sorgo vassouraTexto de Silvano Pereira, 1955 (Boletim da Comissão Reguladora dos Cereais do Arquipélago dos Açores),

A outra variedade de sorgo utilizada nos Açores — Sorghum Dochna, technicum; sinónimo para Sorghum bicolor (L.) Moench subsp. bicolor — é o milho  de vassouras ou sorgo das vassouras, que nunca deixou de cultivar-se, embora entre nós o fabrico de vassouras tenha mantido um carácter caseiro. Todavia, na ilha Terceira, funciona, há anos, uma fabrica de vassouras com certa grandeza, que pode considerar-se com aspecto industrial.

Em S. Miguel tem havido também diversas tentativas dessa mesma indústria, nem sempre com grande êxito, devido talvez a imperfeição do fabrico ou à concorrência encontrada da parte de industrias já montadas e com a sua clientela conquistada.

O Sorgo não é muito exigente na qualidade do solo. Vegeta bem em qualquer terreno, preferindo as terras soltas em bom estado de fertildade. Resiste melhor do que o milho à estiagem e aos ventos. Prepara-se a terra como para o milho, com outono de tremoço, uma lavoura preparatória e outra de sementeira, que convém que seja suficientemente funda.

Com esta lavoura enterra-se o estrume à razão de um carro ou quatro carroças por alqueire, ao qual se adiciona o superfosfato de cal. Querendo fazer-se uma adubação completa de restituição, deve empregar-se por alqueire de terra: 5 quilos de azoto; 9 quilos de A. Fosfórico; 10 quilos de potassa.

Além do azoto fornecido pela tremoçada e pelo estrume, bastará empregar em cobertura 30 quilos de Nitrato do Chile ou o equivalente dum adubo nitro-amoniacal; para o anidrido fosfórico precisaremos lançar 50 quilos de superfosfato a 18 %; para a potassa — 20 quilos de cloreto ou de sulfato de potássio. Este último adubo pode mesmo dispensar-se, se a lerra for um pouco argilosa.

A sementeira faz-se durante todo o mês de Abril, em regos ou linhas distanciadas de 0,m45 a 0,m50, ou em covetas ou caseiras a igual distância. Meio alqueire de semente (5 a 6 quilos) será suficiente para cada alqueire de terra. Cobre-se com o sacho, lançando pouca terra, (0,m02 a 0,.033) por ser a semente miúda e as plantinhas muito débeis ao nascer. Poucos dias após o nascimento é preciso dar uma sacha nas entrelinhas, para que as ervas espontâneas não abafem as plantinhas do sorgo.

Quando estas atingem uns 0,m10 de altura, procede-se ao desbaste, monda e sacha, operação morosa e muito importante, deixando-se em cada coveta, ou de espaço a espaço na linha, 3 ou 4 pés de sorgo, convenientemente afastados uns dos outros. Nesta ocasião faz-se a adubação de cobertura. Conforme o desenvolvimento de ervas espontâneas, dá-se mais uma ou duas sachas, de forma a manter sempre o terreno limpo. Não há necessidade de fazer amontoa ou abarbar, já porque as raizes do sorgo tendem a profundar, já porque não se criam as raízes adventícias nos primeiros nós do caule, como sucede no milho.

Ao fim de cinco meses, contados desde a sementeira, os frutos ou sementes amadurecem, as panículas começam a amarelecer, e a secar. É tempo de proceder à colheita. Cortam-se os colmos uns o,m10 ou o,m15 abaixo da base das espigas ou panículas, e estendem-se ao sol a secar. Antes ou depois de secas, procede-se à desgranação ou ripagem das sementes, trabalho bastante moroso e enfadonho, segurando as espigas sobre uma tábua ou banco e arrancando-lhes as sementes com auxílio dum ripanço ou duma raspadeira feita de arco de ferro.

Emolham-se as panículas desgranadas, que estão prontas para a manufactura das vassouras. Em média, um alqueire de terra de milho de vassouras produz .200 quilos de palha seca e 30 alqueires ou 300 quilos de grão, que serve para alimentação de galinhas ou de porcos.
Os pássaros, especialmente os canários, são muito gulosos do grão de sorgo quando em estado leitoso.

Lugares há em que devoram praticamente a colheita. Tombando as espigas por um torcimento a meia altura do colmo, consegue-se diminuir o estrago da passarada. As folhas e as bases do colmo têm fraco valor alimentício e são pouco apetecidas pelo gado. Todavia, passando-as por um carta-palhas poderiam servir para alimentação do gado bovino, ao menos como balastro.

Não é de esperar nem de desejar que a cultura do sorgo das vassouras tome nestas ilhas uma grande extensão; não o permitiria a concorrência de outras terras onde a cultura se pode também exercer, nem a natural limitação do consumo dos produtos manufacturados. No entanto, pode ser muito proveitosa como cultura subsidiária, como pequena fonte de riqueza, pequena em si, mas que somada a outras fontes igualmente pequenas, poderá contribuir para o equilíbrio da balança económica da nossa agricultura.

OUTROS USOS

Nas preparações de alimentos mais simples, todo o grão é cozido (para produzir uma espécie de arroz), torrado (geralmente na fase de massa). Mais frequentemente o grão é moído ou triturado em farinha, muitas vezes depois de descascado. A farinha de sorgo é usada para fazer mingau, panquecas, bolinhos ou cuscuz, cerveja e bebidas fermentadas não alcoólicas. Na África o sorgo é germinado, seco e moído para formar o malte, que é utilizado como um substrato para a fermentação na produção de cerveja local.

O grão branco é geralmente preferido para cozinhar, enquanto os grãos vermelhos e castanhos são normalmente utilizados para cerveja. Na China o sorgo é amplamente destilado para fazer uma bebida alcoólica popular e vinagre.

Vários cultivares de sorgo não comestíveis são cultivados exclusivamente para extrair um corante vermelho presente nas folhas e, por vezes, também em outras partes do caule. Na África este corante é usado especialmente para tingir pele de cabra, mas também para tapetes, tecidos, tiras de folhas de palmeira e ervas utilizadas em cestaria e tecelagem, cabaças ornamentais, lã. 

O sorgo também é usado para fornecer as cores violeta decoram as máscaras usadas durante certas danças de povo Yoruba no sul do Benin e no sudoeste da Nigéria. No século XIX o sorgo vermelho era importado para a Europa, onde o corante era conhecido como “carmin de sorgho”. Usado em lã ou seda, com um mordente como o estanho ou cromo, o resultado era uma tinta marrom-vermelha conhecida como “badois rouge”. “Durra vermelho”, um produto similar, era exportado da Índia para o Reino Unido, onde o corante era conhecido como “Hansen brown” ou “Meyer brown”. Recentemente foi patenteado o uso como tinta de cabelo.

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