Como realizar uma Quarentena

Você ou um ente querido tem febre leve, dores no corpo, o início de uma tosse seca e irritante. A comida não tem gosto nem cheira como antes. Talvez sinte falta de ar ou custa respirar...

Cozer feijões velhos

feijãoQuando guardados há muito tempo (anos mesmo) ou simplesmente mal acondicionados, os feijões podem demorar tempo a mais a cozer. Mas há soluções.

A menos aconselhável é a adição de...

A Tinturaria Vegetal em Alguma Ilhas dos Açores


Carreiro da Costa, 1957

tinturariaRemonta aos primeiros decénios de vida insular, a prática dos vários processos de tinturaria caseira, servida por elementos vegetais. Tais processos encontram-se...

Cores das Ilhas

Tudo leva a crer que esta paleta de cores começou a ser formada com a visita do escritor Raul Brandão, que esteve nos Açores em 1924 e foi atribuindo a cada ilha uma determinada cor (ou...

A Amoreira e a Sericultura

 

Carreiro da Costa, 1945

De entre os problemas económicos em equação no arquipélago dos Açores, o da sericicultura é dos que mais tem apaixonado aqueles que, no decorrer dos tempos, vêm...

Agave (Babosa)

Piteira, Babosa, Agave, Agave americana L.

agaveÉ uma planta muito disseminada nos jardins de algumas ilhas. Não sabemos se o  “Agave azul” (e a sua parente “Marginata”, com folhas às riscas...

Alguns Estudos Científicos sobre Agricultura Açoriana

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Departamento de Ciências Agrárias

http://repositorio.uac.pt/handle/10400.3/3

 

A influência da paisagem, dos factores ambientais e taxa de infestação na densidade na...

