Técnica cultural

A—Selecção Na boa orientação duma cultura, para vermos coroado de êxito o nosso trabalho metódico, temos, em primeiro lugar, que proceder a uma selecção rigorosa da planta, por forma a assegurar uma produção homogénea e garantida até certo ponto, no que respeita ao tamanho, forma e rusticidade. Para isso, durante o ciclo vegetativo da cultura anterior, devem ser assinaladas, antes da colheita, todas as plantas que mostraram:

1.° — melhor desenvolvimento vegetativo;

2.° — melhor produção de fruto;

3.° — maior resistência às doenças.

Depois da colheita total, são arrancadas as plantas não assinaladas, para evitar misturas, procedendo-se seguidamente à limpeza das tocas seleccionadas, limpeza esta que consiste em tirar as folhas do caule, raízes velhas e corte da parte terminal, na altura em que o diâmetro diminui. Terminada a primeira selecção e limpeza, as tocas dão entrada no estufim (alfobre destinado ao brolhamento).ananas 1

B — Brolhamento Em todas, ou pelo menos quase todas as explorações da cultura de ananases, há uma estufa mais pequena, denominada estufim, servindo de alfobre e viveiro.

O espaço ocupado pelo brolhamento é relativamente pequeno (alfobre propriamente dito), servindo o restante espaço do estufim, para transplantar a maior compasso, como adiante faremos referência, o plantio que se vai formando gradualmente. Nesta parte (viveiro), o terreno vai sendo preparado à medida das necessidades.

Explorações há que, pela sua importância, requerem para o brolhamento todo o estufim, sacrificando uma ou mais estufas de produção, para a criação do plantio.

1 — Preparação do terreno  A composição do terreno de estufa é totalmente vegetal, sendo preparada por diferentes camadas, a saber:

1ª camada – constituída por ramada de incenso (Pittosporum undulatum, Hort.), vulgarmente chamada lenha de ramada, de fácil decomposição, devendo ser disposta uniformemente;

2ª camada – formada pela monda, composta por diferentes detritos vegetais, como: silvas, ervas, folhagens, caruma de pinheiro, fetos, etc.;

3ª camada – terra sobrante da última cultura;

4ª camada – composta por matos húmidos, que segundo a terminologia vulgar são conhecidos por leiva, em placas com terra agregada, proveniente das regiões virgens onde a charrua ainda não penetrou. Na composição da leiva, os principais elementos são: o musgão (Sphagnum compactum, Mitten.), o queiró (Calluna vulgaris, Salisb.), a urze (Érica Azorica, Hochst.) e muitos outros de vegetação espontânea de menos importância;

5* camada – terra sobrante da última cultura.

Há quem aplique serradura de madeira, entre a 4ª e a 5ª camadas, quando se fazem os aterros no Inverno, com o fim de isolar as camadas subjacentes, mantendo assim o calor proveniente da fermentação dos componentes do terreno.

A cama é formada vão por vão, isto é, entre o espaço que vai de ferro a ferro de suporte das tacaniças, ou sejam 2 metros de terrenos preparados de cada vez. A percentagem dos componentes, costuma ser preparada tendo por base o material necessário a empregar por vão, multiplicada pelo número de vãos de estufa.

Podemos considerar como média, a seguinte composição vegetal:

40 molhos de lenha de ramada por vão
1/2 carroça de monda por vão
12 cestos de leiva (1/2 cesto p/planta)
Esta composição, varia principalmente com a época de plantação e com a idade do plantio, no caso de plantação definitiva.