Freguesia de Caveira

População: 80

Actividades económicas: Agro-pecuária e comércio

Festas e Romarias: N. Sra. do Livramento (3.º domingo de Setembro), Espírito Santo (7 domingos após a Páscoa) e S. Pedro (último domingo de Junho)

Património: Igreja matriz e império do Espírito Santo

Outros Locais: Ponta da Caveira e gruta dos Encharéus

Gastronomia: Cozido de porco, sopas de funcho e do Espírito Santo, filhós e folares

Orago: Nossa Senhora do Livramento

 

DESCRITIVO HISTÓRICO


Situada no extremo sul do concelho de Santa Cruz das Flores, a freguesia da Caveira dista da sua sede de concelho cerca de 5 quilómetros. Confina, a norte, com a Ribeira da Cruz, a qual a separa da actual vila; a sul, com a freguesia da Lomba, do concelho de Lajes das Flores e a leste com o oceano Atlântico.

A povoação assenta sobre uma elevada lomba, a qual se prolonga até ao mar, onde se forma a chamada Ponta da Caveira. Esta, pela sua forma e textura, constitui-se como um verdadeiro penhasco e merece um interesse especial.

A dobrar esta ponta, surge um braço de basalto que entra na baixa da Ribeira da Silva, a qual, na sua ponta sul, exibe curiosas formações rochosas policromas. E, se se regressar, um pouco, ao largo, podem ser admirados os efeitos da perspectiva.

Entra-se na baía da Ribeira da Cruz, situada entre Caveira e Santa Cruz, onde as águas cristalinas representavam um oásis na imensidão do oceano para os navegantes que atravessavam o Atlântico, no tempo das rotas de vela, aí fazendo aguada e se refrescando; e exibem-se vários monumentos geológicos, dos quais talvez possamos considerar como o mais imponente o denominado Rocha Fernão Jorge. É de supor que este monumento tenha tido origem numa disjunção prismática – um gigantesco triângulo formado por prismas basálticos. É muito peculiar, só se conhecendo um exemplar semelhante, na ilha de Diego Suarez, no Oceano Índico, o qual aparece, com grande relevo, nos mais variados álbuns de viagem.

A Gruta dos Enxaréus, uma grande cavidade situada à beira mar, entre Santa Cruz e Caveira é um dos pontos mais atractivos da ilha de Santa Cruz das Flores. É digna de visita, pela sua exótica beleza e pela sua grande graciosidade. Tem cerca de 50 metros de comprimento e 25 de largura.

No século XV, período no qual terá sido descoberta a ilha das Flores, ocorrendo a primeira tentativa de povoamento por volta de 1480, os navegantes deparavam-se com grandes dificuldades a vários níveis. Era necessário ter um forte espírito de aventura e uma coragem feroz para poder desvendar os mais variados segredos do mar. As embarcações não reuniam ainda todos as condicionantes técnicas que seriam desejadas e, não era também fácil, fazer tão longas viagens, assegurando-se uma adequada manutenção dos tripulantes. Todavia, como recompensa de todo o esforço empreendido por aqueles aventureiros, surgira esta ilha, repleta de flores e de sinuosos recortes, formando baías e pontas. Nesses lugares, os navegadores ora podiam descansar, como acontecera por exemplo na baía de S. Pedro, ou então fazer vigia, como se verificara em Ponta da Caveira.

A ilha das Flores, do conjunto de todo o arquipélago açoreano, era a que ficava mais afastada do continente. As ligações por barco não eram regulares, o que não facilitava o seu desenvolvimento. Apenas no século XVI, depois dos primeiros descobridores terem inaugurado curtas e inconsequentes experiências de povoamento, é que, Caveira, à semelhança de outras freguesias de Santa Cruz das Flores aparece com uma ocupação humana relativamente organizada, pelos menos em termos económicos.

A exploração agrícola e a actividade pecuária, sobretudo de gado bovino, ovino, caprino e suíno, começava a registar já uma certa rentabilidade, o que deverá certamente ter contribuído para que Caveira, embora apenas no final do século XVII, tivesse iniciado a construção da sua igreja paroquial.

Em inícios do século XX, a produção de manteiga, na freguesia, era uma realidade económica em verdadeiro desenvolvimento, muito embora, aqueles que negociavam com as fábricas de manteiga, situadas não só em Caveira, como também em Ponta Ruiva ou Ponta Delgada, declarassem que só vendiam aquele produto nas referidas localidades.

Relativamente a esta situação, que tanto incomodava os consumidores, refira-se um artigo do Açoreano Ocidental, de Julho de 1918, extraído por Pierluigi Bragalia e publicado na sua “História dos Lacticínios da Ilha das Flores”, que refere que, apesar terem sido tomadas várias medidas, faltava manteiga no mercado. Chegara mesmo a dizer-se, que, quem quisesse manteiga, teria de se dirigir a Caveira, a Ponta Ruiva ou Ponta Delgada. O documento acrescentava: “Não discutimos as razões que assistam ou possam assistir a esses negociantes, mas, o que frisámos, é que o mercado de Santa Cruz não é abastecido, apesar de se exportarem em cada viagem uns dez mil quilos de manteiga!”. Na verdade, o produto, podia não existir no mercado principal da ilha, mas era fabricado tanto em Caveira, como em Ponta Ruiva ou Ponta Delgada.

O fabrico de manteiga, começou a ter lugar na freguesia, no século XIX e um dos primeiros comerciantes por grosso de manteiga florense foi José Luís da Caveira.

Nesta freguesia os industriais deste produto foram sempre de tal forma bem sucedidos, que cooperativas não conseguiam desenvolver-se. Um artigo publicado no periódico “As Flores”, em 1935, referia: “Se um dia fosse possível monopolizar todas as indústrias de lacticínios nesta terra, se o conseguissem, em que ficaria a lavoura e a economia das Flores??? – só se salvaria da tormenta a Caveira!!!...”.

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