Como realizar uma Quarentena

Você ou um ente querido tem febre leve, dores no corpo, o início de uma tosse seca e irritante. A comida não tem gosto nem cheira como antes. Talvez sinte falta de ar ou custa respirar...

Cozer feijões velhos

feijãoQuando guardados há muito tempo (anos mesmo) ou simplesmente mal acondicionados, os feijões podem demorar tempo a mais a cozer. Mas há soluções.

A menos aconselhável é a adição de...

A Tinturaria Vegetal em Alguma Ilhas dos Açores


Carreiro da Costa, 1957

tinturariaRemonta aos primeiros decénios de vida insular, a prática dos vários processos de tinturaria caseira, servida por elementos vegetais. Tais processos encontram-se...

Cores das Ilhas

Tudo leva a crer que esta paleta de cores começou a ser formada com a visita do escritor Raul Brandão, que esteve nos Açores em 1924 e foi atribuindo a cada ilha uma determinada cor (ou...

A Amoreira e a Sericultura

 

Carreiro da Costa, 1945

De entre os problemas económicos em equação no arquipélago dos Açores, o da sericicultura é dos que mais tem apaixonado aqueles que, no decorrer dos tempos, vêm...

Agave (Babosa)

Piteira, Babosa, Agave, Agave americana L.

agaveÉ uma planta muito disseminada nos jardins de algumas ilhas. Não sabemos se o  “Agave azul” (e a sua parente “Marginata”, com folhas às riscas...

Alguns Estudos Científicos sobre Agricultura Açoriana

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Departamento de Ciências Agrárias

http://repositorio.uac.pt/handle/10400.3/3

 

A influência da paisagem, dos factores ambientais e taxa de infestação na densidade na...

Nuno Velho, sobrinho de Frei Gonçalo Velho das Pias, comendador de Almourol e primeiro Capitão da ilha de Santa Maria, filho de uma irmã, que, como tenho dito, trouxe seu tio à ilha menino, depois de homem, casou primeira vez nesta ilha de São Miguel com uma mulher mui principal, e segunda vez na ilha de Santa Maria com África Anes , e houve dela um filho, chamado Duarte Nunes Velho, cavaleiro do hábito de Santiago, e uma filha, chamada Grimaneza Afonso de Melo , muito honrada, de que procedeu nobre geração, e foi casada com um Lourenço Anes, homem nobre da ilha Terceira, da vila de São Sebastião. E o Duarte Nunes casou em Portugal a primeira vez, de que houve filhos: João Nunes Velho, que casou nesta ilha de São Miguel, na vila da Ribeira Grande, com Maria da Câmara, de que houve uma filha, chamada Dona Dorotea, que agora é Capitoa da ilha de Santa Maria, e Tomé da Câmara, cavaleiro-fidalgo da Casa de el-Rei, e Manuel da Câmara, mestre em Artes e bacharel formado em Teologia, que agora é prior de São Pedro de Alenquer, e João Nunes Velho, que foi mais velho filho, vigairo e ouvidor na ilha de Santa Maria, e outros, que faleceram na Índia. Teve mais Duarte Nunes Velho outro filho, chamado Jordão Nunes, que viveu na dita ilha de Santa Maria, e Nuno Fernandes Velho, muito nobre, que agora mora em Malbusca, fazenda que herdou, como morgado, de seu pai, e tem uma filha, chamada Dona Maria, que foi Capitoa da ilha, mulher do terceiro Capitão João Soares , segundo do nome, e Francisco de Andrade, cavaleiro-fidalgo da Casa de el-Rei e agora almoxarife em Setúvel, e outro, chamado Bartolomeu de Andrade, cavaleiro-fidalgo, casado em Santarém, e João de Melo, meirinho da correição no Cabo Verde, e outros filhos e filhas. E o dito Duarte Nunes Velho teve também outros muitos filhos e filhas, muito honrados; e um seu neto, filho de sua filha Inês Nunes Velha, chamado Francisco Anes, foi vigairo na ilha do Pico. Morto Nuno Velho (de cuja progénie e armas dos Velhos direi quando tratar do primeiro Capitão, Frei Gonçalo Velho, de que eles descendem) houve África Anes de outro marido, que se chamava Pedro Anes de Alpoem, nobres filhos, Estêvão Pires, Rui Fernandes e Guilhelme Fernandes, donde ficaram os Alpoens, e se passaram depois a esta ilha de São Miguel. Mas com uma nobre e virtuosa mulher que procedeu de Nuno Velho e de África Anes, chamada Inês Nunes Velha, casou um Miguel de Figueiredo de Lemos, dos Figueiredos de Portugal, como aqui direi.

Dizem que antigamente, tendo el-Rei guerras e dando uma batalha aos imigos, encontraram-se de maneira que quebraram as lanças e espadas, ficando alguns sem armas para pelejarem; sendo destes uns dois irmãos que andavam em companhia do Rei nesta batalha, arremeteram a umas figueiras e delas cortaram ramos, com os quais tornaram aos imigos, e neles fizeram grande destruição, grandes cavalarias. Depois de acabada a guerra, chamou el-Rei aos que nela mais se avantajaram para lhes dar apelidos e fazer mercês, e, chamando aqueles irmãos, a um deles lhe pôs nome Figueiredo, porque pelejara com os paus e ramos da figueira do modo sobredito, e dizendo ao outro que visse qual nome e apelido queria, ele lhe respondeu que não queria apelido, que sua fama soaria, donde logo lhe chamaram Soares, e ficou com tal apelido, os quais, ou por serem naturais de Albergaria, ou por el-Rei fazer logo senhor de Albergaria a este primeiro Soares, os legítimos e verdadeiros Soares se chamam de Albergaria e são parentes dos Figueiredos, por os primeiros destes apelidos serem irmãos. E deste Figueiredo veio a proceder em Portugal um bispo que foi de Viseu, chamado D. Gonçalo de Figueiredo, que era irmão de D. Durão. Este bispo teve um filho, chamado Fernão Gonçalves de Figueiredo, e três filhas, chamadas Inês Gonçalves, Maria Gonçalves e Breatiz Gonçalves, todas com apelido de Figueiredo, como seu pai. Fernão Gonçalves de Figueiredo, filho do dito bispo, casou com Maria Dias, mulher mui principal, e houveram ambos a Diogo Soares de Albergaria, que foi aio de el-Rei D. João e casou com D. Breatiz de Vilhana (sic); foi também aio do Infante, irmão do dito Rei, o qual não houve filhos de sua mulher.

Houve mais Fernão Gonçalves de Figueiredo, filho do dito bispo, de Maria Dias, sua mulher, outro filho, que se chamou Fernão Soares de Albergaria, que casou com D. Isabel de Melo, filha de Estêvão Soares, da qual houve Álvaro Soares, que matou Álvaro de Ataíde, e D. Beatriz, que casou com Afonso de Sequeira e foi ama da Excelente Senhora, e D. Isabel de Melo, que foi mulher de Antão Gomes de Abreu, e outra filha, também chamada D. Breatiz, que casou com Diogo de Mendonça, alcaide-mor de Moura e outra, que se chamava Isabel Soares, que casou com Vasco Carvalho, e D. Briolanja, que casou com João Gomes da Silva, senhor da Chamusca, filho de Rui Gomes Dorgens; houve mais outra filha, que se chamou Dona Catarina, que foi freira em Vila do Conde, e quatro filhos de outra mulher, dois, que chamaram João Soares e Fernão Soares, que foi à Índia, e outros dois, a que não soube o nome. De D. Breatiz, filha do dito Fernão Soares, de Santarém, que foi colaço da Excelente Senhora e pai de Fernão Soares de Albergaria, o do Olho, e Baltazar de Sequeira, senhor do Prado, pai de Diogo Soares, o de Galiza, e D. Catarina, que foi mulher de João Álvares da Cunha, mãe de Mateus da Cunha, e de D. Tomásia, e de outros muitos da Cunha e de Santar.

De D. Isabel, filha do dito Fernão Soares, casada com Antão Gomes de Abreu, nasceu João Gomes de Abreu e Vasco Gomes de Abreu, pai de Diogo Soares, o Rodovalho, e de Cristóvão de Melo; e Pero Gomes de Abreu, morador em Viseu, e Lourenço Soares, vedor e mordomomor do Cardeal D. Afonso, e foi pai de Gomes Soares, e de Diogo Soares, e de outros honrados filhos, e de D. Tereza, mãe de D. Isabel, mulher de D. Manuel da Silva.

