Como realizar uma Quarentena

Você ou um ente querido tem febre leve, dores no corpo, o início de uma tosse seca e irritante. A comida não tem gosto nem cheira como antes. Talvez sinte falta de ar ou custa respirar...

Cozer feijões velhos

feijãoQuando guardados há muito tempo (anos mesmo) ou simplesmente mal acondicionados, os feijões podem demorar tempo a mais a cozer. Mas há soluções.

A menos aconselhável é a adição de...

A Tinturaria Vegetal em Alguma Ilhas dos Açores


Carreiro da Costa, 1957

tinturariaRemonta aos primeiros decénios de vida insular, a prática dos vários processos de tinturaria caseira, servida por elementos vegetais. Tais processos encontram-se...

Cores das Ilhas

Tudo leva a crer que esta paleta de cores começou a ser formada com a visita do escritor Raul Brandão, que esteve nos Açores em 1924 e foi atribuindo a cada ilha uma determinada cor (ou...

A Amoreira e a Sericultura

 

Carreiro da Costa, 1945

De entre os problemas económicos em equação no arquipélago dos Açores, o da sericicultura é dos que mais tem apaixonado aqueles que, no decorrer dos tempos, vêm...

Agave (Babosa)

Piteira, Babosa, Agave, Agave americana L.

agaveÉ uma planta muito disseminada nos jardins de algumas ilhas. Não sabemos se o  “Agave azul” (e a sua parente “Marginata”, com folhas às riscas...

Alguns Estudos Científicos sobre Agricultura Açoriana

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Departamento de Ciências Agrárias

http://repositorio.uac.pt/handle/10400.3/3

 

A influência da paisagem, dos factores ambientais e taxa de infestação na densidade na...

