Freguesia de Ribeirinha

População: 2960

Actividades económicas: Agricultura, agro-pecuária e comércio

Festas e Romarias: Semana Santa, Divino Espírito Santo (de Junho), Santíssimo Salvador do Mundo (2.º domingo de Agosto), Carnaval e Romarias Quaresmais

Património: Igreja matriz, Ermida de Santo António, Moinhos de Água e Fontenários Centenários

Outros Locais: Porto de Santa Iria, Farol da Ponta de Cinturão, Lugar de Vigia das Baleias, Salto do Cabrito, Paisagem Natural e Percursos Pedestres

Gastronomia: Queijo branco

Artesanato: Telha de cimento (regional)

Colectividades: Ribeirinha Futebol Clube, Banda Filarmónica “Santíssimo Salvador do Mundo”, Casa do Povo e Grupo de Cantares

Orago: Santíssimo Salvador do Mund.


DESCRITIVO HISTÓRICO


Situada na costa norte da ilha, dista cerca de 3 quilómetros da sede do concelho e 21 quilómetros de Ponta Delgada.

O povoamento desta freguesia remonta à época da ida dos primeiros colonos para S. Miguel, na segunda metade do século XV.

No século XVI, Gaspar Frutuoso assim se lhe referia: ”um lugar de boas e frescas águas, bem avizinhada de gente ao longo da qual tem sua rica quinta Rui Gago da Câmara, parente do Conde de Vila Franca, Capitão desta ilha (...)”. Foi este Rui Gonçalves da Câmara, primeiro detentor daquele título de nobreza.

Pelo Decreto de 3 de Agosto de 1948, é elevada à categoria de freguesia, assim se desanexando da freguesia da Matriz.

A primitiva ermida deste lugar foi dedicada ao Santíssimo Salvador do Mundo e, entre 1630 e 1632, serviu de albergue aos eremitas do Vale das Furnas, fugidos à erupção vulcânica de 2 de Setembro de 1630. No segundo semestre de 1674, foi esta ermida elevada a curato.

Frei Montalverne refere o seguinte: “O Bispo (...) considerando o arrabalde da ribeira ter muitos fogos e gente, no ano de 1674, estando na vila, criou neste arrabalde um novo curato, para aliviar a carga dos curas da vila”.

No século XVIII, em data que não se pode precisar, foi a Ribeirinha dotada de uma casa e ermida anexa de Santo António de Lisboa.

O topónimo Ribeirinha deriva do curso de água que neste lugar raramente terá revestido o carácter torrencial, tão frequente nas ilhas açorianas. Diz Gaspar Frutuoso: “chamada assim, com o nome diminutivo, por ser mais pequena a Ribeira Grande, sua vizinha”.

Parece ter surgido esta povoação ao mesmo tempo ou pouco depois do início do povoamento da Ribeira Grande, na última metade do século XV.

Para além da abundância de águas e da fertilidade dos terrenos, outros dois factores físicos, muito importantes para o desenvolvimento urbanístico e económico da Ribeira Grande, terão contribuído para a fixação de gente no Lugar da Ribeirinha – a Pedreira da Ribeira do Salto e o Porto de Santa Iria.

Da importância desta freguesia, como subúrbio da Ribeira Grande, nos fala Joaquim Cândido Abranches em Álbum Micaelense: “ Esta vila (Ribeira Grande) está situada à beira-mar mas, não oferecendo sua costa porto seguro para desembarques, foi construído um cais no sítio denominado Ponta de Santa Iria, em distância da Vila de cerca de 2 kilómetros, obra em que se gastaram tão poucos contos de réis, e de que pouca utilidade até hoje se tem retirado.

Antigamente, era no Porto dos Carneiros, da Vila da Lagoa, que se embarcavam as mercadorias da Ribeira Grande”. A 25 de Janeiro de 1862, fez-se o embarque de laranjas pelo Porto de Santa Iria.

Nos anos trinta do século XX, este Porto foi muito melhorado e na guerra de 1939-1945, a Península de Santa Iria foi fortificada, mantendo-se ainda hoje, embora desartilhada.

Eram culturas tradicionais desta localidade, o milho e a espadana que deram origem a duas fábricas locais, hoje extintas. Da Pedreira da Ribeira do Salto, diz Gaspar Frutuoso: “ tiram muita e boa pedra de cantaria (...), que serve para edifícios (...) que, por ser mais mole (...) do que o basalto, era a mais empregada nas maiores e mais apuradas construções anteriores à grande erupção vulcânica do Pico das Berlengas que deu origem à Lagoa do Fogo (...)”.

No Livro de Tombo II, pode ler-se que nos séculos XVII e XVIII, muitos foram também os edifícios que a empregaram, entre os quais a Igreja de S. Francisco, a Igreja Matriz e a Igreja da Misericórdia.

Por seu turno, o grande e rápido desenvolvimento agrícola da Ribeira Grande, na primeira metade do século XVI, exigindo um porto de mar para a exportação dos seus produtos excedentários que, até então, eram embarcados no distante Porto dos Carneiros da Vila da Lagoa, levou os habitantes desta antiga vila a procurarem uma enseada mais acolhedora e mais próxima.

Essa enseada só foi encontrada no litoral da Ribeirinha, que de início se passou a chamar “Porto do Macedo” e, pouco depois, “Porto de Santa Iria”.

Contudo, no segundo quartel do século XVIII, uma outra actividade surgiu no Porto de Santa Iria – a pesca da baleia. Prolongou--se esta actividade por todo o século XIX. Desde então, a Ribeirinha passou a viver a febre de colonização e crescimento, que culminaria com a sua elevação a freguesia em 1948 e a paróquia em 1956. Hoje, encontra--se este porto velho e abandonado, nele existindo ainda as duas rampas que serviram, outrora, de varadouro aos batéis e às baleias.

Assim, até meados do século XIX, era este lugar terra de baleeiros que trabalhavam no Porto de Santa Iria. Por este porto se efectuavam descargas de sal vindo do Continente e o embarque de laranja para o estrangeiro.

Actualmente, a Ribeirinha é produtora de muitos dos produtos agrícolas vendidos nos mercados das cidades da Ribeira Grande e de Ponta Delgada.

Merece destaque a Água das Lombadas que é carbo-gasosa, na qual predominam os iões bicarbonato e o sódio. Sendo sobressaturadas de gás carbónico, têm um sabor acídulo muito agradável ao paladar, não se alterando com o tempo.

Sobressai nesta freguesia o Lugar das Gramas, onde a maioria dos seus habitantes se dedica à agricultura, e outros prestam serviço na fábrica de tecelagem.

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