De D. Breatiz, filha de Fernão Soares e de Isabel de Melo, casada com Diogo de Mendanha, alcaide-mor de Moura, nasceu D. Margarida, mulher de Jorge de Melo, monteiromor de el-Rei, e D. Joana de Mendonça, Duquesa de Bragança, e Pero de Mendonça, alcaidemor de Moura, e António de Mendonça, e Cristóvão de Mendonça.

De Isabel Soares, filha de Fernão Soares, casada com Álvaro Carvalho , nasceu Álvaro Carvalho e Vasco Carvalho.

De D. Briolanja, filha de Fernão Soares, mulher de João Gomes da Silva, nasceu Francisco da Silva, da Chamusca, e outros.

De Inês Gonçalves de Figueiredo, filha do dito bispo D. Gonçalo de Figueiredo, irmã do dito Fernão Gonçalves de Figueiredo, e de seu marido Martim Anes da Mata, nasceu Álvaro Gonçalves de Figueiredo, que casou com Clara Afonso, sobrinha do bispo de Ceita (sic), dos quais nasceram Luís de Figueiredo, que faleceu solteiro, e Catarina de Figueiredo, mãe de Brás de Figueiredo, o da Cutilada , e Gonçalo de Figueiredo, que casou com Maria Fernandes de Sequeira, que foi pai de Luís de Figueiredo, de Vila Nova dos Coutos, e de Pero de Figueiredo, de Carvalhiços, e de João de Figueiredo, de Viseu, e de Gonçalo de Figueiredo, que foi pai do Conde de Marialva.

Nasceu mais dos sobreditos Martim Anes e Inês Gonçalves Diogo Gonçalves de Figueiredo, que casou com Isabel Barreiros, dos quais nasceram Luís de Figueiredo, de Tonda, avô de Miguel de Figueiredo, do concelho de Besteiros, bispado de Viseu, e Diogo Barreiros, e Isabel Barreiros, da Guarda.

Nasceu mais de Martim Anes da Mata e Inês Gonçalves de Figueiredo Catarina de Figueiredo, que casou com Luís Anes de Loureiro, dos quais nasceram Luís Anes de Loureiro, cónego em Viseu e abade de Silgueiros, e Gaspar de Figueiredo, que foi cidadão de Lisboa, pai de Joana de Figueiredo, freira no Salvador, e de João de Loureiro e Isabel de Figueiredo.

Nasceram mais dos ditos Martim Anes e Inês Gonçalves, Isabel de Figueiredo, mulher de Diogo Pais, de Viseu, e Frei Fernando de Figueiredo, e Maria de Figueiredo, e Catarina de Figueiredo, os quais não houveram filhos, nem filhas.

De Maria Gonçalves de Figueiredo, filha do dito bispo e irmã do mesmo Fernão Gonçalves e da dita Inês Gonçalves, nasceu Aires Gonçalves de Figueiredo, que se chamou Aires Gonçalves de Santar, que foi senhor das terras de Freigedo e alcaide-mor de Gaia e senhor das terras todas da mesma Gaia.

De Breatiz Gonçalves de Figueiredo, filha terceira do dito bispo e irmã dos sobreditos, veio a nascer Tareya (sic) de Figueiredo, que foi mãe de Henrique de Figueiredo, escrivão da Fazenda e pai de Rui de Figueiredo, que também foi escrivão da Fazenda e pai de Jorge de Figueiredo; foi também a dita Tareja de Figueiredo mãe de Gomes de Figueiredo, provedor de Évora, e de João de Figueiredo, de Covilhã, e de Fernão de Figueiredo, que foi viso-rei antre Douro e Minho e Covilhã.

E deste viso-rei nasceu Luís Dias de Figueiredo, de Tonda, neto de Martim Anes da Mata, o qual Luís Dias de Figueiredo foi fidalgo da casa de el-Rei Dom Afonso e teve quatro filhos, sc., Pedro de Figueiredo, senhor de Falorca, e Gonçalo de Figueiredo, senhor de Vila Chã do Monte, esforçado cavaleiro que foi, na era de mil e quinhentos e treze, na tomada de Azamor, Isabel de Figueiredo, mãe de António de Figueiredo, de Vila Pouca, e João de Figueiredo, de Tonda, que casou com Mécia de Lemos, filha do senhor da vila de Recardães, e além disso tinha também um morgado, e criada na corte, conhecida, por muito nobre, de muitos fidalgos e fidalgas, irmã de Diogo de Lemos, prior que foi de Prado e Recardães, e de Nuno de Lemos, que em Recardães herdou a quinta da Póvoa, vinculada em morgado do pai da dita Mécia de Lemos, seu e dos mais irmãos, em a qual sucedeu Diogo de Lemos, de Recardães, filho do dito Nuno de Lemos, que hoje em dia a possui e é cavaleiro-fidalgo da casa de el-Rei D. João, terceiro do nome, que esté (sic) em glória. E irmã, Mécia de Lemos, de Lopo de Vargas de Lemos, natural de Recardães, cavaleiro do hábito de Cristo, o qual por ser da casa do dito Rei D. João, avô de el-Rei D. Sebastião, o foi servir a África por seu mandado, aonde foi alcaide-mor em Safim e fez muitas cavalarias, antre as quais foi uma que matou um leão real, pela qual razão e por se mandar largar Safim aos mouros, quando de África veio o dito Lopo de Vargas, lhe foi feita mercê do hábito de Cristo com trinta mil réis de tença cada ano, que foi muito pouco, por el-Rei, a quem ele serviu, ser morto nesse tempo. E houve provisão para, por sua morte, deixar esta tença a sua filha Antónia de Lemos, que casou com Manuel da Mota, de Estremoz, parente de D. Jerónimo de Souro (sic) , bispo do Algarve, e dos Motas da ilha de São Miguel, e agora a possui Jerónima de Lemos, sua neta, filha da dita Antónia de Lemos.

Casou Lopo de Vargas de Lemos em Estremoz com Mor Dias de Landim, da geração dos Landins, conhecidos por cavaleiros fidalgos dos Reis passados na mesma terra e muito mais em África, onde com el-Rei D. Sebastião morreu a maior parte deles; da qual houve dois filhos e quatro filhas, um por nome Frei Brás de Vargas, da ordem de São Jerónimo, o qual el-Rei D. Sebastião, de quem era muito privado, mandou chamar ao mosteiro de Nossa Senhora do Espinheiro, por ser de muita autoridade e mui conhecido no Reino, e o levou consigo à jornada de África, onde também ficou; outro, chamado Luís de Vargas de Lemos, que el-Rei D. João, terceiro do nome, deu ao Príncipe no número dos quarenta moços da Câmara e Guarda-roupa, o qual faleceu, sendo casado em Estremoz, rica e honradamente, sem ter filhos.

Das quatro filhas, a primeira, Antónia de Lemos, de que já disse; a segunda, Mécia de Lemos, casou e morreu sem filhos; a terceira, Juliana de Landim, faleceu solteira; a quarta, Camilia de Lemos, ainda hoje viva e viúva em Veiros, tem um filho e quatro filhas. E irmã também a sobredita Mécia de Lemos de outros mais e parenta de Duarte de Lemos, senhor da Trofa, e de João Gomes de Lemos, seu filho, outrossim senhor da Trofa, e de seu irmão Fernão Gomes de Lemos, que andou na Índia; e parenta de Nuno Martins da Silveira, senhor do morgado de Góis e Oliveira do Conde, e guarda-mor de el-Rei D. Manuel, e pai do Conde de Sortelha, D. Luís da Silveira, pai também de D. Diogo da Silveira, Conde de Sortelha e guarda-mor de el-Rei D. Sebastião; e parenta de D. Jorge de Lemos, frade de São Domingos, bispo do Funchal e esmoler-mor que foi de el-Rei D. Sebastião, e de outros muitos fidalgos.

