Como realizar uma Quarentena

Você ou um ente querido tem febre leve, dores no corpo, o início de uma tosse seca e irritante. A comida não tem gosto nem cheira como antes. Talvez sinte falta de ar ou custa respirar...

Cozer feijões velhos

feijãoQuando guardados há muito tempo (anos mesmo) ou simplesmente mal acondicionados, os feijões podem demorar tempo a mais a cozer. Mas há soluções.

A menos aconselhável é a adição de...

A Tinturaria Vegetal em Alguma Ilhas dos Açores


Carreiro da Costa, 1957

tinturariaRemonta aos primeiros decénios de vida insular, a prática dos vários processos de tinturaria caseira, servida por elementos vegetais. Tais processos encontram-se...

Cores das Ilhas

Tudo leva a crer que esta paleta de cores começou a ser formada com a visita do escritor Raul Brandão, que esteve nos Açores em 1924 e foi atribuindo a cada ilha uma determinada cor (ou...

A Amoreira e a Sericultura

 

Carreiro da Costa, 1945

De entre os problemas económicos em equação no arquipélago dos Açores, o da sericicultura é dos que mais tem apaixonado aqueles que, no decorrer dos tempos, vêm...

Agave (Babosa)

Piteira, Babosa, Agave, Agave americana L.

agaveÉ uma planta muito disseminada nos jardins de algumas ilhas. Não sabemos se o  “Agave azul” (e a sua parente “Marginata”, com folhas às riscas...

Alguns Estudos Científicos sobre Agricultura Açoriana

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Departamento de Ciências Agrárias

http://repositorio.uac.pt/handle/10400.3/3

 

A influência da paisagem, dos factores ambientais e taxa de infestação na densidade na...

Os vassalos de muitos serviços têm tantos merecimentos diante de seu Rei, como os virtuosos e santos diante de Deus. E nisto somente têm diferença às vezes: que a paga de Deus verdadeiro é certa e infalível, e o mundo enganoso a muitos falta com o prémio devido, pagando a uns com menos do que merecem, e a alguns com vãs e compridas esperanças, e a outros, que mais se desentranham e desvelam pelo servir, vem galardoar com a reposta do cruel e injusto provérbio, dizendo que quem melhor o serve peor galardão há-de haver. Não sei de que vem isto, ou os Reis da terra não vêem ou não crêem a fama certa dos famosos, ou os seus leais vassalos e bons servidores não têm homem que os leve à piscina, como o pobre e desamparado paralítico, ao qual se Deus, sem rogos, sem merecimentos nem aderência, curou e fez mercês, tendo-o ofendido, quanto melhor as fará a quem Ihe fizer leais serviços? Pelo que, se a mínima parte do que fazemos ao mundo, fizéssemos a Deus, clara consequência é que seríamos santos e muito privados d’Ele, que sempre dá mais do que esperamos, nem desejamos. Digo isto pelo pouco galardão que teve dos Reis um Henrique Barbosa da Silva, natural desta ilha de S. Miguel, filho de Hector Barbosa da Silva, irmão de Nuno Barbosa e de Pero Barbosa da Silva, nobres fidalgos que nela vivem; o qual, no tempo do Capitão Manuel da Câmara, indo-se desta ilha, de idade de vinte anos, para a Índia de Portugal, nunca lá esteve ocioso no serviço de el-Rei, fazendo sempre nele heróicos feitos a todos notórios, imitando a seus avós Barbosas e Silvas, donde descende. Estando na Índia quando D. Antão de Noronha, viso-Rei que foi dela, tomou posse daquele Estado, serviu a el-Rei em todo o seu tempo, prestes a tudo o que sucedesse e o achou dando mesa seis meses a sessenta soldados na fortaleza de Honor, que estava de guerra, onde fez muitas entradas por mar e por terra no reino da rainha de Jarcopá, em que Ihe cativou e matou muita gente, e queimou povoações com todos os mantimentos, em que recebeu muito dano. E, vindo-se para Goa, o mandou o dito viso-Rei à costa do Malabar, com D. Diogo de Meneses, por capitão de uma fusta, onde andou todo o verão, achando-se em todos os sucessos que se nele acometeram; e tornou a invernar a Goa e ali o acompanhou até Agosto de setenta e três, que o mandou à costa do norte por capitão de uma galeota, em companhia de Jorge de Moura, esperar as naus de Meca, que tinham por novas que haviam de entrar em Dabul, até se fazer o viso-Rei prestes para ir a Damão; na qual ida o acompanhou sempre, e no trabalho da fortificação das tranqueiras o achou mui aparelhado com os seus soldados em tudo aquilo que era serviço de Sua Alteza. E, querendo-se recolher para Goa, o deixou na cidade de Damão, dando mesa a cem soldados, com uma bandeira, onde fez muito serviço a el-Rei, indo ao campo muitas vezes pelejar com o rei de Sarzeta e com os Mogores, imigos nossos. Correndo assim na paz e na guerra com mesa dos soldados mui diferente dos outros capitães. E por faltar o dinheiro na terra, que tinha necessidade de soldados, alevantando-se as mesas, ele correu com a sua mui largarmente, até o provedor da fazenda Ihe pedir que a alevantasse, por muitas razões que para isso Ihe deu. E, alevantando-a, se recolheu com muitos soldados em sua casa, a que dava de comer à sua custa, e assim esteve até a entrada do verão, que o viso-Rei mandou Fernão Teles ao norte, e, por ver estar a terra segura, se veio para Goa com muito gasto e despesa. Indo o dito viso-Rei para Mangalor, se embarcou com ele e achando-se na tomada da cidade de Olalá, em todas as brigas e guerras que houve, enquanto se fez a fortaleza São Sebastião, onde o feriram de uma frechada que Ihe atravessou uma perna, pelo que o dito viso-Rei afirmou ser Henrique Barbosa da Silva um dos homens que bem serviu a Sua Alteza e a quem devia fazer mercês pela levidão, gosto e gasto com que o servia.
Não somente o viso-Rei D. Antão de Noronha afirmava isto dele, mas também António Moniz Barreto, governador que foi da Índia, o qual, tomando posse do dito governo, achou nele servindo a el-Rei Henrique Barbosa da Silva, vindo então de Damão, onde fora invernar e acabar de dar uma mesa a soldados. E em todo o tempo de sua governança esteve prestes para o que cumprisse. Mandou-o com D. Filipe de Crasto, capitão de Damão, a dar lá uma mesa, oferecendo-se ao governador para ir de socorro a Malaca e acompanhá-lo com uma galeota, quando fosse fora. Pelo que o tinham em tão boa conta que assim o viso-Rei, como os governadores, o encarregavam de muitas coisas honrosas, escrevendo-lhe cartas de muita cortesia, amor e honra.

