Como realizar uma Quarentena

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Cozer feijões velhos

feijãoQuando guardados há muito tempo (anos mesmo) ou simplesmente mal acondicionados, os feijões podem demorar tempo a mais a cozer. Mas há soluções.

A menos aconselhável é a adição de...

A Tinturaria Vegetal em Alguma Ilhas dos Açores


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Cores das Ilhas

Tudo leva a crer que esta paleta de cores começou a ser formada com a visita do escritor Raul Brandão, que esteve nos Açores em 1924 e foi atribuindo a cada ilha uma determinada cor (ou...

A Amoreira e a Sericultura

 

Carreiro da Costa, 1945

De entre os problemas económicos em equação no arquipélago dos Açores, o da sericicultura é dos que mais tem apaixonado aqueles que, no decorrer dos tempos, vêm...

Agave (Babosa)

Piteira, Babosa, Agave, Agave americana L.

agaveÉ uma planta muito disseminada nos jardins de algumas ilhas. Não sabemos se o  “Agave azul” (e a sua parente “Marginata”, com folhas às riscas...

Alguns Estudos Científicos sobre Agricultura Açoriana

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Departamento de Ciências Agrárias

http://repositorio.uac.pt/handle/10400.3/3

 

A influência da paisagem, dos factores ambientais e taxa de infestação na densidade na...