E da dita Mécia de Lemos, irmã do dito Lopo de Vargas e dos mais sobreditos, e do dito João de Figueiredo, de Tonda, seu marido, filho do sobredito Luís Dias de Figueiredo, de Tonda, nasceram dois filhos: o primeiro, o licenciado Jorge de Figueiredo, o qual criado em os estudos para clérigo, neste meio tempo veio a ter conversação com uma moça honrada e orfã de pai, que se chama Lucrécia de Viveiros, sobrinha de um frade de Santa Cruz de Coimbra, por nome D. Vicente, e moradora no mesmo lugar de Tonda, de quem houve um filho, que se chama António de Figueiredo, e, correndo a conversação, se fez clérigo de missa, como os ditos seus pai e mãe lhe mandaram, não sabendo eles o inconveniente que sucedeu, e doze anos disse missa, sendo viúva a dita Lucrécia de Viveiros, sem lhe ir à mão; somente, dizem que dizia ela que era com o dito Jorge de Figueiredo casada, como tinha testemunhas, e que, como falecessem seu pai e mãe dele, ela havia de ser sua mulher e ele tomar outra ordem; e, falecendo assim, por serem velhos, os ditos João de Figueiredo e Mécia de Lemos, a dita Lucrécia de Viveiros, por ordem de seu tio D. Vicente, e dizem que de consentimento de Jorge de Figueiredo, por dizer que viera a sua lembrança ser com ela prmeiro casado e temer o Dia do Juízo, houve breve do Padre Santo, pelo qual se conheceu da causa, e ela provou seu intento, e foi sentenciado pelo grande doutor, de perpétua fama, Martim de Azpilcueta Navarro, lente de prima em Coimbra, que tornasse ao primeiro estado e matrimónio que contraíra, durando a vida dela, ou que ambos se metessem em religião de conselho, o que ela não quis fazer; antes viveram ambos no estado de casados, de umas portas a dentro, como marido e mulher que eram, e houveram outros filhos, até que ele faleceu haverá dez anos, e ela ainda é viva.

E nasceu do dito João de Figueiredo e Mécia de Lemos, moradores que foram em Tonda, do concelho de Besteiros, bispado de Viseu, Miguel de Figueiredo de Lemos, o qual, por ser parente de D. Filipa de Vilhena e se criar em sua casa, veio à dita ilha ter cargo da Comenda há muitos anos, aonde casou com Inês Nunes Velha, filha de Sebastião Nunes Velho e de Maria Gonçalves, sua mulher, filha de Gonçalo Vaz e de Isabel Pires, sua mulher, todos moradores que foram na dita ilha; e o dito Sebastião Nunes Velho, pai da dita Inês Nunes Velha, foi filho de Grimaneza Afonso, irmã de Duarte Nunes Velho, cavaleiro do hábito de Santiago, o qual Duarte Nunes Velho e Grimaneza Afonso eram filhos de Nuno Velho, irmão de Pero Velho, que viveu nesta ilha de São Miguel, e de África Anes, sua segunda e muito nobre mulher; os quais eram sobrinhos, filhos de uma irmã, de Frei Gonçalo Velho das Pias, comendador do castelo de Almourol e primeiro Capitão das ilhas de São Miguel e Santa Maria, o qual, por trazer consigo a estas duas ilhas e criar os ditos Nuno Velho e Pero Velho, filhos de sua irmã, quisera renunciar neles as ditas capitanias, para o que pedindo licença ao Infante D. Henrique, em cuja casa andava um João Soares, também seu sobrinho, filho de outra sua irmã, o Infante a não quis dar para se fazer a renunciação das capitanias nos ditos Nuno Velho e Pero Velho, por o não terem servido, senão para se fazer em o João Soares, que era de sua Casa, o qual sucedeu nelas por lhas dar o dito seu tio, e depois vendeu esta de São Miguel a Rui Gonçalves da Câmara, como em seu lugar direi, e se ficou com a de Santa Maria, que naquele tempo era melhor e mais povoada. E nela sucedeu seu filho João Soares de Sousa terceiro Capitão, ao qual também sucedeu seu filho Pero de Sousa, como direi quando tratar deles.

Foi África Anes, filha de Gonçalo Anes de Semandeça, de Portugal, homem nobre, ao qual, morrendo todos os filhos, lhe disseram que ao primeiro, que lhe nascesse, pusesse nome que ninguém tivesse; nascendo-lhe esta filha, pôs-lhe nome África, a qual, tomando do pai o sobrenome Anes chamou-se África Anes. Este Gonçalo Anes de Semandeça veio de Portugal e, com ele, esta filha, África Anes, à ilha de Santa Maria, no princípio do seu descobrimento; e primeiro vieram no lugar de Santa Ana, a Nossa Senhora dos Anjos, onde foi a primeira desembarcação e povoação, segundo já disse; o qual Gonçalo Anes, por morrer, ou por se absentar por um desastre que se diz acontecer da morte de um homem, deixou a dita filha, África Anes, muito moça e formosa e, ainda que de pouca idade, muito grave, encarregada ao Capitão Frei Gonçalo Velho, grande seu amigo, por vir com ele de Portugal e ser muito nobre e honrado; o qual Capitão tratou com que África Anes casasse com Jorge Velho, que também com o dito Capitão veio de Portugal, a quem tinha obrigação, e casou, porque de outra maneira (dizem) que não casara ela com ele, segundo a nobreza, primor e opinião que tinha a dita África Anes, por o dito Capitão a casar com este seu amigo, que também era de nobre geração e cavaleiro de África e (segundo afirmam antigos) sobrinho de el-Rei de Fez, da Casa do Infante D. Henrique, com o qual esteve casada muito pouco tempo, e dele teve um filho que povoou e viveu na cidade da Ponta Delgada, além do mosteiro de São Francisco, e outra na vila de Água de Pau; e daqui procederam os Jorges destas ilhas de São Miguel e de Santa Maria, como em seu lugar contarei mais largo. E, assim, teve uma filha, por nome Inês Afonso, mulher de João da Fonte, o Velho, homem muito nobre e abastado, dos quais nasceram João da Fonte, pai de Maria da Fonte e Álvaro da Fonte, Pero da Fonte, Jorge da Fonte, cavaleiro do hábito de Cristo, e Fernão da Fonte, e Adão da Fonte, que todos morreram na dita ilha de Santa Maria.

A segunda vez, casou esta África Anes na ilha de Santa Maria com Nuno Velho, sobrinho de Frei Gonçalo Velho, comendador de Almourol, primeiro Capitão desta ilha e da de Santa Maria, filho de uma sua irmã, ao qual Nuno Velho trouxe consigo o dito Capitão, e a outro seu irmão, que se chamou Pero Velho, que casou nesta ilha de São Miguel, como já está dito.

Da África Anes e de Nuno Velho, segundo marido, nasceram Duarte Nunes Velho, cavaleiro do hábito de Santiago, que morou em Malbusca, da ilha de Santa Maria, e Grimaneza Afonso de Melo, mãe do sobredito Sebastião Nunes Velho, a qual, por morte do dito seu pai, Nuno Velho, e da África Anes, sua mãe, levou para casa o segundo Capitão de Santa Maria, João Soares de Albergaria, primeiro do nome, por lhe ficar encarregada, para a dar à Rainha, e ser sua sobrinha, filha do dito Nuno Velho, seu primo com-irmão, o que ele não fez, mas em sua casa a casou com um Lourenço Anes, natural da ilha Terceira, da vila de São Sebastião, homem principal, nobre e muito rico, e tão poderoso que teve grandes bandorias com o Capitão de Angra sobre certas propriedades e sua posse, e viveu em a ilha de Santa Maria com a dita sua mulher, Grimaneza Afonso, a qual, quando ia à igreja, levava dez, doze mulheres consigo e lhe levavam o rabo, como ainda há pessoas que disso se acordam e de seu grande fausto.

Da dita Grimaneza Afonso de Melo e do dito seu marido nasceram Sebastião Nunes Velho, pai de Inês Nunes Velha, mulher de Miguel de Figueiredo de Lemos, de que acima disse, e mãe de D. Luís de Figueiredo de Lemos, bispo do Funchal, e de sua irmã, D. Mécia de Lemos, mulher de André de Sousa, filho do dito Capitão de Santa Maria, João Soares de Sousa, segundo do nome, e de outros. Nasceram mais de Grimaneza Afonso e de Lourenço Anes, seu marido, Nuno Lourenço, pai de Matias Nunes Velho, que ora vive na mesma ilha de Santa Maria, e outros.