No ano de mil e quinhentos e sessenta e seis, indo D. Jorge de Meneses Baroche por mandado do viso-Rei D. Antão de Noronha ao Estreito, por capitão-mor de uma armada, e que daí fosse invernar a Muscate, sendo-lhe necessário ir a Ormuz buscar provimento, foi na armada de remo e chegando lá teve por novas serem saídas galés de turcos, pelo que mandou logo trazer a armada para Ormuz; e, fazendo-se prestes para os ir buscar, por ter pouca armada, armou três galeotas que tomou aos chatins, e nove fustas, e deu uma a Henrique Barbosa da Silva, que consigo levava por mandado do viso-Rei, o qual se negociou como cumpria a serviço de el-Rei. Sabendo das espias como as galés não saíram, passando o inverno se recolheu a Goa e, indo doze léguas de Diu, Ihe deu uma tormenta que durou vinte e quatro horas, em que Ihe quebraram os mastos e perderam fustas de sua companhia; na qual tormenta, com sua diligência e bom esforço, foi grande parte para se o galeão não perder.
Estando Jorge de Moura por capitão da fortaleza de Santa Catarina de Honor, pelo viso-Rei D. Luis de Tayde , além de dar nela o segundo ano mesa por seu mandado, o dito Henrique Barbosa da Silva, a uma companhia de sessenta soldados, tempo de dez meses por estar de guerra e cerco com o poder da rainha de Jarcopá e gente de Reis seus vizinhos, e estrangeiros que para bem da guerra mandou vir, cercando a fortaleza pela banda da terra com tranqueiras, bastiões e valos, donde fazia a guerra e pelejava, e cometendo uma ante-manhã, arvorando algumas escadas, essas e outras que para isso vinham Ihe fez largar, pelejando com eles a mor parte do dia, estando na dianteira Henrique Barbosa da Silva. No qual combate, e outras saídas e guerras que pelo rio fez, Ihe mataram mais de quatrocentas almas, afora muitas cativas, e recolheram à fortaleza noventa e tantos escudos e muitos feridos. E, indo pelo rio acima duas vezes pelejar, matou e feriu muitos negros, queimando muitos mantimentos, pagodes e mesquitas, e fazendo outros muitos danos.
Em outra saída que se fez, o mandou o capitão recolher a gente por os imigos serem muitos e andarem muito trabalhados, o que fez bem e com muita presteza, donde saiu ferido duma frechada que Ihe passou uma mão. Quando deu o capitão nos inimigos e Ihe fez alevantar o arraial, foi Henrique Barbosa o primeiro homem que os seguiu, pondo sua bandeira mais ao longe, levando os imigos, pela parte e terço que Ihe coube, mui apressados até largarem bem do campo. Nestas e outras saídas, rondas e vigias, cumpriu com sua obrigação, como devia.
Mandando João de Sousa, capitão da cidade de Damão e suas terras, requerer a Ramadarava, rei de Sarzeta, que quisesse cumprir o contrato das pazes que tinha feito, e não querendo ele, entrou por suas terras com mão armada e Ihe mandou queimar as principais aldeias que tinha, em que recebeu muito dano de mantimento e gado, matando-lhe e cativando-lhe muita gente. E entrou pelas serras até à ribeira que está defronte da sua cidade nove léguas de Damão, no qual caminho foi recebido com muitas bombardas, espingardas e frechas, nos passos que lhe tinham tomados, em que Ihe matou muita gente, até se pôr a vista da cidade chamada Nage, com tenção de passar a ela e a queimar e abrazar; e o deixou de fazer, por saber que era despejada da gente e parte dela queimada e descoberta da ola e palha com que Ihe puseram fogo, e o Rei, com todo o povo, fugido e posto nos matos.
Recolhendo-se então, com parecer dos capitães e fidalgos, achou no caminho o poder do dito rei com socorro que Ihe era chegado de muita gente do Bregi e do rei dos Celes, repartida por todas as partes dos matos, que fizeram arremetida pela dianteira e lados, tirando muitas frechadas e espingardadas e bombas de fogo, e com muitos cavalos encobertados, onde Ihe matou o dito capitão João de Sousa muita gente e outros se recolheram e fugiram pelos matos.
E, oferecendo-lhes em alguns escampados batalha, nunca quiseram chegar a ela, andando ele no campo quarenta e quatro dias com muitos trabalhos, em os quais o acompanhou Henrique Barbosa, fazendo de sua pessoa, como dele se esperava, ajudando-o sempre valorosamente com suas armas.