Como diz o docto João de Barros, muito aproveita a lição da história para virem os cursados nela a grande estado de honra e acrescentamento de fazenda; como Marco Túlio, que uma das coisas que o pôs em a dignidade consular, que era a maior que naquele tempo havia, foi ter grande conhecimento das linhagens, famílias, das propriedades e de outros negócios públicos do povo romano, sem as quais coisas, o seu orar fora edifício sem fundamento, telhado sem paredes, folha sem tronco, rama sem raiz, polpa sem ossos, carne sem nervos e música sem compasso. Pelo que direi aqui a progénia dos antigos descobridores e povoadores desta ilha, começando na geração e apelidos dos Velhos, donde descende o primeiro Capitão dela, Frei Gonçalo Velho, comendador de Almourol, que no princípio a descobriu e povoou com os mais que depois a ela vieram.
Os parentescos nesta ilha estão liados uns com outros que, se foram mais frescos e não foram discorrendo e saindo já do quarto grau por diante, escassamente se pudera contrair matrimónio entre pessoas nobres, e principalmente o da progénia dos Velhos, que é o apelido do primeiro Capitão, que a veio descobrir e povoar. Para algum entendimento do qual, se há-de notar que houve em Portugal um fidalgo, Martim Gonçalves de Travassos, casado com uma fidalga chamada D. Catarina Dias de Melo, que tiveram dois filhos, um chamado Nuno Martins de Travassos, tão abalizado fidalgo do Reino e de tanta valia que teve por seu pagem a um Fernão Roiz Pereira, que, depois, deu por parente aos Pereiras, e veio a ser amo da duquesa infanta D. Breatiz, mãe d’el-Rei D. Manuel, e criou os infantes, seus filhos. E outro fidalgo, Fernão Velho, casado com outra fidalga, chamada D. Maria Álvares Cabral, filha do senhor de Belmonte, que houveram os filhos seguintes: sc., o primeiro, Gonçalo Velho Cabral, chamado o famoso Comendador do Castelo de Almourol e senhor das Pias e Bezalga e Cardiga, e Capitão e Comendador desta ilha de S. Miguel e da de Santa Maria; o segundo, Álvaro Velho, a quem não soube a descendência, por ficar em Portugal; a terceira, D. Tareja Velha, que casou com um Fuão Soares, de que nasceu João Soares de Albergaria, que depois foi segundo Capitão destas ilhas de S. Miguel e Santa Maria, por lhas deixar o dito seu tio, Gonçalo Velho; a quarta filha de Fernão Velho e de D. Maria Álvares Cabral se chamou D. Violante Cabral; a quinta, D. Leonor Velha, e não sei se tiveram mais filhos.
D. Violante Cabral casou com Diogo Gonçalves de Travassos, filho de Martim Gonçalves de Travassos e de sua mulher D. Catarina Dias de Melo. Dantre o dito Diogo Gonçalves de Travassos e D. Violante Cabral nasceram os filhos seguintes, sc., Rui Velho de Melo, em quem Gonçalo Velho pôs a comenda do castelo de Almourol e senhoria das Pias e Bezalga e Cardiga. Este Rui Velho foi estribeiro-mor de el-Rei D. João, segundo do nome, e houve um filho natural e uma filha: o filho, chamado Simão Velho, viveu em Tomar e foi à Índia, donde veio muito rico; a filha havia nome Violante Velha e foi casada com um Francisco Botelho, de que houve nobres filhos. Por morte de Rui Velho, que não casou, houve estas comendas D. Nuno Manuel e, depois, o conde do Redondo.
Tiveram mais os ditos Diogo Gonçalves de Travassos e D. Violante Cabral estes filhos: Pero Velho, Nuno Velho, D. Caterina Velha Cabral, D. Leanor Velha Cabral.
Pedro Velho de Travassos e Nuno Velho vieram para estas ilhas com seu tio Gonçalo Velho, e nelas casaram, como adiante direi.
D. Caterina Velha Cabral casou com um fidalgo, a quem não soube o nome, de que houve a D. Caterina, que casou com um Martim da Silveira, do qual houve a Manuel da Silveira, senhor da Terena, e Diogo da Silveira, capitão-mor que foi do mar da Índia, e a mulher de Nuno da Cunha, que foi Viso-Rei da Índia, e não sei se teve mais filhos.
D. Lianor Cabral casou com outro fidalgo, cujo nome não soube; dentre eles nasceu uma filha, por nome D. Cecília, que casou com Francisco Miranda, de que nasceram Diogo de Miranda e Pero de Miranda, dayão da Sé de Évora.
Diogo Gonçalves de Travassos, como fica dito, filho de Martim Gonçalves de Travassos e de D. Catarina Dias de Melo, foi veador do infante D. Pedro, Regente do Reino, e seu escrivão da puridade e aio e padrinho dos filhos do dito infante, e foi do conselho d’el-Rei D. Afonso, quinto do nome. Jaz sepultado no mosteiro da Batalha, à porta da capela de el-Rei D. João, de Boa Memória, primeiro do nome, e dos infantes, seus filhos, da banda de fora, e tem sobre a cova uma campa com uma grande letra D, que quer dizer o seu nome, Diogo, a qual letra lhe mandou pôr el-Rei, por ser muito privado seu, tanto que, adoecendo ele à morte, o foi visitar a sua casa o mesmo Rei em pessoa. Era homem grande de corpo, bem disposto, gentil-homem, muito valente e forçoso, com as quais partes tinha bem servido a el-Rei nas guerras contra Castela e fora por seu mandado com o infante D. Pedro na tomada de Ceuta, onde foi armado cavaleiro pelo dito infante, pelo que era muito favorecido dos Príncipes.
Era Gonçalo Velho, o famoso comendador de Almourol e primeiro Capitão que foi da ilha de Santa Maria e desta de S. Miguel, também tão valente de sua pessoa, que mandando el-Rei D. João correr touros em Évora, mandou ele fazer um cadafalso para levar a vê-los umas sobrinhas suas, sc., D. Cecília e D. Catarina, e outras parentas. Estando já o corro cerrado, entrou ele com as sobrinhas, e passando com elas e dois pagens, que iam diante dele para o cadafalso, havia um touro muito poderoso e afamado de bravo, que estava para se correr, o qual disse el-Rei que deitassem no corro a Gonçalo Velho, que passava com suas sobrinhas, conhecendo dele sua valentia, de que tinha muitas experiências; tanto que o touro foi no corro e o vira ir, arremeteu a ele, recolheu com o braço esquerdo para trás os pagens junto das sobrinhas, vindo o touro já mui perto para o levar nos cornos, e fazendo o que é de sua natureza, que é abaixar a cabeça e sarrar os olhos, arrancou ele de um terçado que levava na cinta, e lhe deu com ele um golpe no jarzilo, junto dos cornos, no lugar por onde os matam, com que lhe derribou a cabeça, de maneira que caiu o touro no chão, perneando e morrendo; ele alimpou o terçado do sangue no mesmo touro, muito quieto, dizendo: — Os rapazes que vos cá mandaram outro tanto lhe fizera eu, se eles cá vieram. E levou suas sobrinhas ao cadafalso. E João Rodrigues da Câmara, quarto Capitão desta ilha de S. Miguel, contava, , esta história dele, miudamente.