Nuno Lourenço Velho, filho da Lourenço Anes e de Grimaneza Afonso de Melo, e neto de Nuno Velho, e bisneto de Diogo Gonçalves de Travassos e de D. Violante Cabral, e tresneto de Martim Gonçalves Travassos e de D. Catarina Dias de Melo, da parte masculina, e, da parte feminina, de D. Violante Cabral, que era filha de Fernão Velho e de D. Maria Álvares Cabral, filha do Senhor de Belmonte, este Nuno Lourenço Velho foi casado com Catarina Vaz, de que houve muitos filhos, que, quase todos, morreram na Índia em serviço de el-Rei, e é vivo um, chamado Matias Nunes Velho Cabral, homem de grandes espíritos, esforços, discrição, prudência e magnífica condição, o qual casou com Maria Simões, de que tem um filho, por nome António Cabral de Melo, e algumas filhas, que mora em uma sua quinta, que tem na Frol (sic) da Rosa, acima da Vila, o qual tirou papéis autênticos, em forma devida, de sua nobreza e de seus avós e brazões, em que consta ser fidalgo de geração, e como tal se trata e é tido e havido. E seus avós e bisavós, que foram Nuno Velho, Diogo Gonçalves de Travassos, D. Violante Cabral, Martim Gonçalves de Travassos, D. Catarina de Melo, Fernão Velho, D. Maria Álvares Cabral, filha do Senhor de Belmonte, Frei Gonçalo Velho, comendador de Almourol e Capitão destas duas ilhas, e Rui Velho de Melo, estribeiro-mor de el-Rei D. João, segundo do nome, todos foram do Conselho dos Reis e muito seus privados, e dos mais honrados fidalgos que houve naquele tempo, o que todo (sic) vi por papéis autênticos, em forma devida pelas justiças, e assim foi e é fama comum antre os antigos e modernos. E tem por armas, em seu brazão, o escudo esquartelado: ao primeiro, dos Velhos, que trazem o campo vermelho e cinco vieiras de ouro escurecidas de preto, postas em aspa, e, ao contrairo, dos Melos, que trazem o campo vermelho e seis arruelas de prata encaceradas (sic) antre uma dobre cruz e bordadura de ouro; e ao segundo, dos Cabrais, que trazem o campo de prata e duas cabras de púrpura passantes, armadas de preto, e, ao contrairo, dos Travassos, que trazem o campo vermelho, rosais de flores de trevol postas em aspa, e elmo aberto, guarnido de ouro, paquife de ouro e vermelho e prata e púrpura, e por timbre um chapéu pardo com uma veira de ouro na borda da volta, que é o timbre dos Velhos, e por diferença uma frol de liz de prata. Tem o dito Matias Nunes dois irmãos legítimos, filhos de seu pai e de outra mulher, um, por nome Diogo Velho, e outro, Baltazar Velho Cabral.

Nasceu mais de Grimaneza Afonso de Melo e de seu marido Lourenço Anes, Violante Nunes, avó de Tomé de Magalhães, que agora é almoxarife na dita ilha, homem de muita nobreza, discrição e virtude, e de seu irmão, João Tomé Velho, a qual Violante Nunes foi casada com João Tomé Velho, a qual Violante Nunes foi casada com João Tomé, o Amo, e foi também avó de Cristóvão Vaz Velho e de Fernão Monteiro, que é casado com uma filha do Minhoto, por nome D. Branca, neta de João Soares, terceiro Capitão; os quais Fernão Monteiro e Cristóvão Vaz Velho são primos con-irmãos dos ditos Tomé de Magalhães e João Tomé Velho, filhos de duas irmãs, porque a dita sua avó e Nuno Lourenço e Sebastião Nunes Velho, avô do dito bispo, eram irmãos, filhos de Grimaneza Afonso, sua bisavó.

A terceira vez, casou África Anes com Pedro Anes de Alpoem, homem nobre e estrangeiro, donde nasceu Rui Fernandes de Alpoem, da ilha de Santa Maria, que não teve filho legítimo, senão um filho natural, muito gentil homem e valente mancebo, ao qual mataram à treição (sic), e uma filha, também natural, muito honrada e virtuosa, que casou com o bacharel João de Avelar, homem nobre, de muita virtude e prudência. Nasceram mais da dita África Anes e Pedro Anes de Alpoem Estevão Pires de Alpoem e Guilhelma Fernandes , mãe da Maia.

Do tresavô do Bispo do Funchal, Nuno Velho, e de Pero Velho, seu irmão, procederam os Velhos, nobres desta ilha de São Miguel (como depois direi) e da de Santa Maria e das outras; e da África Anes procederam estas três, e outras nobres gerações delas todas.

Gonçalo Vaz, acima dito, pai da dita Maria Gonçalves e avô de Inês Nunes Velha, mulher do dito Miguel de Figueiredo Lemos, era parente dentro no quarto grau de D. Matinho, arcebispo que foi de Lisboa, e de seu irmão, arcebispo que foi de Braga e cardeal em Roma, e de outros fidalgos, seus irmãos e parentes.

E de Miguel de Figueiredo de Lemos, filho de João de Figueiredo, de Tonda, e de Mécia de Lemos, e neto de Luís Dias de Figueiredo, fidalgo que foi da Casa de el-Rei D. Afonso, e de sua mulher, Inês Nunes Velha, filha de Sebastião Nunes Velho e neta de Grimaneza Afonso, filha de África Anes e de Nuno Velho, e neta também do sobredito Gonçalo Vaz, nasceu o licenciado D. Luís de Figueiredo, capelão de el-Rei, bom letrado nos sagrados cânones, vigairo que foi da igreja do Apóstolo São Pedro da cidade da Ponta Delgada e ouvidor geral do Eclesiástico nesta ilha de São Miguel, e dayão da Sé de Angra, e Vigairo Geral e Governador em o espiritual neste bispado, e agora benemérito bispo do Funchal, que, além de sua muita virtude e prudência, é grave na pessoa, macio na condição, suave na conversação, discreto nas palavras, e em seu cargo vigilantíssimo e mui inteiro, pelas quais coisas e boas partes foi mui estimado e honrado de D. Pedro de Castilho, bispo que foi de Angra e destas ilhas, as quais andou com ele visitando. Assim, também nasceu D. Mécia de Lemos, mulher de André de Sousa, nobre fidalgo, filho do Capitão João Soares de Sousa, o terceiro da ilha e segundo do nome, e nasceram Guiomar de Lemos, freira professa no mosteiro de Santo André da Ponta Delgada, que agora se chama Maria da Conceição, e Catarina de Figueiredo, casada primeiro com António Barradas Tavares, fidalgo e estremado cavaleiro, natural desta ilha de São Miguel, e agora com Gaspar Manuel de Vasconcelos, fidalgo de grande virtude e prudência, e Inês Nunes Velha, que casou com Simão Gonçalves Pinheiro, filho de Manuel Álvares Pinheiro, da cidade da Ponta Delgada, e Jorge de Figueiredo, moço da Câmara de el-Rei D. Sebastião, que faleceu na Índia em serviço do mesmo Rei.

E do dito João de Figueiredo, de Tonda, e de sua mulher Mécia de Lemos nasceram mais António de Lemos, que ora é ainda prior de Recardães, e Manuel de Vargas, já defunto, e Catarina de Lemos, mulher de Gaspar de Loureiro, cavaleiro-fidalgo da Casa de el-Rei e primo de Luís de Loureiro, Capitão que foi de Mazagão, e irmãos do dito Miguel de Figueiredo de Lemos. E, afora estes que agora disse, tem e teve muitos mais parentes de muito merecimento e nome, o que tudo consta, notoriamente, por lembranças antigas e papéis e estromentos verdadeiros, que há, e de pessoas que são vivas em as partes e lugares nomeados no processo da história, que viram com seus olhos algumas, e outras ouviram a outros mais antigos. O qual Miguel de Figueiredo tem seu brazão de armas que aos Figueiredos pertencem (que são fidalgos de cota de armas, de que ele descende por linha direita masculina) e estão nos livros da nobreza do Reino, que são um escudo com o campo vermelho, e nele cinco folhas de figueira, de verde, perfiladas de ouro em aspa, elmo de prata aberto, guarnecido de ouro, paquife de ouro e vermelho, e por timbre dois braços de leão em aspa, com duas folhas de figueira nas unhas, com uma merleta de ouro por divisa.