João d’Albernaz, fidalgo, veio da ilha do Faial, viúvo, com dois filhos e duas filhas: o primeiro filho, chamado, como seu pai, João d’Albernaz, faleceu no Cabo Verde, solteiro; o segundo, Sebastião Albernaz, casou nesta ilha com uma filha de Rodrigo Anes, o Bago, de Santo António, de que não teve filhos. A primeira filha de João d’Albernaz, chamada Inês d’Albernaz, casou primeiro com Diogo Fernandes da Costa, de que houve um filho, chamado, como seu pai, Diogo Fernandes da Costa, o qual tem doze filhos, cinco machos e sete fêmeas: o primeiro, António da Costa, casou nos Fenais com uma filha de Diogo Afonso Serpa; os outros ainda solteiros; uma das filhas, chamada Inês da Costa, é casada com Manuel Vaz, filho de Domingos Vaz, da Maia; outra, Helena Pereira, casou com Sebastião da Costa, filho de Pero Barriga, da vila d’Água do Pau; as outras são ainda solteiras. Inês d’Albernaz, que viuvou de Diogo Fernandes da Costa, tornou a casar com Duarte Pires, da Lomba da Ribeira Grande, de que houve um filho chamado Duarte Pires Furtado, bom cavaleiro, que casou com Paulina Tavares, filha de João Fernandes e de Maria Barradas, e uma filha que casou com Manuel Garcia, chamada Isabel Furtada, e que tem sete filhos.
Outra filha de João d’Albernaz, chamada Isabel Furtada, casou com Luiz Fernandes da Costa, de que houve filhos, afora os falecidos, um, chamado João Homem da Costa, que casou no Nordeste com uma filha de Pero Manuel e tem três filhos de pouca idade e quatro filhas; outro filho de Isabel Furtada, chamado Clemente Furtado, casou três vezes: a primeira, com uma filha de Manuel Vieira, dos Fenais da Maia, de que tem um filho chamado Manuel Furtado; a segunda, com uma filha de Sebastião Barriga, d’Água do Pau; a terceira vez, casou com uma filha de André Martins, da Ribeira Grande, sem haver filhos d’estas duas, como já disse na geração dos Costas. Outro filho de Isabel Furtada, chamado Sebastião da Costa, é casado com uma filha de João Luiz, da Maia, de que tem três filhos e duas filhas.
Tem mais esta Isabel Furtada, filha de João d’Albernaz e mulher de Luiz Fernandes da Costa, duas filhas, Maria da Costa, casada com Estêvão Pires, filho de Duarte Pires, da Lomba, de que tem dois filhos, António da Costa e Inês Fernandes da Costa; a outra filha de Isabel Furtada, chamada Catarina da Costa, casou com João de Medeiros, em Vila Franca, de que tem uma filha, chamada Maria da Costa.
João d’Albernaz, depois que veio viúvo do Faial, casou na vila da Ribeira Grande com Guiomar Fernandes, mulher que fora de Vultão Vaz, e dela houve a Martim d’Albernaz, que casou com Isabel do Monte, de que teve sete filhos: alguns faleceram e dos vivos, um, chamado Francisco Albernaz, casou com uma filha de Fernão Carneiro e de Ana Fernandes, moradores nos Mosteiros; outro, Antão d’Albernaz, casou com Maria Gonçalves, filha de Pedro Afonso; e duas filhas, uma que faleceu solteira, chamada Hierónima Albernaz, e outra, Inês d’Albernaz, que casou com mestre António, de que tem um filho.
Houve mais Guiomar Fernandes, de João d’Albernaz, quatro filhas, três que faleceram solteiras, e a outra, chamada Aldonça d’Albernaz que casou com Amador de Sousa, de que houve uma filha, por nome Aldonça d’Albernaz.
Têm os Albernazes em seu brasão um escudo partido em quatro partes: a primeira azul e uma árvore de sete pontas de prata, e a outra parte de prata, a árvore azul, assim de sete pontas; e isso mesmo os outros cambados, com sua diferença, com um quadrângulo preto na ponta de cima do escudo, da banda esquerda a quem o vê.
João de Piamonte veio a esta ilha mercador, com mercadoria, com sua mulher Lianor Dias, natural do Algarve, de gente honrada, de que houve filhos: João do Monte, Gaspar do Monte, Amador do Monte, Ambrósio do Monte e Bonifácio do Monte, todos homens esforçados, e muito cavaleiros, e foram à África; e o Amador do Monte, mais que todos, porque fez lá muitas sortes e na Índia, e faleceu solteiro. João do Monte casou na Lagoa com uma mulher nobre, de que houve Simão do Monte e outro, Sebastião de Oliveira, e filhas que faleceram. Gaspar do Monte casou com uma irmã de Duarte Pires, da Lomba, de que houve filhos: Gaspar do Monte, Baltasar do Monte, vigairo que foi de Santo António e depois da Fajã, termo da cidade, e João do Monte, e quatro filhas, sc., Isabel do Monte, mulher