Sendo este Gonçalo Velho, comendador de Almourol, como era, muito privado e da casa do infante D. Henrique, o que mandou descobrir estas ilhas, tendo uma vez brigas com uns fidalgos da casa do mestre de Santiago, que foi antes de D. Jorge, filho de el-Rei D. João, sobre qual deles era mor senhor, se o infante D. Henrique, se o dito mestre de Santiago, afrontados eles das palavras que Gonçalo Velho lhe dissera, indo ele para a sua comenda de Almourol, acompanhado de vinte de cavalo, afora outra gente de pé, por se temer deles, foi pousar no caminho em uma pousada, onde, andando de noite, passeando e rezando a véspera e completas por umas Horas, lhe atiraram por um buraco da porta com uma besta e o quadrelo lhe deu e pregou nas Horas por onde rezava, sem lhe fazer nenhum dano. Chamando ele, então, pelos criados, se saiu com eles a cavalo, buscando os contrários pelo campo, sem os poder achar; somente sendo já manhã, viram os sinais das ferraduras e tropel dos cavalos, que se iam recolhendo, por de dia o não ousarem cometer, senão de noite, com espias diante de si, por conhecerem do dito Gonçalo Velho ser tão valente e esforçado de sua pessoa, que não podiam dele de dia tirar o melhor rosto a rosto; e por isso o foram cometer à treição , de noite. Era Gonçalo Velho de tantas forças, que podia espremer um homem e esmiuçá-lo antre as mãos. E além disto muito animoso, pelo que foi de noite no alcance, buscando a seus contrários, o que de alguns foi taxado e julgado por temeridade, porque fora possível serem tantos seus inimigos em cilada, que o puderam tomar aquela noite. Mas o grande esforço, ânimo e valentia, que tinha, o fez cometer, sem estimar nem temer, tal perigo.
E por ser desta qualidade e de tão boas partes, era muito privado do infante D. Henrique e foi enviado por ele a descobrir estas ilhas de Santa Maria e de S. Miguel, que descobriu e foi feito Capitão delas, trazendo consigo aos ditos dois sobrinhos, Pero Velho e Nuno Velho. E tornando-se para o Regno por não se contentar de viver em terra erma, senão na corte, onde se criara às abas dos Príncipes, os quisera fazer Capitães, um de uma, e outro de outra, mas o Infante acabou com ele que fosse Capitão delas outro seu sobrinho, do mesmo Gonçalo Velho, que andava em casa do dito infante, chamado João Soares de Albergaria, filho de outra sua irmã, do dito Gonçalo Velho, e irmão da dita D. Violante, mulher de Diogo Gonçalves de Travassos, atrás dito. O qual, feito Capitão depois da renunciação de seu tio, que ficou em Portugal, onde faleceu sem ter filhos, se veio morar a estas ilhas, governando-as com muita prudência e diligência, residindo principalmente o mais do tempo na ilha de Santa Maria, por ser mais povoada naquele tempo . E dos filhos que teve disse já, tratando da ilha de Santa Maria, pelo que agora não direi mais deles, remetendo-me ao que dito tenho. Nem agora tornei a falar neles, senão por haverem sido dos primeiros Capitães desta ilha de S. Miguel, sendo Gonçalo Velho o primeiro, e seu sobrinho João Soares o segundo. Dos sobrinhos do qual Gonçalo Velho, chamados Pero Velho Cabral e Nuno Velho Cabral, procederam os Velhos destas duas ilhas de Santa Maria e S. Miguel, como agora direi, além do que tenho dito deles na história da ilha de Santa Maria, já contada.
Dos dois filhos de Diogo Gonçalves de Travassos e de D. Violante Cabral, sobrinhos do Capitão Gonçalo Velho, que com ele vieram a estas ilhas, que houveram de ser Capitães delas, se o infante o consentira, o Pero Velho, nesta de S. Miguel, fez a ermida de Nossa Senhora dos Remédios da Alagoa e jaz sepultado nela, e viveu ali perto, onde tinha suas terras. Não sei com quem foi casado, mas de sua mulher houve dois filhos, sc., Gonçalo Velho e Estevão de Travassos, e três filhas, sc., a mulher que foi de João Álvares do Olho, e a mulher de João Afonso, o Corcôs de alcunha, que era também da casta dos Velhos, e a mãe de João Velho Cabral, cujas foram as casas que agora são de Jerónimo Luís , filho de Sebastião Luís e genro de Aires Lobo.
Gonçalo Velho, filho de Pero Velho, foi casado com uma mulher da geração dos Amados, chamada Catarina Álvares de Benevides, de que houve os filhos seguintes, sc., a mulher de Jorge Nunes Botelho, que chamavam Margarida Travassos, Amador Travassos e Nuno Velho e Francisco Travassos e Lopo Cabral de Melo e Tareja Velha, que casou com um letrado, chamado António Álvares, filho de João Álvares, do Pico que Arde, da Ribeira Grande, a segunda vez com Sebastião Fernandes de Freitas, dos quais não houve filhos.
Amador Travassos, filho de Gonçalo Velho, casou com Maria d’Oliva, em África, onde esteve muitos anos em serviço de el-Rei e de lá a trouxe; da qual houve a Heculiano Cabral, sacerdote, a Afonso d’Oliva e Nuno Travassos e uma filha, que se chama Briolanja Cabral, a qual casou com Pero Castanho, homem de grandes espíritos, e outra filha, chamada Margarida Travassos, que casou com Miguel Fernandes, filho de Sebastião Fernandes de Freitas, e outra filha chamada Roqueza Cabral, que casou com António Correia de Sousa.
Estevão Travassos, filho de Pero Velho, casou com Catarina Gonçalves, filha de Gonçalo Anes e de Catarina Afonso, naturais da cidade do Porto, de que houve filhos: Pero Velho de Melo e João Cabral e Amador Travassos, sacerdote, vigairo que foi em S. Roque, e filhas, Filipa Travassos, mulher de João Cabral, que não houveram filhos. João Cabral casou com uma filha de Vasco Vicente, da vila de Água de Pau, irmã do Padre Manuel Vaz, beneficiado na vila da Ribeira Grande, e houve de seu marido muitos filhos e filhas; e Branca Velha, mulher de Cristovão Roiz, do qual houve alguns filhos e filhas.
Pero Velho de Melo casou em Lagos com uma nobre mulher, a quem não pude saber o nome, de que houve duas filhas, Violante Cabral, mulher de Manuel Roiz, o Saramago de alcunha, e outra que se chama Antónia Travassos, que casou com Manuel Fernandes, filho de João Fernandes, de Santa Clara.
Violante Velha, filha de Pero Velho, sobrinho do primeiro Capitão da ilha de Santa Maria e desta de S. Miguel, chamado Gonçalo Velho, Comendador de Almourol, casou com João Álvares do Olho, de que houve quatro filhos e uma filha, que casou com Pedro da Costa, de Vila Franca do Campo. O primeiro filho, chamado Álvaro Velho, casou com Margarida Álvares, de que houve estes filhos, sc., Gaspar Velho, Baltazar Velho, Sebastião Velho, João Cabral, Violante Velha e Maria Fernandes. O segundo filho, chamado Rui Velho, foi casado com Guiomar de Teves, filha de Pero de Teves, da Calheta, e de Catarina de Meza, filha de um homem a que não soube o nome, da casa de el-Rei de Castela, donde veio fugido a esta ilha no tempo das comunidades , e casou aqui com Isabel ou Guiomar Franca; e houve o dito Rui Velho, de sua mulher Guiomar de Teves, os filhos seguintes: o primeiro, chamado Pero Velho, que casou com Lianor Pereira, de que houve quatro filhos e uma filha, ainda de pouca idade. Houve mais Rui Velho uma filha, por nome Violante Velha, que casou com Gomes Gonçalves Morgade, de que houve três filhos e uma filha: um deles, chamado João Velho, casou com uma filha de Manuel Afonso, de que tem um filho e uma filha.
