Freguesia de Povoação

População: 2500

Actividades económicas: Agro-pecuária, comércio, construção civil e serviços

Festas e Romarias: Nossa Senhora Mãe de Deus (1.º domingo de Setembro), Corpo de Deus (dia próprio), Divino Espírito Santo (7.º domingo após a Páscoa), Festival da Canção Infantil – Caravela d'Ouro (Abril), Feira do Livro e Festival de Bandas (1.º domingo de Outubro)

Património: Igreja matriz, Igreja de Nossa Senhora do Rosário, Moinhos de Água e Padrão Fonte no Bairro da Caridade

Outros Locais: Miradouros da Lomba do Cavaleiro e do Pôr do Sol, Jardim Municipal, Parque Zoológico e Paisagem Natural

Gastronomia: Fervedouro, chicharros com molho de vilão, molho de fígado, bolo da sertã, papas grossas e fofas

Artesanato: Rendas, bordados, bonecas de folha de milho, artefactos em escama de peixe, flores de papel e mantas de trapos

Colectividades: Mira Mar Sport Clube, Associação Cultural e Desportiva, Sociedade Filarmónica Marcial Troféu, Associação Cultural Seara Verde, Quinzenário Seara Verde, Grupo Folclórico da Lomba do Cavaleiro, Associação Humanitária Bombeiros Voluntários, Santa Casa da Misericórdia, Fundação Maria Isabel do Carmo Medeiros, Escuteiros, Tuna Povoacense e Orquestra Ligeira da Câmara Municipal

Orago: Nossa Senhora Mãe de Deu.


DESCRITIVO HISTÓRICO


No século XIII, varrida a moirama, o povo português não terminara ainda o seu destino. Rapidamente os monarcas reconheceram que, além das fronteiras terrestres, inultrapassáveis, outras havia que lhes competia alargar: as fronteiras do ocidente e do sul, sendo preciso galgar, ao sul, o oceano Atlântico, e a ocidente desvendar o mistério, procurando as terras que geógrafos, poetas, historiadores e lendas mencionavam.

Começou-se pelo ocidente. Tem-se como certo que, antes de 1336, os portugueses navegavam no Atlântico, ao largo da costa. Em 1415 iniciava-se a conquista de Ceuta. De acordo com Duarte Leite, a expedição de portugueses e genoveses, enviada por D. Afonso IV às Canárias, teria tocado pela primeira vez na Madeira e nos Açores.

Por seu turno, Joaquim Veríssimo Serrão escreve a este propósito: “Não é de pôr em dúvida que houve viagens isoladas a uma ou mais ilhas dos Açores, pois os genoveses foram atraídos pelo Atlântico ao longo do século XIV. (...) Nem sempre a ancoragem teve lugar, podendo suceder que os navegadores se limitassem a encontrar terras de que tomavam conhecimento”.

Depois de reconhecidas e identificadas as ilhas da Madeira e Porto Santo, foi a vez de Santa Maria, a 15 de Agosto de 1427, por Diogo de Silves, seguindo-se, como é natural e compreensível, que após alguns dias ou semanas de descanso naquela ilha, tenham vindo reconhecer e identificar S. Miguel, precisamente pelo S. Miguel de Setembro. Daí o nome desta ilha.

Foi nesta enseada, aqui na Povoação, frente a Santa Maria, entre duas caudalosas ribeiras, uma delas penetrando bastante para o interior, em cerca de um quilómetro, servindo de bom abrigo e com boas águas, que pela primeira vez portugueses desembarcaram e rezaram missa aqui, junto duma dessas ribeiras, como foi uso e costume dos portugueses por todo o mundo que descobriram.

A igreja agora aqui existente, junto ao mar, não é a primitiva nem sequer possivelmente está no lugar onde a primeira missa foi rezada, mas concerteza muito próximo do lugar de desembarque.

Alguns anos depois, possivelmente cerca de 1432, Frei Gonçalo Velho veio, já com vista a possível povoamento, deitar sementes e animais domésticos. Em 1439 iniciou-se o povoamento, neste local, por isso o nome de Povoação. Daqui se começou, por mar, o reconhecimento da costa de toda a ilha (Faial da Terra, Vila Franca, etc.) e respectivo povoamento.

