Freguesia de S. Bartolomeu de Regatos

População: 1613

Actividades económicas: Agro-pecuária, agricultura, comércio, panificação, carpintaria, serviços, oficina mecânica, fabrico de bordados e ganadaria

Festas e Romarias: Espírito Santo, Santo António e Santo Antão (1.º domingo de Setembro), Nossa Senhora dos Milagres (3.ª semana de Setembro), festa dos Regatos (último domingo de Julho), carnaval e S. Bartolomeu (24 de Agosto)

Património: Igreja paroquial, impérios, ermidas de Nossa Senhora dos Milagres, de Santa Teresinha e da Quinta de Jesus Maria José, chafarizes, pontes, painéis de azulejos, via-sacra e quinta do Espírito Santo

Outros Locais: Lagoa da Falca, lagoa do Negro com parque de merendas, viveiro da Falca, Gruta do Natal, zona balnear, poço de areia e miradouro da Chanoca

Gastronomia: Vinho de cheiro dos Pesqueiros

Artesanato: Tecelagem e bordados

Colectividades: Grupo Folclórico Memórias da Nossa Gente, Filarmónica Espírito Santo de S. Bartolomeu e Grupo Desportivo de S. Bartolomeu

Orago: S. Bartolome

 

DESCRITIVO HISTÓRICO

A freguesia de S. Bartolomeu de Regatos é constituída pelos lugares de Pesqueiro e Regatos. Segundo a tradição, daqui partiram, em 1500, D. Inês Alvares e seu marido, para a longínqua missa de S. Mateus. A meio do percurso, compreenderam que a situação não poderia continuar, já que se revestia de grandes dificuldades uma viagem daquelas, de cada vez que desejavam assistir a uma missa. Daí à ideia de construir uma igreja na povoação, foi um pequeno passo.

Assim se fez o templo primevo da freguesia, assim se iria constituir alguns anos depois a paróquia de S. Bartolomeu. Segundo Carlos Drumond de Andrade, a paróquia foi criada em 1560. Diogo Leite foi o seu primeiro vigário e os primeiros documentos de baptismo são conhecidos em 1566.

Ao que parece, segundo alguns historiadores locais, antes da sua erecção paroquial, S. Bartolomeu estava integrada na freguesia de Santa Bárbara. Por esta época, tinha esta povoação menos de cem fogos. Um número que foi aumentando com o decorrer dos anos. Em 1590, a côngrua do cura de S. Bartolomeu é elevada para trinta mil réis, o que significa que já viviam na freguesia cerca de quatrocentas pessoas.

Em 1791, num acórdão da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, S. Bartolomeu dos Regatos é uma das seis freguesias incluídas no estabelecimento do ensino das primeiras letras no concelho. Não se sabe se a iniciativa se concretizou, mas só o facto da povoação estar incluída nesta lista demonstra a sua importância.

A antiga igreja paroquial, que deveria ser do século XVI, tinha três naves, sacristias, duas capelas laterais, baptistério, torre sineira e adro ajardinado. As naves eram muito estreitas e as pilastras vedavam a óptica aos fiéis. Foi decidido por isso mesmo reconstruir totalmente o templo, mantendo no entanto a traça original. As obras custaram à época (1965) setecentos contos, uma fortuna, mas S. Bartolomeu ficou com uma igreja digna e de grandes dimensões, que cumpria de forma irrepreensível servia as necessidades espirituais da sua população. Foi sagrada em 9 de Maio de 1971. No altar-mor, consagrado ao Santíssimo, encontra-se a imagem de Nossa Senhora do Socorro, ladeada pela do orago, S. Bartolomeu, e pela de S. Pedro. Do lado da Epístola, estão a de S. José e a de Santo Cristo. Na banda do Evangelho, as do Sagrado Coração de Jesus e de Nossa Senhora do Rosário.

A nível económico, não tem havido grandes alterações nos últimos anos, ou seja, o sector primário continua a ter uma clara preponderância sobre todos os outros. Carlos Drumond de Andrade já referia esta realidade: “Encontram-se nela boas quintas e grandes pomares de diversas frutas, principalmente figos, que são as melhores que vão para o mercado da cidade; mas pelo caminho debaixo há terras lavradias de grande produção, ainda que não muito largas em razão dos biscoitos que as cercam. Foi nesta freguesia que de muitos anos a esta parte se deu o louvável exemplo da cultura de vinhas a arvoredos, especialmente figueiras, nos outeiros e pedreiras que andavam cheias de silvas e de ervas agrestes. A não ser a moléstia, cinza, alforra, ou o que lhe queiram chamar por desconhecida nestas ilhas, essas vinhas e as mais que se iam plantando em breves anos produziram tanto que se não careceria importar vinhos alguns das outras ilhas vizinhas. Com efeito, é coisa digna de admiração que não haja notícia alguma da célebre moléstia que há três anos dá nas vinhas, reduzindo os cachos quando estão a criar baguinho, a um estado horroroso; que depois de figurarem como enfarinhados os torna negros e tísicos de todo, e o mesmo acontece às parreiras e folhagem. Os antigos não se acordam, nem há papéis que de tal moléstia façam menção. E tanto é o seu progresso que nem sequer já se cuida de vindimar as vinhas e no presente ano apenas se acham pequenos canudos de vinha para se podar”.

Actualmente, além da agro-pecuária, destaca-se o comércio e alguns ramos industriais, como a panificação, a carpintaria, as oficinas mecânicas, o fabrico de bordados e a ganadaria. Um desenvolvimento que se tem vindo a revelar significativo, como o atestam os diversos ramos industriais em laboração.

Nasceu nesta freguesia, em 22 de Fevereiro de 1887, o Pe. Manuel da Rocha Ferreira. Ordenado em Braga em 1912, foi no ano seguinte para a paróquia de Angra do Heroísmo. Ainda nesse ano, assume a direcção do Orfanato Beato João Baptista Machado. Um operário de homens, um herói da caridade, assim lhe chamaram ao longo dos anos em agradecimento pela obra feita. Em 1920, apesar de estar já muito doente, deslocou-se aos Estados Unidos com o objectivo de conseguir donativos para a sua obra. Tem o seu nome, desde 1943, no cunhal da antiga Rua dos Italianos, por deliberação da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo

 

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