Outro filho de Rui Velho e Guiomar de Teves, chamado Amador Velho, casou em Portugal com Isabel da Costa, de que não tem filhos. Outro filho, chamado Rui Velho, como seu pai, casou com Ana de Aguiar, de quem tem dois filhos de pouca idade. Outro filho de Rui Velho, por nome Sebastião Velho, casou com Briolanja Afonso, filha de Pero Afonso Pereira e de Guiomar Fernandes, da qual tem três filhas e um filho.
Outro filho houve João Álvares do Olho de sua mulher Violante Velha, chamado André Travassos, que casou com Isabel Roiz, de que houve um filho, chamado João Travassos, e uma filha, por nome Violante Velha. O quarto filho de João Álvares do Olho e de Violante Velha, chamado Pero Velho, foi casado com Breatiz Pais, filha de João Pais, cidadão da cidade do Porto, e de sua mulher Clara Gonçalves, o qual Pero Velho houve estes filhos: o primeiro, Salvador Pais, que casou em Portugal; o segundo, Afonso Pais, que faleceu menino; o terceiro, João Pais, ainda solteiro; o quarto, Sebastião Velho, que casou em Gran Canária; o quinto, António Pais, que foi para as Índias de Castela; o sexto, Pero Velho, meirinho das execuções nesta ilha de S. Miguel, que foi preso na cidade de Angra, por ser da parte de el-Rei Filipe, o qual por isso lhe fez mercê do hábito de Santiago, com vinte mil reis de tença. Houve mais Pero Velho, de sua mulher Breatiz Pais, uma filha, chamada, como sua mãe, Breatiz Pais, que casou com Cristovão de Oliveira, filho de Manuel de Oliveira, escudeiro, morador na Ribeirinha, termo da vila da Ribeira Grande, de que não tem filhos.
A mulher de João Afonso Córcos, filha de Pero Velho, chamada Lianor Velha, teve estes filhos, sc., Adão Travassos, que casou com uma mulher da casa de Gaspar de Betancor, por nome Genebra de Sequeira. Teve mais o Córcos duas filhas, sc., a mulher de Gaspar Perdomo, chamada Breatiz Velha, e a de Lourenço Mendes de Vasconcelos, chamada Margarida Cabral, ambos fidalgos, e houveram muitos filhos e filhas. Gaspar Perdomo houve de sua mulher Breatiz Velha estas filhas, sc., D. Francisca, que não casou, e D. Simôa, que casou em Portugal com D. João Pereira, bisneto do conde da Feira. Houve também Gaspar Perdomo três filhos, sc., Ibonel de Betancor, Baltazar de Betancor e Belchior de Betancor, os quais casaram nesta ilha com muito honradas e virtuosas mulheres. Lourenço Mendes teve filhos: Francisco Mendes e Jordão de Vasconcelos, e filhas: D. Francisca e D. Beatriz, que não casaram.
João Velho Cabral, filho de uma filha de Pero Velho de Travassos, que fez a ermida de Nossa Senhora dos Remédios, teve de sua mulher D. Isabel Ferreira estes filhos, sc., o licenciado Sebastião Velho Cabral, que foi juiz de fora em Almôdovar, uma vila de Portugal, no campo de Ourique, e depois faleceu no Cabo Verde com sua mulher Maria de Paiva, de que ficaram um filho e duas filhas, a mais velha, chamada Helena Cabral, casou com Gonçalo Bezerra, filho do mestre João e de Grismonda Tavares, na vila da Ribeira Grande, e a outra, Francisca Cabral, está solteira; e o filho se chama Manuel Cabral, que, como mancebo de bons espritos , se foi desta ilha a buscar alguma ventura. Teve mais o dito João Velho Cabral, da dita sua mulher, outros dois filhos, chamados João Velho Cabral e Lopo Cabral, discretos e esforçados cavaleiros, que faleceram na Índia em serviço de el-Rei. Teve também João Velho Cabral duas filhas, uma chamada Branca Velha, que casou com Duarte de Mendonça, homem fidalgo e alferes da bandeira da cidade da Ponta Delgada, de que não houve filhos, senão uma filha, que faleceu menina. E casou o dito Duarte de Mendonça segunda vez com Maria de Medeiros, neta de Rafael de Medeiros e de sua mulher D. Maria. Dizem que casou João Velho Cabral, segunda vez, com Breatiz Álvares, filha de João Álvares do Olho e de sua segunda mulher, também chamada Breatiz Alvares, de que houve um filho, chamado Nuno Cabral, que faleceu solteiro e foi morto por franceses na caravela de Francisco de Mares e duas filhas, uma por nome Brianda Cabral, que casou com um filho do licenciado António Tavares, chamado Jordão da Silva, alferes da bandeira do capitão, seu irmão, Gonçalo Tavares, na mesma cidade, de que tem muitos filhos e filhas, e outra, ainda solteira, chamada Francisca Cabral.
Lopo Cabral de Melo, filho de Gonçalo Velho, casou com uma filha de Diogo Vaz, cavaleiro, e de sua mulher, Constança Afonso, filha de Afonseãnes, da Maia, de que houve filhos: Fr.
Jerónimo de Melo, da ordem de S. Domingos, que por sua muita virtude e letras foi prior, primeiro em Coimbra e depois em Aveiro e Elvas, e depois em Benfica, e foi em capítulos gerais, três ou quatro vezes, um dos definidores; e, uma vez, se afirma que o quiseram fazer ou geral ou provincial, e ele se escusou por querer antes estar recolhido e quieto em sua cela; e outro, Diogo Cabral de Melo, que é nas Índias de Castela; e Manuel Cabral que casou com Maria da Costa, filha de João Roiz Camelo; e Teodósio Cabral, que casou com Catarina de Vasconcelos, filha de Gonçalo Mourato e de Catarina de Oliveira. E houve o dito Lopo Cabral de Melo, também da primeira mulher, uma filha, chamada Isabel Cabral, que casou com Manuel Lopes de Sousa, filho de Sebastião Afonso de Sousa, capitão duma bandeira daquela banda da Bretanha, e de sua mulher Isabel de Oliveira; e outra filha, religiosa, chamada Roqueza Cabral, e agora Roqueza das Chagas, que é freira no mosteiro de Jesus na vila da Ribeira Grande. Depois casou Lopo Cabral de Melo com D. Filipa de Melo, filha de Manuel de Melo e de Antónia de Bulhão, natural de Alcácer do Sal, irmã de João de Melo, genro de Francisco d’Arruda da Costa, da qual tem filhos: Manuel de Melo, que casou na vila da Ribeira Grande com Ana da Ponte, filha de André Lopes e de Margarida da Ponte, e Jerónimo de Melo, e Cristovão de Melo, e uma filha que faleceu.