Nunca vem um mal só nesta vida, sem vir acompanhado de muitos, umas vezes juntos, como foi a subversão de Vila Franca e logo depois a peste; outras vezes, em vários tempos, para espertar Deus os pecadores que estão dormindo em suas culpas, como foi outro segundo terremoto que aconteceu nesta ilha na era de mil e quinhentos e sessenta e três anos, sendo sexto Capitão dela o muito ilustre Manuel da Câmara, único no nome, com o qual, ainda que não aconteceram mortes de pessoas, houve tão terribeis medos, que chegou a todos os moradores dela a par da morte. E ainda que as coisas fabulosas dos poetas sempre são menos do que eles dizem, estas deste segundo terremoto, por mais que delas se conte, muito mais e maiores foram do que, Senhora, delas vos contarei e contar posso. E, assim como de um arruído que se faz na praça, cada um que se achou nele conta várias coisas que viu e por diversos modos, falando todos verdade, assim deste segundo terremoto que foi um arruído antre os elementos, Terra, Água, Ar e Fogo, armado na praça de toda esta ilha, em que todos os moradores dela se acharam presentes, não é muito que cada um conte coisas diversas que particularmente viu e sentiu no lugar onde se achou, as quais, se houvesse de contar todas, faria um infinito processo, não contando a menor parte assim das que aconteceram, como das que se não viram, porque tão amedrontados andavam os homens que vendo não viam, e ouvindo não ouviam, e somente sabem dar fé de poucas coisas que antre muitas então aconteceram. Mas, por abreviar tantas, direi somente do acontecido em três vilas, Vila Franca do Campo, a vila do Nordeste e na da Ribeira Grande, em que o terremoto fez mais medos e danos, e na cidade da Ponta Delgada, onde fez menos, dizendo primeiro dos que causou na Vila Franca, mais propínqua ao monte principal, onde veio brotar o fogo do centro da terra.
Na era acima dita de mil e quinhentos e sessenta e três, a vinte e cinco dias de Junho, princípio do estio, quando quase já estavam chegadas à foice as searas doiradas, havendo nove dias que o sol havia entrado e tocado os limites do calidíssimo signo Cancro, tempo em que pela maior parte os delicados vapores e ares mui frios que no arripiado inverno, pelos poros e concavidades da terra, dentro dela naturalmente condensados, se encerraram e esconderam, aquecidos e feitos ralos e estendidos ou crescidos com a quentura ou reflexão dos raios do sol, que em tal tempo mais que nunca se esforça, como de natureza o ar quente seja mais ralo que o frio e de necessidade ocupe maior lugar, não cabendo portanto nos lugares e estreitos aposentos trabalham com grandíssima fúria proromper e sair pelas breves entradas e portas por onde entraram ou por outra qualquer parte, em que porta e saída podem achar ou violenta fazer, com o qual natural e forçadamente se causam grandes ímpetos e terremotos, impetuosos concursos, violentos abalos e tremores de terra. Pelo que no dia e era atrás ditos, sendo cinco dias de lua, em sexta-feira, uma hora depois de meia-noite, quando todos ou quase todos dormiam, começou em toda esta ilha a tremer subitamente a terra com horrendos e contínuos abalos, maiores do que nunca se viram, sentindo-se primeiro e mais o dito tremor de terra em Vila Franca do Campo, por ser terra alta e encumeada e mais chegada ao monte por onde depois arrebentou e respirou aquele furioso espírito e grande fogo, havendo-se dantes ouvido um estrondo pelo ar, como aves que vão voando e batendo as asas com o qual tremor, acordados alguns do sono e temerosos acordaram os outros com o repicar dos sinos, que cuidavam ser chegada uma armada do cossairo Pé de Pau, que dias havia temiam. Desperta toda a vila e parte de seus arrabaldes e sabida a causa de tão grande sobressalto, com muita mais razão temeram a forte mão de Deus e seu castigo, que os pecados de cada um merecia, pelo que qualquer, como interior juiz de sua consciência, concebia em si e tinha maior medo, não ousando olhar ao Senhor irado. Mas, contudo, não tendo para onde fugir fugiam de Deus irado para ele mesmo misericordioso, pedindo-lhe todos misericórdia com muitas lágrimas, gemidos e prantos presentes, cada um em especial e todos em geral, chorando suas culpas passadas. Junto o povo na igreja Matriz do Arcanjo S. Miguel com o vigairo e cleresia, e religiosos com seu guardião, o licenciado Frei Pedro Mestre, e o licenciado Simão Pimentel, pregador por el-Rei na dita vila, ordenaram e fizeram uma devota procissão à casa de Nossa Senhora do Rosairo, do mosteiro de São Francisco, e daí ao mosteiro de Santo André, das religiosas de Santa Clara, que já pela mesma causa tinham feito outra procissão por dentro de sua crasta. Daí tornando à igreja de São Miguel donde se saíram, sendo já manhã clara. No qual tempo, tremeu a terra mais de quarenta vezes, tremendo também o sábado, no qual sendo horas de Ave-Marias se eclipsou a lua com ser cheia, do qual eclipse nenhuma fé deram em algumas partes da ilha, e também alguns da mesma vila desatinados