Como realizar uma Quarentena

Você ou um ente querido tem febre leve, dores no corpo, o início de uma tosse seca e irritante. A comida não tem gosto nem cheira como antes. Talvez sinte falta de ar ou custa respirar...

Cozer feijões velhos

feijãoQuando guardados há muito tempo (anos mesmo) ou simplesmente mal acondicionados, os feijões podem demorar tempo a mais a cozer. Mas há soluções.

A menos aconselhável é a adição de...

A Tinturaria Vegetal em Alguma Ilhas dos Açores


Carreiro da Costa, 1957

tinturariaRemonta aos primeiros decénios de vida insular, a prática dos vários processos de tinturaria caseira, servida por elementos vegetais. Tais processos encontram-se...

Cores das Ilhas

Tudo leva a crer que esta paleta de cores começou a ser formada com a visita do escritor Raul Brandão, que esteve nos Açores em 1924 e foi atribuindo a cada ilha uma determinada cor (ou...

A Amoreira e a Sericultura

 

Carreiro da Costa, 1945

De entre os problemas económicos em equação no arquipélago dos Açores, o da sericicultura é dos que mais tem apaixonado aqueles que, no decorrer dos tempos, vêm...

Agave (Babosa)

Piteira, Babosa, Agave, Agave americana L.

agaveÉ uma planta muito disseminada nos jardins de algumas ilhas. Não sabemos se o  “Agave azul” (e a sua parente “Marginata”, com folhas às riscas...

Alguns Estudos Científicos sobre Agricultura Açoriana

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Departamento de Ciências Agrárias

http://repositorio.uac.pt/handle/10400.3/3

 

A influência da paisagem, dos factores ambientais e taxa de infestação na densidade na...