Tinha mais Gonçalo Velho, pai de Lopo Cabral de Melo, de sua mulher Catarina Alvres de Benevides, um filho por nome Nuno Velho, que casou no Algarve, em Alvor, com Inez de Oliveira, filha de Rui de Oliveira, cavaleiro do hábito de Santiago e de Maria Vaz, sua mulher, o qual Nuno Velho teve um filho, chamado Amador Travassos, que é clérigo e prior do Sovoral , termo da vila de Mortágoa. Teve Nuno Velho mais uma filha, chamada Catarina Cabral de Melo, que casou no Algarve com António Portela, moço da câmara de el-Rei, de que teve filhos e filhas. Houve Nuno Velho, de sua mulher Inez de Oliveira, outra filha por nome Margarida Cabral, que faleceu solteira e foi dama da Condessa, mulher do conde de Lyra, sobrinho de el-Rei. Teve mais Gonçalo Velho, pai de Lopo Cabral de Melo, uma filha, chamada Breatiz Velha, que foi casada com Afonseãnes Colombreiro, de que houve uma filha, chamada Breatiz Velha, como a mãe; era meia irmã do padre João Soares da Costa; a qual casou com Fernão Pires Quental, de que houve uma filha, do nome de sua mãe.
O segundo filho de Diogo Gonçalves de Travassos e de D. Violante Cabral, sobrinho de Gonçalo Velho, primeiro Capitão destas ilhas de Santa Maria e de S. Miguel, chamado Nuno Velho de Travassos, casou aqui a primeira vez com Isabel Afonso, de que houve um filho, chamado Diogo Velho, que casou no lugar da Relva, avô de Manuel da Fonseca Falcão; e Isabel Nunes Velha, mulher de Fernão Vaz Pacheco, e Guiomar Nunes Velha, mulher de André Lopes Lobo, da casa do duque de Bragança, os quais moraram todos nesta ilha de S. Miguel.
Casou o dito Nuno Velho, segunda vez, na ilha de Santa Maria, com Africañes, viúva, mulher que fora de Jorge Velho, da qual houve o primeiro filho, chamado Duarte Nunes Velho, cavaleiro do hábito de Santiago, que morou, em Malbusca, da dita ilha, e Grimaneza Afonso de Melo que casou com Lourenço Anes, da Ilha Terceira, nobre e poderoso, do qual houve um filho, chamado Sebastião Nunes Velho, pai de Inês Nunes Velha, mãe de D. Luís de Figueiredo de Lemos, dantes dayão da Sé de Angra e agora benemérito bispo do Funchal, como tenho dito, quando tratei da ilha de Santa Maria; e outros filhos .
Outros dizem que primeiro houve Nuno Velho estes filhos de Africañes, já viúva, e depois casou nesta ilha de S. Miguel o dito Nuno Velho e houve os filhos acima ditos; e de sua mulher que, ou antes ou depois foi casada, ou casou com Antão Pacheco de que houve um filho, chamado Antão Pacheco, pai de Pero Pacheco, genro de Jorge Nunes Botelho. E esta mulher de Nuno Velho e de Antão Pacheco, ou de algum destes dois maridos, ou de outro terceiro marido, se foi casada terceira vez, houve uma filha, mulher que foi de Afonso Roiz Cabea, que teve as rendas destas ilhas alguns anos . Mas o mais certo é que este Nuno Velho casou primeira vez nesta ilha com Isabel Afonso, mulher nobre, não sei cuja filha, da qual houve duas filhas, a primeira Guiomar Nunes Velha, que casou com André Lopes Lobo, da casa do duque de Bragança, pai de Aires Lobo. A segunda filha de Nuno Velho e de Isabel Afonso, chamada Isabel Nunes Velha, casou com Fernão Vaz Pacheco, do qual houve quatro filhas e um filho. A primeira filha, Guiomar Pacheca, casou com Heitor Barbosa da Silva, filho de Sebastião Barbosa da Silva, da qual houve três filhos e duas filhas: o primeiro Nuno Barbosa, o segundo Pero Barbosa, o terceiro Henrique Barbosa, o Valente, que faleceu na Índia; a primeira filha Filipa da Silva, a segunda Maria Pacheca, que ambas faleceram solteiras.
A segunda filha de Fernão Vaz Pacheco e de Isabel Nunes Velha, chamada Maria Pacheca, casou com Estevão Álvares de Rezende, filho de Pedralvres das Cortes, da Fajã, de que houve filhos e filhas, como já disse. A terceira filha de Fernão Vaz Pacheco e de Isabel Nunes Velha, chamada Briolanja Cabral, casou com Melchior Dias, morador na Ribeira Chã, junto de Água de Pau, de que houve filhos e filhas. A quarta filha de Fernão Vaz Pacheco e de Isabel Nunes Velha, chamada Catarina Velha, casou com Jorge Furtado, de que houve um filho, Leonardo de Sousa, e uma filha, Maria de Crasto , freira no mosteiro de Santo André, de Vila Franca.
Casou Jorge Furtado, a segunda vez, com D. Guiomar Camela, filha de Gaspar Camelo Pereira e de D. Breatiz Jorge, filha de Pero Jorge, de que houve dois filhos: Martim de Sousa, grande cavaleiro, e Jorge Furtado de Sousa, cónego da Sé da cidade do Funchal, da ilha da Madeira, ainda solteiros , ambos discretos como seu pai, e de grandes espíritos; e duas filhas: D. Ana e D. Isabel. D. Ana casou com Braz Neto Darès , filho do licenciado Gonçalo Nunes Darès , contador e juiz do mar que foi na cidade de Ponta Delgada; e D. Isabel é ainda solteira , como direi na geração dos Furtados.
Duarte Nunes Velho, filho primeiro de Nuno Velho de Travassos e de Africañes, casou a primeira vez em Portugal com uma nobre mulher , chamada Isabel Fernandes, de que houve filhos: João Nunes Velho, que casou na vila da Ribeira Grande, desta ilha de S. Miguel com Maria da Câmara, irmã de Guiomar da Câmara, filhas ambas de Antão Roiz da Câmara, de que houve filhos: João Nunes Velho, que foi vigário e ouvidor na ilha de Santa Maria, e Tomé da Câmara, cavaleiro fidalgo da casa de el-Rei, e Manuel da Câmara, mestre em artes e bacharel formado em teologia, que agora é prior de S. Pedro de Alenquer, e outros filhos que faleceram na Índia, em serviço de el-Rei; e uma filha, chamada D. Dorotéa, que agora é Capitoa da ilha de Santa Maria, casada com Brás Soares de Sousa, quinto Capitão dela.
Houve mais Duarte Nunes Velho de sua mulher o segundo filho, chamado Jordão Nunes Velho, que foi casado e morador na dita ilha de Santa Maria, e Nuno Fernandes Velho, de muita nobreza e virtude, que agora mora na fazenda de Malbusca, que herdou com o morgado de seu pai e tem uma filha, chamada D. Maria, que foi Capitoa da dita ilha, mulher do Capitão João Soares, terceiro do nome, e outros filhos que já disse, quando tratei da mesma ilha. Teve Duarte Nunes Velho outros filhos, filhas e netos, muito nobres e honrados.
