Como realizar uma Quarentena

Você ou um ente querido tem febre leve, dores no corpo, o início de uma tosse seca e irritante. A comida não tem gosto nem cheira como antes. Talvez sinte falta de ar ou custa respirar...

Cozer feijões velhos

feijãoQuando guardados há muito tempo (anos mesmo) ou simplesmente mal acondicionados, os feijões podem demorar tempo a mais a cozer. Mas há soluções.

A menos aconselhável é a adição de...

A Tinturaria Vegetal em Alguma Ilhas dos Açores


Carreiro da Costa, 1957

tinturariaRemonta aos primeiros decénios de vida insular, a prática dos vários processos de tinturaria caseira, servida por elementos vegetais. Tais processos encontram-se...

Cores das Ilhas

Tudo leva a crer que esta paleta de cores começou a ser formada com a visita do escritor Raul Brandão, que esteve nos Açores em 1924 e foi atribuindo a cada ilha uma determinada cor (ou...

A Amoreira e a Sericultura

 

Carreiro da Costa, 1945

De entre os problemas económicos em equação no arquipélago dos Açores, o da sericicultura é dos que mais tem apaixonado aqueles que, no decorrer dos tempos, vêm...

Agave (Babosa)

Piteira, Babosa, Agave, Agave americana L.

agaveÉ uma planta muito disseminada nos jardins de algumas ilhas. Não sabemos se o  “Agave azul” (e a sua parente “Marginata”, com folhas às riscas...

Alguns Estudos Científicos sobre Agricultura Açoriana

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Departamento de Ciências Agrárias

http://repositorio.uac.pt/handle/10400.3/3

 

A influência da paisagem, dos factores ambientais e taxa de infestação na densidade na...