com o medo, pelo que à tarde fizeram outra procissão com muitos géneros de penitências, aos mesmos lugares de antes, com pregação do licenciado Simão Pimentel na igreja Matriz, que se acabou à meia-noite, da qual até pela manhã não se sentiu mais tremor. Vindo a manhã do domingo, muitos se confessaram e receberam o Santo Sacramento, cessando algum tanto o tremor até a tarde em que começou a tremer outra vez mui impetuosamente, pelo que se fez outra procissão aos sobreditos lugares, amostrando-se o Santíssimo Sacramento ao povo na igreja de Santo André, mosteiro das freiras, concluindo-se já de noite na igreja Matriz, onde o vigairo frei Belchior Homem esforçou o povo com santas palavras e católica doctrina; até o qual tempo havia a terra tremido muito e mui rijamente. Mas, daí até a segunda feira, horas de véspera, esteve quase sem tremer na dita vila. Da dita segunda-feira, que era véspera do apóstolo São Pedro e das ditas horas de véspera, começou a tremer a terra mais horrenda e espantosamente que até ali, dando a todos pouca esperança de vida. De São Pedro, onde estavam cantando as vésperas, fizeram outra procissão até o mosteiro das freiras, onde se mostrou outra vez o Santo Sacramento ao povo e pregou o licenciado frei Pedro Mestre, consolando e esforçando a todos, como em tal tempo convinha. Estando pregando, deu a terra maiores tremores que os passados e fugindo alguns para o ilhéu, ficando outros, se acabou a pregação e procissão até a igreja Matriz, onde foi mostrado o Santo Sacramento, sendo já horas de completa, em que começou outra vez a tremer a terramui a miude e rijamente, de tal sorte que cada vez tremia com maiores e mais impetuosos abalos, pelo que todos, tendo maior medo e menor confiança de suas vidas, faziam muitas e diversas penitências, fazendo-se amigos os inimigos, perdoando injúrias recebidas, chamando-se irmãos uns aos outros com entranhável caridade e profunda humildade, não curando as mulheres de pompas, fatos nem ricos vestidos, sem haver então diferença entre ricos e pobres, nem entre nobres e plebeus; todos a necessidade em que se viam, tinham tornado huns , maiormente porque quando os terremotos se sentiam, era a pressa tal que cada um, como quer que em sua casa ou em outra qualquer parte acertava de estar, assim se acolhia, sem mais atavio, nem aparato, nem companhia, as filhas sem mães, as mães sem elas, nem o marido à mulher, nem a mulher muitas vezes o marido acompanhava, cada um de si somente e ainda não bem se lembrava.
Estando na dita igreja e ao redor dela muito povo, cresceram tanto os terremotos que, com grande medo dela cair, fugiam a grande pressa os que dentro estavam para fora, havendo com isso grande ruído e desassossego e às vezes se pisavam e maltratavam muitas mulheres, velhos e mininos e outras pessoas fracas, com o qual era tanta a grita e tão grandes os brados, assim dos pisados e maltratados, como dos que pelo Senhor e sua misericórdia chamavam, que parecia romperem o céu e toda a Máquina parece que desencasada e destruída se vinha abaixo, o que dobrava desconsolação e diminuía a todos a esperança de vida; mas, consolouos o seu vigairo, dizendo antre outras coisas para que fugiam donde estava o Senhor por quem eles chamavam, com que se tornaram a recolher para dentro, fazendo muitos modos de penitência e orações. Sendo horas de Ave-Marias, com cruas penitências, ordenaram alguns fazer uma procissão a Nossa Senhora da Piedade, freguesia do lugar da Ponta da Garça, uma légua da vila, ficando nela o mais povo em tanta opressão que, temendo de se subverter a ilha, se embarcaram em barcos alguns e muitas pessoas se botavam a nado ao mar, não temendo esse perigo, por evitar o que na terra tinham, acolhendo-se aos barcos e navios ancorados e ao ilhéu onde já estava muita gente acolhida, e para a cidade. Alevantando-se os navios carregados de gente, andaram muitos dias com muito trabalho de tormenta e fome, até tornarem a tomar terra e deles com a tempestade foram ter à ilha da Madeira, indo em uns mulheres e filhos, em outros os maridos e pais, em outros os filhos sós, de modo que primeiro que se tornassem a juntar passaram muitos dias.
Os que na vila ficaram foram em procissão ao mosteiro de S. Francisco e ao das freiras, tornando à igreja Matriz com muitas luminárias acesas, levando o vigairo nas mãos o Santíssimo Sacramento, e o padre beneficiado Frutuoso Coelho um crucifixo e o licenciado Jorge Barbosa Ferraz a bandeira da Casa da Misericórdia. Estando no mosteiro de S.
Francisco, sendo passada mais de uma hora da noite, além de tremer a terra quase continuamente, deu então certos abalos e golpes tão grandes, que todos se tiveram por subvertidos, ouvindo uns estouros e estrondos tão horrendos e tão maiores que os da forte artilharia e dos furiosos raios, que não parecia senão que o céu se fendia, que duraram meia hora, em que toda a gente esteve com grandíssima inquietação, até que cessaram.
