Como realizar uma Quarentena

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Cozer feijões velhos

feijãoQuando guardados há muito tempo (anos mesmo) ou simplesmente mal acondicionados, os feijões podem demorar tempo a mais a cozer. Mas há soluções.

A menos aconselhável é a adição de...

A Tinturaria Vegetal em Alguma Ilhas dos Açores


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tinturariaRemonta aos primeiros decénios de vida insular, a prática dos vários processos de tinturaria caseira, servida por elementos vegetais. Tais processos encontram-se...

Cores das Ilhas

Tudo leva a crer que esta paleta de cores começou a ser formada com a visita do escritor Raul Brandão, que esteve nos Açores em 1924 e foi atribuindo a cada ilha uma determinada cor (ou...

A Amoreira e a Sericultura

 

Carreiro da Costa, 1945

De entre os problemas económicos em equação no arquipélago dos Açores, o da sericicultura é dos que mais tem apaixonado aqueles que, no decorrer dos tempos, vêm...

Agave (Babosa)

Piteira, Babosa, Agave, Agave americana L.

agaveÉ uma planta muito disseminada nos jardins de algumas ilhas. Não sabemos se o  “Agave azul” (e a sua parente “Marginata”, com folhas às riscas...

Alguns Estudos Científicos sobre Agricultura Açoriana

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Departamento de Ciências Agrárias

http://repositorio.uac.pt/handle/10400.3/3

 

A influência da paisagem, dos factores ambientais e taxa de infestação na densidade na...