A nobre e populosa cidade da Ponta Delgada, tão célebre com generosos e poderosos moradores; tão rica, provida e abastada com diversos comércios e grossos tratos de mercadores riquíssimos; tão fortificada com fortaleza, baluartes e cubelos; tão acrescentada com custosos edifícios e casaria; tão religiosa com sumptuosos templos e mosteiros; tão visitada e acompanhada dos naturais da terra; quase sempre tão frequentada de navios e infinita gente forasteira, em todo o tempo — primeiro foi solitário ermo, saudoso lugar e pobre aldeia, e depois pequena vila, a que agora é grande, rica, forte e tão afamada cidade, quase furtando a bênção a Vila-Franca primaz e por ocultos juízos da Divina Providência herdando o seu morgado; e a que dantes era sujeita e sufraganha a outra vila é ao presente quase feita senhora, a que vão obedecer todas as vilas e lugares de toda esta ilha.
Assim são as vezes das coisas, que o discípulo vem a saber mais que seu mestre, e o criado vem a ser melhor que seu amo, o capitão senhor e o inferior superior; e quem antes obedecia vem a ser obedecido daquele que primeiro o mandava e temido de quem dantes o suprimia, como os irmãos de José no Egipto, porque Egipto e desterro é este mundo em que vivemos; egiptanos e vagabundos somos os filhos dos homens nele; hoje são uns Reis, amanhã se vêem vassalos: um dia são privados, outro logo desterrados; um tempo, empinados, venerados e estimados, outro tempo abatidos, anihilados e desprezados. Bom exemplo temos disto no que, Senhora, desta cidade irei contando.
Alguns anos depois do descobrimento e povoação desta ilha, era vila somente Vila–Franca do Campo e a cabeça de toda ela, sem haver outra, senão alguns lugares, como suas aldeias, em que havia juízes pedâneos e alcaides, e seus moradores eram obrigados a ir a ela todos os dias de festa principais, em que havia procissões solenes. E, como no lugar da Ponta Delgada moravam homens nobres e poderosos, onde tinham grossas fazendas e herdades de boas terras, que os Capitães desta ilha Ihes deram, sendo ricos e prósperos. não estavam muito contentes por os obrigarem a ir a Vila Franca muitas vezes, em diversos sucessos; alguns dos quais, a que pude saber os nomes, eram Nuno Gonçalves Botelho, pai de Jorge Nunes e Diogo Nunes Botelho; Fernão Gonçalves, o Matoso; Rui Lopes da Silva; Pero de Teves; Fernão do Quental; Francisco Dias Caiado; João da Castanheira; Pero Jorge; João Gonçalves, o Tangedor; Álvaro Pires, procurador; João Alvres do Olho; Fernão de Lima e outros muitos; — todos os quais, indo a Vila Franca pelas festas em que eram obrigados, foram uma em que deram uma tocha, para levar na procissão, a Pero Jorge, pai de Hierónimo Jorge, e pondo-se um Antão Pacheco, pai de Pero Pacheco, de Vila Franca, detrás dele com outra tocha, com ela, ou por descuido ou por malícia ou zombando, Ihe pingou um tabardo novo, que ele levava vestido, como então se costumava, ; e olhando o Pero Jorge para trás, vendo-se pingado, levando o capuz por cima da cabeça, arrancou logo sua espada contra quem Iho pingara, com que se armou um grande arruído, ajuntando-se, como em bandos de parte a parte, muita gente, onde houve alguns feridos e se desordenou a procissão. Pero Jorge e os da Ponta Delgada que eram da sua parte, por carregarem todos os de Vila Franca sobre eles, tiveram trabalho, indo-se recolhendo até ao porto, onde se recolheram em três barcos em que haviam ido; e chegados neles à sua freguesia se amotinaram e ajuntaram todos os moradores do lugar da Ponta Delgada, e se ajustaram antre si de não obedecer a Vila Franca e procurar fazer a Ponta Delgada vila, para o qual, fazendo sua petição, mandaram logo ao Reino, secretamente, a Fernão Jorge, ainda solteiro, irmão de Pero Jorge, ambos filhos de Jorge Velho e de Africanes, uns dizem que por via da Terceira, onde foi buscar embarcação, outros afirmam que desta ilha direito ao Regno, em uma caravela carregada de cevada, com pretexto de a ir vender a Lisboa. De qualquer modo que seja, ele foi dissimuladamente, sem se saber ao que ia, por terem jurado todos os deste acordo de o terem em segredo até serem providos, porque, além dos de Vila-Franca serem contra isso, também o era um corregedor, chamado o Maracote que então nesta ilha residia com alçada. Mas, soando- se e suspeitando- se este negócio, perguntou uma pessoa a Pero Jorge se era verdade o que se suspeitava, que já era partido um homem para o Regno; respondeu, assoprando na mão somente, como se dissera: — eu tenho juramento e não posso dizer que é ido; mas dava a entender, com o sopro na mão, que já o vento o levava pelo mar para esse feito que houve efeito, porque dali a um mês tornou o dito Fernão Jorge com a petição despachada a requerimento de tantos homens honrados e provisão de el-Rei, em que veio provido por vila o lugar da Ponta Delgada, mercê concedida por el-Rei D. Manuel na era de mil e quatrocentos e noventa e nove. E logo como chegou