Mas, logo encontinente se armou e fez uma nuve , como de fumo, ao noroeste da vila, cada vez crescendo tão obscura e mal assombrada que, estando a noite algum tanto serena e clara, a tornou tão triste e desairosa que a todos dobrou a desconsolação e medo, dando de si tristes mostras e aparências mui espantosas, variando-se com sua feia obscuridão em diversas figuras e mui horrendas; tão alta que parecia estar eminente e pendurada sobre a dita vila, não parecendo nuve, mas coisa fabricada para destruição das gentes, e assim parecia, que para nenhuma outra parte se inclinava senão para contra a vila, ameaçando e prometendo, com sua horrível figura, espantoso e cruel castigo.
Saindo a procissão do mosteiro de S. Francisco, vendo todos coisa tão feia que não parecia nuve natural, senão coisa viva que estava prometendo destruir e assolar a ilha em toda a qual se viu também, à tal hora, o horrendo monstro e todos cuidavam que sobre si a tinham, o mesmo cuidavam os que iam na procissão a Nossa Senhora da Piedade, do lugar da Ponta da Garça; porque esta segunda-feira, véspera de S. Pedro, duas horas da noite, chegando a procissão a uma cruz que estava no meio do caminho, meia légua da vila, entre as Amoreiras e a Ribeira das Taínhas, viram vir uma nuve desapegada que seria de trinta côvados de comprido e quinze de largo e trazia três pontas na dianteira, como mangas ou bocas de serpe; a qual nuve vinha da serra, da parte do norte, direita ao sul, e chegando em cima da mais gente, antes que chegasse, deitou pelas bocas muitas fusiladas de lume, sem trovoada, e se pôs em cima da gente com as bocas ao nascente. Vendo-a, todos se puseram de giolhos diante da cruz, pedindo misericórdia. Estariam assim tanto espaço quanto se poderiam dizer quatro credos devagar, e em todo este tempo a nuve não descansou de botar de si fusilada por todo o corpo dela, sem estrondo, que parecia que se abria o céu com fogo. Chegando com a ladainha a dizer — Santa Maria, ora pro nobis, se abalou a esta palavra a nuve de cima da gente e se tornou caminho do norte com as três bocas diante, porque deu uma volta sobre a gente, como um navio, e virou as bocas, como proa, caminho do norte; e, em saindo de cima do povo, botou sem trovoada três relâmpagos tão espantosos que muita gente caiu como cega em terra, e se tornou a nuve para a serra donde viera, parecendo isto coisa sobrenatural. Daí a dois tiros até três de arcabuz, indo com a procissão, viu o povo na serra um sopro grande, branco, sem trovoada, com a terra tremer muito, e logo naquele instante começou a chover cinza. Chegando à igreja da Ponta da Garça, se acharam todos cobertos dela, indo cada um como se achava, mal vestido e sem concerto, sem pundonor, nem fantesia , nem ter lembrança os pais dos filhos, nem os filhos dos pais, com o grande tremor que cada um tinha.
A gente que vinha da outra banda em procissão, vinham cobertos de terra, como mouros, de outra cor e desconhecidos, sem ninguém os conhecer, caindo pedras que não tinham conto, muitas tão grandes como quartos e pipas, jarras e bolas, e tão bastas como a chuva quando chove, e dando na gente não morreu pessoa alguma, somente se achavam algumas escaldadas, queimadas e escandalizadas daquela quentura, mas não foi coisa que lhe fosse necessário curar-se. Algum gado ficava escalavrado, mas nenhum morreu disso, senão depois, que morreu muito de escorregar pelo cinzeiro e as ribeiras os levarem com o ímpeto da terra que levavam solta, porque, por pouca água que chovesse, levava tanta terra consigo que fazia muito dano.
Tornando a procissão que do mosteiro de S. Francisco ia para a igreja Matriz, onde todos iam desmaiados com o que viam, e ninguém de si parte sabia, senão em seguir os estandartes das cruzes de Cristo, Redentor nosso, em que levavam postos os olhos, sem olhar para a nuve com medo, nem saber a causa dela, a qual era um ardentíssimo fogo que na serra da dita vila ardia, e aquela mesma noite, quando se ouviram os sobreditos estouros, havia arrebentado e feito grandíssimas bocas, por onde respirava e botava mui grandes fusiladas e pavorosos raios e ardentes línguas direitas ao céu, as quais iam a dar na nuve e toda por diversas partes a acendiam e mostrava grandes fusiladas e mais que nenhuns ardentes coriscos, nem rutilantes cometas. O qual fogo, quando assim da serra saía, pela grande cópia de negro fumo e obscuridão que sobre a superfície da serra andava, se não via senão quando depois na nuve dava e inflamada por todas as partes a fazia cintilar mui espantosamente, mostrando aqueles contínuos raios e ardentíssimos fusis, que muitas vezes contra natura do fogo tornavam a cair em terra, feitos línguas de fogo; pelo que ninguém julgava ser fogo natural e da terra, senão elemental e do céu, que Deus para castigar as culpas dos homens enviava, com que esperavam ser cedo cruamente abrasados e queimada toda a ilha, que não somente ela, mas também a de Santa Maria, sua vizinha, com o mesmo medo, cuidando seus moradores que somente sobre cada um vinha aquela nuve e castigo, faziam procissões para aplacar ao Senhor que viam tão irado.
