2— Plantação das tocas  São usados 3 tipos de plantações de tocas, sendo difícil sob o ponto de vista técnico e económico, escolher o melhor. Um dos tipos consiste em plantar as tocas seguidas, em linhas paralelas, com um ligeiro intervalo entre-linhas, para facilitar os trabalhos culturais indispensáveis.

Outro tipo, em tudo parecido com o primeiro, consiste em plantar as tocas em linhas, em que estas se sobrepõem pelas extremidades, ficando paralelas entre si e oblíquas em relação às linhas, economizando terreno.

O terceiro tipo usado, consiste na plantação das tocas em quincôncio, com pouco compasso, o que ocupa muito espaço, por pequeno que seja o compasso a adoptar. Este processo, tem o inconveniente de dificultar as mondas.

Quaisquer dos tipos descritos são usados, porém o segundo tipo é o mais frequente, com justificável preferência, pela economia de terreno, além de que os resultados obtidos são praticamente os mesmos. É interessante observar, como trabalham o estufeiro e seus ajudantes, parecendo ter os movimentos articulados e inteligentemente combinados, efectuando todos os serviços com uma rapidez incalculável, originada por muitos anos de prática.

3 — Trabalhos culturais  Depois da plantação das tocas, tem fundamental importância a regulação da temperatura do terreno e do ar atmosférico dentro da estufa.

A qualquer temperatura, não ultrapassando certos limites, as tocas poderão brolhar; no entanto para que o brolho venha forte, precisa de muito calor, o que provoca uma intensa multiplicação celular. Note-se, porém, que a temperatura exagerada, pode provocar a queima das raizes, o que às vezes acontece, acabando o brolho por morrer. Os estufeiros denominam “cozidas” as tocas nestas condições.

Em conclusão: no primeiro mês após a plantação, a temperatura deve manter-se à volta dos 30º C. Logo que se verifique o brolhamento, eleva-se gradualmente até aos 38ºC, que se mantêm durante os 5 meses restantes.

De uma maneira geral, o estufeiro experimentado, consegue dar-lhe a temperatura necessária, observando a reacção das plantas e servindo-se apenas duma cana, que espeta no terreno; todos os dias de manhã, à tarde e à noite, puxa-a, tateando-a na parte enterrada, sentindo através dela o calor do terreno em plena fermentação com libertação de calor. Com estas indicações, regula a temperatura, de acordo com as impressões fornecidas pelo seu rústico termómetro.

Seja-nos permitido dizer, em abono da verdade, que embora a técnica cultural ananaseira seja relativamente perfeita, já era tempo de estarem rigorosamente estudados os agentes de regulação dos 4 principais factores (temperatura, luz, humidade e ar atmosférico), e aplicados, até mesmo vulgarizados, os instrumentos respectivos de precisão. Caminharíamos, assim, para um campo mais científico, evitando erros dos estufeiros menos experientes, que frequentemente não sabem justificar as causas atribuidas aos seus fracassos.

Aparte da regulação de temperatura do terreno e do ambiente, que movimentam as regas, as caiações e a abertura dos albóios, os restantes cuidados culturais resumem-se às mondas, que devem ser frequentes, por forma a que o brolho cresça desafogadamente, e sem competidores nos princípios alimentares.