O linho está presente na alma dos mais velhos sebastianenses, que se alegram com uma eterna memória.
É que, tal como o trabalho do moleiro e outros, o engenho do linho tende a desaparecer. É artesanato do mais puro que se perde na poeira do tempo, e que vai sendo substituído pela maquinaria moderna.
Eram necessárias várias fases desde que a terra era amanhada até aos trabalhos finais, a urdidura e a tecelagem. Era um engenho complexo, demorado e custoso, mas muito bonito e tradicional.
O primeiro passo era o amanho da terra. Estando o terreno lavrado, semeava-se à mão milho, feijão e sementes de abóbora nas leivas, e grada-se com a grade de dentes, para a terra ficar solta. O terreno estava pronto para a segunda fase da lida, a sementeira.
Nesta segunda parte, o lavrador começava a semear a linhaça, regulando-se pelos sulcos divisores dos talhões. Oito dias depois da sementeira, a terra era regada pela primeira vez, tarefa que se sucedia intervalada pelo mesmo período de tempo. Semeado nos fins de Abril, o linho encontrava-se maduro por alturas do São João. Nessa altura, procedia-se à arriga – arrancar as plantas tenras e dispô-las em molhos de oito mãos cheias.
Depois de tirado do carro, o linho era preso ao ripo e era ripado. O ripo é formado por um cavalete, dentes, um ferro e argolas para o segurar à cabeçalha do carro. A ripa costuma começar ao início da madrugada, para estar pronta ao amanhecer.
Enquanto os ripadores almoçam, as raparigas pegam em ramos de flores e vão pô-los no ripo, com os pés virados para o homem a que se destina. O enterramento do linho consistia em colocar os molhos de linho, durante uma semana, em pequenas covas abertas junto ao rio, tapadas por areia. Retirado o linho do rio, passava-se à fase seguinte, o estender. Os molhos regressam ao monte, onde as mulheres os estendiam às filas. 
Passados mais ou menos quinze dias, numa tarde de grande calor e sem nevoeiro, apanha-se o linho e guarda-se na casa da eira, de novo aos molhos. Em seguida vinha a malhada. Nesta tarefa, só entravam duas pessoas. Que começavam a malhar, uma em frente à outra, no lado para onde estavam viradas as raízes. Malhado o linho, este é virado e recomeça-se a mesma tarefa. Depois de todo malhado, o linho era guardado de novo na casa da eira, até ser levado para o engenho.
Moído, o linho vinha do engenho em “massadouras” e era guardado até que chegasse a próxima faina. A espadelada iniciava-se às dez horas da noite e prolongava-se até muito tarde. Uma noite de intenso mas bem-disposto trabalho, onde imperava a alegria e as cantigas ao desafio. Prontas as meadas, passava-se à fiação. Depois de carpear a estopa, com os dedos, era necessário ensarilhar.
A cozedura do linho, no forno, era o passo seguinte. Um árduo trabalho que, como se disse antes, faz parte da lembrança mais viva da população de Vila de S. Sebastião.
FONTE A Vila de S. Sebastião - Angra do Heroísmo