Por mais que os homens inventem passatempos, como o do jogo das canas que tenho contado, se eles não são os que devem diante dos olhos de Deus, manda logo outro castigo do Céu, como foi a peste que veio a esta ilha de S. Miguel depois da subversão de Vila Franca e tremor de toda a ilha, que foi castigo da terra enviado pelo mesmo Deus; e assim, a peste, que sobreveio, comeu algum resíduo dos pecadores que ficaram do dito tremor e subversão, porque, como contam os antigos desta terra, no ano seguinte, logo depois dela, que foi o de mil e quinhentos e vinte e três, uma segunda-feira, andando um moço vaqueiro guardando gado na lomba chamada de João Soares, no termo da vila do Nordeste, em o lugar dela que está junto do mar, entre a dita vila e freguesia de S. Pedro, seu limite, Ihe apareceu uma mulher vestida de branco, dentro em umas cortinas, alçada do chão dois ou três palmos, a qual vendo ele, a adorou, parecendo-lhe ser Nossa Senhora. E ela, chamando-o, Ihe disse que fosse à vila do Nordeste e dissesse a quantos achasse que fossem ali ter à quarta-feira seguinte, onde se haviam de ajuntar sete cruzes, ; disse-lhe mais , que acharia uma bicha no caminho, que viria com a boca aberta a ele, mas que não houvesse medo, porque aquela era a bicha da peste que havia de vir à vila da Ponta Delgada, e se, estando esta gente junta, viesse alguma trovoada, cavassem daquela terra, em cima da qual ela tinha os pés, e a espalhassem por cima de todos e não houvessem medo; e que naquele lugar Ihe fizessem uma casa, que se chamasse Nossa Senhora do Pranto, porque ela rogava a seu filho irado pelo povo todo. Contava mais que Ihe mandara que trouxesse um cordão em que Ihe faria uns nós, para que rezasse por eles o seu rosairo; e, trazendo ele uns do Nordeste, ela Ihe dissera que não aqueles porque rezara por eles uma mulher pecadora; então, Ihe pediu um cordão que traria cingido, em que Ihe fez os nós por sua mão, dizendo-lhe que os desse a beijar a todas as pessoas. E tudo se cumpriu depois como ela disse. E foram juntas as sete cruzes de diversas partes, do Nordeste, da Maia, da Povoação Velha, da Chada Grande e de outras partes, com muita gente, que fizeram a igreja no mesmo lugar, da dita invocação de Nossa Senhora do Pranto, como ela mandou. A qual está hoje em dia ali e é de muita romagem, onde dizem que se fizeram já muitos milagres. E pelos tremores da terra que vieram depois, muito grandes, caindo outras muitas igrejas, ela sempre ficou em pé.
Logo no mesmo ano de mil e quinhentos e vinte e três, aos quatro dias do mês de Julho da dita era, deu a peste na vila da Ponta Delgada desta ilha de S. Miguel, em casa de um João Afonso Seco, de alcunha, que morava junto da igreja de S. Pedro, e dali se ateou na vila, onde durou oito anos, contando o tempo precisamente; mas, se contamos as eras, durou nove anos, tomando parte no ano de vinte e três, em que começou, e parte da era de trinta e um, em que cessou, que foi no mês de Maio, pouco mais ou menos.
E já na era de vinte e um se temia esta praga nesta ilha, por andar iscada em outras terras que tinham comércio com ela, principalmente na ilha da Madeira, donde se apegou aqui, de certa mercadoria que veio, dentro em uma caixa, ter a vila da Ponta Delgada, parece que na dita era de vinte e um, ficando seu dono da caixa na ilha da Madeira.
E vindo a esta ilha na era de vinte e três, no mês de Julho e abrindo a caixa, deu a peste na dita vila da Ponta Delgada, por mais guardas que tinham e posturas que faziam nas Câmaras das vilas, que não se recolhesse coisa impedida. Dando a peste na vila da Ponta Delgada, se acolheu muita gente dela para os lugares da Relva, Feiteiras, Fenais e outras partes de fora. E em toda esta ilha se guardavam da dita vila da Ponta Delgada e seus termos, porque nela morreu muita gente; e algumas vezes cessava e outras tornava a picar, pelo que diziam: já se acabou a peste, já tornou a peste.