de Martim d’Albernaz, e Susana do Monte que foi casada com Pedro Anes, e Breatiz do Monte, casada com Diogo de Morim, e Guiomar do Monte, casada com Francisco Soares, de que tem alguns filhos — Belchior Soares que casou com Guiomar Correia, filha de Sebastião Alvres e de sua mulher Joana Martins, filha de João d’Aveiro, escrivão dos órfãos na vila da Ribeira Grande, e outros filhos e filhas solteiros; João do Monte casou com Isabel Tavares, de que tem muitos filhos: o mais velho, Gaspar do Monte, casou com Inês Fogaça, e uma filha, chamada Francisca Tavares, casou com Gaspar Leão, filho de Manuel Gonçalves Leão, da vila d’Água do Pau, como disse na progénia dos Rochas e Machados.
Vieram a esta ilha dois irmãos, de Guimarães, António Mendes Pereira e João Mendes Pereira, filhos de Fernão Mendes, netos de Afonso Mendes, da casa do Infante, arcebispo de Braga, irmão d’el-Rei; o qual Afonso Mendes serviu a el-Rei nas guerras de Castela, muito bem, pelo que lhe fez mercê de juiz dos órfãos de Unhão, de Guimarães. Seu neto, António Mendes, veio a esta ilha no ano de mil e quinhentos e dezoito, onde casou com Isabel Fernandes, filha de Francisco Fernandes, castelhano, de que houve dez filhos. O primeiro, João Mendes, letrado agraduado, primeiro em leis e depois em cânones e em teologia, que faleceu em Salamanca, homem de grande virtude, o qual, sendo dantes muito lustroso no mundo, deu tal volta, enjeitando tudo, que foi depois mais humilde de quantos eu tenho visto e exemplo de todas as virtudes; e, sendo sacerdote de missa, faleceu dia de Natal, antes de a dizer, o mesmo dia que tinha determinado de a cantar. O segundo, Pero Mendes, bom sacerdote e cantor, o mais velho beneficiado na igreja de S. Sebastião, da cidade da Ponta Delgada. O terceiro, Francisco Mendes Pereira, criado d’el-Rei, cavaleiro fidalgo nos seus livros, e contador que foi de Sua Majestade nesta ilha de S. Miguel e Santa Maria, homem discreto e prudente e de magnífica condição, o qual casou com Isabel da Gama, moça da câmara da Rainha D. Catarina, da geração dos Gamas e dos Velhos, de Portugal. Os Gamas são naturais de Olivença e procedem da geração do conde da Feira. O primeiro chefe deles era um homem principal de Olivença, o qual sonhando uma noite que achava um tesouro em Castela, na ponte de Badajoz, e um castelhano, de Castela, sonhava que achava uma gama, que é uma pedra de mó de moer azeitonas, cheia de grande tesouro; indo o português a buscar o seu a Castela, se encontrou na ponte de Badajoz com o castelhano e praticando ambos, descobrindo cada um seu sonho, dizendo o castelhano que sonhara que em Olivença achava uma gama cheia de tesouro, lhe respondeu o português: — não creiaes em sonhos que são abusão, que também eu sonhei que achava outro tesouro em vossa terra; e tornando-se cada um para onde moravam, o português buscou a gama em sua terra e a trouxe pouco a pouco em tombos, de noite, com um mouro, seu escravo, a sua casa; e abrindo-a, achou tão grande tesouro de ouro e prata e pedras preciosas, que ficando-lhe a maior parte e fazendo serviço da menor a el-Rei, o fez fidalgo de sua casa e foi o princípio dos Gamas que no Reino têm grande nome e grandes cargos. E desta progénia, e primo de Isabel da Gama, é o doctor António da Gama, grande jurisconsulto, afamado por suas obras e escritos, que agora é desembargador do paço. E não tem filhos.
O quarto filho de António Mendes, chamado António Mendes Pereira, casou com Breatiz Cabeceiras, neta de João Afonso, do Faial, e de Domingos Afonso. O quinto, Fernão Mendes Pereira, que casou com Hierónima Fernandes, filha de Pedro Anes Freire, de que tem alguns filhos. O sexto, Hierónimo Mendes Pereira, ainda solteiro.
Teve mais António Mendes Pereira três filhas: a primeira, Maria Mendes, casou com João d’Arruda da Costa, de que tem filhos e filhas; a segunda, Violante Mendes, casou com Manuel Favela da Costa, de que tem filhos e filhas; a terceira, Catarina Mendes, casada com o Capitão Alexandre, de que não tem filhos.
João Mendes Pereira, irmão de António Mendes Pereira, casou com Guiomar Botelha de Macedo, bisneta do Capitão do Faial, de que houve os filhos já ditos na geração de Gonçalo Vaz, o Grande. Têm os Mendes Pereiras por armas, em seu brasão, um escudo com campo vermelho e uma cruz de prata florida e vazia; elmo de prata, guarnecido de ouro; paquife de prata e vermelho; por timbre duas asas de anjos, de ouro, e entre elas uma cruz vermelha, e por diferença, um cardo de ouro, florido de azul.