No ano de sessenta e nove, foi em companhia de Francisco Botelho, capitão da fortaleza de Santa Luzia de Bracalor, que ia por capitão de uma bandeira, acompanhando o viso-Rei D. Luís de Taíde, quando foi à costa de Canará, e se achou com ele no cerco e tomada da fortaleza de Honor sempre na sua estância, onde se deu bataria à dita fortaleza três dias e três noites, ajudando-os em todos os trabalhos necessários à dita bataria, assim na artilharia como nas vigias e no mais que naquele tempo sucedeu. Achando-se também com ele no cometimento e tomada do forte de Bracalor, pondo a proa com a sua embarcação defronte das barreiras, onde a força dos imigos estava, saltando ao mar com a água pelos peitos, saindo em terra, onde, pelejando muito esforçadamente, foi ferido.
Sendo Jorge de Moura capitão de Santa Catarina de Honor o primeiro ano de sua edificação, esteve nela Henrique Barbosa da Silva assistindo em todo o trabalho e serviço que na dita obra se fez, acarretando pedra e terra para os baluartes que nela se edificavam de novo e para danificar os aguieiros danificados vigiando todas as noites em um baluarte e lanço do muro com alguns soldados de que tinha carrego, por chuvas e tempestades pelejando e nas saídas que fazia contra os contrairos em que sempre Ihe matava gente e feria.
Quando era João de Sousa capitão da cidade de Damão e suas terras, foi ter à fortaleza o dito Henrique Barbosa da Silva aos vinte e cinco de março de mil e quinhentos e sessenta e seis; e invernou nela, estando prestes para tudo o que sucedesse e cumprisse ao serviço de el-Rei.
Indo D. Filipe de Meneses, o ano de setenta e um, à costa do Malabar, por mandado do viso- Rei D. Antão de Noronha, a socorrer a fortaleza de Chale, foi o dito Henrique Barbosa da Silva por capitão de uma fusta, achando-se em todas as ocasiões daquela jornada com sua pessoa e soldados que a seu cargo levava, na tomada de alguns paraos, e da fortaleza de Sam Guiser, que então se tomou e escalou.
Entrando D. Filipe de Castro Guerra, aos vinte e tantos de maio da era de mil e quinhentos e setenta e cinco, por capitão na fortaleza de Damão, foi com ele, por mandado do governador António Moniz Barreto, o dito Henrique Barbosa da Silva, para o inverno dar mesa aos soldados, e fazendo o dito capitão armada de sete ou oito galeotas para a enviar à enseada de Cambaia, de que fez capitão Henrique Barbosa e estando prestes, por certos respeitos que depois disto se moveram, e não se achar ser serviço de el-Rei, não houve efeito a ida da dita armada. E na entrada do verão indo-se todos os soldados que ali foram invernar, mandando as espias de Cambaia dizer que os Mogores se faziam prestes para ir correr as nossas terras, rogou o dito capitão a Henrique Barbosa que deixasse a ida de Goa, para onde estava de caminho, por cumprir assim ao serviço de el-Rei e ter assentado consigo apresentar batalha aos ditos Mogores, e Ihe pediu para este efeito quisesse ir com a gente de pé e ele capitão com a de cavalo; o que Henrique Barbosa fez de boa vontade, oferecido para tudo o mais que cumprisse a serviço de seu Rei; do que tudo tem certidões autênticas dos ditos visos-Reis, governadores e capitães, justificadas pelo licenciado Henrique da Silva, do desembargo de el-Rei, e ouvidor geral com alçada nas partes da Índia.