Chegando a procissão do mosteiro de S. Francisco à igreja Matriz de S. Miguel, deu ao redor dela muitas voltas, sem cessar o ardente fogo de fazer seu ofício, antes cada vez mais mostrava sua fúria, pelo que entraram todos na igreja, determinando fenecer ali seus dias, tendo cada um por averiguado consigo ser aquele o fim. Tudo então eram gritos, desatinos e desacordos, pelo que o vigairo, tornando a tomar o Santo Sacramento nas mãos e os companheiros suas insígnias, saíram outra vez em procissão ao redor da igreja, sem deixar de tremer a terra, nem de cintilar o fogo. Sendo pouco mais de meia-noite, começou a chover uma mui alva e delgada cinza, assim como se a estivessem peneirando, por espaço de uma hora, tão quente que mal se podia sofrer, se no rosto ou mãos caía; e logo obscureceu mais a trabalhosa noite e ouvindo-se de quando em quando os estouros e urros sobreditos, começou com um áspero soído e grandíssima rugida a chover mui rijamente um basto e espesso polme da mesma cinza, tão teso que magoava muito onde dava e tão frio que fazia tremer a todos de enregelados, sem acertar o que diziam, e muitos com desacordo andavam emudecidos. Durou esta chuva de polme meia hora, que meio ano pareceu, a qual chuva acabada, ficaram todos cobertos e barrados, como que em caldeiras de cinza delida foram metidos, e tornou logo a chover como dantes a cinza miúda, seca e desfeita, como peneirada, sem o povo deixar de andar ao redor da igreja com sua procissão, até duas horas ante-amanhã, em que se recolheram todos à dita igreja, por mandado do vigairo, onde, depois de rezar matinas, disse missa do Apóstolo S. Pedro, sendo quase manhã.
Esta noite atribulada foi geral em toda a ilha, ainda que não choveu cinza igualmente em toda ela. E houve pessoas que afirmaram então ver muitos milagres. Uns diziam que viram a Virgem Nossa Senhora; outros o Corpo Santo, outros um altar com o Santíssimo Sacramento e outros outras coisas. Na dita Vila Franca, diziam alguns ver uma pomba branca, dizendo ser o Espírito Santo; outros afirmaram também tangerem-se os sinos por si. Amanhecendo o dia seguinte, que era festa do bem-aventurado S. Pedro, se acrescentou a desconsolação de todos, vendo-se melhor uns aos outros, cobertos de barro e polme daquela molesta cinza, que ainda em pó estava continuamente chovendo, sem cessarem os tremores de terra, mais acrescentados que dantes. E levando o Santo Sacramento fora, ao mosteiro de S. Francisco, estando lá, chegou a outra procissão que aquela noite fora a Nossa Senhora da Piedade, da Ponta da Garça, em que vinham todos descalços e cobertos também de polme e cinza.
Vendo-se uns a outros, deram inumeráveis gritos de ambas as partes, porque quase se não conheciam. E amostrado o Santo Sacramento pelo padre guardião, frei Pedro Mestre, se foram em procissão à casa do Apóstolo São Pedro, por ser seu dia, onde se solemnizou sua missa e comungaram muitos, sem deixar de tremer a terra e chover cinza. Indo dali em procissão pelas ermidas, se pôs uma obscura nuve em cima, no ar, que assombrou toda a vila, e começou, além da cinza e chuva, a chover outra terra negra, feita em grão, à maneira de pólvora grossa, em grande quantidade e mui tesa, por espaço de um quarto de hora, na dita vila, ainda que nas outras partes durou muito, fazendo tanto obscuro que parecia noite, pelo que se recolheram à igreja Matriz. E logo obscureceu e eclipsou o sol mais de meia hora, em que estiveram todos em trevas, tremendo a terra espantosamente, quase sem intervalo.
Tornando a sair em procissão, com o Santo Sacramento, ao redor da igreja tornou outra vez a chover terra negra em grãos, como pimenta, algum tanto mais grada que a primeira, por breve espaço, e sobre isso cinza em grãos maiores que chícharos e dela tão grada como avelãs, tão basta, impetuosa, quente e rija, dois terços de hora, que onde quer que dava magoava muito; o que vendo o povo, se ajuntou de giolhos em caracol ao redor do Santíssimo Sacramento, dando, envoltos em muitas lágrimas, grandes gritos e suspiros, tendo então a morte por muito mais certa, e todos desacoroçoaram, por mais que os esforçassem o seu vigairo e pregadores, Simão Pimentel e frei Pedro, dizendo que, posto que aquela agonia era tão forte, maior era a misericórdia do Senhor que a mandava.
Passou aquele triste ímpeto, com o qual todos cuidaram haver de ser subvertidos, e ficou como dantes, chovendo a cinza miúda e quente que soía. Alguns se recolheram à igreja, outros se acolheram fora da vila, onde passaram tanta e mais tribulação que os que ficaram.