Segundo afirmam antigos, estando o Infante D. Henrique no cabo de S. Vicente, tratando do descobrimento destas ilhas dos Açores, veio ali ter com ele, não sei por que causa, um sobrinho de el-Rei de Fez, bem acompanhado, ao qual o Infante recebendo honradamente, com seu exemplo e doutrina persuadiu que se tornasse cristão e, baptisando-se, foi seu padrinho Gonçalo Velho, comendador de Almourol, do qual tomou o sobrenome, chamando-se Jorge Velho; o qual casou depois com Áfricanes que alguns dizem ser filha de um Manuel Afonso, que a trouxera de África, onde estivera por fronteiro e por isso lhe pusera por nome África, ainda que outros dizem não ser este o seu nome da pia. E outros dizem outas coisas, que direi aqui todas, para que cada um julgue o que melhor lhe parecer. Como tenho dito, quando tratei da ilha de Santa Maria, com o primeiro capitão Gonçalo Velho, comendador de Almourol, no princípio logo quando esta ilha de S. Miguel foi achada, antre os primeiros que a povoaram, veio ter a ela, desembarcando na Povoação Velha, um Jorge Velho, bom cavaleiro de África, da casa do Infante D. Henrique, por seu mandado a deitar gado nela e outros dizem que então veio também Gonçalo Vaz, o Grande, e à ilha de Santa Maria um Gonçalo Anes, de Semandessa, de Portugal, homem de nobre geração, donde dizem que se absentou por afrontar um prelado, e trouxe consigo uma filha muito formosa, discreta e grave, de pouca idade, chamada Áfricannes, porque, morrendo-lhe todos os filhos que havia o dito Gonçaloeannes lhe disseram que, ao primeiro que lhe nascesse, pusesse nome estranho, que ninguém lhe tivesse, e nascendo-lhe esta filha lhe pôs nome África, que depois se chamou Áfricannes tomando o sobrenome do pai.
O qual, ou por falecer, ou por se absentar por um desastre da morte de um homem, deixou a dita sua filha encarregada ao Capitão Frei Gonçalo Velho, seu grande amigo, em cuja companhia viera do Regno, o qual Capitão a casou com Jorge Velho, acima dito, que também com ele havia vindo, do qual houve uma filha, chamada Inês Afonso, que viveu na ilha de Santa Maria e casou com Jorge da Fonte, bom cavaleiro, de que houve os filhos Álvaro da Fonte, e João da Fonte , que gastou toda sua fazenda no descobrimento da Ilha Nova, sem a poder achar, e Adão da Fonte e outros filhos cavaleiros, deles da ordem de Cristo e deles da ordem de Santiago, todos muito nobres e honrados. E da ilha de Santa Maria trouxe a esta de S. Miguel, onde tinha sua fazenda, o dito Jorge Velho sua mulher Áfricannes, de que houve três filhos: João Jorge, Pero Jorge e Fernão Jorge.
O primeiro filho, João Jorge, foi morador na Água do Pau, e casou a primeira vez na mesma vila de Água do Pau com Catarina Martins, natural de Beja, da qual houve estes filhos, sc., Bartolomeu Jorge, que foi a África e lá se armou cavaleiro à custa de seu pai, com armas e cavalo, e em uma saída, que fizeram aos mouros, de cansado do trabalho das armas, se lhe alvoraçou o sangue e abafou, e foi enterrado em uma igreja de Jesus, acompanhado do capitão e de todos os fidalgos cavaleiros.
Teve mais João Jorge o segundo filho, chamado Fernão Jorge, que casou na vila de Água do Pau com Isabel Vieira, filha de Pedro Vieira, de que houve quatro filhos: Bertolameu Jorge, que morreu na Índia, e Sebastião Vieira, que mora na Água do Pau, e Manuel e Amador, defuntos solteiros; e uma filha, chamada Catarina Vieira, que foi casada com Domingos Nunes, de que ficaram alguns filhos.
Teve mais João Jorge desta primeira mulher Catarina Martins, três filhas: a primeira, Inês Jorge, que foi casada com Fernão Gil Jaques, fidalgo, natural de Lagos, do qual houve um filho por nome Gil Jaques, que casou com uma filha de Soeiro da Costa, de Lagos, tio de Rui Gago da Câmara, primo co-irmão de sua avó, chamada Branca Afonso.
A segunda filha de João Jorge se chamava Violante Jorge, que casou com Rui Vaz Baleato, morador na cidade da Ponta Delgada, do qual houve um filho, por nome Amador Roiz, que casou com uma fuã Paes, irmã da mulher de Pero Velho, filho de João Álvares do Olho; houve mais Rui Vaz de sua mulher três filhas: a primeira, chamada Isabel Roiz, que foi casada com André Travassos, filho de João Álvares do Olho, de que houve um filho chamado João Travassos, que casou nos Mosteiros, e uma filha, chamada Violante Velha, também casada nos Mosteiros; a segunda filha de Rui Vaz, a que não soube o nome, casou com Bartolomeu Afonso Cadimo, filho de João Afonso Cadimo, morador na cidade da Ponta Delgada, na Calheta; a terceira filha de Rui Vaz, chamada Francisca, faleceu solteira, de peste, na dita cidade da Ponta Delgada.
