso: “... o gado comia de toda a sorte e rama de azevinho, pau branco, sanguinho, tamujo e muitos queirós, que é muito baixo e folhados”. Os frutos desta planta também eram utilizados na alimentação humana, como se depreende da seguinte citação do mesmo cronista: “o sanguinho dá outro fruto como cerejas, muito doce, que embebeda”.

Do ponto de vista botânico, o sanguinho é uma árvore pequena ou arbusto alto que pode atingir até 12 m de altura (pelo menos em indivíduos actualmente vivos, dado que em tempos mais antigos poderiam existir indivíduos centenários de maiores portes) com uma coroa bem aberta; ramos pouco divididos, cobertos de folhas apenas na ponta; casca de cor vermelho‑acastanhado; folhas semi‑caducas (embora as folhas sejam anuais, a árvore apenas fica despida de folhas um curto tempo em Invernos rigorosos, enquanto na maioria dos anos a queda das folhas é posterior ao desabrolho), ovoides grandes (15 cm), veios laterais distintos, pubescentes na página inferior; flores pequenas solitárias pediceladas, vermelho‑acastanhado, floração em Maio; o fruto é uma baga de 0,8 a 1,2 cm de diâmetro, de vermelho vivo a preto brilhante quando maduro.

É uma planta, na sua ecologia, característica das florestas laurifólias dos Açores. Estas florestas caracterizam‑se por serem dominadas por espécies arbóreas, perenes, de folhas grandes glabras a sub‑glabras e coriáceas tipo louro. Esta planta é altamente sensível às alterações do meio provocadas pelo Homem, desaparecendo na maioria das paisagens humanizadas. Em meio natural, o sanguinho parece apresentar uma potente capacidade de propagação e cresce densamente, surgindo pequenos pés, com frequência em clareiras na floresta laurissilva, onde tem exigência por sítios muito abrigados e húmidos.

Esta espécie encontra‑se associada a condições de coberto arborescente estável. Quando em floresta natural, poderá ser considerada como indicadora de condições de equilíbrio. Actualmente aparece, quase sempre, em povoamentos muito esparsos, ou mesmo apenas plantas isoladas.
No séc. XIX foi referida como frequente até aos 900 m no Pico. Em meados deste século é apenas dada entre os 300 e os 600 m de altitude.
Actualmente é rara nos Açores, mas pode‑se observar que crescem desde do mar até à serra, em sítios húmidos e abrigados de floresta, em todas as ilhas com excepção da Graciosa e Corvo.

As principais ameaças são a destruição de florestas e matas, o corte de madeira, a invasão de exóticas como o incenso (Pittosporum undulatum), acácia (Acacia melanoxylon) e a conteira, roca‑da‑velha (Hedychium gardnerarum). No entanto a sua capacidade de regeneração estará francamente debilitada, fora das grandes manchas florestais, devido ao herbivorismo sobre as suas sementes, e sobre as suas plântulas realizado pelos coelhos, espécie introduzida nas ilhas com o seu povoamento e que tem vindo a atingir densidades preocupantes para a conservação da natureza, com claros impactos na flora endémica.

In Espécies florestais das ilhas, Eduardo Dias, Carina Araújo, José Fernando Mendes, Rui Elias, Cândida Mendes e Cecília Melo
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