Logo daí o padre frei Pedro Mestre, e outras pessoas se foram ao mosteiro das freiras, as quais com a dita tribulação se haviam já saído de seus aposentos e acolhido na sua igreja, donde foram em procissão a Nossa Senhora do Rosairo, passando pela igreja Matriz, onde estava todo o povo. E em continente veio outra mais obscura e negra sarração que as passadas, a qual outra vez obscureceu e cobriu totalmente o sol, ficando noite, sem se enxergar nas ruas coisa alguma, nem deixar de tremer a terra, ouvindo-se também, de quando em quando, aqueles aspérrimos estouros e pavorosos urros, com que já não havia quem coração nem sentido tivesse para novo medo receber, caindo muitas mulheres desmaiadas e amortecidas. Durou esta obscuridão e noite espaço de uma hora, que foi ao meio-dia, e geral em toda a ilha, tirando na cidade e daí para o ponente, onde não chegou; a qual acabada, tornaram as religiosas com algum povo a prosseguir sua procissão a Nossa Senhora do Rosairo, onde estiveram três horas sem tremer a terra, mas logo deu tão continos e repentinos abalos, que parecia toda a ilha se fundir, armando-se outra espantosa nuvem maior e mais obscura que nenhuma das passadas, que fez o sol e a claridade do dia noite obscura, sem se ver nem sentir mais que aqueles horrendos estouros e perigosos urros. Durou esta obscuridão, maior e mais horrenda, mais de uma hora e, em algumas partes da ilha, duas e três; após isso, espaço mais de duas horas, esteve tudo quase em paz, sem se sentir tremer a terra, nem coisa que medo causasse, somente a continuação da cinza que chovia; mas logo deu a terra dois ou três abalos mui violentos e juntamente certos estouros, como soíam, e veio outra obscuridade não menos temerosa e feia que as passadas, por espaço de meia hora, e esta foi a derradeira. Dali até noite esteve tudo em sossego. Já quase noite, se fez outra procissão, como soíam. E aquela noite seguinte, pela misericórdia de Deus, não tremeu a terra senão muito poucas vezes, em que as religiosas estiveram na capela da igreja, diante do Santíssimo Sacramento, orando por si e pelo povo todo. Sendo duas horas ante-amanhã, estancou e deixou de chover a cinza na dita vila, mas em outras partes da ilha durou mais.
Tanto que foi manhã, a quarta-feira seguinte, o vigairo que na igreja de S. Miguel com muito povo havia ficado, se foi com ele em procissão à dita casa de Nossa Senhora do Rosairo, onde disse uma missa cantada e recebeu muita gente o Santíssimo Sacramento. E apareceu ao noroeste a grandíssima e espantosa nuvem sem obscuridão, mas dando a todos terror e medo; a qual era de cinza que saía das ardentes aberturas e bocas de fogo, com cuja violência e furioso ímpeto, e com ligeiro vento, foi levada tão alta que, quando foi buscar seu natural assento, mui pouco dela, daquela vez, caiu na terra; mas foi cair mui longe, dentro no mar, onde nenhum dano fez.
Esta nuvem, quando logo saía da boca e aberturas da terra, ia-se enovelando direita acima, de cor negra, depois algum tanto mais acima mudava a cor, parecendo roxa e algumas vezes cintilava e mostrava raios de fogo, mas não muitos, e indo já mais alta não aparecia nela fogo e mostrava e fazia de si muitas e várias figuras, mas não medrosas: primeiro parecia ser um deleitoso bosque, cheio de muitas árvores e frutas, por toda a ordem prantadas; dali a pouco espaço, quando já era mais em cima, movida do vento e dando-lhe o sol, tornava-se mui alva, parecendo fina e cardada lã ou grandes arméos de algodão; depois parecia desfazer-se com o vento, mas quando por cima se desfazia, tanto por baixo ia crescendo outra vez, empinando-se de modo que nunca faltava, permanecendo sempre em uma grandura e altura todo o dia contínuo, e, aparecendo o sol claro, apareceu ela desta maneira. A qual todos os dias passados assim havia de ser, mas pela grande obscuridão se não via. Então se entendeu na dita vila a causa de sua aflição e tribulação ser fogo que na mesma terra ardia e não do céu como se cuidava e temia, não deixando alguns de cuidar que, posto que na terra ardia, do céu, por seus pecados, haveria descido e teria por outras partes toda a ilha abrasada.
Aquele dia todo se não sentiram tremores; pelo que as religiosas se recolheram a seu mosteiro. Mas, às quatro horas da tarde, querendo-se um homem passar por terra para a cidade e não podendo com a grande quentura do fogo que descendo da serra o abrasava, se tornou à vila com grande pressa e com gritos, afirmando, com o medo que trazia, que toda a ilha era abrasada e por todas as partes ardia e que pela parte do ponente vinha tão perto pela frol da terra, queimando tudo, que brevemente seria na vila, o que fez grande alvoroço no povo e acolheram-se muitos, uns para S. João, outros para Nossa Senhora da Piedade, para a qual parte não aparecia fogo, e os mais para o mar onde estavam já alguns barcos dos que levaram a gente para o ilhéu, fugindo uns com suas trouxinhas, outros sem nada, porque, como não tinham esperança de vida, menos conta faziam da fazenda. Não ficou pessoa que não fugisse, senão o vigairo, com o padre Frutuoso Coelho e Jorge Barbosa Ferraz, que sempre o acompanharam, e o padre guardião com alguns dos seus religiosos. Aquele foi o maior desassossego e desacoroçoamento e com mais desatino que todos os passados. O padre guardião fez tirar as freiras do mosteiro e levá-las em carros e cavalgaduras para a igreja de Nossa Senhora da Piedade, da Ponta da Garça, onde se recolheram. E já de noite, estando aí muito povo dos termos da vila, que com a tribulação se havia despovoado a horas de Ave-Marias, começou outra vez de tremer a terra mui rija e asperamente, ouvindo-se de quando em quando os acostumados urros e estouros, e a nuvem branca se fez negra, cintilando monstruosamente, parecendo que botava de si fortes fusis e raios maiores dos que até ali se tinham visto, ouvindo todos uns tristíssimos uivos e grandes aulidos, e aparecia um espantoso fogo na nuvem mui longe que, por ser tão alta, na ilha de Santa Maria aquela mesma noite padeceram grande tribulação com medo dela, parecendo a todos então mais ser fogo do Céu, que estava sobre eles.