O segundo filho de Nuno Velho de Travassos, chamado Diogo Velho, foi casado com Maria Falcôa, de nobre geração, de que houve duas filhas, uma chamada Francisca Velha, que casou com Pero Gonçalves Ferreira, de que houve filhos, um por nome João Velho, que faleceu na ilha de Santiago, do Cabo-Verde, e outro, Manuel Ferreira, que faleceu e está enterrado na igreja de Nossa Senhora das Neves, do lugar da Relva, e Diogo Velho, que casou com uma filha de Sebastião Gonçalves, e Lianor Velha que casou com Diogo Gonçalves. A segunda filha de Diogo Velho e da dita Maria Falcôa, chamada Constança Falcôa, casou com Francisco da Fonseca, filho de António Lopes, do lugar da Relva, segundo marido de Maria Falcôa, de que houve um filho por nome Manuel da Fonseca Falcão, escrivão da cidade da Ponta Delgada, que casou com Maria de Paiva, filha de Belchior de Paiva, da qual não houve filhos, e depois com uma filha de Miguel Serrão. Teve mais Francisco Lopes da Fonseca, de sua mulher Constança Falcôa, outro filho, chamado António Lopes da Fonseca, que casou com Briolanja Ferreira, filha de Gonçalo Pires e Briolanja Gil, de que tem filhos; e outro filho, por nome Rui da Fonseca, casado com Guiomar Ferreira, filha de António Afonso, cavaleiro, e de sua mulher Antónia Ferreira, de que tem filhos; houve mais a dita Constança Falcôa, de seu marido Francisco da Fonseca, duas filhas casadas, uma chamada Lianor Velha, com João Gonçalves, o Cavaleiro, morador no lugar da Relva, de que tem filhos e filhas, e outra, por nome Maria Falcôa, casou em Vila Franca com Vicente Fernandes, de que tem filhos e filhas. E casou Maria Falcôa segunda vez com o dito António Lopes Rebelo, primo segundo de Simão Roiz Rebelo, de que houve estes filhos: o primeiro, chamado Rui Lopes Rebelo, que faleceu solteiro na cidade de Lisboa; o segundo, Manuel Lopes Rebelo, que casou em Vila Franca com Clara da Fonseca, filha de Jorge da Mota e de sua mulher Bartoleza da Costa, de que houve um filho, por nome Manuel Botelho, que casou na vila da Ribeira Grande com Maria Correia, filha de Sebastião Jorge Formigo e de Joana Tavares, de que tem filhos e filhas; houve mais Manuel Lopes uma filha, chamada Maria de São Bento, freira no mosteiro de Santo André em Vila Franca. Outra filha de António Lopes, chamada D. Isabel Fernandes, casou primeira vez com Manuel Deloguarde Varajão, escrivão que foi na mesma cidade, e segunda vez com Gaspar de Betancor de Sá e de nenhum houve filhos.
Teve também Nuno Velho de Travassos a primeira filha, chamada Isabel Nunes Velha, casada com Fernão Vaz Pacheco, de que houve quatro filhas e um filho: a primeira filha, chamada Guiomar Pacheca, foi casada com Heitor Barbosa da Silva, filho de Sebastião Barbosa da Silva, morador na Fajã, perto da cidade, de que houve filhos: Nuno Barbosa, Pero Barbosa e Henrique Barbosa, esforçado cavaleiro na Índia, de quem adiante direi, na geração dos Barbosas. Teve também Isabel Nunes Velha, filha de Nuno Velho, de seu marido Fernão Vaz, outra filha, chamada Maria Pacheca, que casou com Estevão Álvares de Rezende, do qual houve estes filhos: sc., Fernão Dalvres Cabral, que se foi fora desta ilha e não se sabe dele; outro filho, chamado Manuel Pacheco, que foi à Índia de Castela, sem mais virem dele novas; o terceiro filho, Pedralvres Cabral, que casou com Isabel Bicuda, filha de Vicente Anes Bicudo, e mora na Ribeira Grande, homem de nobre condição e grandes espíritos, que agora é capitão de uma companhia na mesma vila da Ribeira Grande, de que tem alguns filhos. Teve mais a dita Maria Pacheca, de seu marido Estevão Alvres de Rezende, três filhas: a primeira, chamada Lianor de Rezende, que casou com Rafael Coelho, irmão de Gabriel Coelho, de que houve filhos e filhas; a segunda filha é casada com Gonçalo Tavares, filho do licenciado António Tavares, de que tem filhos e filhas; a terceira filha foi casada com Diogo Ferreira, cidadão e natural da cidade do Porto, que mora agora na cidade da Ponta Delgada, de que tem filhos e filhas. Houve mais Isabel Nunes, filha de Nuno Velho e neta de Álvaro Velho e mulher de Fernão Vaz Pacheco, do dito seu marido, um filho e duas filhas, além das duas já ditas: o filho se chamava Manuel Pacheco, homem de muito preço e boas partes, que morreu na Índia em serviço de el-Rei, e uma filha, chamada Catarina Velha, que foi casada com Jorge Furtado, de que houve um filho, chamado Leonardo de Sousa e uma, freira no mosteiro de Vila Franca, chamada Maria de Cristo; e outra filha se chamava Briolanja Cabral, que foi casada com Belchior Dias, morador que foi em Porto Formoso, do qual houve os filhos seguintes: o primeiro, chamado Fernão Vaz Cabral, casado com uma filha de António Furtado, chamada Maria ou Breatiz de Medeiros, de que tem filhos; o segundo, chamado Jerónimo Pacheco de Melo, meio cónego da Sé de Angra. Das filhas, a primeira, chamada Mécia Cabral, casou com o licenciado Sebastião Pimentel, homem de muitas letras e virtudes, de que tem filhos; a segunda, chamada Maria Pacheca, casou com Manuel Freitas, filho de Pero de Freitas, morador em Vila Franca, de que teve um filho.
Outra filha segunda de Nuno Velho de Travassos, chamada Guiomar Nunes Velha, foi casada com André Lopes Lobo, fidalgo da casa do Duque de Bragança, o da treição, por cujo respeito veio ter a esta ilha, envergonhado de aparecer no Reino, pelo que seu senhor fizera, e morou nos Fenais da Maia, de que houve filhos: Aires Lobo, pai de Francisco Lobo, escrivão na cidade da Ponta Delgada, que casou com uma filha de Lucas de Sequeira, chamada Bárbara de Sequeira, de que tem um filho, chamado Manuel Lobo, que casou com a filha de João Roiz Cernando, de Rabo de Peixe, e de sua mulher; tem, afora este casado, duas filhas e um filho, a que não sei o nome; e uma filha, Isabel Loba, ainda solteira. E outra filha do dito Aires Lobo, chamada Guiomar Nunes, casou com Jerónimo Luís, homem de muita nobreza, virtude e prudência, e muito rico, de que tem um filho, chamado Sebastião Luís, como seu avô, e uma filha, chamada Isabel Nunes. Outro filho teve Aires Lobo, chamado Manuel Lobo, esforçado cavaleiro que faleceu na Índia, servindo a el-Rei. Houve mais André Lopes Lobo estes filhos: António Lobo, vigairo que foi no lugar da Relva, e Cristovão Lobo e uma filha, chamada Bárbara Loba.
André Lopes Lobo, pai de Aires Lobo e avô de Francisco Lobo, era filho de Rui Lopes Lobo e neto de Mem Roiz Lobo de Monsaraz e por morte de D. Fernando, duque de Bragança, que el-Rei D. João segundo do nome mandou degolar, se passou a Castela, em companhia do Marquês de Monte-Mor, irmão do Duque, e daí a Arzila, onde esteve fronteiro três anos; donde se passou a esta ilha e não tornou a Alentejo, por ele e alguns seus parentes darem um ponto na boca, com um cabo de sapateiro, a um homem fidalgo, pessoa notável, em uma sua quintã, por dizer na praça de Vila Viçosa: — “ainda não enforcaram estes tredos?”.
Pelo que ficando seus irmãos em Castela, na companhia do Marquês, irmão do Duque, se desnaturou o dito André Lopes Lobo de Portugal a Castela e de Castela a Arzila e de Arzila a esta ilha, onde casou com Guiomar Nunes Velha Cabral. E a seus descendentes, além das armas dos Velhos, pertencem as dos Lobos e Cabrais, como têm em seu brasão, que são o escudo esquartelado, ao primeiro, dos Lobos, que trazem o campo de prata e cinco lobos pretos em aspa, armados de vermelho; e ao segundo, dos Cabrais, que são o campo de prata e duas cabras de preto, com cabelo; e assim os contrários; elmo de prata aberto, guarnido de ouro, paquife de prata e vermelho e prata e preto, e por timbre um dos lobos das armas; e por diferença uma muleta de azul e nela uma estrela de ouro.
