teixoO Taxus baccata é uma espécie dióica, ou seja, com indivíduos femininos e masculinos distintos, que ao contrário da maioria das coníferas, é tolerante à sombra.

Possui uma ampla distribuição europeia, ocorrendo desde a Irlanda até ao norte do Irão, ocorrendo igualmente no norte de África e Ásia Menor. Esta espécie é muito abundante em florestas mistas da Europa Central, principalmente como espécie de sub‑bosque.

As formações puras desta espécie são bastante mais raras na Europa, apresentando uma distribuição pontual. No Reino Unido e na Irlanda estabelecem pequenos bosques, associados a solos mais secos ou mesotroficos. Em Portugal formam pequenos bosquedos que se encontram restringidos a alguns vales junto a linhas de água na Serra do Gerês e nas zonas montanhosas da Serra da Estrela.

A presença do teixo nos Açores no conjunto da Macaronésia, vem corroborar a hipótese de que esta região deveria ser separada em subregiões, com diferentes tendências bioclimáticas, formando os Açores uma subregião de tendência mais Norte‑Atlântica, com uma forte componente eurosiberiana ausente nos outros arquipélagos. As florestas de teixo encontrariam assim nos Açores um sub‑tipo endémico o qual se encontra extinto na actualidade.
Actualmente, o teixo só ocorre sob a forma de alguns indivíduos nas ilhas do Pico e Flores.

Contudo, esta espécie teria uma distribuição muito mais ampla no passado, sendo possível localizá‑las, através das descrições de Gaspar Frutuoso, nas ilhas de São Miguel, São Jorge, Pico, Faial e Flores. A espécie acorreria associada a florestas de laurissilva sendo, por vezes, uma importante espécie estruturadora dos ecossistemas, o que levanta a hipótese da extinção de uma outra tipologia de f loresta nos Açores.

As razões para a sua extinção parecem relacionar‑se com a sobre‑exploração da sua madeira, que era muito apreciada pela sua qualidade, sendo destino final o fabrico de mobiliário.

A qualidade da madeira era de tal forma apreciada que levou a que fosse sujeita ao controlo da Casa Real para o seu abate, razão pela qual passou a ser conhecida por pau‑da‑rainha, como já foi dito na segunda parte deste volume. Poucos indivíduos chegaram ao século XX. É também possível que existisse uma perseguição a esta espécie, mesmo aos indivíduos juvenis, que desapareceram por completo, logo que a pecuária ganhou importância nas zonas de montanha, pela elevada toxicidade que toda a planta apresenta.

Na verdade esta planta tem uma infrutescência muito interessante, formando a base de suporte do cone feminino, na maturação, um bago carnoso e suculento, de cor vermelha vivo e atraente, mas muito tóxico para a maioria dos mamíferos e quase inofensivo para as aves. No entanto, toda a planta possui substâncias tóxicas, quando ingeridas.

In Espécies florestais das ilhas, Eduardo Dias, Carina Araújo, José Fernando Mendes, Rui Elias, Cândida Mendes e Cecília Melo
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