Houve na vila do Nordeste um João Soares, nobre e rico, de grande casa. Foi casado com D. Filipa, natural do Reino, e segunda vez com D. Joana Galvoa, também do Reino, do qual não ficaram filhos; ficou sua fazenda e um morgado, que agora tem Francisco da Costa Homem.
Estevão Chainho, nobre e rico, foi dos primeiros que regeram a vila do Nordeste; de quem ficou Gaspar Chainho e agora António Chainho e Estêvão Chainho, seus netos, e outros deste apelido.
João Gonçalves, da Ponta, chamado assim por ter sua morada junto de uma ponta que está sobre o porto da vila do Nordeste, veio do Reino e foi dos nobres e regedores da dita vila; de quem ficou Francisco Gonçalves, seu filho, e Brás Gonçalves, seu neto, e João Gonçalves, seu bisneto.
João Afonso, antigo e rico, foi dos primeiros que povoaram e regeram a vila do Nordeste; de quem ficaram filhos, Pedro Afonso Gordo, Jorge Afonso, António Afonso, cavaleiro do hábito de Santiago, todos cidadãos de Vila Franca, e destes ficaram filhos que agora regem e governam, onde quer que vivem, como são João da Costa, Pedro Afonso da Costa, e Belchior Manuel, filho de Pedro Afonso Gordo; de António Afonso, ficaram João Afonso Correia, Manuel Dias Brandão, António Afonso Correia, que têm este apelido da mãe, filha de Diogo Dias Brandão, cavaleiro do hábito de Cristo; e outros netos.
Diogo Fernandes Salgueiro foi rico e nobre, de que ficaram filhos na mesma vila, Tristão Fernandes, Pedro Homem e João d’Arruda e alguns netos.
João Lourenço, o Velho, foi nobre e rico, na mesma vila, de que ficaram filhos e netos, João Lourenço, Domingos Lourenço, Jorge Lourenço e Pero Carvalho.
Houve na mesma vila Bernaldim Calvo, homem nobre, de quem ficou Pero Calvo, que ora é cidadão em Vila Franca.
Salvador Afonso, cavaleiro do hábito de Santiago, viveu na mesma vila e foi juiz dos órfãos, de ametade d’esta ilha; ficaram seus filhos, Manuel Afonso, Roque Afonso e alguns netos, cidadãos de Vila Franca.
Houve na mesma vila do Nordeste um João Pires, muito nobre e rico; teve filhos, Roque Pires e Gaspar Pires, e netos, Amador do Monte e Manuel do Monte.
Houve em Vila Franca Afonso Anes do Penedo, pai de João do Penedo, que depois viveu e faleceu na vila da Ribeira Grande; eram fidalgos; e este João do Penedo foi tio de Antão Pacheco, porque era irmão de sua mãe; o qual Antão Pacheco foi ouvidor do Capitão nesta ilha, e no tempo do dilúvio de Vila Franca, tendo o dito cargo, faleceu nela.
Diogo Preto, homem nobre, morou em Vila Franca e era escrivão de toda esta ilha; foi casado com Catarina de Olivença, fidalga, irmã de D. Filipa, mulher de João Soares, fidalgo, atrás dito. Este João Soares tinha uma irmã fidalga, chamada Maria da Costa, que foi mulher de Jorge Fernandes, e teve grande casa no Nordeste, onde pousou o Bispo D. Agostinho e pousava toda a gente honrada. Uma filha de Diogo Preto, chamada Maria Falcoa, foi casada com Diogo Coelho , irmão de Antão Pacheco e depois de viúva casou com António Lopes, da Relva, d’onde procede Manuel Botelho, genro de Joana Tavares, da Ribeira Grande.
Viveu em Vila Franca António de Freitas, escrivão de toda esta ilha, casado com uma filha de Manuel Domingues, de que teve um filho, chamado Gaspar de Freitas, que foi escrivão na Ponta Delgada.
Morava também na Vila Franca Afonso Rodrigues Cabêa, casado com Catarina Fernandes, irmã de António Pacheco; trouxe grande casa de Portugal e assim a teve nesta ilha seu irmão, Luiz Pires Cabêa, que casou na Ribeira Grande, com Filipa Tavares, filha de Fernão de Anes Tavares. Este Afonso Roiz Cabêa casou uma filha com Pero Rodrigues Raposo, irmão de Jácome Dias Correia.
No tempo do Capitão João Rodrigues, veio ter e morar na vila da Lagoa um homem nobre, castelhano, com sua mulher, a que não soube o nome, de que teve estes filhos, sc., Antão Rodrigues, Bartolomeu Rodrigues, do Pico da Pedra, cavaleiro da ordem de Santiago, Francisco Rodrigues Pajoulas, e filhas, a mulher que foi de Gil Afonso Faneca, morador na Lagoa , e Filipa Rodrigues, mãe de João Alvres Examinado, homem principal, discreto e rico, morador na Alagoa , e Catarina Rodrigues, que não casou.
