Como realizar uma Quarentena

Você ou um ente querido tem febre leve, dores no corpo, o início de uma tosse seca e irritante. A comida não tem gosto nem cheira como antes. Talvez sinte falta de ar ou custa respirar...

Cozer feijões velhos

feijãoQuando guardados há muito tempo (anos mesmo) ou simplesmente mal acondicionados, os feijões podem demorar tempo a mais a cozer. Mas há soluções.

A menos aconselhável é a adição de...

A Tinturaria Vegetal em Alguma Ilhas dos Açores


Carreiro da Costa, 1957

tinturariaRemonta aos primeiros decénios de vida insular, a prática dos vários processos de tinturaria caseira, servida por elementos vegetais. Tais processos encontram-se...

Cores das Ilhas

Tudo leva a crer que esta paleta de cores começou a ser formada com a visita do escritor Raul Brandão, que esteve nos Açores em 1924 e foi atribuindo a cada ilha uma determinada cor (ou...

A Amoreira e a Sericultura

 

Carreiro da Costa, 1945

De entre os problemas económicos em equação no arquipélago dos Açores, o da sericicultura é dos que mais tem apaixonado aqueles que, no decorrer dos tempos, vêm...

Agave (Babosa)

Piteira, Babosa, Agave, Agave americana L.

agaveÉ uma planta muito disseminada nos jardins de algumas ilhas. Não sabemos se o  “Agave azul” (e a sua parente “Marginata”, com folhas às riscas...

Alguns Estudos Científicos sobre Agricultura Açoriana

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Departamento de Ciências Agrárias

http://repositorio.uac.pt/handle/10400.3/3

 

A influência da paisagem, dos factores ambientais e taxa de infestação na densidade na...

