alfenimParticularidade
Doce muito delicado e frágil, de cor branca, que se apresenta com a forma de bonecos humanos, de animais ou flores.

Descrição
O Alfenim é uma massa de açúcar que se leva ao ponto em que se torna branca e com a qual, enquanto está quente, se moldam figuras. A massa é feita exclusivamente com açúcar, água e uma colher de vinagre.

História
A palavra Alfenim vem do árabe «al-fenid» e significa aquilo que é branco, alvo. Segundo Câmara Cascudo, o Alfenim era uma das gulodices orientais, muito popular em Portugal nos fins do século XV e princípios do século XVI, aparecendo citado em obras de Gil Vicente e de Jorge Ferreira de Vasconcelos. Veio para os Açores, como é fácil de concluir, com os primeiros elementos mouriscos que ali se fixaram, sendo a sua divulgação facilitada com a produção de cana-de-açúcar, verificada até aos finais do século XVI.
Com o decorrer dos tempos, a doçaria conventual ter-se-ia apropriado do Alfenim, aperfeiçoando não só a sua massa como também as figuras que com a mesma se fazem, nomeadamente figuras humanas, de animais e de flores.
O Alfenim ainda hoje é muito frequente e apreciado nas ilhas do grupo central, sobretudo na ilha Terceira, onde há verdadeiros especialistas que fazem com a respectiva massa esculturas que representam pombas e galinhas. Era oferta de luxo, mimo com que se presenteavam pessoas distintas, imprescindível na ornamentação da mesa dos noivos, para não falar do pagamento das promessas e dos ex-votos em que o Alfenim tomava a forma dos órgãos atingidos pela doença. Augusto Gomes refere, acerca da sua origem mourisca: «… estou a vê-lo trincado pelos dentinhos gulosos das belas moiras a lançarem longos suspiros e olhares languereses à porta guardada pelo hercúleo eunuco; ou passado na extremidade da frágil pazinha por entre as grades do parlatório, ante o olhar severo da madre abadessa».

Uso
Come-se como sobremesa e faz-se sempre nas festas religiosas, casamentos e baptizados. Também pode ser consumido como rebuçados.

Saber Fazer
Coloca-se o açúcar ao lume, num tacho de cobre, com a água suficiente para cobrir e uma colher de vinagre e aquece-se até ficar em ponto de alfenim.
O tacho é depois colocado num recipiente com água fria, mexendo sempre para tornar a pasta opaca. Quando a temperatura permite e se pode segurar a pasta, mexe-se com as mãos, dando-lhe a forma de meada, dobrando e esticando, até ficar elástica. Cortam-se bocados e moldam-se flores, pombas, rosquilhas, etc.

Produção
Não é possível apurar a quantidade de Alfenim produzida anualmente, dado o seu consumo específico nas ocasiões de festa.

In: Produtos Tradicionais Portugueses - Vol 3
Direcção-Geral de Desenvolvimento Rural
Lisboa 2001

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