Fernão Jorge com este alvará, com grande segredo e pressa, foi chamado da Ribeira Grande, donde morava, Pero Roiz da Câmara, que então era logo-tenente do Capitão Rui Gonçalves da Câmara, seu irmão , que ao tal tempo era no Regno; e fez eleição e pelouros de oficiais da Câmara. Saíram no primeiro pelouro, por primeiros juízes, Nuno Gonçalves Botelho e João da Castanheira, sogro de Fernão do Quental, e por primeiro vereador, João Gonçalves, o Tangedor, assim chamado porque tangia bem viola, o qual era pai de Tareja Gonçalves, mulher de Francisco Dias Caiado; e por segundo vereador, Pedro Afonso Castelhano, sogro de Gaspar de Viveiros, chamado castelhano por ser casado com uma mulher castelhana; e por procurador do concelho, João Dias Caridade, pai de Pero Dias Caridade. O primeiro assento desta primeira eleição fez Pero de Teves, sem ser escrivão, senão por ser homem hábil e dos mais principais da terra. O que sabido pelos moradores da Vila-Franca, com muita pressa puseram embargos a ser Ponta Delgada vila, diante de Pero Roiz da Câmara, o qual Ihes respondeu não sabia que Ihes fizesse, porque os da Ponta Delgada andavam com suas varas alevantadas e já Ihes não podia valer. Dali por diante, sempre tiveram diferenças os da Ponta Delgada com os de Vila- Franca, como os da Alagoa com Água do Pau, em tanta maneira que uma vez foram os da Ponta Delgada pôr uma bandeira junto de Vila-Franca, com armas, tambor e mantimento; até os moços de ambas estas vilas antre si, quando se encontravam, tinham crua guerra. Rompendo-se depois o primeiro alvará de vila, que trouxe Fernão Jorge, por ser passado em papel, mandou o mesmo Rei D. Manuel passar outro em pergaminho, feito na vila de Abrantes, onde então estava, aos vinte e oito dias de Maio da era de mil e quinhentos e sete, com uma légua de termo ao redor, com que alargou e fez seu limite além da Relva, Feiteiras, Mosteiros, Santo António e Fanais, e depois se acrescentou a Candelária, S.
Sebastião e Bretanha, os quais lugares pelo tempo em diante se fizeram e são sufraganhos à mesma vila da Ponta Delgada, que el-Rei D. João III, do nome, fez cidade, de seu motu próprio, a dois dias do mês de Abril da era de mil e quinhentos e quarenta e seis, estando em Almeirim e Gaspar do Rego Baldaia na corte, que por esta mercê Ihe foi beijar a mão e de lá mandou o alvará no ano em que caíram a festa de Corpus Christi e a de S. João ambas em um dia.
Com a qual nova começaram os moradores da cidade negociar dali por diante a cavalo, em que pareciam bem pelas ruas e praças, e se fizeram muitas festas, agradecendo a el-Rei a mercê que Ihes fizera.
Esta cidade da Ponta Delgada é assim chamada por estar situada junto de uma ponta de pedra de biscouto, delgada e não grossa como outras da ilha, quase rasa com o mar, que depois, por se edificar mais perto dela uma ermida de Santa Clara, se chamou ponta de Santa Clara; antre a qual ponta e a da Galé se faz uma grande enseada, já dita, de compridão de três léguas. Tem um quarto de légua de comprido, e de largo, no meio do corpo dela, um bom tiro de escopeta; começa sua compridão na casa dos herdeiros do magnífico Baltasar Rebelo, da parte do oriente, e acaba em casa do esforçado e forçoso que foi Baltasar Roiz, de Santa Clara, ou ainda além, da banda do ponente; e, posto que no princípio e fim tenha só uma rua, pelo meio tem três, quatro, cinco e seis, atravessadas de norte a sul, em sua largura, com mais de dezasseis notáveis ruas, afora muitas azinhagas e becos e outras ruas menos principais e cursadas. Quase em todas elas há casas sumptuosas e ricas, sobradadas e muito altas, mas poucas de dois sobrados, e há paços, de fidalgos e homens poderosos, bem lavrados, afora os que agora começa o senhor Conde, quase no meio dela, e todas as casas tão fortes e edificadas com a melhor alvenaria que se pode achar em muitas partes, caiadas por dentro e por fora, que parecem fortalezas. Muitas das quais são tão notáveis e lustrosas que fora razão passar por elas, nem por seus donos, com silêncio; mas, por não causar fastio, com tantas particularidades, deixo as mais delas, somente fazendo menção das coisas mais notáveis que enobrecem esta cidade, na qual, afora duzentos e oitenta soldados da Fortaleza, há mil e quinhentos e sessenta e quatro fogos e cinco mil e quatrocentas e setenta e cinco almas de confissão, das quais são de comunhão quatro mil e duzentas e trinta e seis, em três igrejas paroquiais, que há nela. A primeira da parte do oriente, é a do Príncipe dos Apóstolos, S.