Assim que estes e outros antigos, e outra nobre gente que, depois, pelo tempo, veio a esta ilha de Santa Maria e seus descendentes, povoaram e cultivaram a terra, e a puseram no estado em que agora está, como são os Faleiros, descendentes de João Vaz Melão, e os Fontes, de João Roiz da Fonte, e os Curvelos, do mestre António, de Catalunha, e os Sarnaches, de Pero Álvares de Sarnache, e outras nobres progénies que a governam, cuja descrição logo irei contando.

Mas, primeiro direi o “Contraponto” que fez o insigne Dr. Daniel da Costa sobre o meu cantochão, que compus da vida do bispo D. Luís de Figueiredo, quando dele tratei, tratando da ilha da Madeira, em que melhor se verá como desta ilha de Santa Maria, tão pequena, saiu quem agora está ilustrando uma ilha tão grande, e a alta progénie deste ilustríssimo prelado, como, então, prometi .

DOS VELHOS E ALPOENS, FALEIROS, FONTES, CURVELOS E SARNACHES, QUE TAMBÉM POVOARAM DO PRINCÍPIO A ILHA DE SANTA MARIA, E DONDE PROCEDERAM OS FIGUEIREDOS QUE HÁ NELA

Nuno Velho, sobrinho de Frei Gonçalo Velho das Pias, comendador de Almourol e primeiro Capitão da ilha de Santa Maria, filho de uma irmã, que, como tenho dito, trouxe seu tio à ilha menino, depois de homem, casou primeira vez nesta ilha de São Miguel com uma mulher mui principal, e segunda vez na ilha de Santa Maria com África Anes , e houve dela um filho, chamado Duarte Nunes Velho, cavaleiro do hábito de Santiago, e uma filha, chamada Grimaneza Afonso de Melo , muito honrada, de que procedeu nobre geração, e foi casada com um Lourenço Anes, homem nobre da ilha Terceira, da vila de São Sebastião. E o Duarte Nunes casou em Portugal a primeira vez, de que houve filhos: João Nunes Velho, que casou nesta ilha de São Miguel, na vila da Ribeira Grande, com Maria da Câmara, de que houve uma filha, chamada Dona Dorotea, que agora é Capitoa da ilha de Santa Maria, e Tomé da Câmara, cavaleiro-fidalgo da Casa de el-Rei, e Manuel da Câmara, mestre em Artes e bacharel formado em Teologia, que agora é prior de São Pedro de Alenquer, e João Nunes Velho, que foi mais velho filho, vigairo e ouvidor na ilha de Santa Maria, e outros, que faleceram na Índia. Teve mais Duarte Nunes Velho outro filho, chamado Jordão Nunes, que viveu na dita ilha de Santa Maria, e Nuno Fernandes Velho, muito nobre, que agora mora em Malbusca, fazenda que herdou, como morgado, de seu pai, e tem uma filha, chamada Dona Maria, que foi Capitoa da ilha, mulher do terceiro Capitão João Soares , segundo do nome, e Francisco de Andrade, cavaleiro-fidalgo da Casa de el-Rei e agora almoxarife em Setúvel, e outro, chamado Bartolomeu de Andrade, cavaleiro-fidalgo, casado em Santarém, e João de Melo, meirinho da correição no Cabo Verde, e outros filhos e filhas. E o dito Duarte Nunes Velho teve também outros muitos filhos e filhas, muito honrados; e um seu neto, filho de sua filha Inês Nunes Velha, chamado Francisco Anes, foi vigairo na ilha do Pico. Morto Nuno Velho (de cuja progénie e armas dos Velhos direi quando tratar do primeiro Capitão, Frei Gonçalo Velho, de que eles descendem) houve África Anes de outro marido, que se chamava Pedro Anes de Alpoem, nobres filhos, Estêvão Pires, Rui Fernandes e Guilhelme Fernandes, donde ficaram os Alpoens, e se passaram depois a esta ilha de São Miguel. Mas com uma nobre e virtuosa mulher que procedeu de Nuno Velho e de África Anes, chamada Inês Nunes Velha, casou um Miguel de Figueiredo de Lemos, dos Figueiredos de Portugal, como aqui direi.

Dizem que antigamente, tendo el-Rei guerras e dando uma batalha aos imigos, encontraram-se de maneira que quebraram as lanças e espadas, ficando alguns sem armas para pelejarem; sendo destes uns dois irmãos que andavam em companhia do Rei nesta batalha, arremeteram a umas figueiras e delas cortaram ramos, com os quais tornaram aos imigos, e neles fizeram grande destruição, grandes cavalarias. Depois de acabada a guerra, chamou el-Rei aos que nela mais se avantajaram para lhes dar apelidos e fazer mercês, e, chamando aqueles irmãos, a um deles lhe pôs nome Figueiredo, porque pelejara com os paus e ramos da figueira do modo sobredito, e dizendo ao outro que visse qual nome e apelido queria, ele lhe respondeu que não queria apelido, que sua fama soaria, donde logo lhe chamaram Soares, e ficou com tal apelido, os quais, ou por serem naturais de Albergaria, ou por el-Rei fazer logo senhor de Albergaria a este primeiro Soares, os legítimos e verdadeiros Soares se chamam de Albergaria e são parentes dos Figueiredos, por os primeiros destes apelidos serem irmãos. E deste Figueiredo veio a proceder em Portugal um bispo que foi de Viseu, chamado D. Gonçalo de Figueiredo, que era irmão de D. Durão. Este bispo teve um filho, chamado Fernão Gonçalves de Figueiredo, e três filhas, chamadas Inês Gonçalves, Maria Gonçalves e Breatiz Gonçalves, todas com apelido de Figueiredo, como seu pai. Fernão Gonçalves de Figueiredo, filho do dito bispo, casou com Maria Dias, mulher mui principal, e houveram ambos a Diogo Soares de Albergaria, que foi aio de el-Rei D. João e casou com D. Breatiz de Vilhana (sic); foi também aio do Infante, irmão do dito Rei, o qual não houve filhos de sua mulher.

Houve mais Fernão Gonçalves de Figueiredo, filho do dito bispo, de Maria Dias, sua mulher, outro filho, que se chamou Fernão Soares de Albergaria, que casou com D. Isabel de Melo, filha de Estêvão Soares, da qual houve Álvaro Soares, que matou Álvaro de Ataíde, e D. Beatriz, que casou com Afonso de Sequeira e foi ama da Excelente Senhora, e D. Isabel de Melo, que foi mulher de Antão Gomes de Abreu, e outra filha, também chamada D. Breatiz, que casou com Diogo de Mendonça, alcaide-mor de Moura e outra, que se chamava Isabel Soares, que casou com Vasco Carvalho, e D. Briolanja, que casou com João Gomes da Silva, senhor da Chamusca, filho de Rui Gomes Dorgens; houve mais outra filha, que se chamou Dona Catarina, que foi freira em Vila do Conde, e quatro filhos de outra mulher, dois, que chamaram João Soares e Fernão Soares, que foi à Índia, e outros dois, a que não soube o nome. De D. Breatiz, filha do dito Fernão Soares, de Santarém, que foi colaço da Excelente Senhora e pai de Fernão Soares de Albergaria, o do Olho, e Baltazar de Sequeira, senhor do Prado, pai de Diogo Soares, o de Galiza, e D. Catarina, que foi mulher de João Álvares da Cunha, mãe de Mateus da Cunha, e de D. Tomásia, e de outros muitos da Cunha e de Santar.

De D. Isabel, filha do dito Fernão Soares, casada com Antão Gomes de Abreu, nasceu João Gomes de Abreu e Vasco Gomes de Abreu, pai de Diogo Soares, o Rodovalho, e de Cristóvão de Melo; e Pero Gomes de Abreu, morador em Viseu, e Lourenço Soares, vedor e mordomomor do Cardeal D. Afonso, e foi pai de Gomes Soares, e de Diogo Soares, e de outros honrados filhos, e de D. Tereza, mãe de D. Isabel, mulher de D. Manuel da Silva.

De D. Breatiz, filha de Fernão Soares e de Isabel de Melo, casada com Diogo de Mendanha, alcaide-mor de Moura, nasceu D. Margarida, mulher de Jorge de Melo, monteiromor de el-Rei, e D. Joana de Mendonça, Duquesa de Bragança, e Pero de Mendonça, alcaidemor de Moura, e António de Mendonça, e Cristóvão de Mendonça.

De Isabel Soares, filha de Fernão Soares, casada com Álvaro Carvalho , nasceu Álvaro Carvalho e Vasco Carvalho.