Sebastião Velho Cabral, filho legítimo de Gonçalo Velho e de Margarida Afonso, e neto de Álvaro Velho, irmão que foi de outro Gonçalo Velho, Capitão desta ilha de S. Miguel e Santa Maria e comendador de Almourol, e bisneto de Fernão Velho e de Maria Álvares Cabral, e sobrinho de Rui Velho, comendador do dito castelo de Almourol, foi casado com Francisca Fernandes, filha de Maria Gonçalves, a Ama; houve de sua mulher a João Cabral e a Gaspar Cabral e outro filho que se foi fora da ilha, e duas filhas, Maria Cabral e Ana Cabral. O João Cabral casou com Margarida Alvres, filha de João Alvres do Olho, de que houve um filho, chamado Jerónimo Cabral, que mora na Ribeira Grande, e é agora alcaide nela, casou em Portugal com Escota de Moura, mulher nobre, sobrinha de Mem da Mota, Capitão que foi da Mina e na Índia muitos anos, o que estava por Capitão na torre de Setúvel , quando veio o Duque de Alva sobre ela. Gaspar Cabral casou com Ana Luís, em Portugal, de que não teve filhos. A primeira filha de Sebastião Velho Cabral, chamada Maria Cabral, casou com Baltazar Tavares, grande cavaleiro, de que houve um filho, chamado João Cabral, que casou na Ribeira Grande com Catarina Jorge, filha de Jorge Gonçalves, cavaleiro, onde vive. A segunda filha de Sebastião Velho, Ana Cabral, não casou. Houve também Baltasar Tavares, de sua mulher Maria Cabral, duas filhas: a primeira, Isabel Tavares, casou com João do Monte, de que tem muitos filhos e filhas; a segunda, Leonor Cabral, casou com Simão de Paiva, filho de Álvaro Dorta, de que não tem filhos.
Maria Gonçalves, mulher nobre, chamada Ama, porque criou o Capitão Manuel da Câmara, veio a esta terra, em que teve dadas e herdades e trouxe primeiro as silvas à Ponta Delgada; foi casada com Fernão Gonçalves, o Amo, homem nobre, irmão de João Gonçalves, da Várzea dos Fenais, termo da cidade, de que houve três filhos, Gaspar Galvão e João Galvão e Luís Galvão e três filhas, sc., Francisca Fernandes, que casou com Sebastião Velho Cabral, acima dito, e outra chamada Brázia Galvoa, que casou com Mendo de Vasconcelos, de que houve filhos, Francisco de Mendonça e Duarte de Mendonça, os quais na Índia morreram em uma batalha contra os imigos, defendendo um ao outro, e outros filhos que por todos eram dezanove. E outra filha houve Fernão Gonçalves, Bartolesa Galvoa, que casou com Afonso de Matos, Francisco de Mendonça casou nas Feiteiras com D. Breatiz Camela, filha de Pero Afonso Colombreiro, de que houve uma filha, chamada D. Lianor, casada com António Pereira, filho de Diogo Pereira, que foi ouvidor nesta ilha. Duarte de Mendonça casou a primeira vez com Branca Velha, filha de João Velho Cabral, de que não houve filhos, e segunda vez com D. Catarina de Medeiros, filha de António Camelo e de Maria de Medeiros, sua mulher, e neta de Rafael de Medeiros e de D. Maria, sua mulher, de que tem uma filha, chamada D. Ana; e casou terceira vez com D. Guiomar, filha de Simão de Teves, filho de Pero de Teves, e de Breatiz Gil, mulher do dito Simão de Teves.
Martim Vaz de Bulhão, generoso homem, nobre, prudente, e grandioso, foi criado de el-Rei, do hábito de Cristo e vedor e contador da fazenda do mesmo Rei, em todas as Ilhas dos Açores, servindo estes cargos mais de cinquenta anos. Casou em Portugal, dentro, no castelo de Almourol, com Isabel Botelha, sobrinha de Rui Velho, comendador de Almourol, de quem houve um filho, chamado Manuel de Melo, que teve nesta ilha, no lugar da Relva, termo da cidade da Ponta Delgada, fazenda que lhe rendia, em cada um ano, passante de cem moios de trigo, o qual casou em Alcácer do Sal, com Antónia de Bulhão, filha dum fidalgo a que não soube o nome, da qual houve uma filha, por nome Filipa de Melo, segunda mulher de Lopo Cabral de Melo, e outra filha, chamada Isabel de Melo, que morreu solteira, e um filho, chamado João de Melo, fidalgo de muita prudência e virtude, do hábito de Cristo, que casou com Maria d’Arruda da Costa, filha de Francisco d’Arruda da Costa e de sua mulher Francisca de Viveiros, e outros que faleceram meninos. Teve mais Martim Vaz, contador, de Isabel Botelha, sua mulher, uma filha chamada Joana Botelha, que foi casada com Simão Roiz Rebelo, criado de el-Rei, fidalgo de sua casa, de que tem brasão, dos Rebelos, que são fidalgos de cota de armas, porque era filho legítimo de Luís Roiz, cavaleiro da casa de el-Rei D. João, e de Breatiz Rebela, que foi neta de João Roiz Rebelo, que foi do tronco desta geração e fidalgo honrado, cujas armas são um escudo com o campo azul e três faixas de ouro, e, em cada uma, uma flor de liz vermelha, postas em banda, e por diferença uma brica de prata; elmo de prata aberto, guarnido de ouro, paquife de ouro e de azul, e por timbre duas flores de liz de vermelho. Da qual Isabel Botelha, sua mulher, houve estes filhos: o primeiro, Luís Rebelo, grande latino e poeta, que casou com Marqueza Gonçalves Pimentel, filha de Domingos Afonso Pimentel, do lugar do Rosto de Cão, e de sua mulher Breatiz Cabeceiras, filha de Gonçalo Vaz Carreiro e de Isabel Cabeceiras, de que houve um filho, chamado Manuel Rebelo, clérigo de grande habilidade, e uma filha Maria de S. Francisco, freira professa no mosteiro de Santo André da cidade da Ponta Delgada. Casou o dito Luís Rebelo, segunda vez, com Isabel Castanha, filha de João Fernandes, de Santa Clara, e de sua mulher Maria Roiz Badilha, filha de João Roiz Badilha e de Catarina Pires, de que tem alguns filhos. Teve mais Simão Roiz Rebelo um filho, chamado António Rebelo que, estando ordenado de ordens sacras, faleceu em Lisboa. Procedem os Rebelos de França, porque um grande cavaleiro francês, fazendo uma grande sorte, disseram dele uns fidalgos: — “Belo é o francês!”, respondeu el-Rei: — “Belo e Rebelo!”, o que lhe ficou o apelido.
Houve também Martim Vaz Bulhão, contador, de sua mulher Isabel Botelha, uma filha, por nome Filipa de Melo, que casou com Bartolomeu Godinho Machado, criado de el-Rei, cavaleiro, fidalgo de sua casa, de que tinha seu brasão de seu filhamento; de quem houve um filho, chamado Francisco de Melo, que casou com Breatiz da Costa filha de Manuel do Porto e de Breatiz da Costa, sua mulher, de que houve uma filha, que faleceu menina. Houve mais Bartolomeu Godinho uma filha, por nome Isabel Botelha, que casou com João Lopes, filho de João Lopes, dos Mosteiros, que foi meirinho do Capitão muitos anos, nesta ilha de S. Miguel, de que houve um filho que faleceu menino; e outro chamado Bartolomeu Botelho, que casou com Catarina de Nabais , filha de João Serrão e de sua mulher Lianor Lopes, de que houve filhos e filhas.
