Como realizar uma Quarentena

Você ou um ente querido tem febre leve, dores no corpo, o início de uma tosse seca e irritante. A comida não tem gosto nem cheira como antes. Talvez sinte falta de ar ou custa respirar...

Cozer feijões velhos

feijãoQuando guardados há muito tempo (anos mesmo) ou simplesmente mal acondicionados, os feijões podem demorar tempo a mais a cozer. Mas há soluções.

A menos aconselhável é a adição de...

A Tinturaria Vegetal em Alguma Ilhas dos Açores


Carreiro da Costa, 1957

tinturariaRemonta aos primeiros decénios de vida insular, a prática dos vários processos de tinturaria caseira, servida por elementos vegetais. Tais processos encontram-se...

Cores das Ilhas

Tudo leva a crer que esta paleta de cores começou a ser formada com a visita do escritor Raul Brandão, que esteve nos Açores em 1924 e foi atribuindo a cada ilha uma determinada cor (ou...

A Amoreira e a Sericultura

 

Carreiro da Costa, 1945

De entre os problemas económicos em equação no arquipélago dos Açores, o da sericicultura é dos que mais tem apaixonado aqueles que, no decorrer dos tempos, vêm...

Agave (Babosa)

Piteira, Babosa, Agave, Agave americana L.

agaveÉ uma planta muito disseminada nos jardins de algumas ilhas. Não sabemos se o  “Agave azul” (e a sua parente “Marginata”, com folhas às riscas...

Alguns Estudos Científicos sobre Agricultura Açoriana

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Departamento de Ciências Agrárias

http://repositorio.uac.pt/handle/10400.3/3

 

A influência da paisagem, dos factores ambientais e taxa de infestação na densidade na...