Além destes serviços que a el-Rei fez, em que se vê o muito valor e esforço de sua pessoa, muito melhor o mostrou nisto que agora direi: porque, sabendo que o conde D. Luís de Taíde era chegado segunda vez ao Estado da Índia por viso-Rei dela, se fez prestes de Baçaím, donde estava, para o ir visitar e oferecer-se ao serviço de el-Rei; e logo se embarcou em um galeão pequeno, rasteiro, de D. Manuel de Almada, capitão do dito Baçaím, que dali partiu para Goa. E sendo tanto avante como defronte de Dabul, terras do Dialxa, dez léguas ao mar, Ihe saíram dezoito embarcações e paraos de remo, entre galeotas e fustas e catures, em que pelo galeão ser muito pequeno se vieram chegando a ele, dizendo alguns passageiros a Henrique Barbosa que seria bom pôr a gente em ordem, e as outras coisas do navio. Respondeu ele que aí ia o capitão, ao que Ihe replicaram que o capitão vinha para arrecadar os fretes, mas onde ele vinha e outros fidalgos com ele, naquele tempo, não havia outro capitão. Nisto o capitão do galeão o entregou ao dito Henrique Barbosa, que logo se armou e começou a dar aviamento às coisas do navio e pôr a gente em ordem. Vindo-se os imigos chegando ao galeão, tomando algumas embarcações mansas que vinham ao redor dele, depois de as tomarem, se puseram à bataria com o galeão, havendo vento calma , pelejando sempre, da uma hora depois do meio-dia até noite; no qual tempo o abalroaram três vezes, com combates muito rijos por todas as partes, pondo muita concruzam nisso, tomando o galeão fogo por duas vezes, onde houve mortos e queimados de parte a parte. E Henrique Barbosa mandava muito bem o que se havia de fazer, donde estava armado no lugar mais perigoso do perpau, com muita prudência e acordo, acudindo dali às partes mais fracas; ora pelejava na tolda, onde era a mor briga, com grande esforço, sendo a principal parte de os não entrarem. E, por não haver quem quisesse ir marear uma vela da gávea, deu cinco pardaos a um pangeli que lá foi, mandando também, como experto nas coisas do mar, marear o galeão, a quem João Dias, piloto dele, em tudo obedecia, como todos os mais faziam, pelejando sempre até que a noite os apartou. E, além de todos afirmarem não serem tomados e escaparem pelo seu bom esforço, com que o defendeu dia de S. Francisco, viram que em oito dias que depois andaram no mar, com muita diligência e caridade fez curar os feridos e Ihes dava de comer as galinhas que comprava no galeão à sua custa. Achando-se no dito galeão com oito soldados mortos, matando-lhe, segundo a informação que disso teve o conde viso-Rei, passante de trezentos mouros brancos, e muitos mais feridos; em que perdeu o dito Henrique Barbosa mais de quatro mil cruzados em três embarcações suas que os mouros Ihe levaram, carregadas de mantimento, sem ser galardoado até hoje de el-Rei conforme a seu muito merecimento, tão notório na Índia que, estando na era de mil e quinhentos e setenta e cinco para se vir ao Reino requerer seus serviços, se casou com uma filha de um homem nobre muito rico, chamado António Vaz, que tinha o contrato da fortaleza e alfândegas, em que fazia muito serviço a el-Rei, o qual Ihe deu em dote vinte mil cruzados e uma aldeia de nomeação, que valerá três mil, e o gasto de sua pessoa e dos seus, seis anos; dando-lhe homem sem Reino o galardão de seus serviços, que dos Reis tarde ou mal, ou pouco e poucas vezes, e às vezes nunca, se alcança. Pelo que eu digo, Senhora, que o que os Reis não satisfazem aos bons vassalos que contra infiéis por seu Deus e por seu Rei pelejam, galardoa-o mesmo Deus com grande e gloriosa fama, como vós sois na terra antre os homens, e com eterno prémio de glória na corte do Céu, antre os Anjos, onde se crê que ele, depois de falecido, está.