A terceira filha de João Jorge se chamava Isabel Jorge e casou com Vasco Vicente Raposo, natural da Raposeira, do Algarve, do qual houve seis filhos e quatro filhas. O primeiro filho, chamado Adão Vaz, foi clérigo de missa, dos primeiros que cantaram missa nesta ilha, e beneficiado na vila de Água do Pau. O segundo, Roque Vaz, que casou na mesma vila com Helena Fernandes, filha de Álvaro Fernandes, da qual houve um filho, chamado Francisco Vaz, e duas filhas, uma por nome Maria Roques, que faleceu casada e deixou filhos e filhas; e a outra, segunda filha, faleceu criança. O terceiro filho de Vasco Vicente e de Isabel Jorge se chamava Vicente Vaz, que casou com Antónia Gonçalves, na vila da Lagoa, de que houve dois filhos, Gaspar e António, que foram para as Índias de Castela. O quarto filho de Vasco Vicente e de Isabel Jorge, por nome Sebastião Vaz, casou com Margarida Coelho, na vila de Água do Pau, de que houve quatro filhos e três filhas. O quinto filho de Vasco Vicente e de sua mulher Isabel Jorge se chamava Manuel Vaz, clérigo e beneficiado na vila da Ribeira Grande. O sexto, por nome Joanne, faleceu moço. A primeira filha de Vasco Vicente e de Isabel Jorge se chamava Eva Vaz, que faleceu no tempo do dilúvio da Vila Franca, na vila de Água do Pau, sendo ainda solteira, porque com o terramoto caiu o quadrado de uma casa e a cortou cerce pelo meio. A segunda filha se chama Caterina Vaz, que casou com João Cabral, dos Remédios, filho de Estevão Travassos e de Violante Gonçalves, do qual houve cinco filhos: António Cabral, casado com uma filha de Rodrigo Álvares, da Bretanha, e tem filhos e filhas; Adão Vaz, que faleceu solteiro; e Francisco Travassos, que casou com uma filha de Tomé Lopes, de que tem filhos e filhas; João Cabral e Manuel Velho, solteiros. Houve mais João Cabral, de sua mulher Caterina Vaz, cinco filhas: a primeira, Simoa Cabral, casou com Belchior Tavares, no lugar de Rabo de Peixe, filho de João Tavares, de que tem filhos e filhas, e uma filha casada com Manuel de Puga, primo do Licenciado Bertolameu de Frias; a segunda filha, por nome Roqueza Cabral, casou com Lucas Afonso, filho de Braz Afonso da Praia, e de Branca do Monte, de que tem filhos e filhas; a terceira, chamada Briolanja Cabral, casou com Manuel de Viveiros, filho de Custódio Afonso e de sua mulher, moradores em Rosto de Cão, de que tem um filho e uma filha; a quarta e quinta filhas estão ainda solteiras.
A terceira filha de Vasco Vicente e de Isabel Jorge, chamada Maria Vaz, foi casada com Braz Gonçalves, na Lagoa, de que houve três filhos e uma filha, casados todos na vila da Lagoa; eles e ela têm filhos e filhas. A sexta filha de Vasco Vicente é casada com Manuel Martins, escrivão dos cativos em toda esta ilha, do qual houve dois filhos e quatro filhas, e tem um casado e outro solteiro; e duas filhas casadas e duas por casar.
Casou o dito João Jorge, a segunda vez, com Breatiz Vicente, natural do Algarve, da qual houve três filhos: Roque Jorge, que casou com Maria Afonso, filha de Pedro Anes Preto, de que houve um filho, por nome Roque; o segundo, chamado João Jorge, que casou com Mor de Sequeira, filha de Afonso Fernandes de Sequeira e de sua mulher, de que houve dois filhos, António e Cosme, que faleceram, e uma filha, chamada Caterina de Sequeira, que casou com Salvador Dias, morador na vila da Lagoa. O terceiro filho de João Jorge e de Breatiz Vicente, sua mulher, se chama João Jorge, o Moço, que casou com Iseu da Costa, de que tem dois filhos casados e duas filhas casadas, e uma filha freira no mosteiro de Santo André, na cidade da Ponta Delgada. Houve mais João Jorge, da segunda mulher Breatiz Vicente, quatro filhas: a primeira, por nome Margarida Jorge, foi casada com Francisco Soares, amo do Capitão Rui Gonçalves da Câmara, pai de Manuel da Câmara, da qual teve um filho, chamado Diogo Soares, que se foi desta ilha, sem mais se saber dele.
A segunda filha de João Jorge e de Breatiz Vicente, chamada Maria Jorge, foi casada com Gaspar Pires, cavaleiro, filho de Pedro Anes Preto, fidalgo, e de Caterina Luís, sua mulher; houve dela dois filhos: Manuel e Francisco, que faleceram moços, e três filhas, uma, chamada Margarida Henriques, casada com Amador Coelho, de que houve uma filha, que faleceu moça, e um filho, bom clérigo, chamado Manuel Coelho, beneficiado na vila de Água do Pau, e outros três filhos, Pero Coelho e Rui Coelho, casados, e João Coelho, solteiro. A segunda filha de Gaspar Pires e de sua mulher Maria Jorge se chama Catarina Luís, que casou com Miguel Lopes de Araújo, filho de Lopeanes e de sua mulher Guiomar Roiz de Medeiros, do qual houve três filhos e duas filhas; um deles, chamado António de Araújo, que é agora vigairo na vila de Água do Pau; e outro solteiro, chamado Manuel de Medeiros; e outro filho, Francisco de Araújo, que casou em Portugal, que ora é escrivão da Câmara e do público e judicial, em Vila Franca, e duas filhas, uma chamada Ana de Medeiros, que casou com Gaspar Dias, honrado e muito rico mercador , de que tem três filhos e uma filha; a outra filha, chamada Maria de Medeiros, casou com Manuel Rebelo, filho de Baltazar Rebelo e de sua mulher Guiomar Borges. A terceira filha de Gaspar Pires se chama Hierónima Luís, que casou com António Darja , natural da ilha da Madeira, filho de Simão Darja, do qual tem filhos e filhas.