Morto João Soares de Sousa, terceiro Capitão da ilha de Santa Maria e segundo do nome, herdou a casa e capitania o ilustre Pero Soares de Sousa, seu primeiro filho, quarto Capitão da mesma ilha e único do nome, o qual, sendo moço de pouca idade, se criou na corte e, depois do falecimento de seu pai, governou a capitania, e foi confirmado nela a sete dias de Dezembro da era de mil e quinhentos e setenta e três anos.
E indo à ilha da Madeira, casou lá com uma generosa mulher, de muita prudência e virtude, chamada D. Breatiz de Moraes, filha de João de Moraes, natural do Quintal, termo da cidade de Viseu, dos Moraes, Gouveias e Azevedos, e de Catarina Fernandes Tavares, da geração dos Tavares e Teixeiras, moradores em Santa Cruz , da mesma ilha, e aí viveu com ela alguns anos; mas depois se vieram a viver na ilha de Santa Maria com o cargo dela, assim ele, como sua mulher, mui virtuosa e honradamente, sem agravo nem escândalo de ninguém, com tanta paz, amor e mansidão com todos, que quase não se enxergava nem sentia o jugo que tinham os súbditos de seu governo. Sendo ambos mui cheios de caridade e amigos dos pobres, repartindo com eles suas esmolas, visitando e ajudando a todos com todo o que podiam e mais além de suas forças, e tão conhecidas eram suas grandiosas e magníficas condições e virtudes, que está entendido, e mais claro que o meio-dia, que, se sua possibilidade fora maior, soaram muito mais suas grandezas, dignas de grandes louvores, porque não ia pessoa honrada ou necessitada a sua casa que ele não amparasse, honrasse, favorecesse e recebesse, com umas entranhas tão sinceras e um coração tão amoroso e obras tão caritativas, que, dando exemplo aos seus naturais de toda benignidade, estava roubando as vontades e corações dos forasteiros e estrangeiros, que ele, como domésticos e próprios filhos, agasalhava, pelo que de uns e outros era mui obedecido, louvado e amado.
Era este ilustre Capitão mui espiritual e devoto, grande amigo de Deus, donde lhe vinha ser, por amor do mesmo Senhor, tão amigo dos homens; e deste bom fundamento lhe iam sempre em crescimento as boas obras que fazia. Vivendo grande meia légua da Vila do Porto, o mais do tempo em uma sua quintã, não perdeu missa domingo nem festa, por grande necessidade que tivesse, e o mesmo fazia a Capitoa, que em todas estas nobrezas, liberalidades e virtudes lhe ia sem discrepar, seguindo as passadas; o qual, além de não faltar na Igreja os dias de sua obrigação, três vezes na semana, pelo menos, ouvia missa, pelo que, conversando na Igreja e sendo tão amigo dela, não foi fero nem bravo e de dura cervix, como soem ser os que dela fogem, mas humilde, obediente, brando, macio e subjecto a toda a doutrina, especialmente eclesiástica.
Foi homem grande de corpo, grosso, grave, gentil-homem, e muito alegre e afável; e, com ser tão liberal, era contrário à ociosidade, porque sabia que ela é mãe e seminário de muitos vícios, como a cobiça é raiz de todos os males.
Houve este generoso e virtuoso Capitão da Capitoa D. Breatiz de Moraes, sua mulher, quatro filhos; o mais velho se chama João Soares de Sousa e ora é frade de São Hierónymo, muito virtuoso e bom religioso, o qual, sendo ele o morgado, mandou seu pai a Lisboa para andar na corte e servir a el-Rei, com outros dois irmãos, mais moços, em sua companhia, um chamado Brás Soares de Albuquerque e o outro, Henrique de Sousa, para daí irem caminho da Índia. E estando em Lisboa, movido João Soares de Sousa por inspiração divina, querendo buscar e fazer outra vida mais quieta que a que o mundo promete, e servir a outro maior senhor que o rei da terra, aspirando seus desejos antes para o Céu, se apartou de seus irmãos, e sem lhe dar conta alguma, se foi caminho de Castela e lá se meteu na ordem, em um mosteiro de Burgos, onde fez profissão, fazendo nela vida santa, e por sua religião e virtude e mansidão foi e é honrado e estimado muito de todos os frades.
Em Lisboa, ficaram os outros dois irmãos, onde dali a poucos dias, com grande enfermidade, faleceu o mais moço, chamado Henrique de Sousa; e outro, chamado Brás Soares de Sousa, e dantes de Albuquerque, que ora ficou morgado, também adoeceu de grave doença e, para se curar dela, se recolheu e agasalhou em casa de uma nobre e honrada mulher, natural da mesma ilha de Santa Maria, a qual o curou e serviu tão bem, com tanto amor e cuidado, que, depois de ter saúde, não soube com que lho agradecer, senão com casar com uma sua filha, como adiante direi, quando dele, particularmente, em seu lugar disser.
Houve outro filho o dito Capitão, que se chama António Soares, gentil-homem, discreto e muito alegre, e dado a passatempos com outros mancebos, muito forçoso e afeiçoado a jogar das armas, que, por ter grandes espíritos, se foi para as Índias de Castela, onde alguns dizem ser falecido.
Tem também uma filha, chamada dantes D. Ana, e agora Ana de São João, no mosteiro da Esperança da cidade da Ponta Delgada, desta ilha de São Miguel, em que está já professa, e outra, natural, chamada dantes Concórdia de Sousa, e agora Concórdia dos Anjos, que houve sendo solteiro, também professa e boa religiosa, que por sua perfeita virtude e religião, de ambas, são nele de todas as mais religiosas muito estimadas.
A jurdição, que têm os Capitães desta ilha de Santa Maria, é conforme a dos da ilha da Madeira, até quinze mil réis e açoite em peão. E, quanto à renda, afora a de suas terras próprias e outras granjearias, tem a redízima e os moinhos, fornos de poia, e que, tendo sal o não possa vender outra pessoa senão ele, a meio real de prata o alqueire.
E na era de mil e quinhentos e oitenta, sendo este ilustre Capitão Pero Soares de idade de sessenta e sete anos, enfermou de parlisia (sic) que lhe deu, como ao Capitão, seu pai, que sofreu com muita paciência, louvando a Deus que lha deu cá na terra, de que faleceu aos trinta dias de Agosto da dita era, para merecer com ela e com as obras de muita virtude e caridade, que sempre usou fazer, a herança do Céu para que foi criado; e foi enterrado na igreja principal de Nossa Senhora da Assunção com muita solenidade e dor de todo o povo, que por suas obras e condição o amava muito.