Pedro, que tem trezentos e trinta fogos e mil e cento e trinta almas de confissão, das quais são de comunhão oitocentas e oitenta e uma, cujo primeiro vigairo foi Estêvão Alvres Tenreiro; o segundo, Hector Tenreiro; o terceiro, João de Contreiras; o quarto, o ilustríssimo senhor licenciado Luís de Figueiredo, agora Bispo do Funchal; o quinto, Manuel Sanches, mestre em artes e bacharel formado em teologia; e beneficiados: o primeiro, Hector Tenreiro; o segundo, Pedro Anes; o terceiro, António Tenreiro; o quarto, Diogo Fernandes, capelão; o quinto, Fernão Gonçalves; o sexto, Francisco Fernandes; o sétimo, António Dias; o octavo, Gaspar Cansado; o nono, João de Bastos; o décimo, Francisco Rodrigues, transferido do Porto Formoso; o undécimo, Manuel Teixeira, transferido dos Fanais; o duodécimo, Cristóvão Francisco, transferido do Nordeste; o décimo tércio, Francisco Lopes; o décimo quarto, Lucas Gonçalves; o décimo quinto, Bartolomeu Cardoso; o décimo sexto, Pero de Matos; o décimo sétimo, Francisco da Cunha; e tem agora oito beneficiados. Lucas Gonçalves foi o primeiro cura nela; o segundo, António Gonçalves; o terceiro, o dito Lucas Gonçalves; o quarto, Diogo Domingues; o quinto Francisco Lopes, que também é beneficiado proprietário.
Está esta freguesia em um alto, junto do mar, onde se estão vendo da sua porta principal os navios ancorados e os que vêm à vela, e quase toda a cidade diante de si; com que é mui aprazível e muito mais será a nova que agora se ordena melhor, de naves, no mesmo lugar, cuja capela-mor se acabará cedo. Há nesta freguesia três ornadas ermidas: uma da Madre de Deus, que mandou fazer Diogo Afonso Columbreiro e fizeram fazer sua mulher Branca Roiz e sua filha Isabel Carneira, em um monte, de que descobre grande parte do mar e da terra; outra, pouco para o norte, de S. Gonçalo, ambas de muita romagem, e outra, de Nossa Senhora da Natividade, onde os pretos da cidade têm sua confraria. Pouco espaço adiante, para a parte do ocidente da sua Matriz, está a segunda freguesia em ordem, e primeira e mais principal em fábrica e edifícios e número de fregueses. É a igreja à advocação do mártir S. Sebastião, na praça da mesma cidade, defronte da casa da Câmara, junto do porto e alfândega, pelo que sempre é acompanhada e frequentada de muita gente, e poucas igrejas haverá em tão bom lugar situadas; é de bom grandor de naves e muito alta, com uma alta e graciosa torre do relógio, junto da capela-mor, da banda do norte, e outra fortíssima, ainda não acabada, para os sinos, pegada com a fronteira da porta principal, da parte do sul; com ricas capelas de uma e outra parte, antre as quais, no cruzeiro, da banda do mar, está ricamente feita e ornada a capela do Santíssimo Sacramento, com uma riquíssima confraria de ricos, devotos e curiosos confrades, que a têm provida de bons ornamentos e das mais ricas peças de toda a ilha; além das outras, que há na mesma igreja, todas bem providas e servidas. Sendo vereadores nesta cidade, quando era vila, Sebastião Barbosa da Silva e Gaspar de Viveiros, foi arrematada a obra de pedraria da dita igreja de S. Sebastião em um conto e trezentos e cinquenta mil reis, a um mestre Lupedo, que veio de Portugal, o qual recebeu logo cem mil reis a esta conta e foi buscar sua mulher ao Regno; e não querendo ela vir com ele, mandou de lá muita pedraria de mármore para os portais e peares, com um Afonso Fernandes, para trabalharem por ele, até tornar do Regno; mas, não podendo vir, por Ihe acontecer um desastre, na era de mil e quinhentos e trinta e três anos, a treze dias de Janeiro, sendo vereadores na dita vila da Ponta Delgada Álvaro Lopes, o Cavaleiro, morador em Santo António, e Manuel de Matos, filho de Fernão do Quental, e juízes ordinários, Amador da Costa e Gaspar Camelo Pereira, e procurador do concelho, Fernão Vaz Cabêa, e procuradores dos misteres, Afonseanes e Álvaro de Miranda, se tornou a abrir o lanço e fez-se arrematação a Estêvão da Ponte e a Afonso Machado, pelo sobredito preço. E Nicolau Fernandes, que era extremado oficial, e seu irmão André Fernandes lavraram a obra dos portais e peares; a obra de alvenaria, fizeram, Estêvão da Ponte e Brás da Ponte, seu irmão; e da carpintaria Diogo Dias e Pero Fernandes, da cidade, e Diogalvres, de Água do Pau, a que foi arrematada.
Um poço de água salobra que estava no adro da igreja pequena, que se fez junto da porta travessa da banda do norte, de que dantes, quando não tinham fonte, bebiam os moradores da Ponta Delgada, fazendo-se depois maior a igreja, como agora está, ficou dentro nela; de cuja água se servem para a regarem no Verão e para outras necessidades. A obra de madeira do retábulo da dita igreja, deu o provedor da fazenda de el-Rei, Duarte Borges de Gamboa, a fazer ao imaginário Francisco Teixeira, e a obra de pincel e de ouro ao pintor Fernão de Matos.
Há na dita freguesia de S. Sebastião mil e vinte e quatro fogos e almas de confissão três mil e quinhentas e setenta e nove, das quais são de comunhão duas mil e setecentas e quarenta.