Martim Gomes, morador na Alagoa, homem principal e rico, veio no mesmo tempo do Capitão João Roiz e D. Inês; teve de sua mulher estes filhos: o primeiro, Álvaro Martins, que foi amo do Capitão Rui Gonçalves, filho de João Rodrigues da Câmara, e uma filha chamada Inês Martins, que casou com Fernão Rodrigues, homem principal e rico, morador na vila da Alagoa, de que houve estes filhos, sc., Baltasar Rodrigues, Gaspar Rodrigues, João Rodrigues, Pero Rodrigues e Sebastião Rodrigues, e uma filha, que foi casada com Vasco de Medeiros, filho de Rui Vaz Medeiros, que fez uma capela na Ponta Garça, e outra na vila da Alagoa.
Viveu na Ribeira Grande Rui Garcia, homem honrado e rico, que veio do Landroal, junto de Vila Viçosa. Foi à África e lá se fez cavaleiro, quando foram os Tavares; teve muitos filhos e filhas, muito honrados, de sua mulher Catarina Dias, que veio de Portugal e deixou perto de um moio de terra no Morro ao Esprital da dita vila, que lhe rende, cada ano, cinco moios de trigo.
Viveu na mesma vila Pero Teixeira, muito nobre e rico, casado com Isabel Mascarenhas, fidalga; e Antão Teixeira, seu irmão, casado com uma mulher da casta dos Fanecas, e morta ela, casou com Branca Afonso, irmã de Brás Afonso, da Praia.
Morava também na vila da Ribeira Grande Luís Mendes Potas, homem principal, casado com uma filha de Gregório Rodrigues, chamada Clara Gregória, que veio da ilha da Madeira, gente honrada e que tem brasão.
Morou também na Ribeira Grande João d’Orta que veio de Besteiros, de Tondela, e teve um filho que chamavam Álvaro d’Orta, de que se chama a rua d’Álvaro d’Orta, por ele ser pessoa principal que morava nela; foi casado com Lianor de Paiva que veio do Porto com ele casada, de que tem um filho, chamado António de Paiva, beneficiado na vila do Nordeste, e outro chamado Simão de Paiva, casado com Lianor Cabral, filha de Baltasar Tavares, homem fidalgo.
O pai de Domingos Afonso, do lugar de Rosto de Cão, chamado João Lourenço, ou Pero Lourenço, veio de Portugal a esta ilha. Teve quatro filhos: o primeiro, Salvador Afonso, morador no Nordeste; o segundo, Domingos Afonso, morador no lugar de S. Roque e na cidade da Ponta Delgada, que foi almoxarife; o terceiro, João Lourenço, morador na cidade da Ponta Delgada; o quarto, Francisco Afonso, morador em Vila Franca; todos homens honrados e ricos e bem entendidos.
Afonso Ledo veio de Aljezur, do Algarve, que é arriba de Lagos, e dele procederam os Ledos: um que morreu, por cair de um cavalo, chamado Afonso Ledo, que foi pai de Sebastião Afonso Ledo, morador na Bretanha; o segundo filho de Afonso Ledo, o Velho, se chama João Ledo, morador em Santo António, onde morou seu pai. Teve mais Afonso Ledo, o Velho, algumas filhas, uma delas se chama Hierónima Leda, que casou com Martim Alvres, e outra que casou com Joanne Anes Panchina.
Estêvão Nogueira foi natural da ilha da Madeira, o qual era filho de João Senogueira, valenciano, natural da cidade de Segóvia, do Reino de Aragão, onde estão hoje em dia casados Senogueiras, por ser casa de morgado; e por um homízio que houve, por ajudar a matar o secretairo d’el-Rei D. Pedro, se veio ter à ilha da Madeira e aí se casou.
Estevão Nogueira, seu filho, casou em Lisboa com Guiomar Rodrigues de Montarroio, filha de Vasco Rodrigues de Montarroio, criado da Rainha D. Lianor e muito seu privado, de que houve um filho de grandes espíritos, chamado Bartolomeu Nogueira, que nasceu em Lisboa, com outro que nasceu primeiro na era de mil e quinhentos e vinte; foi baptizado na Sé. Seu pai era cavaleiro da casa d’el-Rei D. João III e ele é cavaleiro fidalgo da casa d’el-Rei D. Henrique e foi capitão de uma bandeira de infanteria na cidade da Ponta Delgada, dezanove anos, e andou por capitão de uma nau de el-Rei D. Sebastião, no ano de setenta e seis; passa de sessenta anos e não tem filho nem filha; tem os dentes todos sãos e tãos bons que corta um alfinete com eles, cada vez que quer, sem nenhum trabalho.
Veio Estêvão Nogueira, depois de viúvo, a esta ilha, onde morou primeiro em Vila Franca e depois se passou a Ponta Delgada, trazendo consigo este seu filho, Bartolomeu Nogueira, homem grave, discreto e prudente, e como tal foi eleito por procurador dos povos desta terra.
