Freguesia de Ribeira Seca

População: 2800

Actividades económicas: Agricultura, pecuária, indústrias de construção civil e hoteleira e serviços

Festas e Romarias: Cavalhadas de S. Pedro (29 de Junho) e Coração de Jesus (3.º domingo de Agosto)

Património: Igreja paroquial, Ermidas da Quietação, Paciência, Mãe de Deus e Bom Sucesso e o Fontenário do século XVI

Outros Locais: Fábricas de Telha, Museu do Chá, Tanoaria e Praia

Gastronomia: Fervedouro, sopas do Espírito Santo, chicharro, bolo de sertã, bolo de forno e bolo de leite

Artesanato: Telha, sertã, cantaria basáltica, rendas e tecelagem

Colectividades: Grupo de Cantares de S. Pedro, Grupo Etnográfico da Madre Teresa, Vicentinos, Grupos Desportivos e de Escuteiros

Orago: S. Pedr.


DESCRITIVO HISTÓRICO


Situada na costa norte da ilha de S. Miguel, dista 34 quilómetros da sede do concelho. A sua fundação deu-se por volta do século XV, concomitantemente ao povoamento da Ribeira Grande, por necessidade de assistência religiosa às gentes do extremo da vila.

Hoje, esta freguesia integra-se na área administrativa da cidade da Ribeira Grande, conforme foi estipulado no Decreto Regional n.º 15/81, de 29 de Junho do mesmo ano. No século XVI, foi elevada a paróquia.

Das ermidas, muito antigas, destaca-se a da Mãe de Deus, local preferido para oração e recolhimento da jovem que, mais tarde, veio a tornar-se a Madre Teresa da Anunciada, freira da Ordem de Santa Clara iniciadora da grande devoção ao Senhor Santo Cristo dos Milagres em Ponta Delgada. Madre Teresa nasceu na Ribeira Seca em 1658 e, com o seu exemplo de preserverança, instituíu as maiores festas religiosas da Ilha e do Arquipélago – as festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres.

A ermida da Quietação deve o seu nome à promessa que o povo da localidade fez à Virgem Maria durante uma crise sismica, pedindo-lhe que a terra deixasse de tremer e se “quietasse”.

Em 1563, houve uma erupção vulcânica no Pico do Sapateiro, a sul da freguesia, cuja lava, ao escorrer para o norte até ao mar, soterrou tudo à sua passagem. Em 1944, quando se procedia a obras para instalação da rede de água, foi descoberto o fontanário do século XVI, que deve ter funcionado entre 1513 e 1563. Apresenta-se encravado em vários sentidos em grandes veios de pedreira viva fruto da corrente ignea em que se alojou no bebedouro num movimento calmo e em perfeita adaptação ao modo, completamente cheio dela, oferecendo um trecho do maior interesse.

Todos os anos, a 29 de Junho, dia do padroeiro S. Pedro, um grupo aproximado de uma centena de cavaleiros junta-se no Solar da Mafoma e de lá segue em cortejo sob o comando de um “rei” para a igreja paroquial. As “Cavalhadas”, assim se denominam estes cavaleiros, vão cumprimentar o padroeiro pela voz do rei, que, em verso, invoca a vida de obra de S. Pedro e pede protecção para os habitantes da freguesia. Em seguida, os cavaleiros dão sete voltas à igreja, em homenagem aos sete dons do Espírito Santo, e partem para os paços do concelho onde a embaixada cumprimenta os responsáveis pela edilidade. Todos os cavalos vão ricamente ajaezados cobertos com lençóis brancos. Os cavaleiros vão vestidos de branco e vermelho, usando um chapéu preto ornamentado com motivos diversos, quer em oiro, quer em lata ou fantasia. As origens de tal espectáculo tem suscitado opiniões diversas que se prendem umas com motivos religiosos, outras com aspectos sociais. Ainda nestas festividades, e como complemento, é costume fazerem-se “alâmpadas” que são arranjos florais em forma cilíndrica constituídos por hortênsias, roseira de cachinho e frutos diversos ainda não maduros – ananás, milho, uva, pêra, maçã, etc. Com as “alâmpadas” se enfeitam a Igreja para a festa e S. Pedro e com elas se premeiam os que mais se distinguem nestas festividades.

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