No cabo de três anos, que desta maneira durou na vila da Ponta Delgada e seus limites, deu na vila da Ribeira Grande, na era de mil e quinhentos e vinte e seis, levando-a um João Afonso, por alcunha o Cabreiro, que morava sobre uma alagoa funda que fazia a ribeira que corta a vila, chamada o Paraíso, da banda do ponente, a qual se disse que levara em uma manta que Ihe deram em a vila da Ponta Delgada; e logo aquela noite deu o mal em uma negra sua que dormiu na manta, a qual enterrou ele sem ninguém o saber; e a noite seguinte do outro dia se foi a jogar com um Martim de Leão, correeiro, a casa de um João Gonçalves Fidalgo, por alcunha chamado da Serra de Água, porque tinha uma serra de água junto de sua casa. E logo na mesma noite deu a peste em dois filhos do dito João Gonçalves. Tornando Martim de Leão para sua casa, na mesma noite foram feridos de peste outros dois seus filhos, os quais todos quatro morreram daquele mal; pelo que os moradores foram queimar a casa de João Afonso Cabreiro. Dali se foi ateando tanto que dizem alguns que, de vinte do mês de Fevereiro até o mês de Março, morreram na dita vila cento e setenta pessoas. Outros dizem que foram feridas da peste noventa e quatro, das quais morreram sessenta e três e escaparam trinta e uma. Então despejaram a vila por mandado do Capitão Rui Gonçalves, e ficou Simão Lopes de Almeida, filho de Lopo das Cortes, por guarda-mor, o qual mandou destelhar todas as casas, por causa dos maus ares.
Esteve impedida a vila até vinte e oito de Julho de mil e quinhentos e vinte e sete, em que a desimpediu o licenciado Diogo de Vasconcelos, ouvidor do dito Capitão, indo a ela com os oficiais da Câmara e mais povo junto, mandando apregoar que se recolhesse toda a gente que estava espalhada na Ribeirinha e Ribeira do Salto e por outras partes. E não podendo entrar a gente nas casas, com o grande ervaçal, que se tinha criado nas ruas, de meloeiros, pepineiros, aboboreiras, malvas, milhãs, bredos e outras ervas, e também por causa dos ares maus, mandou o dito Simão Lopes de Almeida, guarda-mor, a todos os criadores que trouxessem os gados à vila para comerem, quebrarem e destruirem aquelas ervas tão crescidas, que o gado em muitos lugares andava com a barba no ar se não aparecia entre elas. Esta gente que se acolheu para a Ribeirinha fez um moinho na Ribeira do Salto; e os que se acolheram para a banda do ponente fizeram outro na Ribeira Seca, porque mandaram que não moessem os moinhos da vila, ainda que às escondidas moíam.
Passada a peste na vila da Ribeira Grande, não cessava na Ponta Delgada, pelo que o Capitão se mudou da vila da Lagoa, arreceando que se Ihe pegasse este mal, de lugar tão vizinho, e se foi morar à dita vila da Ribeira Grande, por pouco espaço de tempo; no cabo do qual, tornando-se para a vila da Lagoa, a morar em seus paços, que já tinha feitos e acabados, por haver ainda peste na Ponta Delgada, mandou pôr uma bandeira no lugar de Rosto de Cão, ao poço, defronte das casas de Jorge Nunes Botelho, tendo dantes outra posta junto da vila da Lagoa, perto do biscoito que está junto do porto dos Carneiros, que era a bandeira geral que sempre ali estava. E, vendo os da governança da vila da Ponta Delgada que os apertavam tanto com duas bandeiras, Pero de Teves e Fernão do Quintal e Gaspar do Rego Baldaia, que era então mancebo e grande cavaleiro, que, andando nas partes de além em África, fora pagem do Conde de Linhares e trouxera lá o seu guião, ajuntaram-se com outros homens da governança e misteres, tomando conselho o que sobre este caso fariam, por não poderem sofrer tanta sujeição, e tomando assento do que haviam de fazer, o dito Pero de Teves e Fernão do Quintal e Gaspar do Rego, oficiais da Câmara e outros homens principais, com o mais povo, ajuntaram até trezentos homens, entre espingardeiros e besteiros e homens de lanças, espadas, rodelas e alabardas, afora os de cavalo, que seriam vinte, todos os mais escolhidos e esforçados que acharam; os quais, partindo da Ponta Delgada, passaram a bandeira do lugar de Rosto de Cão, indo pela via do pico de João Ramos, caminho desviado do direito, para a vila da Alagoa, onde estava o Capitão e seu ouvidor, o licenciado Diogo de Vasconcelos, segundo letrado natural desta ilha, porque o primeiro foi Diogo Pereira, da vila da Alagoa. Indo assim esta gente junta, foram ter à quinta do Capitão, que se chama o Cavouco, que está sobre a dita vila, sem serem sentidos por não irem pelo caminho ordinairo, senão quando, descendo do Cavouco por uns picos abaixo, descobriram a vila, onde vendo-os uns homens que andavam lavrando, foram correndo dar a nova ao Capitão, o qual, pondo-se com seu ouvidor e outra muita gente de cavalo e de pé, se foi ao encontro; e