Freguesia de Flamengos

População: 1446

Actividades económicas: Agro-pecuária, panificação, oficinas auto, carpintaria e pequeno comércio

Festas e Romarias: S. João (24 de Junho), Nossa Senhora da Luz (8 de Setembro) e S. Pedro (29 de Junho)

Património: Igreja matriz, impérios da Cruz, da Lomba, do Cantinho, do Espírito Santo, da Trindade, da Igreja e do Farrobo, edifício polivalente, ermida de S. João e fontanário das Bicas

Outros Locais: Zona das Bicas, ribeira, miradouro da ermida e miradouro da estrada da Caldeira

Gastronomia: Sopas do Espírito Santo, fressura, morcela, chicharro frito com molho cru, lapa grelhada, inhame com linguiça, massa sovada, arroz-doce e filhós

Artesanato: Rendas e bordados

Colectividades: Futebol Clube dos Flamengos, Filarmónica Nova Artista Flamenguense, Tuna e Grupo Folclórico Juvenil dos Flamengos

Orago: Nossa Senhora da Lu.

 

DESCRITIVO HISTÓRICO


A quatro quilómetros da sede do concelho,a freguesia de Nossa Senhora da Luz de Flamengos está situada na parte central da ilha do Faial. Encontra-se num fértil vale, rodeado de montanhas. É constituída pelos lugares de Atafoneiro e Farrobo. Sendo a única freguesia central do Faial, é húmida mas de clima muito agradável.

Os territórios que constituem actualmente a freguesia foram colonizados por flamengos, que tiveram grande influência na colonização do Faial. O próprio nome da povoação comprova esta afirmação. Os primeiros povoadores da ilha, provenientes da Flandres, desembarcaram aqui no século XV, liderados por Josse van Huerter, já depois de os primeiros portugueses aqui terem chegado.

Este flamengo abastado, depois das terras do norte da Holanda, veio atrás das notícias que diziam haver na ilha filões de estanho e prata. Apesar de tal não se ter confirmado, Van Huerter apaixonou-se pelo lugar, à época conhecido como ilha de S. Luís.

Com o apoio da duquesa de Borgonha, filha de D. João I, Van Huerter foi nomeado donatário da ilha, em 1468, dedicando-se, com os seus compatriotas, à exploração da agricultura e da planta tintureira pastel, uma das grandes riquezas desta ilha.

Começando por se fixar em Flamengos, só mais tarde os povoadores holandeses se estenderam pela área hoje ocupada pela cidade portuária da Horta.

Rodeada por montes e de clima húmido, a localidade de Flamengos foi alvo de uma série de infortúnios, sendo inúmeras vezes deitada abaixo para que os seus habitantes, sempre persistentes, a voltassem a erguer. Assim aconteceu várias vezes com a primitiva igreja paroquial. Parece ter sido edificada pouco depois de povoado o sítio. Foi saqueada e destruída pelos ingleses em 1597 e reconstruída em 1606 e 1736. Aquando do terramoto de 31 de Dezembro de 1926, quase todas as casas da freguesia voltaram a ser destruídas, incluindo o templo paroquial. Reconstruído, veio a arder completamente em 1938. Foi então que se ergueu uma nova igreja, mais moderna e de agradabilíssima traça arquitectónica.

Afastadas as calamidades, vale a pena visitar esta freguesia e o seu extenso vale, que a separa da cidade da Horta. São notórias as características agrícolas deste lugar, onde as casas apresentam, ao mesmo tempo, características do norte e do sul do País. Tal como nas Beiras e Trás-os-Montes, são casas de dois pisos, sendo o rés-do-chão destinado aos animais e o primeiro andar à habitação. Já as chaminés evidenciam características típicas do sul. Hoje, estas casas são brancas, com as ombreiras de pedra basáltica, mas nem sempre foi assim. Começaram por ser construídas em pedra e cobertas de colmo, possuindo apenas uma única divisão.

As hortênsias são uma companhia permanente para quem viaja de Flamengos até ao vizinho monte Espalamaca, ponto alto de onde se avistam as ilhas de S. Jorge, Graciosa e Pico, a ocidente, e a cidade da Horta a leste. São aliás as hortênsias, cujas flores ganham cor na Primavera, que justificam o nome com que Raul Brandão baptizou o Faial: a Ilha Azul.

Vítor Rui Dores, em “Viagens na Nossa Terra”, das Selecções do Reader’s Digest, faz uma pequena referência à freguesia: “Saia da Horta e siga na direcção da freguesia dos Flamengos, situada em pitoresco vale. (...) Assinala o local onde os primeiros flamengos se estabeleceram aquando do povoamento desta ilha. Regresse à cidade da Horta pela estrada da Espalamaca..

Com menos de mil e quinhentos habitantes, a freguesia de Nossa Senhora da Luz de Flamengos tem perdido população ao longo do século. Em 1890, tinha mais de dois mil habitantes e em 1920 ainda eram quase mil e setecentos. A vaga migratória que assolou todo o território açoreano em meados do século, e até todo o interior de Portugal, foi a responsável por essa perda populacional.

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