O vigairo que ficou na vila com seus dois companheiros e alguma gente que não pôde fugir e se tornou do porto para a igreja, fizeram uma procissão em que levaram o Santíssimo Sacramento, visitando as igrejas costumadas em que andaram até depois da meia-noite. E, rezando-se as matinas, se cantou missa e receberam alguns o Santo Sacramento, até que amanheceu.
Foi esta noite mais estranha e em tudo monstruosa, que nenhuma das passadas, e a toda a ilha a mais geral de todas, cuidando todos que sem falta acabariam, ou subvertidos dos montes que correriam, ou queimados do fogo que então aparecia mais que nunca.
Na Ponta da Garça, onde as religiosas e os mais cuidaram ter repouso, houve mais agonia, porque aí e daí para o norte e levante tiveram maior tribulação, por ser o vento oeste e levar para as ditas partes todos os raios e fusiladas do ardente fogo que da parte do ponente lhe ficava, as quais com as fachas e línguas caíam em terra e houve disso pessoas com os rostos e mãos chamuscadas. O padre frei Pedro e o pregador Simão Pimentel e outros padres, consolando as religiosas, fizeram também aquela noite procissão ao redor da igreja, com muitos penitentes e penitências. Na vila do Nordeste e seu termo, choveu muita cinza e pedras de diversas maneiras e desceu do dito fogo um raio e língua mui grande, entrando assim solta em uma igreja onde estava muito povo, e visivelmente se tornou nos olhos de alguns em uma figura horrenda de um bravo leão de fogo, e a outros, outras diversas formas, que parecia queimar toda a igreja e quantos nela estavam, dando muitos brados e espantosos rugidos, e logo desapareceu com grande espírito. Na dita vila caíram a mesma noite muitas casas e algumas igrejas, e em outras partes da ilha, como tinha acontecido à véspera e dia de S. Pedro, principalmente na vila da Ribeira Grande, onde aquela noite começou a cair o mosteiro das freiras, e pela manhã acabou de cair quase todo, mas em Vila Franca, nem igreja nem casa caiu, nem pessoa pereceu.
A quinta-feira seguinte, se fez outra procissão pelas costumadas igrejas e os que estavam na freguesia de Nossa Senhora da Ponta da Garça se tornaram para a vila sem ordem e sem acordo, cada um como podia, filhos sem mães, mulheres sem os maridos e viúvas sem companhia, sem pompas nem arreios, sem presunção nem gravidade, cobertas de cinza e banhadas de lágrimas. Também as freiras se tornaram e recolheram em seu mosteiro, o qual achando perigoso e destroçado, temendo mais mal por vir, se tornaram a sair dele no mesmo dia e se recolheram em uma honesta casa na mesma vila, até que cessou aquela tormenta e mandou Deus tranquilidade; e então se recolheram a seu mosteiro. Aquele dia todo da quintafeira, não tremeu a terra senão a horas de terça, dando dois ou três grandíssimos abalos e juntamente alguns estouros dos costumados mui grandes, mas por ali cessou de tremer e estourar. Nem dali avante se sentiu mais tremor algum em nenhuma parte da ilha. Somente o domingo seguinte se sentiram dois tremores grandes, pelo que tomaram todos alento, sem cessarem de fazer procissões. À tarde do mesmo dia, se fez outra procissão pelas igrejas que soíam e acabando de noite ficou a gente dormindo na igreja Matriz, porque das casas se não confiavam.
Logo à sexta-feira, dia da Visitação, se fez procissão da igreja Matriz à Casa da Misericórdia da mesma vila, onde se cantou missa e pregou o licenciado Simão Pimentel, em que persuadiu a todos que dessem ao Senhor infinitas graças e contínuos louvores pela grande misericórdia que com eles havia usado. E estando ainda no púlpito chegou o cura de Nossa Senhora da Piedade em procissão com muito povo, seus fregueses e outra gente da vila, todos descalços, homens e mulheres, como sempre faziam enquanto durou a tribulação passada, com cuja vinda houve novas lágrimas, sem saber donde já podiam manar tantas, pois todo o tempo atrás eram seus olhos contínuas fontes delas. Depois fizeram a procissão da Visitação costumada, com ladainhas, sem os alegres cantares costumados em tal dia.
Ao sábado seguinte, pela manhã, se fez uma procissão pelas igrejas costumadas, com o colégio dos religiosos como sempre, e à tarde outra.