achando os da Ponta Delgada arriba das suas casas, onde se chama o Vale da Senhora, que foi de D. Inês, sua mãe, chegando a eles, perguntou que queriam. Fernão do Quintal Ihe propôs a prática, dizendo que não era bem apertá-los e sogigá-los com duas bandeiras e dizendo mais adiante algumas razões. Acudiu Pero de Teves , dizendo: sabeis o que se passa, sr. Capitão, nós não somos mouros para nos pordes duas bandeiras; mandai cortar vossas posturas, senão tomarei esta gente toda que vem nesta companhia e romperei esse lugar, porque a mais honrada vila que tendes na vossa ilha é a Ponta Delgada e não nos haveis de tratar dessa maneira, com duas bandeiras, pois nós trabalhamos tanto para a desimpedir, abasta só uma bandeira como dantes. Disse então o ouvidor ao Capitão: Senhor, quereis que o prenda? Respondeu o Capitão: Tá, não façais tal, que aquele homem é como doido e, assim como o diz, o fará.
Vieram por fim assentar e concluir com boas palavras o que se podia e devia fazer, que era terem uma só bandeira, como dantes, junto do Porto dos Carneiros. Disse então Pero de Teves ao Capitão: — Senhor, isto é tarde e muito longe para nos tornarmos por onde viemos; mandai-nos abrir aqui caminho por cima destes sarrados , até a bandeira que está junto da vila, por fora dela. E assim o mandou fazer o Capitão, e por ali se foram e tornaram para a vila da Ponta Delgada, já tão tarde que quando chegaram à bandeira, fora da vila da Lagoa, era noite, e pelo escuro se recolheram para a Ponta Delgada, sendo isto no mês de Janeiro, estando as terras lavradas de camalhão para se semearem.
Neste tempo, havia nesta terra muitos mouros que trouxe o Capitão Rui Gonçalves da Câmara, quando veio de África, e os cavaleiros que com ele foram e vieram, e outros que trouxeram outras pessoas de Portugal. Valiam tão baratos por causa da fome que houve em África na era de mil e quinhentos e vinte e um anos, antes da subversão de Vila Franca, a treze de Dezembro , da qual fome morreu em África muita gente, muitos cavalos e muito gado; e, entre os mouros, os pais vendiam os filhos e davam cada um por duzentos réis, e muitos se vinham a Portugal a fazer cristãos por ter que comer, onde no Algarve davam um por uma ceira de figos ou por um alqueire de cevada; e não havia homem desta ilha que, indo lá, não comprasse um, dois, três, quatro, segundo a posse e fazenda que cada um para granjear e beneficiar tinha, por onde vieram a ser tantos nesta terra, por morrerem de fome nos campos, e nas praças e pelas ruas no campo da Duquela e em outras partes de África, principalmente no reino de Fez. E alguns vendiam mais barato do que tenho dito, porque se furtavam uns a outros, para se venderem. Os quais mouros, quando viram que no tempo do tremor passado morrera muita gente, assim em Vila Franca, como em toda a ilha, e vendo que também morriam muitas pessoas com a peste presente, dizem alguns que se amotinaram e determinaram juntos ir sobre a vila da Água do Pau e outras vilas, para matarem os moradores e ficarem em posse de tudo. E muitos andavam na Mediana, arriba da casa de um Fernão de Pinho , e matavam ali muito gado, e de noite e de dia com fogueiras cozinhavam, assando e cozendo algum dentro nas peles, postas em covas com o fogo ao redor, ou em cabaças, como atrás tenho contado que se usava nesta ilha, no tempo antigo. E estando ali, salteavam alguns que passavam, tomavam-lhe o pão, mantimentos e dinheiro que levavam. E, dali a alguns anos, correndo água e descarnando a terra em uma ribeira que está além de Nossa Senhora dos Remédios para a banda do oriente, se descobriu algum dinheiro em tostões e em outras moedas de prata, que diziam soterrarem ali os mouros no tempo que andavam amotinados.
E em outras partes da ilha salteavam os mouros os caminhantes, pelo que não ousavam os homens caminhar senão acompanhados e se guardavam e vigiavam nas vilas e lugares, de dia e de noite, com tão grande resguardo, que andando uma noite um asno em um canavial junto da vila da Água do Pau, ouvindo a gente a ramalhada das canas, acudiu ali com grande pressa, cuidando que eram mouros, e foi grande riso entre eles quando acharam o asno.
Alguns dizem que porque um moço os viu estar comendo na serra, como é costume de mouros e pastores, com esta nova que levou ao povoado, se temeu o povo deles.
