3 —Trabalhos culturais 

a) Regas: — Antes da plantação definitiva, o terreno deve ser regado uma vez, logo a seguir à preparação; no dia seguinte à tarde, é-lhe aplicado a segunda rega’, no terceiro dia, procede-se à plantação e rega-se novamente.

Nos primeiros 15 dias, as regas executam-se diariamente, para que o terreno muito poroso e a princípio com pouco poder de retenção, adquira a necessária humidade e entre em fermentação, com desprendimento de calor.

Uma vez começada a fermentação, as regas aplicam-se mais espaçadamente, bastando 3 vezes por semana, dia sim, dia não, e com maior ou menor quantidade de água, segundo a observação do estufeiro experimentado. Na altura dos fumos, suspendem-se temporariamente as regas, que recomeçam depois da floração, seguindo o mesmo ritmo até à colheita. Estas regas são executadas pelo estufeiro e um ajudante, munidos de regadores com canos compridos, sendo o crivo de ralos substituído por um dispositivo no fim do próprio cano, que espalha um largo e forte jacto de água.

b) Mondas: — Salvo determinados casos em que propositadamente se evitam (a seguir às plantações) quando pretendemos aterrar o plantio, deve o terreno ser mondado, antes que as ervas daninhas produzam sementes. Procedendo assim, depois de germinadas todas as sementes de ervas ruins, estas desaparecem quase totalmente à 3ª monda.

e) Sachas: — Ao mesmo tempo que se efectuam as mondas, o estufeiro e seus ajudantes procedem à sacha, com um pequeno instrumento de dentes, denominado forcado. Geralmente com a aplicação das regas, forma-se à superfície do terreno uma crosta nociva, que é indispensável desfazer, para que o terreno se mantenha esponjoso e possa receber imediatamente a água das regas, sem perdas por deslize. Estas sachas, também ligeiras, acompanham sempre as mondas, efectuando-se ao mesmo tempo e não costumando ser mais que três.

d) Caiação: — Um dos cuidados culturais de grande importância, é a caiação, pelos múltiplos efeitos que dela dependem. As aplicações de cal variam principalmente com a época do ano, empregando-se mais no verão, quando, como é lógico, a incidência solar é muito maior, precisando por isso ser amortecida.

Todas as estufas devem ser caiadas no verão, com uma diluição relativamente basta de cal, e, nos meses de menor calor, com cal mais fluida. Sempre que se planta uma estufa, quer no tempo quente, quer no frio, é indispensável caiá-la, para que a planta não se ressinta do demasiado calor, e só passadas 2 a 3 semanas, segundo a época, o estufeiro, num dia de bastante sol, passa a escova a seco sobre os vidros, para tornar menos espessa a camada de cal.

Nesta altura, a planta já está habituada a temperaturas altas, resistindo bem ao calor, e até mesmo beneficiando dele, pois como nós sabemos, com o calor dá-se uma aceleração de funções vitais nas plantas, que provoca uma abundante multiplicação celular, donde se conclui que o crescimento se torna mais intenso.

Outro objectivo na aplicação da cal, baseado nos mesmos princípios, é o retardar ou adiantar a fruta, o que traz vantagens interessantes na exploração dos ananases, que, como se pode deduzir pela descrição que vimos fazendo, está absolutamente dominada pela técnica do nosso ananaseiro experimentado. Esta prática, diz principalmente respeito à boa oportunidade de exportação. Por exemplo: uma estufa está pronta a exportar em Novembro, mas prevêem-se bons preços, nas exportações do Natal.