Freguesia de Achadinha

População: 600

Actividades económicas: Agro-pecuária, comércio e serviços

Festas e Romarias: Nossa Senhora do Rosário (domingo após 15 de Agosto) e Festas do Divino Espírito Santo

Património: Igreja matriz e Padrão das Almas

Outros Locais: Moinhos das Relvas, Ponte de Nosso Senhor e Miradouro do Caminho das Relvas

Gastronomia: Fervedouro, sopas de funcho, molho de fígado, massa sovada, chouriço, morcela e torresmos

Colectividades: Grupo Desportivo da Achadinha

Orago: N.ª Sra. do Rosári.


DESCRITIVO HISTÓRICO


Situada em terreno plano, integra o concelho do Nordeste e dista 23 km da sede do concelho. A ocupação e o aproveitamento dos Açores integraram-se na chamada “Cruzada do Infante”, a qual consistia em ganhar terras, ainda que desabitadas, para nelas se continuar a alargar o reino de Cristo.

Assim se instala o Infante D. Henrique em Sagres, para se dedicar ao serviço de Deus, da sua terra e do seu rei, enquadrando o mundo ultramarino na civilização católica e na soberania de Portugal. É no desempenho desta missão que ele vai encontrar os Açores. Foi descoberta esta ilha após a de Santa Maria, por volta de 1427, desconhecendo-se o ano exacto.

Na ilha de S. Miguel, à qual pertence este concelho, o povoamento começou junto da Ribeira do Além, local onde surgiu a Povoação Velha e lugar onde desembarcaram os descobridores quando a esta ilha chegaram.

Nos primórdios, era este concelho um simples lugarejo dependente de Vila Franca do Campo.

Em meados do século XVI, já a ilha de S. Miguel tinha uma cidade, cinco vilas e vinte freguesias, salientando-se, neste período, o desenvolvimento agrícola e industrial, assente na exportação de madeiras e na cultura do trigo e do pastel, passando este último a constituir uma fonte de riqueza importante para o arquipélago, na medida em que, o seu resultado final, alimentava a indústria têxtil, sendo exportado, preferencialmente, para a Flandres. Aqui existiu uma pequena ermida dedicada a S. Bento.

Em 1568, a igreja paroquial já era uma vigairaria, devendo datar este templo da mesma altura, ou de pouco antes, e que foi reconstruído em 1830. Em 1874, foi edificada a Igreja de S. José, no Lugar da Salga, a 3 km da sede da freguesia, que, mais tarde, viria a ser destruída, procedendo-se à erecção de um outro templo, sob a mesma invocação.

A 20 de Junho de 1820, por provisão de D. João VI, passaram a integrar o concelho do Nordeste e a seu pedido, as localidades da Povoação, Água Retorta, Faial, Fenais da Ajuda, Achada e Achadinha, que assim se desanexou do concelho de Vila Franca.

Pela Reforma Administrativa de 24 de Outubro de 1855, constituiu-se o actual território do Nordeste, a ele se restituindo a Achadinha. Assim se traçaram os limites precisos deste concelho do Nordeste.

Foi nesta freguesia da Achadinha que, a 1 de Agosto de 1831, desembarcaram as tropas de D. Pedro IV, enviadas à conquista da ilha de S. Miguel, em posse dos absolutistas, tendo sido esta expedição comandada pelo conde de Vila Flor. Contudo, o desembarque não foi isento de riscos, em virtude de a costa se encontrar semeada de calhaus e de os ventos poderem empurrar os barcos para os rochedos.

Por outro lado, parece que a população da Achadinha não recebeu as tropas liberais com o entusiasmo esperado, talvez influenciada, no dizer do conde de Vila Flor, pelas campanhas absolutistas: “(...) alguns paisanos que, forçados pelos delegados dos opressores, destacavam com alavancas os penedos do alto da elevada escarpa do mar e os faziam rolar sobre a nossa tropa.” No entanto, e por tradição que ainda hoje corre nesta freguesia, a população assim terá procedido em face de um perigo que julgava que corria. Até muito recentemente se julgou que o exército liberal tivesse acampado na Ribeira do Guilherme, entre a Fazenda e a Vila.

Na verdade, como se infere da “Participação Oficial do Conde de Vila Flor”, o exército liberal acampou “nas alturas que dominam o Logar da Maia, tendo na minha frente a profunda ravina denominada Ribeira dos Moinhos” e não na Ribeira do Guilherme como o pretendia um trabalho recente sobre o concelho do Nordeste.

Duas condições importantes estiveram subjacentes à escolha do lugar da Achadinha: a primeira, por se tratar de uma zona desguarnecida e, a segunda, por se tratar de um lugar que, apesar de não ter porto, permitia sair em terra.

Fundamentalmente, serviu este lugar como tubo de ensaio aos liberais que pretendiam atingir um objectivo mais vasto – alcançar as zonas vitais da ilha: Ribeira Grande e Ponta Delgada. Assim, após o combate nos Fenais e o acampamento na Lomba da Maia, ambas as tropas se defrontaram na Ladeira Velha, no dia 2 de Agosto de 1831. A célebre Acção da Ladeira Velha, marcou a derrota do reduto absolutista que resistia na ilha de S. Miguel, e o fim do seu domínio nos Açores.

Por esta freguesia ser encontrada depois da Achada, do mesmo concelho e apesar de ser maior do que a Achada, chamou-se-lhe Achadinha. A este lugar, o povo também costuma designar Achadinha Grande.

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