Mas outros afirmam que eles, com ocasião do terramoto e peste, fizeram entre si consulta de se alevantarem contra seus senhores, fazendo seu capitão um mouro do Capitão Rui Gonçalves, que chamavam Badaíl; pelo que o Capitão mandou que todo o que tivesse mouro Ihe pusesse um ferro, peia ou grilhão no pé e que todos ferrolhassem e fechassem seus escravos cada dia, em anoitecendo, e, se algum se achasse sem isto, o pudessem matar; e a mesma licença deu com os que achassem desmandados.
Por esta razão, se ajuntaram alguns homens principais, bons cavaleiros desta ilha, como foram Antão Teixeira, que morava na Lomba da Ribeira Seca, Guterres Lopes, Lourenço Teixeira, Cristóvão Luís e Manuel Pinheiro, da vila da Água do Pau, Vasco de Medeiros, da vila da Lagoa, e outros valentes cavaleiros, de outras partes; os quais, indo junto do Cavouco, acima da vila da Lagoa, achando um palheiro, não viram nele pessoa alguma, e, passando adiante, Vasco de Medeiros que atrás ficava, metendo a lança pela palha do palheiro, sentindo que bulia pessoa viva debaixo e ouvindo um gemido daquele que a lança tocava, carregou nela e matou o que gemia, e tirando-o fora, de debaixo da palha, conheceram ser o Badaíl, capitão dos mouros e, chegando-se alguns homens de pé, Ihe cortaram a cabeça, a qual um João Gonçalves Xastre levou dependurada pelos cabelos e, chegando à vila da Lagoa, a dava a beijar aos mouros que achava, dizendo: — Mouro, vês aqui o teu capitão. Com a cabeça cortada, enfraqueceram os membros, e os moradores desta terra ficaram livres do grande sobressalto em que estavam todos e do muito enfadamento que tinham muitos.
Durou a peste pelos anos adiante, somente na vila da Ponta Delgada, ora cessando, ora tornando, até a era de mil e quinhentos e trinta e um.
Outros dizem que veio a peste a esta ilha da ilha da Madeira em uma caixa, a qual esteve fechada na vila da Ponta Delgada dois anos, em casa de um João Afonso Seco, pai de Bartolomeu Vaqueiro, e não se abriu porque ficava lá seu dono; o qual, vindo da ilha da Madeira na era de mil e quinhentos e vinte e três , em abrindo a caixa, logo se apegou na dita vila e começaram a morrer em casa de Sebastião Barbosa da Silva, sendo juiz Agostinho Imperial, e se ateou até dar na vila da Ribeira Grande e somente nestas duas vilas, Ponta Delgada e Ribeira Grande, houve a peste e não em outra parte da ilha. Na vila da Ponta Delgada dava muitos rebates; ora morriam muitos, ora poucos, e uns se saíam da vila, outros entravam, e por isso não cessava a peste; mas, em uns tempos andava mais acesa e em outros menos, e posto que muitos despovoassem a vila da Ponta Delgada, sempre ficou gente nela.
Em casa de Bartolomeu Afonso Pereira, morador na dita vila da Ponta Delgada, faleceram da peste onze pessoas e um seu filho, chamado Pedro Afonso Pereira, foi ferido da mesma peste, mas não morreu dela.
Além da grota da Figueira, entre a Relva e as Feiteiras, estão mais de duzentos corpos enterrados, que morreram ali da peste, dentro no tempo que ela durou, porque os que se queriam desimpedir pediam degredo para aquela parte, onde estes, cuidando de escapar, morreram.
Alguns dizem que no tempo que durou a peste morreram dela na vila da Ponta Delgada duas mil pessoas; outros dizem mil, afora as que faleceram na Ribeira Grande. Mas, disto não há certeza; o mais certo é que, entre os que morreram no tempo do terramoto, ou tremor e subversão de Vila Franca, e no tempo da peste, seriam por todos cinco mil almas em toda esta ilha.

No ano de mil e quinhentos e trinta e um foi o Capitão Rui Gonçalves da Câmara com o seu ouvidor , da vila da Lagoa à da Ponta Delgada e a desimpediu no campo de Rui Lopes Barbosa da Silva, que é no cabo da vila, para o nascente, na casa de António Borges de Gamboa, para a freguesia de S. Roque. Ali mandou chamar as guardas e homens da governança da dita vila da Ponta Delgada e dando-lhe juramento com seus ditos a houve por desimpedida, por haver alguns meses que nela não morriam já de peste. Tomaram então na cidade por seu intercessor o Mártir S. Sebastião, cuja freguesia tinha, mas, por ter a igreja pequena, determinaram de a fazer muito grande e sumptuosa, como com muita brevidade fizeram. E nunca mais, daquele dia até agora, houve peste nesta ilha. Louvado seja o Senhor, que guarda seus povos por intercessão de seus Santos.