O primeiro vigairo foi Diogueanes, que viveu muitos anos; o segundo foi Columbreiro, chamado Rodrigueanes Soeiro, pai de João Dias Soeiro e avô do licenciado Diogo Dias Soeiro; o terceiro, Pero Gago Bocarro também Columbreiro, filho de Luiz Gago, o qual teve a igreja muitos anos; o quarto, Sebastião Ferreira, bom sacerdote e grande cantor, que agora tem o dito cargo. Dos beneficiados nela, foi o primeiro, Rui Fernandes que faleceu de cem anos; o segundo, João Roiz, que também foi tesoureiro; o terceiro, Gaspar Roiz, mestre do padre Aleixo Roiz, da melhor voz contralta que houve nas ilhas; o quarto, João da Rua, irmão de João Dabelas, feitor; o quinto, Gomes Pires, natural de Guimarães; o sexto, António Lobo; o sétimo, Diogo de Paiva; o oitavo, Sebastião Ferreira; o nono, Simão Gonçalves; o décimo, João Roiz Machado; o undécimo, Pero Mendes Pereira; o duodécimo, Pedreanes Mago; o decimo tércio, João Soares da Costa; o décimo quarto, João Cordeiro; o décimo quinto, Manuel Gonçalves; o décimo sexto, Afonso da Senra; o décimo sétimo, Francisco Dias Caiado; o décimo octavo, Gaspar Carvalho; o décimo nono, Alvareanes Freire; o vigésimo, João de Betancor de Sá; o vigésimo primo, João Alvres; o vigésimo segundo, Miguel Dias Morim; o vigésimo tércio, Pero Roiz Sarmento; o vigésimo quarto, Manuel Pires de Lima; o vigésimo quinto, Roque Coelho Medeiros; o vigésimo sexto, Pero de Araújo, o Velho; o vigésimo sétimo, o licenciado Beraldo Leite de Sequeira, que foi ouvidor do eclesiástico em toda esta ilha; o vigésimo octavo, Bertolameu Cardoso; o vigésimo nono, Belchior Furtado, capelão de el-Rei e da Fortaleza; o trigésimo, André Barbosa. Tem ao presente dez beneficiados ordinários e um tesoureiro; agora o é o padre Manuel Fernandes, que sucedeu a outros. O primeiro cura foi João Soares da Costa, como coadjutor do vigairo, com a quarta parte das ofertas; o segundo, António Gonçalves, também coadjutor; o terceiro, Gaspar Marreiro, coadjutor; o quarto, Baltasar de Paiva, já primeiro cura, com ordenado de quinze mil reis; o quinto, Nicolau Domingues; o sexto, Manuel Teixeira; o sétimo, Alvareanes Freire; o oitavo, Luiz Cabral; o nono, Miguel Martins; o décimo, Manuel Pires de Lima; o undécimo, Francisco Dias Caiado; o duodécimo, Gaspar Manuel; o décimo tércio, Manuel Fernandes Pepino; o décimo quarto, Francisco de Araújo; e o décimo quinto, João de Gouveia, que ambos juntamente agora têm este cargo. O primeiro mestre da capela, com ordenado de el-Rei, foi Sebastião Ferreira; o segundo, Afonso de Goes, que agora tem este cargo, com tão boa capela, como se pode achar em uma sé de grosíssima renda.
Há nesta freguesia quatro ermidas anexas; a primeira de S. Brás, mudada de junto da fortaleza, a par da fonte; a segunda, das Chagas; a terceira, do Corpo Santo, dos mareantes, bem fabricada e provida; a quarta, da Trindade que o generoso fidalgo António de Sá mandou fazer, como oratório, dentro do circuito de suas casas.
A terceira freguesia, novamente feita, de Santa Clara, antes de ser acrescentada, tinha sessenta e dois fogos e almas de confissão duzentas e noventa e sete, das quais eram de comunhão duzentas e três. O primeiro vigairo foi o bacharel Ascêncio Gonçalves; o segundo, Francisco Fernandes, a quem o ilustríssimo Bispo D. Pedro de Castilho acrescentou os fregueses, que tirou de S. Sebastião, partindo a freguesia pela rua da Cruz; e tem agora duzentos e dez fogos e setecentas e sessenta e seis almas de confissão das quais são de sacramento seiscentas e quinze.
Teve o primeiro cura Rui Martins Furtado; o segundo, Gaspar Cansado, que ora serve em que tem anexa e apartada bom espaço uma ermida de Nossa Senhora da Piedade, que junto da sua quinta mandou antigamente edificar João Dias Caridade.
Há também nesta cidade um rico mosteiro da advocação de Nossa Senhora da Concepção, de boas oficinas e religiosos de boa vida e exemplo, da ordem de S. Francisco, onde ordinariamente residem quinze religiosos professos, dos quais são onze sacerdotes de missa, quatro leigos e seis noviços e dois serventes seculares.
Entre os quais sempre há alguns pregadores que têm o púlpito da cidade, por especial provisão dos Reis deste Regno, que além de com sua santa doctrina serem mestres das almas, com o seu conselho, favor e presença, foram sempre e são como pais da Pátria, e à porta do mosteiro dão cada dia suas esmolas a pobres. A qual também se enobrece e favorece com dois insignes mosteiros de religiosas de Santa Clara, todas mulheres de aprovada virtude, um da advocação de Nossa Senhora da Esperança, onde estão vinte e cinco religiosas de véu preto e cinco noviças, à obediência dos mesmos religiosos, o qual mandou fazer a Capitôa D. Filipa Coutinha, mulher do Capitão Rui Gonçalves da Câmara, segundo do nome, onde ambos têm sua sepultura , outro, da advocação de Santo André, à obediência do Bispo, que à sua custa mandou fazer e dotou Diogo Vaz Carreiro, e sua mulher Breatiz Camela, principalmente para suas parentas pobres, que sempre fossem vinte, e faltando uma se recebesse em seu lugar outra, qual seus administradores ordenassem, de que ao presente é padroeiro o licenciado António de Frias, casado com uma sobrinha da dita, Breatiz Roiz, onde agora residem vinte e seis freiras professas e cinco noviças.
