Como realizar uma Quarentena

Você ou um ente querido tem febre leve, dores no corpo, o início de uma tosse seca e irritante. A comida não tem gosto nem cheira como antes. Talvez sinte falta de ar ou custa respirar...

Cozer feijões velhos

feijãoQuando guardados há muito tempo (anos mesmo) ou simplesmente mal acondicionados, os feijões podem demorar tempo a mais a cozer. Mas há soluções.

A menos aconselhável é a adição de...

A Tinturaria Vegetal em Alguma Ilhas dos Açores


Carreiro da Costa, 1957

tinturariaRemonta aos primeiros decénios de vida insular, a prática dos vários processos de tinturaria caseira, servida por elementos vegetais. Tais processos encontram-se...

Cores das Ilhas

Tudo leva a crer que esta paleta de cores começou a ser formada com a visita do escritor Raul Brandão, que esteve nos Açores em 1924 e foi atribuindo a cada ilha uma determinada cor (ou...

A Amoreira e a Sericultura

 

Carreiro da Costa, 1945

De entre os problemas económicos em equação no arquipélago dos Açores, o da sericicultura é dos que mais tem apaixonado aqueles que, no decorrer dos tempos, vêm...

Agave (Babosa)

Piteira, Babosa, Agave, Agave americana L.

agaveÉ uma planta muito disseminada nos jardins de algumas ilhas. Não sabemos se o  “Agave azul” (e a sua parente “Marginata”, com folhas às riscas...

Alguns Estudos Científicos sobre Agricultura Açoriana

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Departamento de Ciências Agrárias

http://repositorio.uac.pt/handle/10400.3/3

 

A influência da paisagem, dos factores ambientais e taxa de infestação na densidade na...