De D. Briolanja, filha de Fernão Soares, mulher de João Gomes da Silva, nasceu Francisco da Silva, da Chamusca, e outros.

De Inês Gonçalves de Figueiredo, filha do dito bispo D. Gonçalo de Figueiredo, irmã do dito Fernão Gonçalves de Figueiredo, e de seu marido Martim Anes da Mata, nasceu Álvaro Gonçalves de Figueiredo, que casou com Clara Afonso, sobrinha do bispo de Ceita (sic), dos quais nasceram Luís de Figueiredo, que faleceu solteiro, e Catarina de Figueiredo, mãe de Brás de Figueiredo, o da Cutilada , e Gonçalo de Figueiredo, que casou com Maria Fernandes de Sequeira, que foi pai de Luís de Figueiredo, de Vila Nova dos Coutos, e de Pero de Figueiredo, de Carvalhiços, e de João de Figueiredo, de Viseu, e de Gonçalo de Figueiredo, que foi pai do Conde de Marialva.

Nasceu mais dos sobreditos Martim Anes e Inês Gonçalves Diogo Gonçalves de Figueiredo, que casou com Isabel Barreiros, dos quais nasceram Luís de Figueiredo, de Tonda, avô de Miguel de Figueiredo, do concelho de Besteiros, bispado de Viseu, e Diogo Barreiros, e Isabel Barreiros, da Guarda.

Nasceu mais de Martim Anes da Mata e Inês Gonçalves de Figueiredo Catarina de Figueiredo, que casou com Luís Anes de Loureiro, dos quais nasceram Luís Anes de Loureiro, cónego em Viseu e abade de Silgueiros, e Gaspar de Figueiredo, que foi cidadão de Lisboa, pai de Joana de Figueiredo, freira no Salvador, e de João de Loureiro e Isabel de Figueiredo.

Nasceram mais dos ditos Martim Anes e Inês Gonçalves, Isabel de Figueiredo, mulher de Diogo Pais, de Viseu, e Frei Fernando de Figueiredo, e Maria de Figueiredo, e Catarina de Figueiredo, os quais não houveram filhos, nem filhas.

De Maria Gonçalves de Figueiredo, filha do dito bispo e irmã do mesmo Fernão Gonçalves e da dita Inês Gonçalves, nasceu Aires Gonçalves de Figueiredo, que se chamou Aires Gonçalves de Santar, que foi senhor das terras de Freigedo e alcaide-mor de Gaia e senhor das terras todas da mesma Gaia.

De Breatiz Gonçalves de Figueiredo, filha terceira do dito bispo e irmã dos sobreditos, veio a nascer Tareya (sic) de Figueiredo, que foi mãe de Henrique de Figueiredo, escrivão da Fazenda e pai de Rui de Figueiredo, que também foi escrivão da Fazenda e pai de Jorge de Figueiredo; foi também a dita Tareja de Figueiredo mãe de Gomes de Figueiredo, provedor de Évora, e de João de Figueiredo, de Covilhã, e de Fernão de Figueiredo, que foi viso-rei antre Douro e Minho e Covilhã.

E deste viso-rei nasceu Luís Dias de Figueiredo, de Tonda, neto de Martim Anes da Mata, o qual Luís Dias de Figueiredo foi fidalgo da casa de el-Rei Dom Afonso e teve quatro filhos, sc., Pedro de Figueiredo, senhor de Falorca, e Gonçalo de Figueiredo, senhor de Vila Chã do Monte, esforçado cavaleiro que foi, na era de mil e quinhentos e treze, na tomada de Azamor, Isabel de Figueiredo, mãe de António de Figueiredo, de Vila Pouca, e João de Figueiredo, de Tonda, que casou com Mécia de Lemos, filha do senhor da vila de Recardães, e além disso tinha também um morgado, e criada na corte, conhecida, por muito nobre, de muitos fidalgos e fidalgas, irmã de Diogo de Lemos, prior que foi de Prado e Recardães, e de Nuno de Lemos, que em Recardães herdou a quinta da Póvoa, vinculada em morgado do pai da dita Mécia de Lemos, seu e dos mais irmãos, em a qual sucedeu Diogo de Lemos, de Recardães, filho do dito Nuno de Lemos, que hoje em dia a possui e é cavaleiro-fidalgo da casa de el-Rei D. João, terceiro do nome, que esté (sic) em glória. E irmã, Mécia de Lemos, de Lopo de Vargas de Lemos, natural de Recardães, cavaleiro do hábito de Cristo, o qual por ser da casa do dito Rei D. João, avô de el-Rei D. Sebastião, o foi servir a África por seu mandado, aonde foi alcaide-mor em Safim e fez muitas cavalarias, antre as quais foi uma que matou um leão real, pela qual razão e por se mandar largar Safim aos mouros, quando de África veio o dito Lopo de Vargas, lhe foi feita mercê do hábito de Cristo com trinta mil réis de tença cada ano, que foi muito pouco, por el-Rei, a quem ele serviu, ser morto nesse tempo. E houve provisão para, por sua morte, deixar esta tença a sua filha Antónia de Lemos, que casou com Manuel da Mota, de Estremoz, parente de D. Jerónimo de Souro (sic) , bispo do Algarve, e dos Motas da ilha de São Miguel, e agora a possui Jerónima de Lemos, sua neta, filha da dita Antónia de Lemos.

Casou Lopo de Vargas de Lemos em Estremoz com Mor Dias de Landim, da geração dos Landins, conhecidos por cavaleiros fidalgos dos Reis passados na mesma terra e muito mais em África, onde com el-Rei D. Sebastião morreu a maior parte deles; da qual houve dois filhos e quatro filhas, um por nome Frei Brás de Vargas, da ordem de São Jerónimo, o qual el-Rei D. Sebastião, de quem era muito privado, mandou chamar ao mosteiro de Nossa Senhora do Espinheiro, por ser de muita autoridade e mui conhecido no Reino, e o levou consigo à jornada de África, onde também ficou; outro, chamado Luís de Vargas de Lemos, que el-Rei D. João, terceiro do nome, deu ao Príncipe no número dos quarenta moços da Câmara e Guarda-roupa, o qual faleceu, sendo casado em Estremoz, rica e honradamente, sem ter filhos.

Das quatro filhas, a primeira, Antónia de Lemos, de que já disse; a segunda, Mécia de Lemos, casou e morreu sem filhos; a terceira, Juliana de Landim, faleceu solteira; a quarta, Camilia de Lemos, ainda hoje viva e viúva em Veiros, tem um filho e quatro filhas. E irmã também a sobredita Mécia de Lemos de outros mais e parenta de Duarte de Lemos, senhor da Trofa, e de João Gomes de Lemos, seu filho, outrossim senhor da Trofa, e de seu irmão Fernão Gomes de Lemos, que andou na Índia; e parenta de Nuno Martins da Silveira, senhor do morgado de Góis e Oliveira do Conde, e guarda-mor de el-Rei D. Manuel, e pai do Conde de Sortelha, D. Luís da Silveira, pai também de D. Diogo da Silveira, Conde de Sortelha e guarda-mor de el-Rei D. Sebastião; e parenta de D. Jorge de Lemos, frade de São Domingos, bispo do Funchal e esmoler-mor que foi de el-Rei D. Sebastião, e de outros muitos fidalgos.

E da dita Mécia de Lemos, irmã do dito Lopo de Vargas e dos mais sobreditos, e do dito João de Figueiredo, de Tonda, seu marido, filho do sobredito Luís Dias de Figueiredo, de Tonda, nasceram dois filhos: o primeiro, o licenciado Jorge de Figueiredo, o qual criado em os estudos para clérigo, neste meio tempo veio a ter conversação com uma moça honrada e orfã de pai, que se chama Lucrécia de Viveiros, sobrinha de um frade de Santa Cruz de Coimbra, por nome D. Vicente, e moradora no mesmo lugar de Tonda, de quem houve um filho, que se chama António de Figueiredo, e, correndo a conversação, se fez clérigo de missa, como os ditos seus pai e mãe lhe mandaram, não sabendo eles o inconveniente que sucedeu, e doze anos disse missa, sendo viúva a dita Lucrécia de Viveiros, sem lhe ir à mão; somente, dizem que dizia ela que era com o dito Jorge de Figueiredo casada, como tinha testemunhas, e que, como falecessem seu pai e mãe dele, ela havia de ser sua mulher e ele tomar outra ordem; e, falecendo assim, por serem velhos, os ditos João de Figueiredo e Mécia de Lemos, a dita Lucrécia de Viveiros, por ordem de seu tio D. Vicente, e dizem que de consentimento de Jorge de Figueiredo, por dizer que viera a sua lembrança ser com ela prmeiro casado e temer o Dia do Juízo, houve breve do Padre Santo, pelo qual se conheceu da causa, e ela provou seu intento, e foi sentenciado pelo grande doutor, de perpétua fama, Martim de Azpilcueta Navarro, lente de prima em Coimbra, que tornasse ao primeiro estado e matrimónio que contraíra, durando a vida dela, ou que ambos se metessem em religião de conselho, o que ela não quis fazer; antes viveram ambos no estado de casados, de umas portas a dentro, como marido e mulher que eram, e houveram outros filhos, até que ele faleceu haverá dez anos, e ela ainda é viva.