Se estes mosteiros, no espiritual, ajudam muito as almas, com seus sacrifícios, orações, doctrina, conselho e exemplo, não menos é enobrecida e ajudada, no temporal, esta nobre cidade, com um Sprital e Casa de Misericórdia que junta tem, para que juntamente os irmãos da Casa remem ambos os remos, e ajudem e sirvam aos enfermos e sãos.
A Rainha D. Lianor, mulher que foi de el-Rei D. João, segundo do nome, e irmã de el-Rei D Manuel, foi uma muita virtuosa e católica cristã e não se contentando fazer, como fazia em sua vida, muitas e grandes esmolas a pobres, ordenou como também, depois de sua morte, fossem muitos pobres providos em suas necessidades, e para isso instituiu a insigne confraria da Misericórdia nestes Reinos, sendo ela Regente d’eles, no tempo que el-Rei D. Manuel, seu irmão, era ido a Castela com a Rainha, princesa D. Isabel, sua mulher, a fazerem- se jurar por Príncipes d’aqueles Reinos; para a qual confraria el- Rei D. Manuel deu de juro, cada ano, de esmola, um conto de reis para sustentação de órfãos, e quinhentos mil reis para outras obras-pias. Dali por diante, à imitação desta confraria, se instituíram outras e fundaram Casas de Misericórdia em muitas partes de Portugal e nestas ilhas, não havendo tais confrarias em nenhuma parte do mundo, nem em Castela, senão as que em Portugal então, de novo, se fundaram; e ainda que na cidade de Angra depois disto se fundou uma Casa de Misericórdia, onde se curam muitos enfermos e fazem muitas obras-pias, nesta cidade da Ponta Delgada está fundada esta Casa da Misericórdia, não tão rica de edifícios mortos, mas riquíssima de corações vivos e acesos em muita caridade, com que se servem e curam os enfermos, e agasalham e provêm os pobres nela, pelos irmãos da Casa, com tanta diligência, amor, fervor e cuidado, e sobretudo com grande despesa e gasto de suas próprias fazendas, que não duvido, senão que os bens que nela se fazem defendem esta terra dos graves castigos, que porventura por seus pecados merecem seus habitadores. E esta Casa de Misericórdia é bóia que sustenta em peso toda esta ilha, para que se não vá ao fundo; ainda que não tivesse outra coisa mais que esta Casa, esta é a maior nobreza das nobrezas e maior grandeza das grandezas, que enobrece esta nobre cidade da Ponta Delgada, e por ela fica enobrecida e engrandecida toda a ilha; e para ser mais nobre, agora se vai edificando uma sumptuosa e custosa igreja da advocação do Spirito Santo, por outra que tem, com uma capela de S. João Batista, ser muito pequena. Por os moradores desta cidade gastarem tão largo nesta Casa e, sendo senhores, se fazerem criados e escravos dos pobres dela, Ihe acrescem com esta misericórdia e humildade todos os bens a montes, e parece que Deus, agradecendo-lhe o que fazem, os está servindo a eles pelos proveitos que Ihe dá em suas novidades, granjearias e comércios, porque, além de Ihe frutificar bem a terra, a tem defensável com uma inexpugnável fortaleza, provida de mui grossa e furiosa artilharia, e de muitas munições de guerra, e dentro uma cisterna que leva mil e duzentas pipas, e ordinariamente tem mais de oitocentas de água boa e sã, por ser mui batida do ordinário que com um caldeirão cada dia tiram dela. Está situada esta Fortaleza sobre o porto principal, com outro porto e forte cais ao pé dela. Tem porto e alfândega, junto dele, que se mudou para ela depois de passada a subversão de Vila-Franca do Campo, onde então estava, em que há despacho das saídas das mercadorias da terra e das entradas das que vêm de fora; juiz do mar e contador; e residem os feitores e oficiais de el-Rei, e todas as justiças nela fazem seu principal assento, como são govenadores, corregedores, juízes de fora e ouvidores do Capitão; além de ser lustrosa e enobrecida com a presença dos Capitães da ilha, quando estão na terra.
O porto dela é de boa ancoragem e sempre frequentado de muitos navios, principalmente no Verão, que trazem muitas mercadorias de vários Regnos de fora e levam as da terra, além de outros que de diversas partes passam por ele, de caminho; e muito bom, com dois custosos e fortes cais, que servem de muro, e um deles de despejos de mercadorias com que se reparte em dois; e, para servir melhor, se quebrou debaixo de água uma pedra de rocha, que estava no meio dele, com que dantes perigavam os navios, ao entrar; vendo fazer isto, com gatos e grandes torquezes e tesouras de ferro, e com jangadas de pipas e madeira, disse um castelhano — que Ihe valesse Deus, pois até as pedras, debaixo do mar, não estavam seguras. E muito menos seguros se acham os ladrões, quando se vêem atados e justiçados no pelourinho, que está sobre o cais, defronte dele. Tem bom e espaçoso carregadouro, e ainda que é a costa brava, e não rio, não correm os navios perigo, se não se descuidam, porque, quando faz vento que para estar nele Ihes é contrário, com se fazerem à vela se asseguram.