Teve também o dito Martim Vaz, contador, uma filha, chamada Maria Travassos, que casou com Garcia Roiz Camelo, viúvo, sobrinho de Fernão Camelo, pai de Pero Camelo e de Henrique Camelo e de Manuel Camelo, que todos foram fidalgos, escritos nos livros de el-Rei; de quem houve estes filhos, sc., Isabel Botelha, que casou com Rui Gago da Câmara, fidalgo, parente dos Capitães desta ilha, de que houve filhos e filhas, que direi quando tratar da progénia dos Gagos; e outra filha, chamada Jerónima de Melo, que casou com Roque Gonçalves Caiado, filho de Francisco Dias Caiado, dos nobres e principais desta ilha, e de sua mulher Marqueza Gonçalves, de que houve um filho, que se chama Francisco de Melo, casado com uma filha de João Fernandes e de sua mulher Catarina de Crasto; e outro filho, chamado Brás de Melo, que casou com Breatiz da Silva; e outros filhos e filhas, ainda moços. Teve Garcia Roiz Camelo um filho, chamado João Botelho de Melo, que casou com Inês de Oliveira, filha de Fernão d’Afonso, tabelião na cidade, e de sua mulher Caterina Manuel, de que houve uma filha, freira no mosteiro de Santo André, da mesma cidade, chamada Breatiz do Espírito Santo, e duas solteiras. Teve Garcia Roiz outro filho, chamado Francisco de Melo, solteiro, que se foi desta ilha à guerra de Granada e daí para as Índias de Castela. Houve também outra filha, chamada Maria de Melo, freira no mosteiro de Jesus, da vila da Ribeira Grande, onde reside, e dantes abadessa no mosteiro de Santo André, da cidade, que agora se chama Maria da Trindade; e outros filhos e filhas, que faleceram moços. Da primeira mulher de Garcia Roiz Camelo, e dos filhos que teve dela, direi quando disser da geração dos Camelos. Casou terceira vez Garcia Roiz Camelo com Margarida Gil, filha de Gil Afonso, da vila da Lagoa, de que não houve filhos.
Desta maneira sobredita, não somente são os Velhos, principalmente Lopo Cabral e a mulher de Jorge Nunes Botelho, e seus irmãos e descendentes, parentes do Capitão da ilha de Santa Maria, mas também liados com os Lobos e Rezendes, segundo tenho dito, e com os Botelhos, como em parte já disse e adiante direi, e com os Pereiras, porque um sobrinho de seu bisavô, por nome Fernão Roiz Pereira, foi veador da Duqueza de Bragança, cuja neta era D. Caterina, cujos foram os paços da Ribeirinha, da vila da Ribeira Grande, desta ilha de S.
Miguel, mãe de Rui Pereira, o qual tinha de moradia, cada mês, três mil e vinte reis, e teve nesta ilha, no termo da dita vila, cento e vinte moios de renda em cada um ano, do morgado que lhe ficou de seu pai. São também parentes dos Silveiras, pois Manuel da Silveira, senhor da Terena, e Diogo da Silveira, seu irmão, que foi capitão-mor do mar na Índia, são seus sobrinhos, filhos de D. Caterina, sua prima, segunda mulher de Martim Silveira, pai dos sobreditos; e com os Cunhas, já que outra sua prima foi casada com Nuno da Cunha, que foi viso-Rei da Índia. Têm também liança com os Mirandas do Reino, pois Pero de Miranda, dayão da Sé de Évora, e seu irmão Diogo de Miranda, são seus sobrinhos no mesmo grau dos acima ditos, por serem filhos de D. Cecília, sua prima, mulher que foi de Francisco de Miranda, fidalgo dos principais destes Reinos. Têm também liança com os Figueiredos, pois João Soares de Albergaria, segundo Capitão da ilha de Santa Maria e sobrinho de Gonçalo Velho, primeiro Capitão destas ilhas, descendia dos Figueiredos, como tenho dito, quando tratei de seu princípio deles, falando na ilha de Santa Maria. Além dos mais apelidos que têm e lhe pertencem de Velhos, Soares, Travassos, Cabrais e Melos. E todos os de Portugal e desta ilha são de grandes espíritos e viveram e vivem sempre à lei da nobreza, abastados com cavalos de estado, e criados e escravos de seu serviço. Têm os Velhos seu brasão autêntico de sua nobreza e fidalguia da cota de armas e solar conhecido, e por armas um escudo de campo vermelho e cinco vieiras de ouro em aspa, sc., uma no meio, as outras nos cantos, e algumas têm uma estrela branca em um quadrado preto por divisa; e outros têm outras divisas diferentes; não tem elmo, nem paquife, nem timbre, de que não pude saber a razão, se não se é por naquele tempo antigo não se costumar pôr nas armas, que no escudo com sua insígnia se punham, prezando-se trazer as outras nos ombros, antes que nos brasões; e depois pelo tempo em diante se costumaram pôr neles os mais sinais de honra, como em outros seus brasões achei, que tem elmo de prata aberto, guarnido de ouro, paquife de ouro e vermelho, e prata e púrpura, e por timbre um chapéu pardo com uma vieira de ouro na borda da volta .
Dizem alguns que mandando Gonçalo Velho, comendador de Almourol, vir três sobrinhos — Pero Velho, Nuno Velho e Lopo Velho — para estas ilhas, de que era Capitão, foram os três sobrinhos com tormenta ter à ilha da Madeira; sendo Lopo Velho pela terra dentro e alevantando-se o navio, em que vieram à ilha de Santa Maria o Pero Velho e Nuno Velho, ficou ele na ilha da Madeira; e, vendo-se sem despesa, foi ajudar a trabalhar em um engenho de açúcar, no qual soltando-se um espeque deu com ele em uma parede e lhe quebrou os braços e pernas e ficou maltratado da cabeça, pelo que, depois de curado na casa de Misericórdia da dita ilha da Madeira, e ficando aleijado, se casou aí. E depois o mandou Pero Velho, seu irmão, primo ou parente em outro grau, ou, como outros afirmam, irmão, filho natural do pai do dito Pero Velho, vir de lá com sua mulher, e o teve em sua casa, junto de Nossa Senhora dos Remédios onde vivia, e daí o aposentou na vila da Ribeira Grande, na rua das Pedras, onde teve muitas moradas de casas suas, e alguns filhos, sc., João Lopes, e Afonso Lopes e Gião Lopes, e filhas Caterina Lopes e outras, a que não soube o nome. João Lopes houve de sua mulher um filho, chamado António Lopes Travassos, que casou na vila da Ribeira Grande com Simoa Gonçalves, filha de Gonçalo Pires e de Margarida Gonçalves, de que tem filhos e filhas.
Caterina Lopes, irmã de João Lopes e tia de António Lopes Travassos, casou com Pero Dias, da Achada, homem muito rico e honrado, de que teve muitos filhos e filhas; um deles, chamado Miguel Dias, é bom sacerdote e beneficiado na freguesia de Nossa Senhora de Estrela, da vila da Ribeira Grande; e uma filha, irmã de Miguel Dias, chamada Catarina Dias, foi casada com Sebastião Pires Paiva, homem nobre, rico e abastado, da governança da dita vila, de que teve alguns filhos e filhas.