E nasceu do dito João de Figueiredo e Mécia de Lemos, moradores que foram em Tonda, do concelho de Besteiros, bispado de Viseu, Miguel de Figueiredo de Lemos, o qual, por ser parente de D. Filipa de Vilhena e se criar em sua casa, veio à dita ilha ter cargo da Comenda há muitos anos, aonde casou com Inês Nunes Velha, filha de Sebastião Nunes Velho e de Maria Gonçalves, sua mulher, filha de Gonçalo Vaz e de Isabel Pires, sua mulher, todos moradores que foram na dita ilha; e o dito Sebastião Nunes Velho, pai da dita Inês Nunes Velha, foi filho de Grimaneza Afonso, irmã de Duarte Nunes Velho, cavaleiro do hábito de Santiago, o qual Duarte Nunes Velho e Grimaneza Afonso eram filhos de Nuno Velho, irmão de Pero Velho, que viveu nesta ilha de São Miguel, e de África Anes, sua segunda e muito nobre mulher; os quais eram sobrinhos, filhos de uma irmã, de Frei Gonçalo Velho das Pias, comendador do castelo de Almourol e primeiro Capitão das ilhas de São Miguel e Santa Maria, o qual, por trazer consigo a estas duas ilhas e criar os ditos Nuno Velho e Pero Velho, filhos de sua irmã, quisera renunciar neles as ditas capitanias, para o que pedindo licença ao Infante D. Henrique, em cuja casa andava um João Soares, também seu sobrinho, filho de outra sua irmã, o Infante a não quis dar para se fazer a renunciação das capitanias nos ditos Nuno Velho e Pero Velho, por o não terem servido, senão para se fazer em o João Soares, que era de sua Casa, o qual sucedeu nelas por lhas dar o dito seu tio, e depois vendeu esta de São Miguel a Rui Gonçalves da Câmara, como em seu lugar direi, e se ficou com a de Santa Maria, que naquele tempo era melhor e mais povoada. E nela sucedeu seu filho João Soares de Sousa terceiro Capitão, ao qual também sucedeu seu filho Pero de Sousa, como direi quando tratar deles.

Foi África Anes, filha de Gonçalo Anes de Semandeça, de Portugal, homem nobre, ao qual, morrendo todos os filhos, lhe disseram que ao primeiro, que lhe nascesse, pusesse nome que ninguém tivesse; nascendo-lhe esta filha, pôs-lhe nome África, a qual, tomando do pai o sobrenome Anes chamou-se África Anes. Este Gonçalo Anes de Semandeça veio de Portugal e, com ele, esta filha, África Anes, à ilha de Santa Maria, no princípio do seu descobrimento; e primeiro vieram no lugar de Santa Ana, a Nossa Senhora dos Anjos, onde foi a primeira desembarcação e povoação, segundo já disse; o qual Gonçalo Anes, por morrer, ou por se absentar por um desastre que se diz acontecer da morte de um homem, deixou a dita filha, África Anes, muito moça e formosa e, ainda que de pouca idade, muito grave, encarregada ao Capitão Frei Gonçalo Velho, grande seu amigo, por vir com ele de Portugal e ser muito nobre e honrado; o qual Capitão tratou com que África Anes casasse com Jorge Velho, que também com o dito Capitão veio de Portugal, a quem tinha obrigação, e casou, porque de outra maneira (dizem) que não casara ela com ele, segundo a nobreza, primor e opinião que tinha a dita África Anes, por o dito Capitão a casar com este seu amigo, que também era de nobre geração e cavaleiro de África e (segundo afirmam antigos) sobrinho de el-Rei de Fez, da Casa do Infante D. Henrique, com o qual esteve casada muito pouco tempo, e dele teve um filho que povoou e viveu na cidade da Ponta Delgada, além do mosteiro de São Francisco, e outra na vila de Água de Pau; e daqui procederam os Jorges destas ilhas de São Miguel e de Santa Maria, como em seu lugar contarei mais largo. E, assim, teve uma filha, por nome Inês Afonso, mulher de João da Fonte, o Velho, homem muito nobre e abastado, dos quais nasceram João da Fonte, pai de Maria da Fonte e Álvaro da Fonte, Pero da Fonte, Jorge da Fonte, cavaleiro do hábito de Cristo, e Fernão da Fonte, e Adão da Fonte, que todos morreram na dita ilha de Santa Maria.

A segunda vez, casou esta África Anes na ilha de Santa Maria com Nuno Velho, sobrinho de Frei Gonçalo Velho, comendador de Almourol, primeiro Capitão desta ilha e da de Santa Maria, filho de uma sua irmã, ao qual Nuno Velho trouxe consigo o dito Capitão, e a outro seu irmão, que se chamou Pero Velho, que casou nesta ilha de São Miguel, como já está dito.

Da África Anes e de Nuno Velho, segundo marido, nasceram Duarte Nunes Velho, cavaleiro do hábito de Santiago, que morou em Malbusca, da ilha de Santa Maria, e Grimaneza Afonso de Melo, mãe do sobredito Sebastião Nunes Velho, a qual, por morte do dito seu pai, Nuno Velho, e da África Anes, sua mãe, levou para casa o segundo Capitão de Santa Maria, João Soares de Albergaria, primeiro do nome, por lhe ficar encarregada, para a dar à Rainha, e ser sua sobrinha, filha do dito Nuno Velho, seu primo com-irmão, o que ele não fez, mas em sua casa a casou com um Lourenço Anes, natural da ilha Terceira, da vila de São Sebastião, homem principal, nobre e muito rico, e tão poderoso que teve grandes bandorias com o Capitão de Angra sobre certas propriedades e sua posse, e viveu em a ilha de Santa Maria com a dita sua mulher, Grimaneza Afonso, a qual, quando ia à igreja, levava dez, doze mulheres consigo e lhe levavam o rabo, como ainda há pessoas que disso se acordam e de seu grande fausto.

Da dita Grimaneza Afonso de Melo e do dito seu marido nasceram Sebastião Nunes Velho, pai de Inês Nunes Velha, mulher de Miguel de Figueiredo de Lemos, de que acima disse, e mãe de D. Luís de Figueiredo de Lemos, bispo do Funchal, e de sua irmã, D. Mécia de Lemos, mulher de André de Sousa, filho do dito Capitão de Santa Maria, João Soares de Sousa, segundo do nome, e de outros. Nasceram mais de Grimaneza Afonso e de Lourenço Anes, seu marido, Nuno Lourenço, pai de Matias Nunes Velho, que ora vive na mesma ilha de Santa Maria, e outros.

