Freguesia de Altares

População: 900

Actividades económicas: Agricultura, pecuária, serviços, comércio, indústria, telha regional, carpintaria, serralharia de alumínios e produção de leite

Festas e Romarias: Espírito Santo, Nossa Senhora de Lurdes (1.º domingo de Setembro), festa das Touradas à corda, S. Roque (16 de Agosto) e carnaval

Património: Igreja matriz, cruzeiro, chafarizes e Império Espírito Santo

Outros Locais: Zona do Pico Matias Simão, parque de merendas no lugar das Cales, lugar da Queimada e lagoa do Negro com gruta do Natal

Gastronomia: Sopa do Espírito Santo, cozido e alcatra

Artesanato: Trabalhos em vime e rendas e bordados

Colectividades: Sociedade Altarense do Sagrado Coração de Jesus, Casa do Povo de Altares (com o Grupo de Música Popular Portuguesa “Os Baga Baga” e “Ares de Verão”), Grupo de Teatro Pedra Mó, Grupo Popular “Os Tinotas”, Bombeiros Voluntários de Angra do Heroísmo (3.ª Secção de Altares) e Santa Casa da Misericórdia de Altares

Orago: S. Roque

 

DESCRITIVO HISTÓRICO

Com uma área de cerca de vinte e quatro quilómetros quadrados, a freguesia de S. Roque de Altares encontra-se a dezoito quilómetros de Angra do Heroísmo. Situa-se entre Raminho, a ribeira dos Gatos, os Biscoitos, a ribeira de Pamplona e a serra de Santa Bárbara. É composta, segundo a “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”, pelos lugares, quintas e casais de Achadas, Altares, Arrochela, Canada de João Borges, Canada do Morgado, Canada do Narciso, Canada do Pelame, Canada dos Cales, Canada dos Morros, Cruz do Marco, Estradas do Rego, Fonte, Grota da Fonseca, Lugar, Presas, Ribeira da Lapa, Ribeira da Luz, Ribeira do Gato e Rossio. É a freguesia mais a norte da ilha.

Ao que parece, o curioso nome desta freguesia deve-se à sua posição topográfica e à geografia. Assim, o seu nome inicial terá sido Altos Ares, mas a contracção das duas palavras, com o tempo, acabou por fazê-las derivar para Altares. O Pe. António Cordeiro, que foi prior da freguesia na primeira metade do século, emitiu no entanto opinião contrária em “História Insulana”: “O lugar de S. Roque, a que chama os Altares, por ter junto ao mar um pico que parece um altar, a que vem render-se ao mar; e é tão alto o pico que serve de marco aos pescadores que vão pescar daquela parte, e varias léguas, ao mar; e até por ali a ilha é de rocha viva, e alta, e o mar perigoso pelos muitos baixos que nele há, em direitura do pico, e da capela--mor da igreja de S. Roque.”

A primitiva igreja paroquial, de construção muito remota, caiu em ruína depois de um grande terramoto, em 17 de Maio de 1547. Foi erguida então a actual matriz, dedicada a S. Roque, com torre sineira adossada à fachada. O interior é simples mas de muito bom gosto arquitectónico.

Joaquim Esteves Lourenço descreve esta freguesia, em jeito de roteiro e convite a uma visita: “A sua demarcação é uma figura rectangular, tendo as quatro faces limítrofes em correspondência, directa aos quatro pontos cardeais. (...) Uma muralha quase intransponível de rocha bravia, a defende, a toda linha norte do mar que, aí, subjugado pela eminência, ruidosamente se vem quebrar de embate, ao aparcelado pé. E ao sul, finalmente, a servir-lhe também de limite muralhoso e parapeito, defensivo da ventania, fica a serra de Santa Bárbara, como que desolada na distância.

Mas dentro deste quadro, a orografia local tem mais alguma coisa, digna de referência. Emergindo suavemente, da planura sobre o alcantil fragoso, que o fende a meio, ergue-se para o lado norte, parecendo ali uma intumescência da costa, o singular Pico de Martim Simão, como atalaia vigilante da aldeia. Curioso em extremo no seu recorte de pico, metade, tem ainda a distingui-lo a prerrogativa de ser um dos mais formosos e deslumbrantes pontos de vista da ilha e do arquipélago.

O Pico de Viana, sobressaindo no extremo leste da freguesia e o de Baixa-a--Baixa, mais para o interior, bem como o Outeiro de S. Mateus, no seio do povoado, são também estimados miradouros da localidade. E ainda, como apêndice à serra de Santa Bárbara, lá onde avulta o Rachado, bifronte e taciturno, destaca-se, descendo a planície a mancha verde-escura do Cerro das Cales, célebre em toda a ilha, pelo denominado Terreiro das Cales, pitoresca cercadura de montanhas adaptada recentemente a parada de touros em corrida regional.

Se a isto juntarmos cinco ribeiras: a dos Gatos, a de S. Roque, a da Luz, a da Lapa e a do Pamplona, listando com o verde dos álamos marginais e o cinzento dos leitos pulidos, o chão declivoso desta planície espalmada ao sol, teremos concluído a descrição panorâmica do terreno. É no meio deste cenário que repousa a linda povoação de Altos Ares, beirando sempre com visível apego as estradas de macadame e que a entrecruzam.”

O sector primário, com destaque para a agricultura e a pecuária, é a principal actividade das cerca de novecentas pessoas que vivem actualmente na freguesia. Uma realidade que é favorecida de forma óbvia pela fertilidade e riqueza dos seus terrenos, considerados os melhores de toda a Ilha Terceira. Quanto à população, tem vindo a decrescer constantemente no decorrer deste século. Em 1890, segundo o primeiro recenseamento oficial feito em Portugal, viviam em Altares 1645 habitantes, em 437 fogos. Em 1920, esse número já era de 1411, mas em 1950 registara uma ligeira subida e fixava-se nos 1612 e 433 fogos. A partir daí, a descida foi constante e hoje não atinge os mil habitantes

CALHET

 

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