Pela boca deste porto da cidade entram todas as mercadorias, de diversas partes de fora, para a alfândega, e dali correm e se repartem para todos os mais lugares; da qual, como de estômago, se provê todo o corpo da ilha. Saem, cada ano, por pelouros, três vereadores e um procurador do concelho que a governam com quatro procuradores dos misteres, para ajudarem a requerer as coisas que pertencem ao povo, e dois almotacés, cada três meses. O juiz de fora e o ouvidor servem por provisão, de três em três anos; têm escrivão e meirinho perpétuos, que agora são Pedro Homem e Vasco Caldeira, que de aução nova demandam perante seu ouvidor e se tratam seus casos e auções, ante ele, também de agravo. O juiz tem seu alcaide e serve de juiz dos resíduos em toda a ilha, em absência dos corregedores, e de corregedor na de Santa Maria. Havia juízes ordinários da terra, antes que os de fora viessem.
Há nesta cidade, na Relva, Fajã, Rosto de Cão e seus termos mais chegados, mil homens de armas, debaixo de quatro bandeiras. Os primeiros capitães das ordenanças foram João Velho Cabral, Pero Pacheco e Pedralvres Benevides; mas outros dizem que os primeiros foram Jorge Nunes Botelho, Mendo de Vasconcelos, Gaspar do Rego e Rui Velho; e depois foram Francisco de Arruda da Costa, João Roiz Camelo, Manuel Alvres, Bartolomeu Nogueira, Pero Castanho; Nuno Barbosa, João de Melo, João de Arruda da Costa, Gaspar de Teve Benevides e Gonçalo Tavares. E no lugar de Rosto de Cão é capitão Manuel da Costa, filho de Amador da Costa, e no lugar da Relva, João Roiz Ferreira.
Das quatro bandeiras que havia na cidade, cada uma de duzentos e cinquenta homens, fez o governador Ambrósio de Aguiar uma para a Fortaleza, de cem homens, de que era capitão Rui Vaz de Medeiros, e estas cinco bandeiras dividiu o governador Martim Afonso de Melo em sete, de que foram capitães os seguintes: João de Melo, capitão, teve duzentos homens; alferes, Francisco de Melo; e sargento, seu irmão Brás de Melo, ambos filhos de Roque Gonçalves Caiado.
Gaspar de Teves, capitão de duzentos homens; alferes, António Afonso; sargento, João Rebelo.
João de Arruda da Costa, capitão de cento e cinquenta homens; alferes, Manuel Pavão; e sargento, João Velho Cabral, neto de Rui Velho.
João Roiz Ferreira, capitão de cento e vinte homens; alferes, António Lopes Falcão; sargento, Afonso Gonçalves Ferreira, filho do dito capitão.
Brás Raposo, capitão de duzentos homens; alferes, Afonso de Goes; e sargento, Gaspar Camelo.
Gonçalo Tavares, capitão de cento e cinquenta homens; alferes, Ambrósio Nogueira; sargento, Pedro Furtado.
Rui Vaz de Medeiros, capitão de cem homens; alferes, Bento Dias; sargento, António Carvalho; segundo alferes, Manuel Serrão; e sargento, Fernão do Quental. O primeiro sargento-mor foi João Fernandes de Grades, que veio com o Capitão Manuel da Câmara, quando trouxe a artilharia a esta ilha; o segundo, Francisco de Osouro da Fonseca; o terceiro, Manuel Serrão, que serviu em sua absência; o quarto, Simão do Quental; o quinto, Manuel Correia, que agora tem este cargo. Aos alferes antigos não pude saber os nomes; depois direi os dos capitães, alferes e sargentos que ao presente há, assim na cidade, como em toda a ilha.
Há aí também, nesta cidade, um conselheiro, capitão do número, como mestre de campo, que veio a esta ilha com o Conde Capitão Rui Gonçalves da Câmara, por mandado e provisão de el-Rei, com seu ordenado, que pagam, como ao sargento-mor, as imposições da cidade e vilas, chamado Cristóvão de Crasto, homem de grande curiosidade e engenho, que agora reside na dita cidade.
Vivem nesta cidade muitos homens fidalgos, honrados e poderosos, de boas rendas de quarenta moios para baixo, muitos para cima, até chegar a trezentos moios, cada ano. Teve Gaspar do Rego Baldaia trezentos e sessenta e seis moios de renda, tantos moios quantos dias o ano tem, afora muita renda de foros e dinheiro; seu filho, o grão capitão Francisco do Rego de Sá teve o mesmo, mas pretendeu servir a el-Rei e tem condição larga, com que gastou muito em coisas que sucederam no mar, andando por capitão; fez os sessenta e seis moios pouco mais ou menos de foro sobre sua fazenda, e ainda Ihe ficam foros a ele e a sua mãe, D. Margarida de Sá, trezentos moios. Mas, como ele é largo de condição, não Ihe abasta todo o mundo. Muitos têm muitas rendas, além das granjearias de suas lavranças, de muito trigo e pastel, e foros e outras inteligências que têm alguns com mercadores, que passo agora com silêncio, porque de todos eles e dos da ilha toda farei adiante particular relação. Há nesta cidade uma fonte da melhor água de toda a ilha, e por tal julgada, ainda que nela se acham fontes e ribeiras de frescas águas, bebendo dantes água salobra de um poço que depois ficou dentro na igreja Matriz de S. Sebastião. Dantes se servia com algumas atafonas que antigamente o Capitão Rui Gonçalves, segundo do nome, mandou fazer, e outras que consentiam na mesma cidade; agora tem a serventia das moendas, trabalhosa e quase insofrível dos compridos caminhos até à Ribeira Grande e Água do Pau, onde estão os moinhos; mas é tão populosa cidade e de gente tão rica que com tudo pode, ainda que muito Ihe custa, e a tem cercada ao redor de muitas quintas e pomares, afora os frescos jardins que dentro em si tem. Nela há poucas carnes para tanta gente, pelo que a mais dela se mantém a maior parte do tempo com pescado, de que há, com muitos batéis de pescaria, grande abundância.
