O Ananás dos Açores/S. Miguel (Ananas comosus L. Merril, variedade Cayene) é produzido em estufas de vidro utilizando técnicas de cultivo tradicionais: aplicação de "fumos" e utilização de "camas quentes" à base de matéria vegetal. Ao fim de um período de dois anos, desde a plantação até à colheita, obtém-se um fruto de qualidades impares de aroma e sabor.

A cultura foi introduzida em S. Miguel por volta de 1840-50, sendo comercializado na Europa há mais de um século. Algumas características do produto: Fruto de forma cilíndrica, ligeiramente afusado, com casca laranja forte e polpa amarela.

A polpa do ananás apresenta uma coloração amarela translúcida, um sabor agri-doce sui generis e um aroma muito agradável.

Caderno Especificações DOP Ananás

Área geográfica de produção: Ilha de S. Miguel

Entidade Certificadora: Comissão Técnica de Certificação e Controlo (Despacho Normativo nº 259/93, de 30 de Dezembro)

Agrupamento detentor da DOP: Profrutos -Cooperativa de Produtores de Frutas, Produtos Hortícolas e Florícolas de São Miguel. Largo da Cerveja - Fajã de Baixo -9500 P. Delgada Telefone: 296 205130 Fax: 296 205133

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Particularidade
Ananás cuja polpa tem um sabor acentuadamente agridoce.

Descrição
Entende-se por Ananás o fruto da espécie Ananas comosus (L.) Merril da família das Bromeliaceas e variedade Cayene «folhas lisas». Tem forma cilíndrica, ligeiramente afusado, com casca de cor de laranja forte e polpa amarela translúcida. O sabor é agridoce. Cada fruto pesa entre 900 e 1500 g.

História
As ilhas portuguesas do Atlântico foram um pivot para a introdução e expansão de novas culturas. Assim, os Portugueses descobriram o Ananás no Brasil e, para além de o trazerem para os Açores, também o expandiram para Santa Helena em 1549 e para a Índia em 1518. São também os Portugueses que o introduzem na costa ocidental africana (segundo Cristóvão Costa, citado por José Mendes Ferrão). Foi um dos primeiros frutos a ser utilizado em conserva, dadas as suas características gustativas.

Uso
Para além do seu consumo em fresco, a casca do ananás é usada para o fabrico do Licor de Ananás. Este fruto entra ainda como ingrediente da doçaria tradicional. No Continente, é particularmente apreciado nas festividades do Natal e Ano Novo.

Saber Fazer
O Ananás açoreano é cultivado tradicionalmente em estufas de vidro, com solo artificial composto de matéria orgânica. Em todas as fases de cultivo usam-se «camas quentes» com a altura necessária para arejamento e drenagem do sistema radicular. Estas são extremamente importantes, dado que o teor de água e humidade é regulado através das regas e do arejamento. Na feitura das «camas» usam-se basicamente leiva (-hoje proibida- pequenos pedaços de manto vegetal espontâneo), lenha, terra velha (sobrante de anteriores culturas), serradura e aparas de madeira. As estufas de modelo tradicional são de alvenaria, madeira e vidro, com madeiramento caiado de branco e com fieiras, fechais, tronchas e travessas. Os estufins e as estufas de propagação são construídos nas proximidades das estufas de produção.


Seleccionam-se as «tocas» (propágulo) para a produção de «brolho» (planta na sua primeira fase de crescimento). A densidade de plantação situa-se entre as 33 000 e 45 000 plantas por hectare, com um compasso que garanta um espaço de 50 cm entre as plantas. É utilizado o fumo (dentro da estufa fechada, queima-se matéria vegetal, sobre fogareiros de lata colocados no
passeio interno da estufa, durante um certo tempo e sempre ao fim da tarde), para indução da floração, quando a planta já está adulta (cinco meses depois do seu enraizamento definitivo ou dezoito meses após desfolha da toca original).


O material usado para o «fumo» é, basicamente, folha de bananeira, ramada e criptoméria. Não podem efectuar-se regas nos trinta dias que antecedem a colheita. Efectua-se esta e procede-se depois à selecção de acordo com o estado de maturação, a coloração e o calibre. Os frutos devem ser sempre segurados pela coroa.


In: Produtos Tradicionais Portugueses - Vol 1
Direcção-Geral de Desenvolvimento Rural
Lisboa 2001


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