Por ordem de Frei Gonçalo Velho, então capitão donatário das ilhas de Santa Maria e de S. Miguel, iniciou-se o povoamento em regime capitalista e de semi-escravidão, com familiares seus, pretos, mouros, judeus, prostitutas e toda a sorte de indivíduos, vadios e prisioneiros, com predomínio para os do centro do País, Ribatejo e arredores.

As cinco Lombas – Cavaleiro, Carro, Botão, Pomar e Pós – que constituem esta freguesia cujo povoamento, feito no cume dos Açores, utilizando os terrenos menos produtivos e mais varridos pelas ventanias, tinham a finalidade dos seus habitantes, servos da gleba dos senhores, vigiarem as culturas e os terrenos dos mesmos.

A actual igreja de Nossa Senhora Mãe de Deus é de meados do século passado. Anteriormente a esta, havia a de Nossa Senhora do Rosário à beira-mar e que inicialmente tinha como padroeira Nossa Senhora dos Anjos.

A construção naval foi nos séculos XVI, XVII e parte do século XVIII uma actividade de grande importância, construindo-se barcos de grande arqueação nos estaleiros da ribeira de Além, que era então navegável até à actual ponte nova.

Depois, a cultura de cereais, principalmente do milho, ocupou a população e foi até à actualidade a principal riqueza, agora substituída pela produção leiteira.

A comunicação com as restantes localidades da ilha fazia-se em barcos de cabotagem, processo usado até meados deste século.

Embora a Povoação tenha sido a primeira região a ser povoada, foi, porém, o mais recente concelho a ser criado, pois tal facto só teve lugar em 3 de Julho de 1839, em virtude dos esforços de um grupo de autonomistas povoacenses e da boa vontade e compreensão do 1.º barão das Laranjeiras, governador do Distrito. Foi 1.º presidente da Câmara José Jacinto Pacheco de Resende.

O edifício da Praça Velha, junto à igreja do Rosário e pertença de Felício José Amaral, moleiro e sócio de Marcelino José Pacheco, no ofício, serviu de paços do concelho até 4 de Abril de 1869, data da inauguração do actual. Presentemente, é biblioteca Municipal com um movimento diário de cinquenta utilizadores.

O património natural e edificado da Povoação inclui ainda um parque zoológico, com uma variedade muito vasta de pássaros e outras aves, além de dois casais de símios, um deles já com dois filhotes nascidos neste parque, que constituem motivo de grande animação para todos os visitantes.

Toda a paisagem da freguesia e do município é de uma beleza dificilmente igualável. Assim, os passeios pedrestes podem ser incentivados pelo turismo local e aproveitados por todos aqueles que demandam esta ilha. Dado o excepcional clima temperado que se goza em toda a região, e nesta vila muito em especial, e em virtude das excelentes condições atmosféricas, próprias da região em que o arquipélago se situa, com uma reduzida amplitude térmica, aliada a uma humidade propícia, influência da constante proximidade marítima, os nossos verdes das pastagens apresentam cambiantes e tonalidades dignas de registo dos amantes da fotografia, da pintura ou simplesmente da apreciação pelos amantes da natureza nesses saudáveis passeios pedestres. Toda a vila regista percursos próprios para a prática deste saudável desporto. Os percursos tanto se podem verificar à beira-mar como a média e alta altitude. Embora todo o ano ofereça dias e mesmo longas temporadas de tempo propícias a este desporto, os melhores meses são contudo os compreendidos entre Junho e Outubro.

Em termos de festividades na Povoação, destaque-se em primeiro lugar o Festival da Canção Infantil “Caravela d’Ouro”. realizado habitualmente em Abril, é uma iniciativa do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal. A ele concorrem, todos os anos, crianças de todo o Arquipélago.

O primeiro premiado tem direito a participar na Gala dos Pequenos Cantores da Figueira da Foz. O premiado desse concurso, por sua vez, tem direito a participar no Sequim de Ouro, que se realiza actualmente em Itália. O segundo classificado representa a Região Autónoma dos Açores no Festival da Canção Infantil da Madeira. O terceiro representa este concelho no Festival da Costa Azul, em Setúbal.

A Feira do Livro da Povoação é promovida por professores da Escola Maria Isabel do Carmo Medeiros, com o apoio da autarquia local. Realiza-se anualmente no auditório municipal.

No primeiro domingo de Outubro, no jardim municipal, ocorre o grandioso Festival de Bandas, com a participação de todos os agrupamentos do género do município.

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