Nuno Lourenço Velho, filho da Lourenço Anes e de Grimaneza Afonso de Melo, e neto de Nuno Velho, e bisneto de Diogo Gonçalves de Travassos e de D. Violante Cabral, e tresneto de Martim Gonçalves Travassos e de D. Catarina Dias de Melo, da parte masculina, e, da parte feminina, de D. Violante Cabral, que era filha de Fernão Velho e de D. Maria Álvares Cabral, filha do Senhor de Belmonte, este Nuno Lourenço Velho foi casado com Catarina Vaz, de que houve muitos filhos, que, quase todos, morreram na Índia em serviço de el-Rei, e é vivo um, chamado Matias Nunes Velho Cabral, homem de grandes espíritos, esforços, discrição, prudência e magnífica condição, o qual casou com Maria Simões, de que tem um filho, por nome António Cabral de Melo, e algumas filhas, que mora em uma sua quinta, que tem na Frol (sic) da Rosa, acima da Vila, o qual tirou papéis autênticos, em forma devida, de sua nobreza e de seus avós e brazões, em que consta ser fidalgo de geração, e como tal se trata e é tido e havido. E seus avós e bisavós, que foram Nuno Velho, Diogo Gonçalves de Travassos, D. Violante Cabral, Martim Gonçalves de Travassos, D. Catarina de Melo, Fernão Velho, D. Maria Álvares Cabral, filha do Senhor de Belmonte, Frei Gonçalo Velho, comendador de Almourol e Capitão destas duas ilhas, e Rui Velho de Melo, estribeiro-mor de el-Rei D. João, segundo do nome, todos foram do Conselho dos Reis e muito seus privados, e dos mais honrados fidalgos que houve naquele tempo, o que todo (sic) vi por papéis autênticos, em forma devida pelas justiças, e assim foi e é fama comum antre os antigos e modernos. E tem por armas, em seu brazão, o escudo esquartelado: ao primeiro, dos Velhos, que trazem o campo vermelho e cinco vieiras de ouro escurecidas de preto, postas em aspa, e, ao contrairo, dos Melos, que trazem o campo vermelho e seis arruelas de prata encaceradas (sic) antre uma dobre cruz e bordadura de ouro; e ao segundo, dos Cabrais, que trazem o campo de prata e duas cabras de púrpura passantes, armadas de preto, e, ao contrairo, dos Travassos, que trazem o campo vermelho, rosais de flores de trevol postas em aspa, e elmo aberto, guarnido de ouro, paquife de ouro e vermelho e prata e púrpura, e por timbre um chapéu pardo com uma veira de ouro na borda da volta, que é o timbre dos Velhos, e por diferença uma frol de liz de prata. Tem o dito Matias Nunes dois irmãos legítimos, filhos de seu pai e de outra mulher, um, por nome Diogo Velho, e outro, Baltazar Velho Cabral.

Nasceu mais de Grimaneza Afonso de Melo e de seu marido Lourenço Anes, Violante Nunes, avó de Tomé de Magalhães, que agora é almoxarife na dita ilha, homem de muita nobreza, discrição e virtude, e de seu irmão, João Tomé Velho, a qual Violante Nunes foi casada com João Tomé Velho, a qual Violante Nunes foi casada com João Tomé, o Amo, e foi também avó de Cristóvão Vaz Velho e de Fernão Monteiro, que é casado com uma filha do Minhoto, por nome D. Branca, neta de João Soares, terceiro Capitão; os quais Fernão Monteiro e Cristóvão Vaz Velho são primos con-irmãos dos ditos Tomé de Magalhães e João Tomé Velho, filhos de duas irmãs, porque a dita sua avó e Nuno Lourenço e Sebastião Nunes Velho, avô do dito bispo, eram irmãos, filhos de Grimaneza Afonso, sua bisavó.

A terceira vez, casou África Anes com Pedro Anes de Alpoem, homem nobre e estrangeiro, donde nasceu Rui Fernandes de Alpoem, da ilha de Santa Maria, que não teve filho legítimo, senão um filho natural, muito gentil homem e valente mancebo, ao qual mataram à treição (sic), e uma filha, também natural, muito honrada e virtuosa, que casou com o bacharel João de Avelar, homem nobre, de muita virtude e prudência. Nasceram mais da dita África Anes e Pedro Anes de Alpoem Estevão Pires de Alpoem e Guilhelma Fernandes , mãe da Maia.

Do tresavô do Bispo do Funchal, Nuno Velho, e de Pero Velho, seu irmão, procederam os Velhos, nobres desta ilha de São Miguel (como depois direi) e da de Santa Maria e das outras; e da África Anes procederam estas três, e outras nobres gerações delas todas.

Gonçalo Vaz, acima dito, pai da dita Maria Gonçalves e avô de Inês Nunes Velha, mulher do dito Miguel de Figueiredo Lemos, era parente dentro no quarto grau de D. Matinho, arcebispo que foi de Lisboa, e de seu irmão, arcebispo que foi de Braga e cardeal em Roma, e de outros fidalgos, seus irmãos e parentes.

E de Miguel de Figueiredo de Lemos, filho de João de Figueiredo, de Tonda, e de Mécia de Lemos, e neto de Luís Dias de Figueiredo, fidalgo que foi da Casa de el-Rei D. Afonso, e de sua mulher, Inês Nunes Velha, filha de Sebastião Nunes Velho e neta de Grimaneza Afonso, filha de África Anes e de Nuno Velho, e neta também do sobredito Gonçalo Vaz, nasceu o licenciado D. Luís de Figueiredo, capelão de el-Rei, bom letrado nos sagrados cânones, vigairo que foi da igreja do Apóstolo São Pedro da cidade da Ponta Delgada e ouvidor geral do Eclesiástico nesta ilha de São Miguel, e dayão da Sé de Angra, e Vigairo Geral e Governador em o espiritual neste bispado, e agora benemérito bispo do Funchal, que, além de sua muita virtude e prudência, é grave na pessoa, macio na condição, suave na conversação, discreto nas palavras, e em seu cargo vigilantíssimo e mui inteiro, pelas quais coisas e boas partes foi mui estimado e honrado de D. Pedro de Castilho, bispo que foi de Angra e destas ilhas, as quais andou com ele visitando. Assim, também nasceu D. Mécia de Lemos, mulher de André de Sousa, nobre fidalgo, filho do Capitão João Soares de Sousa, o terceiro da ilha e segundo do nome, e nasceram Guiomar de Lemos, freira professa no mosteiro de Santo André da Ponta Delgada, que agora se chama Maria da Conceição, e Catarina de Figueiredo, casada primeiro com António Barradas Tavares, fidalgo e estremado cavaleiro, natural desta ilha de São Miguel, e agora com Gaspar Manuel de Vasconcelos, fidalgo de grande virtude e prudência, e Inês Nunes Velha, que casou com Simão Gonçalves Pinheiro, filho de Manuel Álvares Pinheiro, da cidade da Ponta Delgada, e Jorge de Figueiredo, moço da Câmara de el-Rei D. Sebastião, que faleceu na Índia em serviço do mesmo Rei.

E do dito João de Figueiredo, de Tonda, e de sua mulher Mécia de Lemos nasceram mais António de Lemos, que ora é ainda prior de Recardães, e Manuel de Vargas, já defunto, e Catarina de Lemos, mulher de Gaspar de Loureiro, cavaleiro-fidalgo da Casa de el-Rei e primo de Luís de Loureiro, Capitão que foi de Mazagão, e irmãos do dito Miguel de Figueiredo de Lemos. E, afora estes que agora disse, tem e teve muitos mais parentes de muito merecimento e nome, o que tudo consta, notoriamente, por lembranças antigas e papéis e estromentos verdadeiros, que há, e de pessoas que são vivas em as partes e lugares nomeados no processo da história, que viram com seus olhos algumas, e outras ouviram a outros mais antigos. O qual Miguel de Figueiredo tem seu brazão de armas que aos Figueiredos pertencem (que são fidalgos de cota de armas, de que ele descende por linha direita masculina) e estão nos livros da nobreza do Reino, que são um escudo com o campo vermelho, e nele cinco folhas de figueira, de verde, perfiladas de ouro em aspa, elmo de prata aberto, guarnecido de ouro, paquife de ouro e vermelho, e por timbre dois braços de leão em aspa, com duas folhas de figueira nas unhas, com uma merleta de ouro por divisa.

Assim que estes e outros antigos, e outra nobre gente que, depois, pelo tempo, veio a esta ilha de Santa Maria e seus descendentes, povoaram e cultivaram a terra, e a puseram no estado em que agora está, como são os Faleiros, descendentes de João Vaz Melão, e os Fontes, de João Roiz da Fonte, e os Curvelos, do mestre António, de Catalunha, e os Sarnaches, de Pero Álvares de Sarnache, e outras nobres progénies que a governam, cuja descrição logo irei contando.

Mas, primeiro direi o “Contraponto” que fez o insigne Dr. Daniel da Costa sobre o meu cantochão, que compus da vida do bispo D. Luís de Figueiredo, quando dele tratei, tratando da ilha da Madeira, em que melhor se verá como desta ilha de Santa Maria, tão pequena, saiu quem agora está ilustrando uma ilha tão grande, e a alta progénie deste ilustríssimo prelado, como, então, prometi .