Partiu desta ilha aos negócios dela aos vinte de Março do ano de 1579, e aos vinte e oito do dito mês, às oito horas da manhã, estavam ancorados em Belém. Ao domingo, trinta do dito mês, às quatro horas, acabando el-Rei D. Henrique de cear nas casas de Manuel Soares, que estão acima dos Moinhos do Vento, em Lisboa, em alevantando a mesa, se assentou em giolhos e beijando-lhe a mão lhe disse: — Senhor, a mim me chamam Bartolomeu Nogueira e venho a Vossa Alteza, enviado pelas Câmaras e povos da ilha de S. Miguel, a coisas do serviço de Deus e de Vossa Alteza e bem dos povos da ilha. Ao que logo respondeu: — Mas antes estou informado que não vindes senão muito contra meu serviço e i-vos . Vendo ele que o não queria el-Rei ouvir, com muito silêncio tirou uma carta do peito, onde a levava, e beijando-a disse: — Senhor, esta carta me deu o corregedor da comarca que a desse na mão a Vossa Alteza, por ser de coisas que são do serviço de Deus e de Vossa Alteza. Respondeulhe : — Dai-a ao escrivão da comarca. Tornou a beijar a carta e metendo-a no peito se alevantou, fazendo duas mesuras de vagar com o giolho no chão e dizendo: — Senhor, o tempo descobrirá se venho em serviço de Vossa Alteza ou não; e saber-se-á a verdade da falsa informação que a Vossa Alteza foi dada. E saiu-se fora para a sala, onde lhe disse o meirinho do paço: — Ora viestes cá em forte hora. Ao que ele respondeu: — Foi ela forte pelas informações falsas de que Sua Alteza está cheia, mas o tempo descobrirá a verdade. E como ele disse isto algum tanto agastado, lhe tornou o meirinho em reposta que ele lhe não dissera o tal, senão por estar disso muito pesaroso e que assim o eram todos os que estavam presentes. E com isto se pôs a cavalo e se foi para casa, ficando todos louvando seu ânimo .
Ao primeiro dia de Abril, logo foi falar com D. Leão, padre da Companhia de Jesus e confessor de el-Rei, e com Jorge Serrão, também padre da Companhia e doctor na sagrada teologia, aos quais ambos deu conta do que passara com Sua Alteza e lhe mostrou os apontamentos que das Câmaras levava para requerer, e outras coisas particulares, relevantes e necessárias ao bem comum desta ilha, que lhes eles ouviram muito bem e louvaram todas, e o consolaram, prometendo-lhe que el-Rei o ouviria e mandaria fazer justiça.
Depois o ouviu el-Rei e mandou ter muita conta com ele, em maneira que alcançou justiça em os mais dos negócios que pôde tratar e requerer, no tempo que nisso gastou em Lisboa, desde treze de Março até vinte e quatro d’Octubro, que se foram as casas e el-Rei para Almeirim, onde também andou nos requerimentos desde vinte e seis d’Octubro de mil e quinhentos e setenta e nove até o derradeiro de Maio de mil e quinhentos e oitenta. Foi casado primeiro com Maria Manuel, filha de Pedro Afonso Barriga, da vila do Nordeste; depois casou com Margarida de Matos, filha de André da Ponte de Sousa, de Vila Franca, e de Isabel do Quental, filha de Fernão do Quental; e de nenhuma tem filhos.
Casou Estevão Nogueira segunda vez com uma mulher da geração dos Barbosas de que houve filhos, como já tenho dito.
Veio a esta ilha Jácome das Póvoas Privado, de nobre progénia, pai de António das Póvoas Privado, moradores na cidade da Ponta Delgada.
De João Privado nasceu Aldonça Rodrigues Privada e de Aldonça Rodrigues e Fernando Anes das Póvoas, moradores que foram na sua quinta de Real, termo de Barcelos, nasceu Rui das Póvoas, morador que foi na cidade do Porto, e dele nasceu Jácome das Póvoas Privado, pai de António das Póvoas Privado, casado na cidade da Ponta Delgada, que vive à lei da nobreza e tem as armas dos Privados que são as seguintes, de que tem seu brasão: — o escudo de ouro, com quatro barras vermelhas, lançantes, e uma flor de liz azul em cima, antre as pontas das duas barras vermelhas, que de cima começam; elmo de prata, guarnido de ouro; paquife de ouro e vermelho; e por timbre um grifo de vermelho, com o bico, asas e unhas de ouro.
Também veio a esta terra e viveu na vila da Ribeira Grande, Diogo Privado, filho de Violante Brandoa, filha de João Brandão e de Ana d’Armim, da geração dos Privados, Brandões e Coutinhos. E por vir de Vila Real por um homízio, mudou aqui o sobrenome, chamando-se Diogo Martins; teve muitos filhos nobres, moradores todos na vila da Ribeira Grande, como Duarte Privado, agora juiz dos órfãos na dita vila, e outros que sempre se trataram à lei da nobreza e têm as mesmas dos Privados.