Houve mais João Jorge, de sua mulher Breatiz Vicente, a terceira filha, por nome Francisca Jorge, que casou com Mateus Dias, homem mui honrado e rico, do qual houve um filho, chamado Manuel Dias, que foi casado com uma filha de António Fernandes Furtado, do Faial, de que houve filhos e filhas; e outro filho segundo, chamado João Dias, que foi casado primeira vez com uma filha de Belchior Vaz Fagundes, de que houve filhos e filhas, e agora é casado segunda vez na Maia.
A quarta filha de João Jorge e de Breatiz Vicente, sua mulher, se chamava Joana Jorge, que foi casada com Francisco Corrêa de Sousa, escrivão da Câmara que foi na vila da Lagoa, da qual houve três filhos: Henrique Corrêa, e Jorge Corrêa e Francisco Corrêa, todos casados na Alagoa e uma filha, chamada Maria Corrêa de Sousa, casada na Água do Pau, com Rui Gonçalves, filho de Hierónimo Gonçalves e de sua mulher, moradores que foram na Vila Franca, de que tem filhos e filhas.
O segundo irmão de João Jorge se chamava Pero Jorge. Casou na cidade da Ponta Delgada com uma filha de Gonçalo Anes e de Caterina Afonso, naturais da cidade do Porto, irmão de João Roiz, o Velho , pai de Belchior Roiz, escrivão da Câmara que foi na cidade, e irmão da mulher de João Fernandes Alcalá, de que houve dois filhos: o primeiro, chamado Gaspar Jorge, faleceu solteiro em Portugal; o segundo, por nome Hierónimo Jorge, que casou com Breatiz de Viveiros, filha de Gaspar Viveiros e de sua mulher, da qual houve quatro filhos: o primeiro, Pero Jorge que faleceu em Lisboa; Frei Hierónimo, da ordem de São Domingos, religioso de muita virtude, bom letrado e pregador; e o terceiro, chamado Gaspar de Viveiros, casado com Maria Baldaia, filha de Belchior Baldaia, que tem agora o morgado de seu avô Pero Jorge e é administrador de sua capela; o quarto, António Jorge que casou em Portugal e faleceu sem filho nem filha. Houve mais Hierónimo Jorge, de sua mulher Breatiz de Viveiros, cinco filhas: a primeira, chamada Maria Hierónima, que foi casada com Manuel do Rego, de que houve dois filhos, Gonçalo do Rego, que casou primeira vez no Nordeste, e a segunda vez com uma filha de João Roiz dos Alqueires, de que tem alguns filhos; e o segundo filho de Manuel do Rego, que casou com Hierónima de Sousa, filha de Nuno de Sousa e de sua primeira mulher Caterina de Moura, de que tem filhos; houve mais Manuel do Rego quatro filhas, freiras no mosteiro da Esperança da cidade da Ponta Delgada, e outra casou com Luís de Chaves, de que tem filhos e filhas.
Houve mais Herónimo Jorge de sua mulher Breatiz de Viveiros, a segunda filha, chamada D. Luzia, que casou com Rui Gonçalves da Câmara, fidalgo, filho de Henrique de Betancor e de D. Simoa, sua mulher, de que tem filhos e filhas, algumas freiras no mosteiro de Jesus da vila da Ribeira Grande. Houve mais Herónimo Jorge, da dita sua mulher, três filhas, que duas são solteiras e uma casada com António da Costa, filho de João Vaz, da Achada.
Houve também Pero Jorge, de sua mulher, duas filhas, uma chamada Caterina Jorge, que casou com Pero Gonçalves Carreiro, de que houve um filho chamado Diogo Vaz Carreiro, que casou com Beatriz Rodrigues, filha de Garcia Roiz Camelo e de sua mulher Leonor Soeira, de que não teve filhos, e fez o mosteiro de Santo André da cidade da Ponta Delgada, para ele recolher suas parentes pobres, com doação de setenta moios, dele e de sua mulher, de renda cada ano, de que agora é padroeiro o licenciado António de Frias, seu sobrinho.
A segunda filha de Pero Jorge e de sua mulher se chama Breatiz Jorge, que foi casada com Gaspar Camelo Pereira, filho de Fernão Camelo, morador que foi nas Feiteiras, de que houve Pero Camelo, juiz dos órfãos na cidade da Ponta Delgada, casado com D. Iria, e Leonor Camela, mulher de Álvaro Martins, memposteiro-mor dos cativos, e outras que adiante direi na geração dos Camelos. E D. Jerónima , mulher de Jorge Furtado, do hábito de Cristo, com vinte mil reis de tença, que agora tem seu filho Martim de Sousa.
O terceiro irmão de João Jorge e de Pero Jorge se chamava Fernão Jorge, mui esforçado cavaleiro, o qual foi desta ilha ao Regno com um navio carregado de cevada para seus gastos e trouxe de Lisboa o alvará de vila ao lugar da Ponta Delgada, e depois tractava em Cabo Verde, e faleceu solteiro, estando em Lisboa muito rico, tendo em vida sua principal morada na ilha da Madeira, na cidade do Funchal, donde vinha algumas vezes a esta ilha a ver seus parentes e irmãos, João Jorge que morava na vila da Lagoa, e Pero Jorge na cidade da Ponta Delgada, que eram as vilas onde tinham grossas fazendas e viviam todos ricos e poderosos, pelo que foram servir a el-Rei em África, com outros seus parentes, à sua própria custa. Donde tornaram todos armados cavaleiros, senão um Bertolameu Jorge, filho de João Jorge, homem grande, bem disposto, valente e tão extremado cavaleiro que, correndo à carreira, apanhava as laranjas do chão, o qual lá mataram os mouros em um recontro, que com eles teve em África.