Tornando à costa dela adiante da entrada da cidade, depois da casa de Baltasar Rebelo, passadas algumas ruas, que vão da principal dar no mar, está um pequeno porto de cascalho , em o qual se lava roupa e se cortem carros novos, depois de ferrados; e junto está o poço de Duarte Borges de Gamboa que, sendo provedor da fazenda de el-Rei, ali mandou fazer, para se granar o pastel com água dele. Adiante está um torno de água, tão grosso como um braço, que se descobre com a maré vazia, e se suspeita ser fonte ou parte de alguma ribeira. Logo está uma ponta pequena ao mar, de penedia, à maneira de cais, abaixo da igreja paroquial de São Pedro, onde embarcam e desembarcam algumas pessoas para irem a outras partes da ilha e fora dela.
Mais adiante estão outras baías e calhetas pequenas, em que com maré vazia lavam roupa; e logo o porto da cidade , com dois cais de cantaria e suas escadas de serventia; e por um estar no meio do porto, faz de um dois, no de leste entram os navios, e no de loeste entram e vão batéis, e está o Pelourinho que disse; e para ambos entram por uma barra. Sobre o cais, da banda do levante está a alfândega com muitas oficinas e ameias, e, da banda da terra, está um peitoril, com sua porta, como muro, com suas bombardeiras, que aparta a praça da cidade de ambos os portos ou do porto dela; no primeiro dos quais, onde entram os navios, parece correr uma ribeira de água quase doce que ali com a salgada se mistura, ainda que por mais certo se tem ser água do mar que com a enchente se sume pela terra e com a vasante torna a sair dela, já menos salgada; e no segundo estava um chafariz grande como tanque, onde tomavam água os mareantes e lavavam roupa, procedido de outro que com a frescura das muitas bicas está ornando a Praça, o qual mandou fazer um Micer Bernardo.
Além está uma ponta de penedia rasa e delgada, de que tomou a cidade este nome; e logo a ermida do Corpo Santo, em que os mareantes têm sua rica confraria, e em outra ponta, defronte dos paços de António de Sá que foram de D. Fernando, antre ela e a Fortaleza, está outro porto de areia, que se fez com grandes gastos, e um cais de tão grande penedia de pedra ensossa, que quase cada uma custou, posta nele, como pedra preciosa, cinco, seis cruzados, fazendo um porto para por ele se servir a mesma Fortaleza, começando da porta direito a leste; no pé da qual esteve uma ermida do mártir São Brás, que já agora está mudada a outra parte, junto da Fonte; e dentro na Fortaleza, que está bem provida de furiosa e temerosa artilharia, está um grande poço de água salobra e uma cistema, que já disse, muito custosa, formosa e boa, e de muito artifício, que dentro ordenou fazer-se o insigne mestre de campo Agostinho Inhiguez, que nesta ilha governou a gente de guerra, que nela ficou para a conquista da ilha Terceira, que leva as mil e duzentas pipas de água, já ditas, que se toma dos telhados das casas que dentro tem; e fora dela outro poço. Além, pouco espaço da Fortaleza para loeste, está uma ponta que se chama a Ponta dos Algares, porque saem ali dois com suas bocas, por dentro dos quais se caminha grande caminho por baixo da terra, por cujo vão parece que correu ribeira de pedra de biscouto, em outro tempo, não sabido, nem visto.
Defronte da qual ponta está um baixo, antre o qual e a terra passam barcos, e logo está uma pequena baía de areia, defronte das casas do generoso e em tudo grandioso Francisco de Arruda da Costa, merecedor de grandes coisas, toda por sua indústria e com grande custo seu cercada de muro e cubelos, com sua porta para o mar, tudo muito defensável, e pegado com a porta, chamada de Santa Clara, por estar ali a igreja paroquial desta Santa, onde se acaba a principal costa da cidade, que ainda chega à outra ponta de Baltasar Roiz. Antre a qual ponta e a da Galé , fica a grande baía de três léguas de comprido; e pelo não ser mais que isto e não fazer um longo processo, deixo de contar as mais particularidades e grandezas que há nesta cidade. Finalmente nela está o corpo dos negócios, riquezas, habitações e comunicações de todo o trato e contratos de toda a ilha; e residem os mercadores mais ricos de mil, dois mil, três, até cento e duzentos mil cruzados de fazenda , que têm comércio em Portugal, Castela, ilha da Madeira, Canárias, Frandes e outras partidas; e se negoceiam os negócios desta ilha por um modo tão bom, chão e verdadeiro, que segundo nas partes estrangeiras não há nenhuma que de seu igual Ihe faça avantage.