Da ilha de Santa Maria apareceram no mar quinta-feira, dois de Novembro de mil e quinhentos e oitenta e nove anos, duas naus, sem chegarem em todo dia a ela, e a sextafeira seguinte eram já passadas ao Sul do porto, e na volta do mar se iam, dando mostras de não fazerem conta da terra, tanto que só se divisava aquela grande nau em que ia o Conde de Nortimborlão (sic), que assim dizem tem o título.
O Capitão da ilha, Brás Soares de Sousa, como é experimentado e acordado na guerra, temendo-se de algum engano, deu ordem que a gente fosse a repousar, e, tendo vigia no mar, deram vista de três barcaças, duas grandes e uma pequena, a tempo que se pôde bem pôr em ordem o que convinha; chegaram somente uma grande barcaça e uma lancha a terra, e houveram vista de dois navios que no porto estavam, chegados do Brasil, carregados de açúcar, pau e outras coisas, um dos quais estava fora do sítio donde podia ser defendido, porque o Capitão mandou aos mestres que se recolhessem para dentro, e, por este vir todo seguro, não quis arriscar a se perder na terra, antes, desamparando, se acolheu a gente, deixando-o ao imigo.
Quiseram os ingreses, com suas mostras de arcabuzaria, mosquetaria, piques e alabardas, fazer entrada em terra, e, a voltas disso, entraram dentro no navio, aonde o Capitão mandou a sua gente lhe atirassem, assim com arcabuzes como com os berços e falcões, bem cheios de pedras, que dentro nele e nas barcaças faziam efeito.
E, porque eles estavam senhores do navio que mais perto da terra estava, desceu o Capitão Brás Soares de Sousa do alto donde está a artilharia abaixo ao porto e, fazendo lançar dois barcos ao mar, com o ímpeto da gente desampararam os ingreses a presa, deIxando dentro nela alguns arcabuzes, alabardas, piques, e remos e quantidade de pólvora, que prestou para o outro dia se lhe dar combate, e se foram acolhendo com grande pressa.
Parece que o número de gente que viria nestas duas barcaças (porque a outra, por pesada, não chegou a tempo) deviam ser como cento e cinquenta homens, gente lustrosa e tão animosa e valente, como bem deram mostras do atrevimento que tiveram.
Ao voltar na embarcação pequena, se não deu vista de mais de seis ou sete homens botando todos os quartos, que para água traziam, ao mar; se tornaram às naus, durando este combate, sempre travado, uma hora e meia, sem se fazer mais dano em terra que um só homem, que ficou morto.
Ao segundo dia, pela manhã, vieram duas naus mais pequenas a ancorar no porto, muito perto das trincheiras, donde atiraram quase sessenta peças de artilharia, que por a Vila deram em algumas casas, mas sem dano notável.
Destas naus partiu um pequeno barco a terra, parecendo que vinha com prumo a sondar a altura do porto, a que, com alguns arcabuzes que de uma ponta atiraram, parece mataram dois homens, e os viram cair; e logo se tornaram para as naus, donde, passado pouco espaço, se começou a gente a embarcar em duas grandes barcaças e duas lanchas mais pequenas, todos com muita ordem, indo pelo meio piqueiros e alabardeiros, e por fora os mosqueteiros e arcabuzeiros. Deram, então, de uma das naus uma bandeira de campo à grande barcaça, e, depois, tornada a subir, lhe deram outra, que parecia ter armas, ou as do conde ou reais, a qual foi posta na proa. Começando a marchar para a terra, ao som de seis trombetas e das caixas que por cima das cabeças dos homens se tangiam, não havendo lugar para elas caberem, chegados a um passo, começaram dar suas surriadas com tanto ímpeto e terror, que fazia espanto; e por o lugar e sítio ser de altas rochas , o eco dava mais matéria de estrondo.
Estava neste sítio e estância uma companhia de gente, que afirma o capitão dela, André de Sousa, teria como cinquenta arcabuzeiros e outros tantos piqueiros, a quem mandou o Capitão-mor, seu sobrinho, que não atirassem, nem se atirou até eles não chegarem a terra.
E saltando o primeiro homem, houve dois sinais; um foi que o padre Manuel Curvelo , pessoa nobre, de boa vida e costumes, tirada a imagem de Nossa Senhora da Conceição, se pôs no alto da rocha e sítio, animando com palavras os soldados e tanto lhe causou ânimo e ao imigo medo, que, logo em dando o Capitão o outro sinal e começando a dar cárregas de arcabuzaria, pouco prestaram mais os imigos.
E um soldado, a quem se acabou a pólvora, se chegou ao seu capitão, André de Sousa (que o fez valorosamente em aquele conflito), pedindo-lha; respondeu que a não havia e, amostrando-lhe as pedras com que devia de atirar, começou este, acompanhado de alguns, a fazer tiros com elas e tão importantes, que os mesmos, que com arcabuzes tiravam, deixandoos das mãos, arremeteram às pedradas, que não pouco fruto fizeram.
Logo se começaram a retirar as lanchas mais pequenas, e com ímpeto tirado de fraqueza se foram acolhendo sem esperar pelas outras; então, saltou um em terra e, pondo os ombros à barcaça grande, que encalhada estava, a botou, ainda que de terra o derribaram com uma pedra, e, recolhendo-o dentro, se foram para fora com menos alarido do que para a terra trouxeram. A este tempo que eles se foram para fora, foi esta grande barcaça descaindo tanto para a costa, que, se a não socorreram outras, se perderam por falta de gente que a governasse e remasse; e se afirma abaterem a bandeira e como arrasto a levavam, e se travou com a volta que às naus chegou briga em uma nau, que de terra bem se julgou, a qual veio a tanto, que um dos que na nau estava, arremetendo com fúria, se lançou ao mar, e com muita tristeza se foram na volta das outras naus.
Ficaram em terra muitos de seus arcabuzes e mosquetes, piques, alabardas, espadas e uma trombeta; e depois foram saindo do mar, pouco a pouco, muitas armas, que são de muita estima. E pela tristeza que levaram e afirmarem pessoas que este Conde ia pessoalmente a todas as empresas, se conjectura que acabaria ali, o que parece ser assim, porque a gente que vinha nas barcaças toda era muito lustrosa.
Outras vezes foi cometida a terra com naus armadas e lanchas de contrários, a que o valoroso Capitão Brás Soares com muito saber respondeu, e com grande esforço seu e dos moradores dela acudiu, apostados todos a morrer por sua defensão, o que vendo os imigos, se tornaram a recolher, sem ousarem desembarcar.