Esta ilha de Santa Maria está como situada sobre pedra e as rochas do mar todas são dela, onde há muita urzela, que valeu os anos passados a oito e novecentos réis o quintal.
A serra, que pelo meio de terra vai como espinhaço alevantado, parte corre Leste-oeste e, por voltas que faz, vai também do Noroeste ao Sueste; é alta a maior parte dela e tem muita lenha, que parece não faltará enquanto durar a terra; e as fajãs o mesmo; e há murta em grande quantidade. Na serra há muito pau branco e poucos cedros, e não servem para madeira, a qual, nem deles, nem de outras árvores, há na terra senão pouca, ruim e mal direita, por ser tudo pedra debaixo da terra, onde dando as raízes das árvores crescem pouco, por andarem e comerem somente a flor da terra, e a maior altura que se acha são sete, oito palmos de terra e logo vão dar no lastro da pedra, que debaixo tem como alicece (sic) e fundamento de toda a ilha; e, ainda que esta terra, desta ilha, produz e cria todas as frutas e árvores que lhe prantam, por esta razão não crescem muito em altura. Dá-se nela também toda a sorte de hortaliça, e muito boa, principalmente de Outono. Cria muito muitos azevinhos, ginjas, louros, tamujos e uveiras, que dão muitas uvas de serra e as melhores que há nestas ilhas todas.
Junto da rocha, defronte do Castelete, da parte do Oriente, está um monte que se chama o pico Calvo, por ser escalvado em cima, no cume. E indo por dentro da terra, junto da igreja, da banda do Norte, sobre Santo António, está um pico que se chama do Cavaleiro, porque foi de Álvaro da Fonte, que o era .
Mais adiante, pela mesma banda, está o Campo do Loural, por haver nele antigamente, e, ainda agora, muitos louros e grandes, que é de Fernão Monteiro de Gamboa, genro do Minhoto. Ao Sul deste campo estão uns picos que se chamam de Malbusca, dos quais, para o caminho que vai para a Vila, estão umas covoadas que se chamam o Carvão, parece por se fazer ali em algum tempo passado.
Atrás destas covoadas, no caminho, está um passo que se chama Almagra, porque a tiram nele de umas covas. Logo um tiro de besta adiante, indo para a Vila, está outro, que se chama a Setada, por ali tirarem com uma seta ao Minhoto, com que lhe deram pela banda esquerda em umas luvas, que trazia, e, no seio, umas horas de Nossa Senhora, com que lhe fez pouco dano.
Saindo desta ladeira, no chão desta serra, para a banda do Norte se chamam os Pastelinhos, porque antigamente havia neste lugar pastéis.
Mais adiante, ao longo do caminho, está uma fonte que se chama de Sebastião Vaz Faleiro, neto de João Vaz das Virtudes, por haverem sido estas terras suas, da qual dizem ser melhor a água da ilha, onde bebem os caminhantes, e pode ser que o suor, quentura e trabalho do caminhar lha faz parecer melhor de todas as outras que bebem em suas casas, descansados, com sossego.
Desta para a banda do Sul está um pico que tem uma grande penedia sobre o Farrobo, que se chama Castelo de Bodes, porque no verão calmoso vão ali tomar o ar fresco, onde sempre corre viração.
Indo pelo caminho mais avante dois tiros de besta, se encontra o Arrebentão do Azevinho, por haver ali estado um; para a banda do Sul está uma lombada sobre o Farrobo, chamada a de Pero d’Arcos.
Mais adiante outros dois tiros de besta se vê arvorada uma cruz, que se chama a dos Picos, porque são os altos que aparecem e se vêem desta ilha de São Miguel na de Santa Maria. E atrás deste lugar para o Norte, fica um baixo, que se chama o Forno, porque tem um bosque da feição dele, donde nascem umas fontes que vão ter ao ilhéu do Romeiro. Esta fazenda foi de Nuno Lourenço, neto que foi de África Anes.
E assim ficam outras coisas e lugares que seria longo processo contá-los, contra meu intento, que não é senão pôr os mais conhecidos e notáveis. Os altos da Cruz dos Picos, já ditos, correm até às Lagoinhas, que lhe ficam ao Noroeste. Pela faldra desta serra, da banda do Norte, está outro pico, que se chama o Redondo, quase sobre a freguesia de Santa Bárbara, e outro Penedo e os Possilgos, onde há muitas e boas uvas da serra, e a Ribeira do Poldro, de que se tira muita madeira, mas não muito grossa.
Pela banda do Sul está um lugar sobre a Almagreira, que se chama os Malhadais, a Lombada do Galego, o Pico de João da Castanheira , a Lombada do Capitão, o Curral de Gil. Para baixo, está na terra feita a Almagreira, as Feiteiras, o Paúl, Flor da Rosa. Para a banda do Sul, o Tramoçal, sobre a praia, o Pico do Figueiral, onde vigiam e estão os fachos, Valverde e logo adiante da Vila, para Nossa Senhora dos Anjos, o Ginjal, os Canaviais, porque, antigamente, estiveram ali de açúcar, a Torre e outros lugares altos, afora os baixos que estão da Vila até Sant’Ana, porque aquela é a mais baixa parte de toda a ilha.
Há nesta ilha barro, de que se faz louça vermelha, sem ter necessidade da de fora, e telha muito boa, que, além de abastar para a terra, se traz para esta ilha de São Miguel muita dela.
Tem também pedra de cal, e nela se faz não tão alva, nem forte como a de Portugal; e vale a seiscentos réis o moio, pelo preço mais caro. Também há greda, cré, almagra e areia branca, com que se costuma arear e lavar o estanho.
Tem também muitas frescas fontes e ribeiras, de muita água, e com algumas se pode regar a terra para a fazer dar muito fruto e hortaliça, se os moradores disso foram curiosos.
Uma das freguesias da banda da serra, de Nossa Senhora da Purificação, estará da Vila do Porto duas léguas e meia, pouco mais ou menos, ao Nordeste. A outra, de Santa Bárbara, fica ao longo da serra, da mesma banda do Norte, légua e meia da Vila. E haverá em toda a ilha pouco mais de quinhentos fogos e mil e oitocentas e vinte e três almas de confissão, pelos róis dos vigairos.
Esta ilha de Santa Maria, por estar sobre pedra e rocha firme, treme poucas vezes, e não com tremores tão grandes, como acontecem nestas outras ilhas dos Açores.