incensoIncenso (Pittosporum undulatum Vent.).

Pittosporum provém do grego e significa “sementes pegajosas”. Undulatum provém do latim undulatus, ondulado, referindo‑se à margem das suas folhas. Esta espécie é originária do Sudoeste da Austrália, mas com uma distribuição bastante mais alargada, surgindo em zonas de climas quentes de África, Ásia, ilhas do Pacífico e Nova Zelândia, desenvolvendo‑se naturalmente em florestas húmidas.

É cultivada como ornamental em muitos locais distintos no mundo. Contudo, em certas condições ambientais esta espécie comporta‑se como invasora, tal como acontece no Brasil, no Hawai, Jamaica, África do Sul e outras ilhas do Pacífico e Atlântico.

Pittosporum undulatum Vent. é um micro‑mesofanerófito perene que atinge alturas de 10 a 15 m. Ritidoma cinzento com forte nodosidade na zona de inserção dos ramos e imediatamente abaixo desta. A copa é piramidal, com 3 a 5 m de diâmetro. As folhas são perenes, ovado‑lanceoladas e de margem ondulada (dando nome à espécie). As folhas, quando esmagadas, produzem um odor pungente, de que deriva o nome dado pelos açorianos de “incenso”. As flores agrupam‑se em cimos, com pétalas brancas e lanceoladas e um forte aroma na maturação.

Os frutos são cápsulas, glabras que de verde passam a cor de laranja quando maduros, resinosos e com um forte odor.

Em Portugal Continental o Pittosporum foi introduzido como ornamental de jardins e para sebes. Tem actualmente o estatuto de invasora sendo especialmente problemática na Beira Litoral e Estremadura. Nos Açores, esta espécie conhecida por incenso ou faia do Norte, foi introduzida há mais de 150 anos, primeiro para fins ornamentais e depois para a implantação de sebes.

Tendo encontrado condições de tal modo favoráveis, “escapou” do domínio do Homem, invadindo uma parcela considerável da zona compreendida entre o nível do mar e os 500 m, mudando profundamente o aspecto das paisagens açorianas. Constitui actualmente uma das principais invasoras da região sendo, sem dúvida, a espécie que provocou alterações mais profundas na paisagem e na flora natural de baixa e média altitude.

Trata‑se de uma planta muito pouco exigente em termos de nutrientes do solo, adaptada a condições secas e expostas a ventos, formando aglomerados muito densos que impedem o crescimento de outras espécies pelo que estas formações são normalmente muito pobres em termos de biodiversidade vegetal.

Existem referências que apontam para que uma só árvore possa produzir 37.500 sementes. Além disso, o incenso, tem uma grande capacidade colonizadora e de regeneração. Grande parte das florestas naturais de costa e meia altitude, nomeadamente faias e florestas laurifólias, foram profundamente alteradas e mesmo extintas devido à invasão desta espécie.

Existem outros problemas associados à presença de incenso. São plantas de grandes dimensões, bastante pesadas e promotoras de profundas alterações estruturais do solo. Assim, quando ocorrem em zonas de encosta, são frequentemente associadas a derrocadas.

Este problema existe por exemplo nas encostas de algumas fajãs na ilha de S. Jorge, anteriormente usadas para vinha, recentemente abandonadas e actualmente ocupadas por matas de Pittosporum, em grave risco de derrocadas.

A distribuição e os efeitos associados à presença do incenso é, nos Açores, um problema cuja solução (se existir) se apresenta muito difícil considerando a dimensão actual do problema. Realça‑se que esta rebenta por toiça e de raiz, o que torna a remoção mecânica cara e trabalhosa (em muitos casos impossível devido à instabilidade do local), sendo sempre necessário que o corte seja acompanhado pela aplicação de produtos químicos, com todos os inconvenientes que tal processo pode acarretar. Se a solução é difícil, o alastramento do problema poderá ser minimizado, com medidas que limitem o abandono da terra e promovam a limpeza das matas por parte dos seus proprietários.

Acima dos 500 m de altitude, e devido essencialmente aos elevados níveis de encharcamento, a planta não se consegue adaptar e os seus efeitos são minorados ou inexistentes.  O incenso é considerada uma espécie de pouco interesse em termos de madeira, sendo esta de natureza dura (utilizada, pelo seu grão, em Santa Maria, para elaboração de colheres de pau). Nos Açores, é frequente agricultores usarem sazonalmente a ramada desta planta na alimentação de gado bovino. Na região foram já efectuados diversos estudos que visam o aproveitamento desta espécie, mostrando a sua potencialidade como substrato de culturas hortícolas.

 

In Espécies florestais das ilhas, Eduardo Dias, Carina Araújo, José Fernando Mendes, Rui Elias, Cândida Mendes e Cecília Melo
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