O domingo amanheceu sereno e claro, ainda que depois choveu, e muitos dias dali por diante fazia o mesmo, e se fez outra procissão sem se levar o Santo Sacramento nela, mas mostrando-o ao povo. Dita a missa, se recolheram a suas casas todos, como hóspedes de novo nelas, onde, ainda que muitas ficaram abertas, nada nelas menos achavam, sem com isso ninguém ter conta, nem lhe lembrava comer, mantendo-se em lágrimas de coração porque, assim como a grande alegria tolhe a vontade de comer, assim também a imoderada tristeza mata a fome e cada um destes efeitos passa por mantimento àqueles que de coração os tem. A outros mais fracos, ministrava Deus por onde andavam com que se sustentassem.
Estando descansados e descuidados, a horas de meio-dia, subitamente, com grande ímpeto, deu a terra dois grandes e violentos abalos, espaço de um quarto de hora entre um e outro, que nunca de tal sorte, nem tão espantosamente, havia tremido. E com os tais tremores, àquela hora, caíram muitas casas em muitas partes da ilha. Principalmente na vila da Ribeira Grande ficaram daquela vez muito poucas em pé e estas ainda todas arruinadas e abaladas.
Na cidade e daí para o ponente, nem então, nem nos dias atrás, caiu casa alguma. Em Vila Franca, se fez outra procissão mui devota, como as outras.
A segunda-feira, se fez outra procissão à casa do Apóstolo S. Pedro e daí à casa de Nossa Senhora do Rosairo e pelos mais costumados lugares. E, começando todo o povo a tomar algum refrigério do trabalho passado, veio outro de novo, não tendo trigo segado, nem o podendo segar, pelo tempo chuvoso que fazia, nem tendo moinhos para o moer, por a passada fortuna ter atupida a ribeira dos Moinhos e alguns quebrados, pelo que cuidou a gente morrer à fome. Foram moer algum pouco trigo que podiam haver à vila de Água de Pau e ao lugar do Faial. Muitos se substentavam com ervas e peixe e carne do gado que matavam, por não perecer à fome e sede, pois os pastos estavam cobertos de cinza e as ribeiras secas e atupidas.
À tarde do mesmo dia, se fez outra procissão. Indo nela já de noite, saiu a lua que aquele dia era cheia; depois de sair, foi logo vista eclipsada em parte, sendo a metade dela, para a banda do sul, mui negra, e a outra metade, da banda do norte, clara e perfeita; na parte clara, com uma cinta preta que a partia em duas, maior a debaixo que a outra, à maneira da figura seguinte: — A qual durou espaço de três horas ou mais, até ir já a lua alta, e então se desfez o dito eclipse e ficou clara, o que deu a todos muito terror e medo, julgando ser algum pronóstico de algum infortúnio e de todos perecerem. Da meia-noite por diante, choveu tanta água que parecia que todas as fontes do abismo se rompiam, tanto que saíram todas as ribeiras de seus cursos, e a ribeira que corre pelo meio da vila começou a trazer consigo grandíssimos e pesados penedos e muitos paus e grandes madeiros, trastornando por fora de sua concavidade e canal, trazendo também muita lama de cinza e pedra pomes miúda, feita polme, com grande fedor de enxofre. E da mesma maneira corriam, todas as mais, fazendo tão grande estrondo e ruído que fazia tremer toda a vila, pelo que toda aquela noite andaram em procissão pelas naves da igreja Matriz, que quase, com a muita água que chovia, estava alagada.
Saindo da igreja a terça-feira seguinte os que nela estavam, viram como a ribeira tinha feito muitas perdas e danos e alagados alguns pomares, hortas, canaviais e outras coisas que ao longo dela estavam, deixando tudo raso e acravado de grande multidão de cinza e pedra pomes, e semeado de grandíssimos penedos e de outros pequenos. Levou também as cimalhas e ameias da ponte e algumas casas de pastel, meles e alcaçarias, sem perigar pessoa alguma. Quebrou esta cheia a água de que a vila bebia, pelo que se deram todos por perdidos à fome e à sede, por não haver outra de que bebessem e todas as ribeiras correrem polme de cinza; mas, logo no dito dia, tornaram a trazer ao chafariz água clara. No mesmo dia pela manhã, se fez uma procissão pelas igrejas e ermidas costumadas. Ao dia seguinte, quarta-feira, se fez outra; à quinta-feira, o mesmo; à sexta-feira, outra à igreja de S. Lázaro, arrabalde da vila, espaço de um quarto de légua; ao sábado, outra a S. João Batista, e à tarde se fez outra, como dantes soíam.
Domingo seguinte, se fez outra semelhante e outra à tarde, em que o vigairo amoestou que dessem graças a Deus pelos livrar da morte que cada hora diante de si viam, e conservassem as novas amizades e reconciliações que, quando se viram na necessidade, fizeram, dizendo que dali em diante faria uma procissão cada domingo, já que até ali tinha feitas trinta e duas grandes, afora outras feitas ao redor da igreja, que por todas passavam de quarenta, para que nos dias de serviço pudessem recolher as novidades. E ordenou uma confraria de S. Pedro, em cujo dia todos haviam visto a morte presente, de que Nosso Senhor os livraria, na qual todos os sacerdotes entraram por confrades e outras pessoas devotas, para que, já que Deus por sua intercessão lhes deixara as vidas, lhes desse também graça para que as emendassem.